segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

AFINAL, EXISTE OU NÃO DIFERENÇA ENTRE ESPIRITISMO E UMBANDISMO ?

         A UMBANDA E O ESPIRITISMO

Publicado: 27/02/2009 em Estudo 1 - UMBANDA - Conceitos Básicos

 
Algumas pessoas, por falta de esclarecimento e ignorância dos fatos, infelizmente classificam, erroneamente e de maneira pejorativa, a Umbanda como “baixo espiritismo” ou mesmo como parte do próprio espiritismo. Podemos afirmar que o que as duas doutrinas têm em comum é o desejo de ser útil ao mesmo Senhor, embora com formas de trabalhos que na experiência são diferentes, mas no fundo, se integram na ação fraterna.

A Umbanda, em seus fundamentos, não tem nada a ver com o espiritismo, o que não é bem esclarecido nos meios umbandistas e espíritas. Começa aí a confusão, toma-se o nome “Espírita” como se ele designasse todas as expressões de mediunismo, e assim foi se descaracterizando muito a Umbanda. Por outro lado, Espíritos têm baixado ao mundo com a missão de esclarecer, e de certa forma, dar um corpo doutrinário a Umbanda, mas são ignorados por muitos adeptos.

A Caridade é a Lei Universal, e nós que trabalhamos nas searas umbandistas, devemos ter nela um guia infalível para o desenvolvimento de nossas atividades, assim como todos os Centros Espíritas que dizem adotar a codificação de Kardec não são, na realidade, espíritas, também muitas Tendas e Terreiros não representam os verdadeiros conceitos da Umbanda.

Podemos notar que muitos umbandistas permanecem ainda ignorantes das verdades e dos fundamentos de sua religião, baseados nisso temos que trabalhar unidos pelo bem e esperar, que o tempo haverá de corrigir todos os equívocos através da experiência que vivenciamos no dia-a-dia.

Há de se lembrar que o mundo espiritual é habitado pelos espíritos, seres inteligentes da criação, imateriais, que mantêm sua individualidade e assim têm formas de pensar diferentes, formando então, grupos de afins. Mesmo assim, podemos observar espíritos, de diversos grupos, trabalharem em conjunto, unidos nos trabalhos de cura e desobsessão, mas o fato de trabalharem juntos não os faz robôs, como já dissemos, eles não pensam de maneiras iguais, guardam sempre a sua opção íntima. Nisso está a verdadeira fraternidade, que nos amemos uns aos outros e respeitemos as convicções pessoais, pois se os métodos de trabalhos se multiplicam ao infinito, o senhor da vinha permanece um só, Jesus, ou como nós o chamamos “Oxalá”.

O espiritismo é a doutrina codificada por Allan Kardec e inaugurada na Terra em 18 de abril de 1857, na França, e que tem o objetivo de estudar as Leis Espirituais que regem os dois mundos, e os princípios superiores da vida. Esse estudo forneceu a chave que explicou cientificamente, tanto a religião nativa quanto os cultos africanos, pois explicou a possessão como incorporação dos Espíritos em pessoas dotadas de tal faculdade mediúnica.

A Umbanda embora seja uma religião de caráter mediúnico, não é espiritismo, nem alto e muito menos baixo, assim como não podemos dizer que a Umbanda e o Candomblé sejam a mesma coisa, mesmo assim alguns umbandistas se denominam “Médiuns Espíritas tal” ou falam “Tenda Espírita tal”. Sabemos que a palavra “Espírita” ou “Espiritismo” foi criada por Kardec para designar a Doutrina Codificada pelos Espíritos, no entanto aqui no Brasil, talvez por falta de orientação, as pessoas tomaram emprestado o termo “Espírita” e passaram associá-lo e designá-lo a toda manifestação mediúnica, essa confusão se estabeleceu por causa da desinformação por parte do povo, que devida à divulgação da Doutrina Espírita, aproveitaram e tentaram unir as duas expressões “Umbanda” e “Espírita”, embora sejam distintas uma da outra.

A Umbanda é uma religião sincrética, pois fundiu quatro culturas religiosas, criando uma quinta bem distinta, pois não podemos dizer que a Umbanda é “Culto de Nação”, ela também não é “Pajelança”, não é “Espiritismo” e tão pouco “Cristianismo”, é simplesmente Umbanda, é uma religião criada e arquitetada para combater o mau uso das forças negativas, a magia negra, e com bases sólidas na Caridade, esclarecer e instruir os homens, e para isso cultua e trabalha utilizando todos os recursos oferecidos pelas energias magnéticas das forças da natureza, personificadas e representadas através dos Orixás, seus médiuns utilizam roupas brancas, como uniformes, colares em alguns casos, banhos energéticos, e todo um instrumental para canalizar essas energias psíquicas em seus trabalhos.

Embora trabalhem com expressões do mundo espiritual, seus métodos de trabalho se diferem, pois se baseiam em ensinamentos diferentes, mesmo que, algumas vezes, os umbandistas recomendem os livros espíritas, que servem somente para um esclarecimento sobre as questões do Mundo Espiritual e suas relações com o Mundo Material, suas doutrinas e bases são distintas, contudo, reina as Leis do Amor, do Respeito e da Caridade, as quais devem ser sempre a base para reger as relações entre a grande família espiritual.

AFINAL ! JESUS É OU NÃO É O ORIXÁ OXALÁ ?

OXALÁ É JESUS?

“É cristão por princípio e sentimento, espírita por intuição e que adora as coisas da magia”
Das Macumbas à Umbanda, José H. Motta Oliveira
Essa frase simples e sucinta possui uma representatividade singular para o contexto da formação da Umbanda e se você veio até esse texto em busca da explicação sobre a relação do Orixá Oxalá e Jesus é pelo sincretismo que envolve e marca a Umbanda como autêntica religião brasileira que nós iremos destrinchar o assunto.
Oxalá é outro nome para Jesus? 
À essa pergunta escutamos um belo e sonoro NÃO. Como assim blog? Vamos explicar..
Para Jesus irão se criar diversas leituras da sua presença, por exemplo, para o católico ele está como a segunda pessoa da trindade, que seriam as três presenças de Deus manifestados. Pai que corresponde ao Criador, Jesus (que também é Deus) o filho encarnado e o Espírito Santo que é a manifestação (como o nome mesmo já diz) do Espírito de Deus em seus filhos.
E assim Jesus pode ser o Messias para algumas crenças, o Mestre para outras e o Profeta em outras tantas. Na maioria das casas de Umbanda Jesus é entendido como Oxalá e isso acontece em razão das semelhanças entre as qualidades e simbolismos que acabam por aproximar essas duas presenças dentro dessas crenças.
Por exemplo Jesus é a expressão máxima da fé em Deus e Oxalá além de ser o Orixá que ativa a fé dos seres é considerado o primeiro dos Orixás, sendo que na maioria dos Congás ocupa a posição mais alta desse espaço.
No entanto, Oxalá é uma divindade de origem nagô-iorubá e nessa cultura é ele o Rei de Ifé e o responsável pela criação do mundo. Quando trazemos ele para o contexto das religiões nascidas em solo brasileiro ele irá ser entendido de outras formas (assim como falamos sobre Jesus) e até mesmo dentro da Umbanda ele pode ter compreensões diversas por entre as vertentes disseminadas.
Contudo, Oxalá é Orixá e na Umbanda Orixá é uma qualidade ou fragmento de Deus e como tal não pode ser Jesus, pode sim – como dito – ter particularidades em comum, mas o culto à Oxalá se percebe na Umbanda enquanto divindade de Deus.
Já à Jesus se estabelece na Umbanda a relação de mestre maior, aquele que encarnou para trazer a boa nova e para promover revoluções na concepção de mundo vivida naquele momento.
A fé que eu tenho no meu Orixá..
Quanto a outras crenças que cultuam Oxalá teremos a leitura do Candomblé, que também se difere da Umbanda e como bem explica Pai Alexandre Cumino no estudo em  Orixás na Umbanda, acontece porque Pai Oxalá não se limita as crenças estabelecidas e é maior que as religiões e suas doutrinas, sendo interpretado de maneiras diferentes por entre elas.
Jesus nessa perspectiva pode ser um filho de Oxalá, um chefe de falange, um mestre ascencionado, um avatar, um espírito em alto grau hierárquico que encarnou já com algum tipo de missão designada, mas ele não se configura como a divindade ou o sentido e o mistério de Deus que rege a fé das pessoas como um Orixá. É comum que as religiões humanizem suas divindades atribuindo aspectos vividos por nós nessa realidade à elas.
Jesus Cristo é a humanização histórica mais conhecida por entre as religiões do mistério de Deus, tido a nós como Oxalá e que emana de si a busca pelo encontro com o Sagrado.
As histórias sobre a passagem de Jesus em terra referem-se exatamente a isso, ao jovem Mestre que conduzia seus discípulos a se transcender em si, reavivando neles a fé em si, em Deus e na manifestação do Pai e cada um de nós.
Esse mistério é tão grande que não se conceitua apenas como a fé nas crenças ou nas religiões, mas a fé na sua verdade, na sua realidade e isso é exemplificado até na função de Oxalá na criação.
Nos mitos o Orixá é descrito como o primeiro dos Orixás, é ele quem cria a realidade do nosso planeta para que depois os outros Orixás possam gerar, ordenar, renovar…
Quem dá sustentação à sua verdade? Quem dá sustentação à sua fé? Quem é aquele que é o regente da verdade, da fé, da esperança, daquilo que acalenta os corações e traz paz pra você, para sua comunidade e para todos aqueles que buscam algo maior? É Oxalá.
Alexandre Cumino, em Orixás na Umbanda
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Epa Babá Oxalá!! Salve o Rei! 

Entenda sobre o universo dos Orixás e como eles são entendidos na sua religião no estudo Orixás na Umbanda com Pai Alexandre Cumino.

Texto:
Júlia Pereira


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3 Comentários

  1. vero1957blog disse:
    Assim penso!!! Excelente e esclarecedor. Nunca tive dúvidas!
  2. dpositive disse:
    Entao deaencarnado Ele é oxalá e encarnado é Jesus????!!! 🙏
    • Gustavo disse:
      Não! Orixás são forças da natureza. Há sacerdotes que se referem a eles como espíritos muito evoluídos, e que assim como nós, já foram um dia encarnados. Da mesma forma há os sacerdotes que os referem apenas como forças, energias, da natureza, que são animados até certo ponto (a depender do que você julgue como animado). Assim, mãe Oxum não mora no Rio, ela é o rio. Oxossi não mora na mata, ele é a mata. Iemanjá nao mora no mar… Seguindo a lógica, Jesus não é Oxalá. Por ser um espírito muito evoluído, talvez ele vibre preponderantemente na energia de Oxalá, assim como tambem vibre mais ou menos na energia de todos os outros, como todos nós.

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