domingo, 20 de setembro de 2015

Jornal de Umbanda Sagrada - Janeiro/2015 Diretor Responsável: Alexandre Cumino - 

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Incorporação não é possessão NA GRANDE MAIORIA das religiões, o fenômeno que chamamos de “incorporação” não é algo desejado e, assim, quando alguém entra em transe, geralmente, é algo contra a sua vontade. Por este fato, se usa o termo possessão e se afirma que tal pessoa está possuída. A própria palavra implica em algo que está sendo tomado à força, uma agressão. Assim é, por exemplo, no catolicismo, em que quando alguém é possuído ou tomado, logo isso é reconhecido como uma possessão demoníaca e o caminho mais indicado é fazer um exorcismo. Nas religiões Pentecostais, é costume incorporar o espírito santo e falar em línguas, o que também é um fenômeno de transe. Ainda neste seguimento, também se faz exorcismos dos capetas ou demônios que podem estar atrapalhando a vida de alguém. Nas novas religiões evangélicas brasileiras, houve uma demonização das entidades de Umbanda, especialmente Exu e Pomba Gira, e assim, é comum que os adeptos incorporem estas entidades como se elas fossem demônios que necessitam ser expulsos. O que, do ponto de vista da Umbanda, é um absurdo claro. Este quadro em torno do transe, aqui chamado de possessão, faz com que se crie um grande quadro imaginário em torno do que chamamos de incorporação na Umbanda, o que confunde um pouco, tanto quem é de fora, quanto quem está chegando na religião. Muitas pessoas chegam aos templos de Umbanda acreditando que serão possuídas pelos guias de Umbanda, acreditam que serão tomadas de si mesmas e que as entidades espirituais entram em seus corpos independente de sua vontade, o que não é verdade - com raras exceções que devem ser analisadas e estudadas, caso a caso, para entender o que de fato está acontecendo. Na Umbanda, o transe de incorporação é algo desejado, o médium quer estar incorporado, o médium quer viver esta experiência, o médium admira e ama os guias espirituais e deseja esta proximidade. Então, quando entramos nesta realidade de Umbanda, em que todos querem incorporar, nos deparamos com o fato de que incorporar não é algo tão simples e que, embora seja para uma grande maioria, não é para todos. Ainda assim, há muitas dificuldades e bloqueios que impedem a incorporação, mas que podem ser trabalhados e neutralizados com um bom desenvolvimento mediúnico. Assim, podemos definir que a palavra “incorporação” é a mais utilizada para definir este transe em que um médium está manifestado com um guia de Umbanda, o que também cria outras dificuldades com relação à expectativa e ao entendimento que o médium tem sobre o que irá acontecer com ele no momento em que seu guia espiritual se apresentar. A palavra incorporar traz a ideia de que alguém vai entrar em você e, desta forma, a grande maioria acredita que, se alguém vai entrar alguém, tem que sair para dar espaço, e daí mais confusão e conflitos. Afinal, na grande maioria das vezes, quando incorporamos, nosso espírito não sai do corpo para um outro entrar, eles coabitam o mesmo corpo, por isso que o médium deve aprender a ficar quieto e não interferir para que seu guia possa se manifestar. Há inú- meras polêmicas em torno da palavra “incorporação”, no entanto, não há outra palavra que traduza melhor o que acontece, independente do fato de um espírito ter que “entrar” ou não em seu corpo para se manifestar, a sensação de quem está em transe é que alguém está se manifestando de dentro para fora em você. Embora o espiritismo traga muita luz e estudo sobre as diversas formas de mediunidade, é muito raro encontrar o transe de incorporação no meio espí- rita, o que mais vemos é a psicofonia, ou seja, a fala mediúnica, que difere do que chamamos de “incorporação”, na qual o médium fica totalmente caracterizado pela forma de manifestação de seus guias espirituais. A racionalização do fenômeno mediúnico é algo bom para seu entendimento, mas a racionalização excessiva pode atrapalhar mais que ajudar, simplesmente porque, no processo de transe e incorporação, há momentos em que o melhor é esquecer de tudo que é racional ou questionável e apenas se entregar, como um amante se entrega a seu amor, sem medidas ou questionamentos infindáveis. A incorporação é um ato de amor, no qual o médium tem a oportunidade de unir-se misticamente a seus guias e Orixás. Nas religiões de transe acontece isso, algo muito especial, seus mestres e suas divindades vem à terra e lhe tomam como morada para sua manifestação. O médium em si é um templo vivo recebendo a visita das entidades, as quais ele tem em alta conta dentro do que é sagrado e divino. O mesmo vemos no Candomblé, Catimbó, Pajelança, Tambor de Mina e outras religiões dos seguimentos afro-indígenas-brasileiro. O transe de incorporação é uma das manifestações mais antigas e arcaicas de religiosidade e espiritualidade. Muito antes de haver uma história escrita, os xamãs de todas as culturas já entravam em transe e recebiam espíritos e divindades por meios dos rituais mais variados. A incorporação não é uma invenção de Kardec e muito menos da Umbanda, ou de outras tradições atuais. A incorporação é algo ancestral e visceral no ser humano. Mesmo que encontre uma sociedade em que nenhuma religião de transe esteja presente, sempre haverá pessoas que entram em transe e têm algo de positivo como resultado de uma incorporação. Por isso tudo e muito mais, podemos dizer que: “incorporação não é possessão” e que é, de fato, algo muito desejado na religião, antes de mais nada, é o pilar de sustentação da Umbanda. Afinal, a própria religião nasceu da incorporação de um espírito chamado Caboclo das Sete Encruzilhadas em seu médium, Zélio de Moraes, no dia 15 de Novembro de 1908. 

"ORAÇÃO DO AMOR"

 
O QUE IMPORTA É FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM.
COMO ASSIM???


Já de algum tempo se popularizou no meio espírita-espiritualista-umbandista a afirmação (aforismo):
- o que importa é fazer o bem sem olhar a quem.
Vamos refletir melhor a respeito.
Quem faz o bem e não olha a quem presume que sabe o bem que este "desconhecido" precisa. Se sabe quem é o alvo do bem a ser realizado o "caldo" engrossa, pois julga saber o bem que o outro precisa. 

Isto é PRESUNÇÃO. 

Cria-se uma armadilha do ego, pois ao presumirmos o bem que o outro necessita, colocamo-nos como superiores, afinal não somos nós que precisamos deste bem a ser feito. 

O presunçoso chega ao ápice quando avisa o outro - vou orar por você. 

Agrava-se a situação se o tal indivíduo, por vezes nosso amigo ou parente, não deseja receber este bem e não é da mesma confissão religiosa que nós somos. 

Ou seja, ele não permite que executemos o bem para que este bem seja realizado a seu favor: colocar o nome nas preces e irradiações, levar a roupa para o passe do preto velho (fazemos escondido muitas vezes), pedir às entidades benesses a favor dos mesmos, fazer oferendas e colocar o nome escrito do sujeito...
Muitas vezes este bem presumido é um falso bem, pois desrespeita o livre arbítrio e o merecimento do ser ao qual presumimos estar fazendo o bem, pois interferimos nas experiências que cabem ao outro passar. 

Neste sentido, já dizia Paulo de Tarso:
- "pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico..."
Em verdade, não sabemos quem somos, desconhecemos nosso passado, o plano reencarnatório com nossas provas,...Assim presumimos, como pequenos "deuses", o bem que o outro precisa, no mais das vezes este outro sequer pediu ou autorizou, muito menos faz parte de nossa fé e doutrina.
Você, faz o bem sem olhar a quem???
Fica a dica de reflexão para este domingo!!!

Cantar pontos em casa.