quarta-feira, 27 de maio de 2015


         Em três oportunidades diferentes, sendo entrevistado por institutos de pesquisa no final do ano passado, fiquei intrigado com uma das questões. "Sua religião?" Naturalmente, respondi, Umbandista. Automaticamente, os pesquisadores marcaram um "x" em "Espírita. E, nas três oportunidades, pedi para que marcassem em "Outros" e registrassem a palavra Umbandista. Inclusive, isto me recorda o Censo de 2000, quando a questão não foi feita ou seja, todos os Umbandistas da residência, não foram considerados.

          Será que há interesses que desconhecemos ou foi uma distração?


          Na matéria: "Umbanda e Candomblé estão encolhendo no País", de Chico Otavio e Toni Marques, publicado em diversos jornais do País, na primeira semana de janeiro de 2005, chamou-me a atenção, pois mais uma vez, as referências estatísticas do IBGE, me forçaram ao raciocínio. 


Pelos registros do Censo de 1991 e 2000, no Brasil, o número de Umbandistas caiu de 541 mil para 397 mil, considerando os seus 5560 municípios. Por conseqüência, a média de Umbandistas caiu de 97 para 71 e, pela tendência, cada município hoje deve ter aproximadamente 50 Umbandistas e daqui a 20 anos "encherá uma kombi"! Creio que o dado não reflita a realidade, pois certamente, há muito mais Umbandista do que se imagina.

          Por outro lado, deve-se considerar que nas duas últimas décadas do século passado, houve um real e grande esvaziamento do Movimento Umbandista, devido ao surgimento de movimentos filo-religiosos, que apresentaram uma abordagem simples para a "entrada no Paraíso", criando-se grandes corporações, que disputam dia-a-dia, volumes consideráveis de dinheiro no "mercado da fé", em detrimento ao estímulo ao esforço individual para o crescimento e desenvolvimento do indivíduo. Tornando, portanto, o Movimento Umbandista como principal alvo do mercado, visto que é, teoricamente, mais fácil pagar pela salvação, do que se esforçar por ela.


          Mas o quadro está aí, para quem quiser ver! Em cem anos, temos o registro do "surgimento" da Umbanda, suas reais e incontestes dificuldades até a década de 40, o seu crescimento espontâneo (diga-se de passagem, sem os recursos atuais da tecnologia e comunicação) e, de repente, um esvaziamento... Não houve atualização? Valores individuais sobrepuseram aos coletivos? Houve uma falsa percepção de poder? Será que não está na hora de parar de "olhar o próprio umbigo"? Será que a questões menores de vaidade, inveja, orgulho e egoísmo, que tanto as "Crianças", "Caboclos" e "Pretos-Velhos" nos ensinam a evitar, não estão sendo assimiladas? 


          "Grãos de areia formam montanhas"! Alguém se lembra de quem foi a primeira pessoa a cumprimentar o atual Presidente da República, no momento da posse, nos salões do Palácio Alvorada? Isto mesmo, um representante dos ditos Cultos Afro-Brasileiros! Ora, o que foi feito com aquele momento? Qual foi a repercursão? Nada! Era digno de registro por todos aqueles de que certa forma estão ligados em suas raízes religiosas. Mas, não, creio que só eu tenha percebido.


          Talvez, um dos maiores problemas seja o da falta de raciocínio ou estímulo ao pensamento. Quando surgem iniciativas para este fim, a primeira, segunda, terceira tentativas é a de criar situações para o desaparecimento das idéias. Graças a Deus, isto mesmo, a Zamby de Preto-Velho e Tupã de Caboclo, temos um instrumento na mão, que querendo ou não, democratiza a informação, a Internet. Então, vamos usá-la! Vamos abrir espaços e ampliar os existentes para discussão, de forma inteligente, saudável e, principalmente, barata. Eficiência e eficácia ao alcance de todos.


          Afinal, quantos somos? Onde podemos encontrar o eco? Morei alguns anos em Curitiba e "não conheci nenhum Umbandista", apesar da existência, na época, de 16 Federações de Umbanda. Onde estavam os Umbandistas? As pessoas têm receio de dizer que são Umbandistas? Outro fato curioso é que um dos ícones na nossa história dos Cultos de Nação no Brasil, conhecida aqui e no exterior como a "Menininha do Gantois", sempre que inquirida nos Censos, dizia-se católica. É, ...


          Organizar o Movimento Umbandista não é tarefa fácil, se é que é possível, pois além dos aspectos culturais, regionais, étnicos e sociais, encontramos nesta "colcha de retalhos" muitas posições sobre "status quo" e "segredos de santos". Um dos maiores receios de muitos dirigentes de Terreiros é tornar público um conhecimento, infligindo ao seu detentor, a "perda de poder", estimulando portanto, a permanência (sic!) da tradição oral. Há centenas de anos, na origem das nossas raízes ameríndias, africanas e heleno-semitas, justificava-se, não haviam recursos abundantes para registros, poucos sabiam ler e escrever e algumas líguas não tinham a respectiva escrita. Assim, a tradição forçosamente tinha que ser oral e, por sua vez, considerando as pequenas comunidades, os escolhidos passavam a vida inteira ouvindo e falando sobre um determiando tema. Hoje, creio que seja difícil, só se abandonarmos as cidades e formos viver nas selvas desde crianças.


          Este estado de "não organização" ocorre a partir de alguns pressuostos: 1) Com algumas exceções, o Movimento Umbandista é caritativo, diferente de movimentos filo-religiosos comerciais; 2) Se a classe média foi a mola propulsora nas décadas de 40 a 70, esta mesma classe média ou melhor, o que resta dela está mais preocupada com a sua sobrevivência, omitindo-se de sua responsabilidade no processo, se é que tem; 3) Grande parte dos integrantes do Movimento Umbandista não está interessada em livros e estudos; 4) As Federações e Associações existentes, na sua grande maioria, não são reconhecidas. No Brasil, com tanta tutela, mandos e desmandos, envios e desvios, qualquer tentativa de "formalização" será inócua, se "as lideranças" não forem "ouvir as bases". Pesquisa é necessário. Caso contrário, será um teatro, pois as pessoas não estarão comprometidas com o principal, que é o essencial.


          Outro dia, acidentalmente, fui a um encontro onde, pelo que pude perceber, estava-se ensaiando algum tipo de normatização. Digo perceber, pois o grupo, pelo que parece, estava fechado, não me perguntaram quem eu era, o que estava fazendo ali e nem expuseram o que era o contexto. Fui embora antes do término, apenas com especulações à respeito. De certa forma preservei-me, mas escapou a oportunidade de oferecer o acesso a instrumento de comunicação, que é o primeiro site sobre Umbanda na Internet, que este mês completa 10 anos, com mais de 1 milhão de visitas. 


          Antes de se buscar uma "federalização", sindicalização", têm-se que buscar uma "associação", para que, mesmo nas divergências conceituais ou práticas, haja uma convergência de fortalecimento cultural.


          Naturalmente, alguns passos devem ser observados. Em primeiro lugar, determinar a sua identidade. Apesar de sempre repetir que a Umbanda não tem nacionalidade, mas em termos práticos, a Umbanda é a ÚNICA Religião Brasileira. Foi criada, moldada e amalgamada no Brasil. Isto é História! Se não o fosse, a Umbanda teria surgido espontâneamente na América do Norte, na América Central e em toda América do Sul. Não nego a Raiz Africana um de seus pilares, entretanto temos as "coisas nativas", específicas do Brasil e influências diretas da Europa e do Oriente, através do Judaísmo-Cristão. Para quem não sabe ou não se lembra, Cristo, sincretizado com Oxalá, era Judeu. A Igreja Católica tem toda a sua fundamentação no Judaismo-Cristão institucionalizado por Simão (Pedro), diferente da Igreja Ortodoxa, que foi moldada no Helenismo-Cristão, através de Paulo.  Outro dia, num encontro tido como Afro-Brasileiro, alguém manifestou "e pajelança?" ou outro respondeu: "não entra porque é coisa de índio"; Pode?


          Exemplos sobre estas dificuldades são muitos. Há uma resistência em se registrar informações para as gerações futuras:Um exemplo recente foi a reação contrária em função de se levar a Umbanda para o meio acadêmico, a Faculdade de Teologia de Umbanda em São Paulo, que por "acaso" há uma resistência, não do meio acadêmico, e sim de alguns setores do Movimento Umbandista.


          O que é, como posso compreender a pratica Umbanda?


          Creio que um desvio no início do movimento é que tenha e tem causado a nossa "salada de frutas". Talvez, o posicionamento inicial, como sendo "Culto Afro-Brasileiro" é que provocou a dissensão entre os seus seguidores, pois a falta da identidade inicial, causou a generalização, fazendo com que cada um desse um peso maior a sua crença de origem. Há quem diga, por exemplo, que ela é Cristã. Pessoalmente não concordo, pois Ela é contexto e não parte. E, sendo contexto, Ela é anterior ao advento de Cristo. Assim, para a nossa realidade da forma, Cristo é e pregava os valores de Umbanda.


          Criando-se a identidade a partir dos seus valores básicos, talvez a perspectiva de "rotular" a Umbanda como religião seja mais fácil. Alguns princípios e valores norteiam os praticantes de Umbanda. Assim, crendo-se na existência de um Deus único; Crendo-se numa hierarquia espiritual através da qual Deus emana a Sua Vontade; Crendo-se em entidades espirituais em evolução; Crendo-se em guias; Crendo-se existência da alma; Crendo-se na diversas modalidades de prática mediúnica, como forma de desenvolvimento espiritual e de prática de caridade; Crendo-se na movimentação de energias e utilização dos recursos naturais (dos reinos vegetal, animal e mineral) para louvação, pedidos, curas, prática do bem, etc; está-se praticando Umbanda. 


O que não se encontrar neste entendimento, não é Umbanda (isto, repito, considerando sempre a nossa realidade da forma). 

          Talvez, este seja um caminho. O resto, é adereço. Por exemplo, o Pai Velho e o Caboclo que me assistem, utilizam-se do tabaco. Mas em outros locais, talvez não o utilize, e daí? Se os "credos" acima são praticados, não importa.
          Assim, independentemente de nomenclaturas, símbolos, referências arquétipas, espaços, instalações, cores, o ponto é, o que A norteia. A Umbanda, felizmente, permite este ecletismo de entendimento, não ficando engessada e presa a tabus. Não importa se acredito que tal Entidade é de uma falange ou Vibração Ancestral e não de outra. O que importa é que tal Entidade Espiritual está desenvolvendo e praticando a sua Missão. Assim, se eu creio que a Cabocla de Iansã é uma Chefe de Falange da Vibração Ancestral de Yemanjá, não importa. Se outro acha que Ela é um Orixá Maior ou mesmo da Vibração de Xangô, não importa. O que importa é que as energias desta Cabocla de Iansã sejam canalizadas para o bem comum. Assim, todos os rótulos são adereços e acessórios do que compreendemos como Umbanda.
         

 Creio que o primeiro passo é o de se identificar, sem nominações, a Missão de Umbanda e quais os Valores e Princípios que a norteiam, para a nossa realidade da forma. Em seguida, ter em mente que a Umbanda é uma Religião e não um Culto Afro-Brasileiro, senão, teremos que reclassificar e mudar a forma de tratamento de todas as religiões (Por exemplo, a Religião Católica, os Evangélicos, ou o Cristianismo de uma forma geral, estaria classificado em Cultos Judaicos-Cristão, afinal, Cristo era judeu e não renegou o Deus que acreditava. Apenas, mudou a forma!)

          Logo, colocar debaixo de um mesmo "guarda-chuva" crenças diferentes, não funciona. Diria até que é uma forma prestigiar grupos, dificultando veladamente a sua interação e crescimento.


          Agora, fica a pergunta: há uma preocupação real em fazer com que a "Umbanda mostre a cara" ou pessoas desejam que Ela permaneça velada, retornando à clandestinidade?



Com votos de profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e contagiante harmonia nas suas ações, com prosperidade, força e minha benção.
Selo Astral de Mestre Thashamara

THASHAMARA

Vale sempre relembrar alguns dados de nossa Amada Umbanda!!!!

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DA UMBANDA   
  • 15 de novembro de 1908 - Zélio de Moraes, então com dezessete anos, mediunizado com uma entidade que deu o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas, funda, em Neves, subúrbio de Niterói, o primeiro terreiro de Umbanda. Usa pelo primeira vez o vocábulo UMBANDA, e define o movimento religioso como: "Uma manifestação do espírito para a caridade".  
  • Novembro de 1918 - O Caboclo das Sete Encruzilhadas dá início à fundação de sete Tendas de Umbanda. Todas as Tendas foram fundadas no Rio de Janeiro.
  • Ano de 1920 - A Umbanda espalha-se pelos Estados de São Paulo, Pará e Minas Gerais. Em 1926 chega ao Rio Grande do Sul e em 1932 em Porto Alegre.  
  • O advento do Caboclo Mirim - Em 1924, manifestou-se no Rio de Janeiro, em um jovem médium, Benjamim Figueiredo, uma entidade, Caboclo Mirim, que vinha com a finalidade de criar um novo núcleo de crescimento para a Umbanda. Assim, toda a família do médium foi chamada a participar. Eram ao todo 12 pessoas que deram início ao que foi chamada a Seara de Mirim. Após 18 anos, em 1942, foi fundada a Tenda Mirim, à rua Sotero dos Reis, 101, Praça da Bandeira; mudou - se, posteriormente, para a rua São Pedro e depois para a Rua Ceará, hoje Avenida Marechal Rondon, 597. Também desta Tenda saíram vários médiuns que se responsabilizaram pela criação de Tendas de Umbanda ao longo de todo território nacional. A primeira casa dela descendente foi criada, em 30/06/51, como filial, em Queimados, Nova Iguaçu, à rua Alegre, s/n. Depois desta, novas casas foram abertas em Austin,  Realengo, Colégio, Jacarepaguá, Itaboraí e Petrópolis. A primeira casa, descendente do Caboclo Mirim, aberta fora do Rio de Janeiro foi a de Assaí, no Paraná. Até 1970, já tinham sido abertas 32 casas.
  • Ano de 1939 - Os Templos fundados pelo Caboclo das Sete encruzilhadas reuniram-se, criando a federação Espírita de Umbanda do Brasil, posteriormente denominada União Espiritualista de Umbanda do Brasil, incorporando dezenas de outros terreiros fundados por inspiração de "entidades" de Umbanda que trabalhavam ativamente no astral sob a orientação do fundador da Umbanda.
  • Outubro de 1941 - Reúne-se o Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda. Outros Congressos havido posteriormente retiraram acertadamente o nome espiritismo que, de fato, pertence aos espíritas brasileiros, os quais seguem a respeitável doutrina codificada por Alan Kardec. Em suma,
    • o espírita pratica o espiritismo
    • na Umbanda pratica-se o Umbandismo.
            Neste Congresso foi apresentada tese pela Tenda S. Jerônimo, propondo a descriminalização da prática dos rituais de Umbanda.  O autor, Dr. Jayme Madruga, a par de um minucioso estudo de todas as constituições já colocadas em vigência no Brasil, busca também em projetos como o da Constituição Farroupilha e nos códigos penais até então vigentes e no que haveria de vigorar após 01 de janeiro de 1942, os argumentos mostrando que o caminho da Umbanda começava a ser aberto e que caberia aos Umbandistas buscar acelerar o processo com declarações e resoluções partindo daquele congresso, em prol da descriminalização da prática da Umbanda. Em 1944, vários umbandistas ilustres, entre eles vários militares, políticos, intelectuais e jornalistas,  apresentam ao então Presidente Getúlio Vargas um documento intitulado "O Culto da Umbanda em Face da Lei" e consegue daquela autoridade a descriminalização da Umbanda. Este fato, que foi extremamente positivo, trouxe como subproduto uma perda de identidade muito grande Por parte de nossa religião, uma vez que todos terreiros, das mais variadas seitas, incluíram em seus nomes a palavra Umbanda como forma de fugir à repressão policial. Como nossa religião, nessa época, não tinha um rito claramente definido e nem a formação de sacerdotes, o que gera uma hierarquia, a Umbanda ficou à mercê dessa deturpação; outro fato que fortaleceu essa descaracterização foi que, sendo um período de crescimento, não se buscava a qualidade dos Terreiros que se filiavam à Federação, ou à União que lhe sucedeu, e, finalmente, ao CONDU.
  • Foi criado em 12 de setembro de 1971, na cidade do Rio de Janeiro, o Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda - CONDU, que congrega as Federações de Umbanda existentes ao longo do país, atualmente, contando com mais de 46 Federações, de norte a sul do país, reunindo representantes de mais de 40.000 Terreiros de Umbanda. "
  • Em 1972, em mensagem psicografada por Omolubá, enviada pelo poeta Ângelo de Lys, confirma-se a origem da Umbanda no Brasil, através do médium Zélio de Moraes.  
  • Em 1977, o CONDU reconhece, publicamente, como verdadeira a origem da Umbanda no Brasil.
  • Novembro de 1978 - Surge o livro "Fundamentos de Umbanda, Revelação Religiosa", de Israel Cisneiros e Omolubá, que vem colocar nos seus devidos lugares a questão da origem da Umbanda. - portador de mensagens do astral, trazendo, por fim, após 70 anos de existência da Umbanda, as bases teológicas e norteadoras da doutrina umbandista, com fundamentos integrais da nova religião e sua verdadeira origem. O livro expõe a estrutura básica do movimento religioso, no sentido de elevar a Umbanda à justa posição de RELIGIÃO eminentemente brasileira.
            Neste momento,  que podemos definir como sendo o início desse novo período; assume-se a
    Umbanda como religião brasileira e através desse livro começa o primeiro movimento consistente para dar a ela uma base teológica.  Após este primeiro livro, seguir-se-ão outros, de Omolubá, em especial os "Cadernos de Umbanda", que incontestavelmente dão continuidade  ao movimento de consolidação do ritual de Umbanda e, mais ainda, a criação de uma hierarquia, baseada na formação sacerdotal, fundamental para a manutenção das bases ritualísticas e conceituais apresentadas na primeira obra: Fundamentos de Umbanda.
        Decorridos setenta anos de existência da Umbanda no Brasil, compreendidos entre 1908 / 1978, passou este curto espaço de tempo, porém significativo, a ser conhecido entre os estudiosos da causa como Período - Propagação da única e genuína força de credo, nascido neste século, em terras brasileiras.
        Certamente que Zélio de Moraes, famoso médium já desencarnado, não iria supor que passadas menos de seis décadas, aquela crença, nascida no modesto bairro de Neves, fosse classificada, entre as religiões existentes, como a segunda do país, comportando mais de vinte milhões de seguidores, num crescendo espantoso de fiéis, apesar das perseguições policiais a que foi submetida, das intrigas da religião majoritária, além do completo descaso de todos os governos até a data atual, mesmo tratando-se de uma preferência natural, espontânea, de mais de um sexto da população. Hoje, o movimento mágico e religioso da Umbanda estende-se por todo o Brasil, professado como pobreza e humildade, sem proselitismo, sem explorações na magra bolsa do povo, sem  dízimo compulsórios, mistérios mistificantes e regular envio a "royalties da fé" para o exterior.
        Embora a Umbanda se apresente, muitas vezes, uma tanto desfigurada, com nuanças religiosas, reconhecemos que isso decorre desse período-propagação, no afã de conquistar almas, ainda que respeitando ambientes regionais. E nunca deixou, através das verdadeiras guias, de oferecer amparo prático, ajuda, orientação e, sobretudo, de inspirar o desejo de reascendimento dos corações que dela se socorrem, apontando sempre a eterna chama da esperança de dias melhores, calcados, naturalmente, na ação correta de cada instante, na cordura, no companheirismo e na fraternidade.
        Os mentores da Umbanda, sediados na Aruanda (cidade localizada no plano astral), já determinaram sabiamente o procedimento normativo, religioso para os setenta anos vindouros, 1979/2049, como sendo o período de Afirmação Doutrinária. Obviamente, a doutrina de Umbanda ficará como ponto essencial para a estabilidade e perpetuação desse movimento, na forma digna, ensejada pelo estudo constante, a par do esforço sincero de cada devoto, no sentido de conduzir a Umbanda, no plano físico, a um merecido status de religião organizada, a serviço da comunidade religiosa nacional.
        No imenso campo místico da nossa Terra, onde proliferam, abundantemente, conceituações religiosas diversas, algumas das quais exóticas, cheias de superstições, interpretações confusas e duvidosas, mercantilismo, fanatismo, mistificações, "curas divinas" e desonesto profissionalismo pastoral, a Umbanda, sobranceira, erguerá seu edifício religioso, tendo como obreiros da primeira e da undécima hora, devotos excepcionais, médiuns sinceros, babalorixás e ialorixás honestos que, há muito, já assumiram posição na hierarquia de responsabilidade e trabalho, cônscios de que a quantidade será relegada a segundo plano, em proveito da qualidade, e convictos de que, em matéria doutrinária, não pode nem deve haver transigências oportunistas, confirmando-se, desse modo, que "Umbanda é coisa séria para gente séria".
        Umbanda, sendo a única religião criada no Brasil, não pode ser dividida. Quem tiver esta pretensão cairá no ridículo. A nossa religião deve ser tratada com todo carinho, amor, serenidade e estudo, sobretudo com a renovação de caráter dos que a professam para que a mesma possa espelhar a grandeza de sua doutrina. A Umbanda se sente desmerecida com o tratamento que lhe dispensam boa parte de terreiros onde se vê:
  • mais animismo do que mediunísmo; 
  • mais interesses cúpidos do que magias; 
  • mais deslealdades do que autenticidades; 
  • mais personalismo do que espiritismo.
        O sacrifício de animais (oferenda de sangue) nunca foi, não é e nem será ritual de Umbanda
  • Não cobrar, 
  • não matar, 
  • usar o branco, 
  • e utilizar as forças da natureza são rituais de Umbanda
        Portanto, podemos afirmar que a Umbanda é produto da evolução espiritual ou religiosa. Suas origens estão contidas nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado, que implantada em nossa terra, reuniu-se as práticas dos conceitos e crenças do índio, branco e negro.
        Cavalcante Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo umbanda como: 
  • "Arte de curar", 
  • "Magia", 
  • "Faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural"; 
  • ou ainda "Os sortilégios que, segundo se presume, estabelecem e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico". 
        O vocábulo "Umbanda" só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas. Todavia, entre os angolenses existe o termo "Quimbanda", que significa "sacerdote, invocador de espíritos", firmado no radical  mbanda , conservado através de milênios, legado de tradição oral da raça africana, o qual é uma corruptela do original u-banda ou aum-bandhã.
        "Toda essa complexa Mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas... era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentavam como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Surgiram práticas as mais confusas e desordenadas, envolvendo oferendas com sacrifício de animais, sangue, etc., e por isso tudo fez-se imprescindível um novo movimento dentro desses cultos ou de sua massa de adeptos, feito pelos espíritos carminantes afins a essa massa e pelos que, dentro de afinidades mais elevadas, se aplicam no amor e na renúncia em prol da evolução de seus semelhantes, o qual foi lançado através da mediunidade de uns e outros pelos Caboclos e Pretos Velhos, com o nome de Umbanda. O termo umbanda que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente (ensinaram que) é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus".
        A Umbanda é um "movimento mágico religioso", genuinamente brasileiro, e a sua finalidade primordial como religião é a de despertar anseios de espiritualidade na criatura humana. Para que esse despertamento se faça, torna-se necessário um permanente estado de religiosidade, onde toda vivência é baseada na compreensão e plena sensibilidade (não sentimentalismo), para com tudo e todos que nos cercam e compõem a humanidade.
        A Umbanda é uma doutrina espiritualista como o Espiritismo, o Catolicismo, o Esoterismo, etc... o que não impede de haver entre elas diferenças essenciais que lhe dão características próprias. É resultante natural da fusão espiritual das raças branca, índia e negra.
        Sua lei principal é resumida numa só palavra: CARIDADE - no sentido do amor fraterno em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social, não podendo haver ambicioso, vaidoso, mistificadores, pois estes, mais cedo ou mais tarde, são afastados da Umbanda pelos espíritos de luz.
BIBLIOGRAFIA:
ESTUDO DA UMBANDA 1, 2, 3 E 4 DO CENTRO ESPÍRITA VOVÓ JOANA DA BAHIA. RUA  126 Nº 148 - JARDIM DA PAZ - MAUÁ - RIO DE JANEIRO
UMBANDA - RELIGIÃO DO BRASIL- EDITORA OBELISCO
A UMBANDA BRASILEIRA - JOSÉ FONSECA
O CULTO DE |UMBANDA EM FACE DA LEI- VÁRIOS UMBANDISTAS -RIO DE JANEIRO/1944
SELEÇÕES DE UMBANDA - BABALORIXÁ OMOLUBÁ
UMBANDA - SUA CODIFICAÇÃO  - EDYR ROSA GUIMARÃES  ALMIR S. M. DE LIMA
MAGIA DE UMBANDA  - BABALORIXÁ OMULUBÁ
CADERNOS DE UMBANDA Nº 3 - BABALORIXÁ OMULUBÁ
GRAVAÇÕES FEITAS PELA VOZ DE ZÉLIO DE MORAES. E POSTERIORMENTE POR SUAS FILHAS ZÉLIA E ZILMÉIA.
Todos os documentos que comprovam a verdade destes fatos estão arquivados na CASA BRANCA DE OXALÁ TEMPLO UMBANDISTA - Rua Barbacena 35 - Lagoa Santa - Minas Gerais CEP 33400-000
Dirigentes: Solano de Oxalá e Maria de Omolú

        Em 1935 estavam fundados os sete templos idealizados pelo caboclo das Sete Encruzilhadas, coroando de êxito o que nos parece ter sido um dos movimentos, entre outros semelhantes e não registrados, mais importantes da criação da Umbanda no Brasil.
        Zélio desencarnou em outubro de 1975, aos 84 anos de idade. De seu trabalho resultou a Umbanda de hoje, que abrange cerca de 30 milhões de adeptos, segundo estimativas apresentadas no 2º Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Lagos, na Nigéria, pelo professor René Ribeiro, da Universidade Federal de Pernambuco, que demonstrou que a Umbanda era a religião que mais crescia no Brasil. O professor Ribeiro baseou-se em dados do IBGE.

LUZES DO BEM : Mediunidade reconhecida pelos Papas

LUZES DO BEM : Mediunidade reconhecida pelos Papas: "O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo" - Jo...
                  Filosofia Materialista

Define o educando como um ser biológico, que vai desenvolver as suas potencialidades intelecto-morais, através de um trabalho mental, com sede no cérebro, potencialidades estas que variam, de indivíduo para indivíduo.

Como esta Filosofia está baseada no raciocínio de que o homem só vive uma única existência, que se extingue com a morte, a Educação visará somente munir o ser de conhecimentos para que tenha uma profissão rendosa, buscando apenas atender aos valores imediatista da vida.

Filosofia da Unicidade das Existências

Esta filosofia defende a ideia de que o educando é um ser que possui uma alma, criada por Deus no momento do seu nascimento, cujo destino, após a morte, dependerá das suas ações boas ou más, destino esse que será eterno.

Dentro deste raciocínio, a Educação nem sempre atingirá seus objetivos, porque o educando, não encontrando respostas para diversas questões, principalmente as que dizem respeito às desigualdades sociais, aos sofrimentos sem causa aparente, não se sentirá propenso à prática do bem, questionando inclusive a bondade e justiça de Deus.

Filosofia Reencarnacionista

As doutrinas reencarnacionistas, principalmente a Espírita, dão um enfoque diferente, conceituando o educando como um ser espiritual, imortal, que preexiste ao corpo físico e, após o fenômeno da morte, fica um período no mundo espiritual, até novamente retornar ao mundo corpóreo, por intermédio de uma nova encarnação.

Criados simples e ignorantes, os Espíritos encarnam com a finalidade de atingirem à absoluta perfeição moral, ao estado de Espírito Puro. 

Para cumprir este mister, é necessário fazer crescer as duas asas: a do amor, através do desenvolvimento do senso moral; e a do saber, pelo aculturamento do ser imortal, e para tanto dispõe do tempo necessário nos diversos estágios reencarnatórios.

Emmanuel, na questão 204 do livro O Consolador, assim se expressa:

O sentimento e a sabedoria são duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.

No círculo acanhado do orbe terrestre ambos são classificados como adiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.

Para realizar este crescimento, o Espírito terá necessidade de receber certas informações e experiências de outros seres que já as adquiriram e vivenciaram. 

Este o papel da Educação.

Em visto disso, o processo educacional pode ser desenvolvido nas diversas fases da vida física (infância, adolescência, mocidade e madureza) e continuada após a desencarnação, no mundo espiritual, já que na lei de Deus só existe um determinismo  a Lei do Progresso.

No livro O Mestre na Educação, Vinícius ao enfocar o assunto, no capítulo intitulado Educação, assim se expressou
 
Enquanto os homens persistirem no erro de colocar em primeiro lugar o corpo, nada de que o corpo depende estará acautelado e seguro.

Logo, porém, que o Espírito esteja acima da matéria, a razão acima do estômago e o sentimento acima dos interesses, os problemas da vida humana terão pronta solução. 

Este critério está de acordo com as seguintes palavras daquele que é a luz do mundo: 

Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça; tudo o mais vos serão dado de graça e por acréscimo.

Por isso, e para terminar este capítulo, repetimos as sábias palavras do Espírito André Luiz:

A EDUCAÇÃO DA ALMA É A ALMA DA EDUCAÇÃO.

Homem é espírito eterno.
Seu corpo é vestuário
Que a alma usa na Terra,
Em caráter temporário
.

José Fuzeira

(Do livro Trovas de Sombra e de Luz).
Do Livro: A Educação à Luz do Espiritismo.
- Lydienio Barreto de Menezes. 

Pretende entender mais sobre os EXÚS? Está aí sua possibilidade !!!!!

Saravá , esta é a última chamada!
" EXU é o Ponto Forte e o Ponto Fraco da religião. Forte quando se entende e se conhece sobre sua atuação. Fraco quando não se sabe ao certo sobre esta força."
Ainda dá tempo de você participar desta turma e ter a oportunidade de descortinar este mistério, quebrar tabus, mudar paradigmas e ficar do lado forte de Exu.

Se não há Umbanda sem Exu, então cabe a você se permitir a um entendimento mais profundo sobre Exu para uma Umbanda mais saudável e pé no chão.

Exu é bom e mal? Exu é faca de dois gumes? Exu dá e depois tira? Exu cobra sacrifícios? Exu é inconsequente? Exu tem natureza estática? Exu responde a Orixá? Tem Exu Homem e Exu Mulher? Exu precisa se esconder do Congá pra trabalhar? Exu isso... Exu aquilo... São tantos questionamentos que pairam no ar, na fantasia, na mística da Umbanda.

Te espero nesta turma, prazo máximo até 31/05

ACADEMIA: Texto= Renovação da Umbanda Urbana contemporânea: Por Luan Rocha de Campos

Dear Antonio, You read the paper " Algumas observações em torno da renovação na Umbanda urbana contemporânea "...