quarta-feira, 27 de abril de 2016

TV Mãe Divina – Sou filho de qual Orixá?

TV Mãe Divina – Sou filho de qual Orixá?: Um dos maiores conflitos ou dúvidas dos médiuns iniciantes na Umbanda é: 'Sou filho de qual Orixá?' Pai Marcel aborda este tema e esclarece algumas dúvidas e dá um bom direcionamento nessa caminhada. Gostou? Curta e Compartilhe! Site: www.templomaedivina.com.br Apoio: www.umbandistas.com.br Produção: www.guibrandao.com.br

A Magia das Pedras

A Magia das Pedras: As pedras são elementos mágicos por excelência. Porém, sem conhecer seus fundamentos, de nada adiantará manipulá-las. Será pura perda de tempo e nada mais. Mas, um médium-magista que conheça o poder oculto do seu Guia-chefe, Exu, ou mesmo reino elemental regido pelo seu regente natural (Orixá ancestral), este sim poderá manipular as suas “pedras mágicas”…

Dar de graça o que de graça recebemos!

Dar de graça o que de graça recebemos!: O bem mais precioso, que é a vida, nos foi concedido gratuitamente assim como a presença de Deus; são bens que não se compram, vende ou troca.  Daí a máxima: “dar de graça o que de graça recebemos”.  Por esta máxima se dá a postura ética de não cobrar um único centavo pelo trabalho espiritual…
                          

                          A Linha do Oriente na Umbanda


Por Edmundo Pellizari 

A Linha do Oriente é parte da herança da Umbanda brasileira.

Ela é composta por inúmeras entidades, classificadas em sete falanges e maioritariamente de origem oriental.

Apesar disso, muitos espíritos desta Linha podem apresentar-se como caboclos ou pretos velhos. 

O Caboclo Timbirí (caboclo japonês) e Pai Jacó (Jacob do Oriente, um preto velho bastante versado na Cabala Hebraica), são os casos mais conhecidos. 

Hoje em dia, ganha força o culto do Caboclo Pena de Pavão, entidade que trabalha com as forças espirituais divinas de origem indiana.

Mas nem todos os espíritos são orientais no sentido comum da palavra. 

Esta Linha procurou abrigar as mais diversas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora do brasileiro (índio, português e africano). 

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições budistas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. 

Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a freqüentar a Umbanda e trouxeram seus ancestrais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era comum nesta Linha a presença dos queridos espíritos ciganos, que possuem origem oriental.

Mas tamanha foi a simpatia do povo umbandista por estas entidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensinamentos.

Hoje a influência do Povo Cigano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.  

Existem muitas maneiras de classificar esta Linha e este pequeno artigo, não pretende colocar uma ordem na maneira dos umbandistas estudarem esta vertente de trabalho espiritual. 

Deixo a palavra final para os mais velhos e sábios, desta belíssima e diversificada religião. Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e médiuns afinados com a Linha do Oriente.

Namaste e Salve o Oriente!  

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para oferendas: 

As entidades gostam de colinas descampadas, praias desertas, jardins reservados (mas também recebem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos). 

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto. 

• Tabaco: Fumo para cachimbo ou charuto. Também utilizam cigarro de cravo.
 
• Ervas e Flores: Alfazema, todas as flores que sejam brancas, palmas amarelas, monsenhor branco, monsenhor amarelo.


• Essências: Alfazema, olíbano, benjoim, mirra, sândalo e tâmara. 

• Pedras: Citrino, quartzo rutilado, topázio imperial (citrino tornado amarelo por aquecimento) e topázio.

• Dia da semana recomendado para o culto e oferendas semanais: Quinta-feira. 

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Segundo dia do quarto minguante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas.
Enfiar sequencialmente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. 

As entidades indianas também utilizam o rosário de sândalo ou tulasi de 108 contas (japa mala).

Algumas criam suas próprias guias, segundo o mistério que trabalham.

CLASSIFICAÇÃO DA LINHA DO ORIENTE

Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 - Falange dos Indianos:  Espíritos de antigos sacerdotes, mestres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos integrantes é Ramatis.  Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 - Falange dos Árabes e Turcos: Espíritos de mouros, guerreiros nômades do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc...  A maioria é muçulmana. Uma Legião está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a misteriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

03 - Falange dos Chineses, Mongóis e outros Povos do Oriente:  Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curiosamente, uma Legião está integrada por espíritos de origem esquimó, que trabalham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia negra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 - Falange dos Egípcios: Espíritos de antigos sacerdotes, sacerdotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 - Falange dos Maias, Toltecas, Astecas e Incas:
Espíritos de xamãs, chefes e guerreiros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 - Falange dos Europeus:
Não são propriamente do Oriente, mas integram esta Linha que é bastante sincrética. Espíritos de sábios, magos, mestres e velhos guerreiros de origem européia: romanos, gauleses, ingleses, escandinavos, etc. Sob a chefia do Imperador Marcus I. Hoje nesta Falange se destaca a Legião dos Vikings, muito trabalhadora e guerreira. Nela, as entidades dividem-se em três grandes grupos, chamados de Barbas.  Existem os barbas amarelas, vermelhas e negras. Os mais importantes são os barbas amarelas, chefiados por Pai Bárbaro e Pai Kango, seguidos de Pai Peter (filho de Pai Bárbaro), Pai William (filho adotivo de Pai Bárbaro, que desde menino perdeu um olho e uma perna em batalha), Pai Robinson, Pai Viking, Pai Michael e Pai Jean Carlos (integrado na família por seus feitos marciais). Também encontramos mulheres, como Mãe Érica e Mãe Joana Viking.
 
Estes espíritos falam (ou misturam com a nossa língua) uma espécie de dialeto mágico chamado Vinlabo. 

Quando em trabalho nos terreiros os vikings são aguerridos, firmes, irônicos, sinceros e destemidos. Seus Pontos Riscados possuem espadas, serpentes, raios, animais marinhos e Runas!  Seus Pontos Cantados falam do mar, guerras, feras, ventos e tempestades.  São entidades invocadas, sobretudo, para destruir demandas, dar proteção, curar e aconselhar. Seu transe é muito intenso e profundo, exigindo do médium muita concentração e afinidade. Não aceitam mentiras e futilidades, por isso, buscam afilhados com alma guerreira e heróica. 

07 - Falange dos Médicos e Sábios:
Os espíritos desta Falange são especializados na arte da cura, que é integrada por médicos e terapeutas de diversas origens.  Sob a chefia de Pai José de Arimatéia. 

ALGUNS PONTOS CANTADOS E SUA MAGIA  

Aqui reproduzo alguns Pontos Cantados, mas destaco a sua eficácia mantrica e não somente invocatória.  Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com finalidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades para o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro.  Neste caso, os Pontos devem ser acompanhados das respectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU 

Para afastar energias negativas diversas.

Oferenda : velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc...), colocados dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chão com pemba amarela.
Ory já vem,  Já vem do oriente A benção, meu pai, Proteção para a nossa gente. A benção, meu pai, Proteção para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO

Para afastar os inimigos pessoais ou da religião umbandista.

Oferenda : velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chão com pemba branca. 
Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.
Tá fumando tanarim, Tá tocando maracá. Meus camaradas, ajudai-me a cantar, Ai minha gente, flor de orirí Ai minha gente, flor de orirí. Em cima da pedra Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ

Para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.
 
Oferenda : velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba rosa.

Salve o Polo Norte Onde tudo tudo é gelado, Salve Povo Esquimó Que vem de Aruanda dar o recado. Salve a Groenlândia, Salve Povo Esquimó Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULÊS

Para as lutas e necessidades do dia-a-dia.

Oferenda : velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chão com pemba verde.
Gauleses, Oh gauleses,  Somos guerreiros gauleses. Gauleses, Oh gauleses São Miguel está chamando. Gauleses, Oh gauleses, Somos guerreiros de Umbanda, Gauleses, Oh gauleses, Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA 

Para buscar a sabedoria espiritual.

Oferenda : nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba branca. 
Asteca vem, Asteca vai Nosso povo é valente, Tomba, tomba e não cai... (cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINÊS

Para proteção diante de situações muito graves.

Oferendas : sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba vermelha.
Os caminhos estão fechados Foi meu povo quem fechou, Saravá Buda e Confúcio Saravá meu Pai Xangô. Saravá Povo Chinês, Que trabalha direitinho, Saravá lei de Quimbanda, Saravá, eu fecho caminho. 

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Timbirí – onde ele afirma sua origem japonesa. ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ
 
Marinheiro, marinheiro, olha as costas do mar... É o japonês, é o japonês ! Olha as costas do mar. Que vem do Oriente !


                                         Ciganos na Umbanda


Por Alexandre Cumino 


O trabalho cigano dentro da Umbanda dispensa comentários tamanha a sua beleza, gostaria apenas de transcrever as palavras de  uma “linda cigana”(entidade espiritual), chamada “Mãe Manuela de Andaluzia”, uma cigana anciã, a qual fizemos algumas perguntas sobre seu povo: 
 

O que os ciganos representam?

- A liberdade, em todos os sentidos, liberdade de um povo que não pertence a nenhuma nação. 

Qual o campo de atuação deles?

- Todos aqueles em que o coração permitir porque todos nós viemos a falar de AMOR. 

Mas tem também os ciganos de esquerda não é?

- Sim eles são os que fazem nossa guarda e um dia também irão falar de AMOR.

Como eles são (alegres, descontraídos, sérios...)?

- Cada um tem a sua natureza

- Não somos ladrões como muitos pensam, somos um povo muito místico pela origem milenar onde trazemos o conhecimento de várias nações por onde estivemos, entre nós existem muitos magos e curandeiros pois aprenderam a magia e a arte da cura para  fazerem o bem ao próximo, os ciganos se vestem sempre colorido para verem que apesar de não termos um “lar” somos muito felizes.

É difícil encontrar ciganos trabalhando em uma casa porque para trabalharmos  é necessário muita pureza e ausência de vaidade (em outra ocasião ela explicou que este era o motivo de trabalhar com um grupo tão jovem).

Temos vindo com tanta força na UMBANDA porque há entre nós espíritos que estão há milênios  esperando por uma oportunidade de ensinar o caminho que nós temos trilhado em direção ao criador e de trabalharmos a caridade através da Mediunidade . 

Fonte: Jornal de Umbanda Sagrada – Junho de 2000


                      Linha e Arquétipo dos Malandros


Por Rodrigo Queiroz Ditado por Sr. José Pelintra 

“Din din din, din din din, risca o ponto!


Malandro cruzado no meio do terreiro chegou, chegou Zé Pelintra que veio do lado de lá, fumando e bebendo gritando vamos saravá!” 

Saravá a todos do lado de cá! Saravá Umbanda, o Catimbó, as Macumbas e o Candomblé! Salve aqueles que são de salve e aqueles que não o são!

De tanto que somos marginalizados por aqueles que deveriam era nos prestar reverência ou mesmo o respeito por estarmos tão próximos para o que der e vier. Nós os “malandros” do astral fomos confundidos com os marginais do além.

Para quem ainda não entendeu, os Zés da Umbanda são espíritos comuns a cada um de vocês.

Humanos por natureza, errantes, com defeitos e virtudes que na bondade do Criador podemos interagir com nossos companheiros encarnados afim de na troca de experiências agregar luz e evolução na história de cada um.

Zé Pelintras, Zé Navalha, Zé da Faca e tantos “zés” formam esta corrente ou linha de trabalho que chamamos de Linha dos Malandros. 

Justamente pela falta de informação fomos chegando na Umbanda de “fininho” na boa malandragem pra não incomodar ninguém.

Quando “batíamos na porta” de um terreiro que nos desconhecia, se era da percepção do dirigente que devíamos manifestar na linha dos exus, assim fazíamos se pensavam que éramos baianos, tudo bem, ali estávamos. 

Entre acertos e erros, contradições e tradições fomos sendo aceitos, percebidos e procurados.

No entanto engana-se aquele que pensa que surgimos do nada ou para nada, não, não.

Já bem antes da Umbanda estávamos lá comandando o Catimbó, muitos ainda estão, diria que esta é nossa origem, mas como afirmar a origem daquele que não é original, pois é, somos o retrato da miscigenação racial e cultural que impera em todos os cantos deste Brasil, terra de Deus!

Somos aclamados como Doutor, curador, conselheiro, defensor das mulheres e dos pobres.

Por outro lado também somos rechaçados e “exterminados” na consciência de alguns que insistem em nos colocar no patamar dos “demônios” e espíritos viciados e aloprados.

Ora, este que nos maldiz é aquele mesmo que nada entendeu sobre Deus e seu amor na Sua Criação!

Deixe que falem, desde que fale.  

O certo é que somos o retrato e a realidade da classe menos favorecida, somos a periferia, os menos favorecidos, os esquecidos, aqueles que se não é o jogo de cintura da criatividade humana, jamais persistiria vivendo, entende agora o que é nossa malandragem?
 
Também digo que vivemos na periferia de Deus, claro, ainda temos muito que fazer para ir até o centro.


E daí?

Tá tudo certo camarada.

Sabemos a que estamos é livres das ilusões que tanto aplaca a mente de vocês encarnados.

Olha, sabe de uma coisa?

É bom demais o lado de cá!

Dos Catimbós do Nordeste aos terreiros de Umbanda de todo Brasil!

Isso é ascensão...

Por fim camarada, tenha em mente que estamos para ajudar a quem queira.

Defendemos sim os mais pobres e sofredores, pois sabemos o que é a dor da fome e da perdição.

Secaremos sempre as lágrimas daqueles que sofrem e isso basta.

Dentro do meu chapéu levo meu mistério, na fumaça de meu charuto transporto minha magia, na gargalha encanto meu povo, no meu terno branco reflito o que sou e na minha gravata vermelha quebro o mal olhado na força de Ogum!

Para aqueles que nos abrem alas, obrigado!


                           Linha e arquétipo dos Boiadeiros


Por Rodrigo Queiroz 

Em nossa última passagem pela Terra fomos filhos da terra, aqueles que dela viveram, dela extraímos a raiz de cada dia, o alimento da família e a esperança.

Montado no lombo de um cavalo ou boi pastávamos não os animais, mas ao som do berrante era possível berrar ao Pai Criador que olhasse por nós.

Eu fui peão, cuidei de muitas fazendas e deixei muitos fazendeiros ricos, estranhamente não respingava no meu bolso a pataca que no deles enchia.

Tampouco me queixava disso, afinal, não saberia viver com luxo, gostava mesmo da rede amarrada no batente da simples varanda, ali eu podia descansar meus ossos.

Para que se tenha mais entendimento, nós somos os verdadeiros sertanejos, aqueles que vivem na ferida do Brasil, é uma chaga que não se fecha e com o andar da carruagem periga que esta chaga tome o corpo todo desta terra varonil.

Não vou ficar a falar de minha pessoa e nem desta realidade brasileira, vou logo palestrar sobre nós como amigos trabalhadores do mundo invisível.

Parece que a linha dos boiadeiros é nova, mas não é não.

Já manifestávamos em terreiros, tendas e barracões de muitas variantes do culto afro.

No Catimbó é mais notável nossa presença.

Quando começou o movimento Umbanda no Astral é que nos organizamos e aguardamos a oportunidade de aparição dos terreiros deste culto.

Assim foi ocorrendo de forma regional até que nos alastramos por todos terreiros de Umbanda.

Mas engana-se aquele que hoje pensa que esta linha de trabalho é composta por homens e mulheres da terra.

Nem todos, aqui tem uma mistura grande.

Também tem o machista que prega não existir mulher na linha boiadeiros, então o que faríamos com as amazonas? Ou tantas “Marias Bonitas” que guerrilharam por uma vida melhor???

Outro tanto de companheiros nesta linha são Ex-Exus, ou seja, espíritos que atuaram no Grau Exu, lá nas esferas mais baixas e que após receber a graça de se graduar na luz tem que passar por uma linha transitória.

Eis a chave do nosso “mistério”. Boiadeiro enquanto Grau é um Grau de transição para espíritos que aguardam seu alocamento mais definitivo.

Neste período vamos trabalhando na Lei, colocando ordem na fronteira do meio fio entre luz e trevas, já esta tênue linha existe dentro de cada um de nós, logo a oportunidade de trabalhar a ordem na fronteira, nos nossos semelhantes encarnados e desencarnados é a forma que o Criador achou para que nós pudéssemos fortalecer a ordem dentro de nós mesmo.
 
Com nosso laço, visto pelos clarividentes, este serve para buscar os zombeteiros e perturbadores.


Nossa corda é infinitamente “elástica” e de onde estivermos se localizarmos um ponto negativo e um perturbador, dali lançamos o laço e no laço quebramos o mal.

Somos comumente chamados nos terreiros para limpeza pesada, pois somos mesmo aquele que retira a carga pesada, quando batemos nosso pé e gritamos nosso boi, não sobra mal algum em nosso redor.

Por fim, nosso arquétipo é o sertanejo, o brasileiro do sertão, quer seja o guerrilheiro lampião ou o tocador de gado.

No entanto nem todos foram assim.

Vou tocando meu gado por aqui e desejo que o Criador lhe ilumine! Getuá Boiadeiros!

Nota do Médium:

Quem não sentiu o chão tremer e o corpo bambear ao presenciar a manifestação de um Boiadeiro no terreiro, girando o braço como que a laçar um boi e gritando: - Êi boi! ???

A oportunidade de convivência com a diversidade cultural brasileira que a Umbanda fornece é algo incrível que só vivenciando para poder compreender.

Podemos viajar o Brasil todo em apenas uma gira.

Desde que comecei a receber este texto, parecia que escutava ao fundo a música Rei do Gado, então pesquisei e achei a letra que abaixo transcrevo para finalizar este texto.

Obrigado aos valentes Boiadeiros do Além que nos ampara e nos guia, como disse certa vez o Sr. José Anízio:

“Estamos a serviço do Criador para tocar seu gado divino, cada filho seu, seu rebanho e cabe a nós laçar aqueles que se perderam ou afundaram em algum brejo da evolução e uma vez laçado vamos recolocar na trilha reta do caminhar.

Mais um adeus e lá vamos nós a laçar o boi de meu Deus!”  

Ditado por Sr. José Anízio
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PEPINO EM CONSERVA
O processo cultural da religião reflete o seu estado atual de espírito. Mostra as faces de quem se considera religioso ou de quem se considera frequentador praticante.
Procuro me perguntar o quanto a cultura Umbandista influencia  de forma eficaz a disciplina na vida pessoal de seus praticantes. Esta preocupação acontece em função de alguns modelos adotados, fico preocupado com a extensão do condicionamento seja ele adquirido ou imposto.

Penso muito em todas as conversas que tenho com alunos e frequentadores quando ouço  um relato deste tipo:

- No terreiro de fulano de tal  é proibido ler tais livros;

- No terreiro de fulano de tal procurar conhecimento externo em outras casas ou outros grupos será considerado heresia...

- No terreiro de fulano de tal, o Dirigente se diz hiper-inconsciente e fala horrores a todos durante as suas "incorporações", dizendo que esta é a "verdade divina..."  Ai, ai...

Observo  estes modelos e pergunto:

- Se a religião tem como objetivo dar sentido à vida, religar a Deus e frear os nossos instintos, como posso acreditar que este tipo de comportamento enriquece o frequentador ou o médium?

E entendo a partir deste ponto que muitos médiuns e frequentadores encontram-se como pepinos em conserva!

O pepino na natureza estava crescendo, fazendo parte de um cenário natural, a partir do momento que foi colhido e colocado em conserva ele não vai crescer, muito menos amadurecer.

Este exemplo retrata a realidade de muitos irmãos, frequentadores e trabalhadores, que encontram-se engessados na sua religiosidade.

Se por um lado o papel do pepino em conserva é triste, por outro lado, este produtor de pepino em conserva, vive algo mais triste ainda; ele experimenta um estado latente de insegurança, medo e aflição, afinal, você só proíbe a saída de um médium ou frequentador quando você  está inseguro em relação a sua "doutrina".

Você proíbe literaturas específicas com o receio de que estas literaturas liberte o pepino do seu vidro, leia-se terreiro, e esta liberdade vai contra os seus princípios de "hierarquia".

Francamente!

Meus irmãos, façam a rebelião dos pepinos! Vamos mudar o nosso comportamento e se libertar dos medos e das correntes que nos são impostas.

Obs: estas palavras são de um ex-pepino em conserva.
 
Jorge Scritori

Cantar pontos em casa.