domingo, 14 de fevereiro de 2016

Livros editados por Rubens Saraceni

Especial Rubens Saraceni!

O Cavaleiro da Estrela Guia - A Saga Completa
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Gênese Divina de Umbanda Sagrada
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Fundamentos Doutrinários de Umbanda
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Livro das Energias e da Criação
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OS MÉDIUNS DESISTENTES E O MENOSPREZO PELOS GRUPOS...

 OS MÉDIUNS DESISTENTES E O MENOSPREZO PELOS GRUPOS...: O programa redentor de um médium é esquematizado no Espaço, antes de sua reencarnação, conforme as suas pesadas dívidas com as leis div...
                       
                As Flores na Fitoterapia Brasileira

Famosa flor originária da Ásia , pertence à família das papaveráceas . As flores , de grande formato , apresentam-se isoladas dos ramos, possuindo pétalas grandes, de cor vermelho-escarlate, freqüentemente com uma mancha negra na base. As pétalas das flores devem ser coletadas às primeiras horas da manhã, após sair o sol e quando as flores estão bem abertas. As pétalas acalmam a tosse. Propriedades levemente narcóticas fazem da papoula um elemento muito importante em grande número de receitas de plantas medicinais. Dela se extrai o ópio, produto de grande valor e que ocupa lugar de destaque na farmacologia. O ópio não é propriamente um alcaloide da papoula, mas composto por vários deles, como a morfina, a epinefrina, a tebaína, a meconina, a sodeína, a papaverina e a narcotina, aos quais o ópio deve seu alto poder narcótico. A papoula foi conhecida nos tempos mais remotos, teve muito prestígio entre os médicos da Grécia antiga, onde se afirmava que Hipnos, o deus do sono, a estimava muito e por isso apresentava-se sempre com frutos da planta na mão. A Fertilidade, a Noite e a Morte, entidades mitológicas da antiga Grécia, ostentavam sempre coroas confecciona-das com papoulas. Existem muitas variedades de papoulas destacando-se a papoula branca, a papoula do oriente ou dormideira, a papoula vermelha dos campos ou dormideira silvestre. Na medicina popular brasileira, o chá das folhas é usado como hipnótico, sendo empregado nas vertigens, insônias, exacerbação nervosa, acessos de tosse, dores, nevralgias, asma e outros.

Rosa
Da família das rosáceas, o chá das pétalas é indicado na falta de regras (mas não é abortivo), nos distúrbios menstruais em geral e na hemorragia uterina. É útil também no tratamento das inflamações dos olhos, vertigens, dores de cabeça, dor de garganta, amígdalas inflamadas. A famosa água de rosas alivia o calor, a congestão do sangue e acalma as superfícies inflamadas. As pétalas frescas da rosa podem ser amassadas no mel e usadas para dor de garganta ou dores na boca. A rosa pode ser preparada fervendo-se as pétalas frescas e condensando o seu vapor em outra vasilha.. O xarope feito com rosas vermelhas facilita a concepção. A água destilada das flores é boa para os fluxos venéreos anormais, sendo menstruais em caso de leucorreia.

Sabugueiro
Esta planta da família das caprifoliáceas foi trazida para o Brasil, procedente da Europa. Na extremidade dos ramos formam-se grandes ramalhetes ou cachos de flores brancas, que exalam um suave aroma, porém não totalmente agradável. As flores são coletadas na primavera e devem ser colocadas para secar à sombra e em local ventilado. Na medicina doméstica e popular, o chá das folhas e/ou das flores do sabugueiro é famoso pela sua ação sudorífica, sendo muito indicado nas viroses infantis, para promover a exteriorização mais rápida dos sinais ou para fazer surgir uma condição incubada. É também empregado contra as gripes, tosses, bronquites, defluxos e, principalmente, para debelar a escarlatina. A decocção das flores é também útil nas hemorroidas, em banhos mornos locais. O óleo tirado das suas sementes é bom contra a gota e as queimaduras (em aplicações locais para ambos os casos). O visco (parasita) que nasce perto da flor do sabugueiro era usado pela medicina alquímica antiga contra a epilepsia. No Brasil é uma tradição na medicina doméstica a indicação do popular chá de sabugueiro para combater o sarampo.

Saudade
Flor da família das Dipsáceas e originária da Ásia. É usada desde a antiguidade para a confecção de coroas e palmas para funerais, daí o seu nome.São flores miúdas representadas por pétalas. Uma flor é na verdade um agrupamento de pequeninas flores. No Brasil estas flores são usadas na medicina doméstica e popular para a preparação de um xarope contra as tosses, bronquites e outros males do aparelho respiratório. O chá das flores é considerado bom depurativo do sangue.

Tília
É uma árvore da família das tiliáceas. As flores, muito perfumadas, nascem ao lado do pecíolo da folha e são de cor esbranquiçada, devendo ser coletadas quando acabam de abrir-se, em dia seco e de sol. As flores constituem um dos melhores sudoríficos e antiespasmódicos do reino vegetal. Sua principal virtude é a de acalmar a excitação nervosa e proporcionar um sono tranqüilo aos que sofrem de insônia. As flores também são tônicas, digestivas, expectorastes e diuréticas.

Violeta

Existem mais de cem espécies de violetas; pertencem à família das violáceas, sendo a mais comum e famosa a violeta odorata. Esta possui dois tipos de cores diferentes: a violeta propriamente dita, que é a mais comum, e a branca. Há também um tipo de violeta de cor amarela, não tão graciosa, conhecida como goivo amarelo, cujo chá é utilizado contra a apoplexia.A violeta tradicional tem o caule frágil, e numerosas folhas cordiformes, serrilhadas; as flores nascem nas extremidades de pedúnculos, têm cor violeta intensa e são delicadamente aromáticas — exalam um aroma suavíssimo. As pétalas das flores são coletadas no princípio da primavera. Esta é uma planta que se presta a expressivas interpretações e interessantes lendas. Simboliza a simplicidade, a castidade, a austeridade e a virgindade.Na medicina natural, as flores em forma de chá têm ação emoliente e diaforética. Empregam-se contra o sarampo, tosses, bronquites, dores de garganta, artritismo, conjuntivite, olhos lacrimejantes, e outros casos.
                                        
                                         Karma
O silêncio não pode ser cultivado , não pode ser produzido deliberadamente; não pode ser procurado, pensado , nem meditado. O cultivo deliberado do silêncio é como a fruição de um prazer longamente desejado ; o desejo de silenciar a mente é apenas uma sensação. Um tal silencio é apenas uma forma de resistência , um isolamento que leva à decomposição. O silencio que é comprado é  produto do mercado, e está rodeado de barulho e atividade. O silêncio vem na ausência do desejo. O desejo é veloz , sutil , e profundo. A memória impede a vinda do silêncio , e a mente que está presa na experiencia , não pode ser silenciosa. O tempo, o movimento de ontem que flui para hoje e para amanhã , não ;e silencio. Coma cessação desse movimento , vem o silêncio , e só então pode despontar na existência aquilo a que se não pode dar nome.

"Vim para conversar sobre Karma. Tenho naturalmente certas opiniões a esse respeito, mas gostaria de conhecer a vossa."

Uma opinião nunca é a Verdade ; temos que lançar fora todas as opiniões , para acharmos a Verdade . Opiniões , as há inumeráveis, mas a verdade não é nem deste nem daquele grupo. Para a compreensão da Verdadetodas as idéias , conclusões e opiniões devem cair por terra, como as folhas secas de uma arvore. A Verdade não pode ser achada nos livros, no saber, na experiencia. Se estais colecionando opiniões, aqui não achareis nenhuma.

"Mas  podemos falar sobre Karma e buscar compreender seu significado, não?"

Isso, naturalmente , é outra coisa. Para a compreensão, as opiniões e as conclusões têm de cessar.

"Por que afirmais isso com tanta insistência? "

Podeis compreender uma coisa , se já tendes uma opinião formada a seu respeito , ou se  repetis as conclusões de outro? Para acharmos a verdade relativa a uma questão , não devemos abeirar-nos da questão como coisa nova, com a mente não enevoada por preconceito algum? Que é mais importante, estar-se livre de todas as conclusões e preconceitos, ou especular a respeito de uma dada abstração? Não é mais importante, achar a verdade do que discutir sobre o que seja a verdade ? Uma opinião sobre a verdade não é a verdade. Não importa descobrir a verdade , a respeito do Karma? Ver  o falso como falso , é começar a compreendê-lo, não ? Como podemos perceber o verdadeiro ou o falso, se nossa mente está encastelada na tradição, em palavras e explicações?  Se a mente está acorrentada a uma crença, como poderá ir longe? Para viajar para longe, a mente precisa estar livre. A liberdade não é uma coisa que se ganhará no fim de um longo esforço, ela deve existir justamente no começo da jornada.

"Desejo saber o que Karma significa para vós."

Senhor , façamos juntos a viagem de descobrimento. O mero repetir das palavras de outro não pode ter significação profunda . É o mesmo que tocar um disco de gramofone ( o equivalente do atual CD ). A repetição ou a imitação não faz nascer a liberdade. Que entendeis vós por Karma?

"É uma palavra sânscrito , que significa "fazer", "ser " , "agir", etc . Karma é ação , e toda ação é resultado do passado . Não pode haver ação que não seja condicionada pelo fundo já existente. Através de uma série de experiencias, de condicionamento e conhecimentos, forma-se o fundo tradicional, não só na vida presente do individuo e do grupo , mas através de muitas encarnações. A constante ação e a ação reciproca entre o fundo , que é o "eu", e a sociedade , a vida , é Karma : e Karma aprisiona a mente, o "eu ". O que pratiquei na minha vida passada, ou ainda ontem , me prende , me molda , causando dor ou prazer no presente. Há Karma coletivo , bem como Karma individual. Tanto o grupo como o individuo se acham presos à cadeia de causa e efeito. Haverá sofrimento ou alegria , punição ou recompensa , conforme o que pratiquei no passado."

Dizeis que a ação é resultado do passado. Mas tal ação não é ação, porém apenas reação , não é assim? O condicionamento, o fundo , reage aos estímulos; esta reação é a "resposta" da memória, e isso não é ação , porém Karma. Por ora, não estamos examinando o que é ação. Karma é a reação resultante de certas causas e produtivas de certos efeitos. Karma é esta cadeia de causa e efeito. Essencialmente, o processo do tempo é Karma, não ?. Enquanto existir passado, tem de existir presente  e futuro. Hoje e amanhã são os efeitos de ontem; ontem , em conjunção com hoje faz o amanhã.. Karma, como é geralmente entendido, é um processo de compensação.

"Como dizeis , Karma é um processo de tempo, e a mente é resultado do tempo. Só uns poucos felizes podem libertar-se dos tentáculos do tempo; nós outros estamos aprisionados no tempo. O que fizemos no passado , bom ou mau, determina o que somos no presente."

O fundo, o passado, é um estado estático? Ele não está a sofrer modificação constante? Não sois hoje o mesmo que fostes ontem; tanto fisiológica como psicologicamente há uma modificação constante, não há?

"Decerto"

Por conseguinte , a mente não é um estado fixo . Nossos pensamentos são transitórios, modificando-se incessantemente; são a reação proveniente do fundo. Se fui criado numa certa classe social, num certo meio cultural, reagirei a todos os desafios e estímulos de acordo  com meu condicionamento. 
Na maioria de nós esse condicionamento tem raízes tão profundas que a reação é quase sempre de acordo com o padrão. Nossos pensamentos são a reação do fundo. Nós somos o fundo; esse condicionamento não é separado ou dissimilar de nós. Com as variações do fundo, os nossos pensamentos também variam.

"Mas sem dúvida o pensador é todo diferente do fundo, não ? "

É mesmo? O pensador não é produto dos seus pensamentos? Existe uma entidade separada , um pensador distinto dos seus pensamentos? O pensamento não criou o pensador, dando-lhe permanecia, em meio à impermanência dos pensamentos? 
O pensador é o refugio do pensamento, e o pensador se coloca em diferentes níveis de permanência.

"Vejo que isso é exato; mas choca-me um tanto perceber os ardis com que o pensamento engana a si mesmo."

O pensamento é a reação do fundo , da memória ; a memória é conhecimento, resultado da experiencia. Essa memória, graças a novas experiencias e novas reações , torna-se mais vigorosa, mais ampla, mais aguçada e eficiente. Pode-se substituir uma forma de condicionamento por outra, mas esta é ainda condicionamento. 
A reação desse condicionamento é Karma, não ? A reação da memória é chamada ação, mas é apenas reação; esta "ação" gera nova reação , formando-se,  assim,  uma cadeia a que chamamos causa e efeito.  Mas a causa não é também efeito? Nem causa nem efeito é estático. Hoje é o resultado de ontem e hoje é a causa de amanhã; o que foi causa se torna efeito, e o efeito , causa. As duas coisas se interpenetram .. Não há momento em que a causa não seja também efeito. Só o que está "especializado" se acha fixado na sua causa e portanto no seu efeito. Uma bolota não pode tornar-se outra coisa senão um carvalho . Na especialização existe morte; mas o homem não é uma entidade especializada, ele é livre para ser o que deseja ser. Pode romper as cadeias de seu condicionamento   ---   e deve fazê-lo , se deseja descobrir o Real. Deveis deixar de ser brâmane, como vos denominais para "realizar" Deus. . Karma é o processo do tempo , o passado se movimentando através do presente em direção ao futuro; esta corrente é a via do pensamento.. Este é o produto do tempo, e aquilo que é imensurável , atemporal , só pode surgir depois de desaparecer o processo do pensamento. A tranquilidade da mente não pode ser provocada ou produzida por nenhuma prática ou disciplina. Se fazemos a mente tranquila , então tudo o que nela se manifestar será simples "autoprojeção" , reação da memória. Com a compreensão de seu condicionamento, com o percebimento imparcial de suas próprias reações, como pensamento  e como sentimento , a mente encontra a tranquilidade . Essa quebra da cadeia de Karma não depende do tempo, pois não se pode chegar ao atemporal através do tempo.

Karma tem de ser compreendido como processo total ( holístico ) e não apenas como coisa relativa ao passado. O passado é tempo, como o é também o presente e o futuro. O tempo é memória, palavra, ideia. Quando não existe mais a palavra, o nome , a associação , a experiencia , só então a mente está tranquila , não apenas nas suas camadas superficiais , mas completamente, integralmente.






Extraido do livro Reflexões sobre a Vida de J. Krishnamurti  -  Editôra Cultrix   -    1971
                   
              O individuo e a coletividade

O caminho , áspero e poeirento , levava a uma cidade situada embaixo. Restavam umas poucas arvores esparsas, na encosta, pois a maioria delas havia sido cortada para lenha e era necessário subir uma certa altura para se achar uma boa sombra. No alto do monte já não se encontravam árvores atrofiadas e mutiladas pelo homem ; lá elas cresciam livremente , até alcançarem sua  altura completa, e tinham  galhos grossos e folhagem normal. 
Ás vezes cortavam-lhes um galho , para as cabras comerem as folhas ,e esse galho, depois de desfolhado , era reduzido a lenha. O mato já era muito escasso nas partes mais baixas, de modo que a devastação ia alcançando cada vez mais para o alto; as chuvas já não eram tão abundantes como outrora ; a população crescia e o povo precisava viver. Padecia-se fome , e a cada um era tão indiferente viver como morrer. Não se viam nas cercanias animais selvagens, que deviam ter-se retirado para os pontos mais altos. Havia algumas aves a mariscar entre as moitas, mas até estas pareciam depauperadas e tinham penas quebradas. Um gaio preto e branco gritava muito excitado e rouco, saltando de galho em galho , numa arvore solitária.

Começava a fazer calor e a tarde ia ser muito quente. Não chovia suficientemente havia anos. A terra estava torrada e fendida, as poucas árvores cobertas de uma poeira marrom, e de manhã não havia sequer orvalho . O sol dardejava impedioso, dia após dia, messes a fio , e a duvidosa estação das chuvas ainda estava muito longe. Algumas cabras subiam o monte , guardadas por um menino, que se mostrou muito espantado por achar gente ali; mas não sorriu , e com ar muito grave lá se foi , atrás das cabras. Era um sítio solitário, aquele , e sobre ele se abatia o silencio do calor que vinha chegando. Duas mulheres vieram descendo pelo atalho  com feixes à cabeça. Uma era velha e a outra muito nova ainda. As cargas que transportavam pareciam muito pesadas. Cada uma delas equilibrava na cabeça , protegida por uma rodilha de pano, um longo molho de ramos secos atado com cipós verdes , o qual segurava com uma das mãos . Seus corpos gingavam , desembaraçados, ao descerem a ladeira, a passos ligeiros . Nenhum calçado tinham , embora fosse áspero o caminho. Os pés pareciam achar o próprio caminho, pois as mulheres nunca olhavam para o chão . Seguiam erectas , a cabeça erguida , os olhos congestionados perdidos na distancia . Eram muito magras , com as costelas à mostra, e a mulher mais velha tinha os cabelos emaranhados e sujos . Os cabelos da moça deviam ter sido untados e penteados recentemente, pois ainda se notavam  algumas adeixas reluzentes; também ela se mostrava esgotada , cansada. Não devia fazer muito tempo , ela ainda cantava e brincava com as outras crianças, mas agora tudo isso estava acabado. Sua vida agora era apanhar lenha nos montes e assim havia de ser até morrer, com uma pausa, de tempos a tempos , para parir um filho.

Fomo-nos todos, ladeira abaixo. A várias milhas de distancia achava-se a pequena cidade provinciana onde as mulheres iam vender a sua lenha por uma insignificância, só para começarem tudo de novo no dia seguinte. Conversavam , com longos intervalos de silencio . Em dado momento, a moça disse para a mãe que estava com fome , ao que a velha respondeu que ali todos nasciam com fome, viviam com fome e morriam com fome; era a sina  de todos eles . Isso era a expressão da verdade , mas não se lhe notava na voz nem censura , nem ressentimento , nem esperança. Continuamos descendo por aquele caminho pedregoso . Não caminhava atrás delas um "observador" , a ouvi-las e a compadecer-se delas. Ele não se tornara parte delas por amor e piedade ; ele era elas ; deixara de existir e elas existiam . Não eram os estranhos que ele encontrara lá em cima; eram ele próprio .. Dele eram as mãos que seguravam os feixes. E o suor, a exaustão , o cheiro , a fome , não eram delas, para serem compartilhados e lamentados. O tempo  e o espaço tinham deixado de existir . Não havia pensamentos em nossas cabeças, cansadas demais para pensar; e se algum pensamento surgia, era o de vender a lenha , comer, descansar , e começar de novo. Os pés que pisavam as pedras do caminho , não doíam , nem doía a cabeça ao sol. Só dois de nós descíamos aquele morro familiar, parando na fonte , onde bebemos como de costume, e atravessando o leito seco de um córrego de que nos lembrávamos.





Interrogante:        Não sei exatamente como formular esta pergunta mas tenho o forte sentimento de que as relações entre o individuo e a coletividade   ---   duas entidades opostas    ----   têm sido, até hoje , um longo desfile de males . A história do mundo , do pensamento , da civilização é , afinal de contas , a história das relações entre essas duas entidades opostas. Em toda as sociedades , o individuo é mais ou menos suprimido; ele tem de obedecer e adaptar-se ao padrão que os teóricos determinaram. O individuo está sempre tentando libertar-se desses padrões , e o resultado é uma batalha continua entre ambas as entidades . As religiões falam da alma individual como coisa separada da alma coletiva . Põem em relevo o individuo. Na moderna sociedade   ---   que se tornou tão mecânica e padronizada , e coletivamente atuante    ---   o individuo   anda à procura de sua própria identidade, a indagar o que é ele , a afirmar-se . A luta nunca leva a parte alguma. O que pergunto é : Que é que está errado em tudo isso?

Krishnamurti:        A unica coisa que realmente importa é que, no viver, haja uma ação proveniente da bondade , do amor e da inteligencia. A bondade é individual ou coletiva, o amor pessoal ou impessoal, a inteligencia  vossa , minha ou de outro ? Se é vossa ou minha , nesse caso não é inteligencia , nem amor , nem bondade.. Se a bondade é uma coisa relacionada com o individuo ou com a coletividade, conforme a preferencia ou o julgamento pessoal de cada um , então já não é bondade. A bondade não se encontra no quintal do do individuo, nem no vasto campo da coletividade; a bondade só floresce livre de ambos. Quando há essa bondade, esse amor e essa inteligencia , a ação não tem então referencia ao individuo ou à coletividade. Como nos falta a bondade, dividimos o mundo em indivíduos e coletividade, dividindo ainda a coletividade em inúmeros grupos, conforme a religião, a nacionalidade e a classe. Depois de criarmos essas divisões tentamos promover a união mediante a formação de novos grupos que, por sua vez , são separados de outros grupos. Supõem-se  que as grandes religiões existem para promover a fraternidade humana; entretanto , na realidade , a impedem .. Estamos sempre tentando reformar o que já se acha corrompido. Não erradicamos a corrupção fundamentalmente, mas tratamos , simplesmente , de reajusta-la.

Interrogante:         Quereis dizer que não devemos desperdiçar tempo em intermináveis especulações sobre o individuo e a coletividade, ou em  provar. que são entidades diferentes ou idênticas? Quereis dizer que só a bondade , o amor e inteligencia são importantes e se encontram fora da esfera do individuo ou da coletividade?

Krishnamurti:        Exatamente.

Interrogante:         A verdadeira questão parece ser, então: Como podem o amor , a bondade e a inteligencia atuar no viver de cada dia?

Krishnamurti:       Se atuam , então a questão do individuo e da coletividade é acadêmica.

Interrogante:         Como podem atuar ?

Krishnamurti         Só podem atuar no estado de relação. Toda existência é relação. O principal , portanto, é nos tornarmos cônscios de nossas relações com todas as coisas e pessoas e vermos como , nessas relações , o "eu" nasce e atua .. Esse "eu" tanto é coletivo como individual. É o "eu" que atua, coletivamente ou individualmente ; o eu que cria o céu e o inferno. Estar cônscio dele é compreende-lo. E a compreensão dele é o seu fim . Seu findar é bondade, amor e inteligencia..




Extraído dos livro  - A Luz que não se Apaga  ICK  e  Reflexões Sobre a Vida  - Cultrix   - ambos de J. 

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