terça-feira, 4 de outubro de 2016

      
           INFERNO OU PARAÍSO

Enfrentar as dificuldades. Superar os obstáculos. A vida na matéria densa apresenta muitas oportunidades para aprender a se melhorar e consequentemente melhorar o mundo à sua volta.
Aqui neste planeta você não encontrará o Paraíso. Este está aguardando sua chegada. Entretanto, depende de você fazer desta vida um inferno ou um paraíso. Dependerá de como puder enfrentar as dificuldades e superar os obstáculos.
Não seja como os fracos que temem o hoje e o amanhã, nem como os covardes que se revoltam ao invés de enfrentarem seus medos. Deve se lembrar que todos estão em constante aprendizado. Uns são mais sábios, outros tolos, levianos ou inconsequentes. Mas também há os perseverantes, os empreendedores e os alegres.
Assim a vida vai acontecendo a cada dia como se os fatos fossem fios enroscados. Procure encontrar a ponta de cada fio e desenrolá-los, enfrentando com calma , amor e o máximo de desenvoltura possível buscando soluções.
Não deve se afligir para não gerar ansiedade. De nada adiantará. Procure sim acalmar sua mente e seu coração resolvendo o que for possível em cada dia. Não se apresse. Você tem o tempo que precisa sem portanto não se esquecer de que quanto mais dinamiza sua vida, menos tropeço encontrará.
Vamos lá, você pode e vai superar tudo o que for necessário. Afinal, você é filho do nosso Pai que está no Paraíso e está vivo!
Eu vos abençoo.
 Sananda.

Tira Dúvidas nº 106


Hormônios e mediunidade são uma combinação explosiva. Na fase em que estamos tentando compreender quem nós somos, em um momento de transição e de muitas descobertas, neste período delicado da vida ter de lidar com a mediunidade não é fácil.
Eu como jovem, na época, não achava legal ser médium, achava horrível porque já me sentia muito diferente de todos e mais essa para encarar?
Foi pesado para mim e acredito que também seja assim para milhares de adolescentes que estão passando por isso, além de ser um grande transtorno para a família, que nem sempre sabe lidar com a situação.
Digo isto, porque mesmo sendo de uma família espiritualista e havia umbandistas na família, foi difícil.
O pai e mãe muitas vezes vão esperar daquele filho que ele saiba usar a sua mediunidade como um adulto que tem anos de terreiro, mas não é assim que funciona, pois até nós adultos, muitas vezes ficamos perdidos em algum momento de nosso processo de desenvolvimento mediúnico.
Aos pais e mães, muita paciência e muita informação, buscar conhecimento sobre o que é mediunidade é importante.
Não vamos reproduzir nas “crianças” o que nós ouvimos, o que eu ouvi: “Se você não trabalhar viverá doente” ou o contrário “Nunca vi a vida de ninguém que mexe com isso ir para frente”.
Sem contar os pareceres médicos que contribuíram bastante
para que eu me sentisse cada vez mais constrangida em relação a mim mesma e aos outros.
Como adolescente, é barra ter de lidar com um “poder” desse tamanho, é complicado viver tendo que guardar segredo sobre sua relação com os espíritos, é terrível se sentir diferente, excluído, não-pertencente, justamente em uma fase em que todo mundo quer ser parte de um grupo que seja importante para si.
Penso que ser médium é um presente, e somo nós quem escolhemos se e quando vamos usar este presente.
Não cabe ao outro nos dizer quando fazê-lo, essa é uma vontade que brota do fundo do coração, mas para isso, é preciso ter uma série de questões pessoais minimamente esclarecidas, para que o conflito externo e interno não reverbere negativamente no processo de desenvolvimento, e isso demanda tempo.
Se você que tem trinta anos ou mais se considera um bom médium espere para ver do que serão capazes os nossos jovens de hoje.
Por uma mediunidade de livre escolha e sem o peso de um fardo, apoie, converse, indique boas leituras, mas não coloque mais peso aonde já está pesado.

Enviado por Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca

Novo post em Umbanda 24 Horas

A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo

by Marcelo Barros

Vovó Maria fumegava seu pito e batia seu pé

ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambones movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes. Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esforço do bem.
Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali também.
Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade.
Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, lá de fora, esbravejavam palavrões.
Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada espírito, pudessem ser encaminhados.
Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada.
– Saravá, filha – falou Vovó Maria, enquanto desinfetava o campo magnético da mulher com um galho verde, além de soprar a fumaça do palheiro em direção ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia.
Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. Riscando um ponto com sua pemba no chão do terreiro, pediu que a mulher colocasse sobre ele a perna ferida.
“Será que não vai pedir o que tenho?”, pensou a mulher, já arrependida por estar ali naquele lugar desagradável. “Vou sair daqui impregnada por estes cheiros!”
Vovó Maria sorriu, pois captara o pensamento da mulher, mas preferiu ignorar tudo isso. O que a mulher não sabia era a gravidade real do seu caso, ou seja, aquilo que não aparecia no físico. Se ela pudesse ver o que estava causando a dor e o inchaço na perna, aí sim, certamente ficaria muito enojada. Na contraparte energética, abundavam larvas que se abasteciam da vitalidade do que já era uma enorme ferida e que breve irromperia também no físico.
Além disso, uma entidade espiritual, em quase total deformação, mantinha-se algemada à sua perna, nutrindo, assim, essas larvas astrais. Para qualquer neófito, aquilo mais parecia um cadáver retirado da tumba mortal, inclusive pelo mau cheiro que exalava.
Com a destreza de um mago, a preta velha sabia como desvincular e transmutar toda essa parafernália de energias densas, libertando e socorrendo a entidade escravizada a ela.
Feitos os devidos “curativos” no corpo energético da mulher, Vovó Maria, que à visão dos encarnados não fez mais que um benzimento com ervas e algumas baforadas de palheiro, dirigiu-se agora com voz firme à consulente:
– Preta Velha até aqui ouviu calada o que a filha pensou a respeito do seu trabalho.
Agora preciso abrir minhas tramelas e puxar sua orelha.
Ouvindo isso, a mulher afastou-se um pouco da entidade, assustada com a possibilidade de que ela viesse mesmo a lhe puxar a orelha.
“Escutou o que pensei? Ah, essa é boa. Ela está blefando comigo.”, pensou novamente a mulher.
– Se a madame não acredita em nosso trabalho, por que veio aqui buscar ajuda? Filha, não estamos aqui enganando ninguém. Procuramos fazer o que é possível, dentro do merecimento de cada um.
– É que me recomendaram vir me benzer, mas eu não gosto muito dessas coisas…– …e só veio porque está desesperada de dor e a medicina não lhe deu alento, não foi ilha? – complementou a preta velha.
– Os médicos querem drenar a perna e eu fiquei com medo, pois nos exames não aparece nada, mas a dor estava insuportável.
– Estava? Por quê, a dor já acalmou?
– É, agora acalmou, parece que minha perna está amortecida.
– E está mesmo, eu fiz um curativo.
A mulher, olhando a perna e não vendo curativo nenhum, já estava pronta para emitir um pensamento de desconfiança quando a preta velha interferiu:
– Vá para sua casa, filha, e amanhã bem cedo colha uma rosa do seu jardim, ainda com orvalho, e lave a sua perna com ela, na água corrente. Ao meio-dia o inchaço vai sumir e sua perna estará curada.
Não ousando mais desconfiar, ela agradeceu e já estava saindo quando a preta velha a chamou e disse:
– Não se esqueça de pagar a promessa que fez pra Sinhá Maria, antes dela morrer…
Arregalando os olhos, a mulher quase enfartou e tratou de sair daquele lugar imediatamente.
O cambone, que a tudo assistia calado, não agüentando a curiosidade perguntou que promessa foi essa.
– Meu menino, o que nós escondemos dos homens fica gravado no mundo dos espíritos.
Essa filha, herdeira de um carma bastante pesado por ter sido dona de escravos em vida passada e, principalmente, por tê-los ferido a ferro e fogo, imprimindo sua marca na panturrilha dos negros, recebeu nesta encarnação, como sua fiel cozinheira, uma negra chamada Sinhá Maria.
Esse espírito mantinha laços de carinho profundo pela madame desde o tempo da escravidão, quando foi sua “Bá” e, por isso, única poupada de suas maldades. Nessa encarnação, juntaram-se novamente no intuito de que a bondosa negra pudesse despertar na mulher um pouco de humildade, para que esta tivesse a oportunidade de ressarcir os débitos, diante da necessidade que surgiria de auxiliar alguém envolvido na trama cármica.
Sinhá Maria, acometida de deficiência respiratória, antes de desencarnar solicitou à sua patroa que, na sua falta, assistisse seu esposo, que era paraplégico, faltando-lhe as duas pernas.
Deixou para isso todas as suas economias de anos a fio de trabalho e só lhe pediu que mantivesse com isso a alimentação e os medicamentos. Mas na primeira vez que ela foi até a favela onde morava o homem, desistiu da ajuda, pois aquele não era o seu “palco”. Tratou logo de ajustar uma vizinha do barraco, dando-lhe todo o dinheiro que Sinhá havia deixado, com a promessa de cuidar do pobre homem. Não é preciso dizer que rumo tomaram as economias da pobre negra; em pouco tempo, para evitar que ele morresse à míngua, a Assistência Social o internou em asilo público. Lá ele aguarda sua amada para buscá-lo, tirando-o do sofrimento do corpo físico. Nenhuma visita, nenhum cuidado especial. A madame se havia “esquecido” da promessa. Eu só fiz lembrá-la para que não tenha que voltar aqui com as duas pernas inválidas. A Lei só nos cobra o que é de direito, mas ela é infalível. Quanto mais atrasamos o pagamento de nossas dívidas, maiores elas ficam. Por isso, camboninho, negra velha sempre diz para os filhos que a caridade é moeda valiosa que todos possuímos, mas que poucos de nós usam. Se não acordamos sozinhos, na hora exata a vida liga o “desperta-dor” e, às vezes, acordamos assustados com a barulheira que ele faz… eh, eh, eh… Entendeu, meu menino?
– Sim, minha mãe. Lembrei que tenho de visitar meu avô que está no asilo…
Sorrindo e balançando a cabeça a bondosa preta velha falou com seus botões:
– Nega véia matô dois coelhos com uma cajadada só… eh, eh…
E, batendo o pé no chão, fumando seu pito e cantarolando, prosseguiu ela, socorrendo e curando até que, junto aos demais, voltou para as bandas de Aruanda.
Causos de Umbanda Volume 2 – Páginas 37 a 41 – Vovó Benta / Leni W. Saviscki
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Cantar pontos em casa.