segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Qual é sua UMBANDA ??????

                                                   
                                                        Umbandas

 Alexandre Cumino

 Sabemos que existem várias correntes de pensamento dentro da Umbanda, e também há muitas formas de praticá-la, ainda que todas se mantenham fiéis à participação dos espíritos nos seus trabalhos ou engiras. 

Não consideramos nenhuma das correntes melhor ou pior e nem mais ou menos importante para a consolidação da Umbanda. 

Todas foram, são e sempre serão boas e importantes, pois só assim não se estabelecerá um domínio e uma paralisia geral na assimilação e incorporação de novas práticas ou conceitos renovadores. 

(Rubens Saraceni, Formulário de Consagrações Umbandistas, Ed. Madras, 2005. p.19) 

Há quem defenda um “tipo ideal” de Umbanda, descartando outras formas de praticá-la. 

Assim uns reconhecem e outros negam as várias Umbandas, creio que podemos trilhar um caminho do meio, no qual a Umbanda é uma na essência e diversa nas formas de praticá-la. 

O UM da Unidade e a BANDA da Diversidade. 

O Uno e o Verso deste Universo Umbandista. 

A liberdade litúrgica permite certas variantes, desde que estas não desvirtuem seus fundamentos básicos. 

A pluralidade deve existir enquanto não coloca em risco a unidade. 

Por unidade podemos entender seus fundamentos básicos, o que deve estar presente em todas as formas ou pelo menos na maioria delas. 

Portanto, é pela unidade que definimos Umbanda e não pela diversidade, que são as diversas maneiras de praticar esta unidade. 

Por exemplo, podemos ter como fundamento básico de sua unidade a definição de Umbanda dada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio de seu médium Zélio de Moraes, em 15 de Novembro de 1908: Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade. 

Esta definição está em sua unidade, faz parte de seus fundamentos básicos, não cobrar pelos trabalhos, logo ela pode ter variantes, mas nenhuma das tais deve apresentar-se cobrando para realizar trabalhos espirituais. 

Pois neste ponto a “diversidade” colocaria em risco a “unidade”. 

Desta forma, falar de Umbanda é falar de sua unidade assim como falar de Umbandas é falar de sua pluralidade. 

Abaixo apresento algo desta pluralidade ou se preferir Diversidade, para nossa reflexão: 

•Umbanda Branca: 

O termo pode ter surgido da definição de Linha Branca de Umbanda usada por Leal de Souza e adotada por tantos outros. A ideia era de que a Umbanda era uma “Linha” do Espiritismo ou uma forma de praticar Espiritismo, na qual a Linha Branca se divide em outras Sete Linhas. 

Ao afirmar a Umbanda como Branca subentende-se muitas coisas, entre elas que possa haver outras umbandas, de outras cores e “sabores”. 

Mas a questão de ser branca está muito mais ligada ao fato de associar ao que é “claro”, “limpo”, “leve” ou simplesmente ausente do “preto”, “escuro” ou “negro” – há um preconceito subentendido – afinal é uma Umbanda mais “branca” que “negra”, mais europeia que afro e, porque não, mais Espírita. 

Geralmente usa-se esta qualificação, “Umbanda Branca”, para definir trabalhos de Umbanda com a ausência do que chamamos de “Linha da Esquerda”, para Leal de Souza uma “Linha Negra”. 

Ainda hoje muitos se identificam desta forma e geralmente o usam como um “recurso” para “livrar-se” do preconceito de outros... como a dizer: Sou Umbandista, mas da Umbanda Branca – como quem afirma pertencer à “Umbanda boa”. 

Não há uma “Umbanda Negra” ou uma “Umbanda Ruim”, toda Umbanda é Boa. 

•Umbanda Pura: 

Ao propor o Primeiro Congresso de Umbanda em 1941 o grupo que assumiu esta responsabilidade esperava apresentar uma “Umbanda Pura” (“desafricanizada” e “orientalizada”), praticada pela classe média no Rio de Janeiro. 

É a Umbanda praticada pelo “grupo fundador da Umbanda” ou simplesmente o grupo intelectual carioca que lutou pela legitimação da Umbanda, criando a Primeira Federação Espírita de Umbanda do Brasil, Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda e o Primeiro Jornal de Umbanda. 

Este grupo pretendia uma “codificação” da Umbanda em seu estado mais puro de ser. 

Embora a ideia de uma “Religião Pura” sempre será algo a ser questionado, independente de qual tradição lhe tenha dado origem. 

Do ponto de vista Histórico, Sociológico, Antropológico e até Filosófico, não há “Religião Pura”. 

Por trás de uma cultura sempre há outras culturas que lhe deram origem, sucessivamente desde que o Homem é homo sapiens também é homo religiosus. 

O Antropólogo Arthur Ramos afirma que: “As formas mais adiantadas de religião, mesmo entre os povos mais cultos, não existem em estado puro. 

Ao lado da religião oficial, há outras atividades subterrâneas...”. 

E o já citado Historiador das Religiões, Mircea Eliade, afirma: “Mas nunca será demais repetir que não há a menor probabilidade de se encontrar, em parte alguma do mundo ou da história, um fenômeno religioso ‘puro’ e perfeitamente ‘original’.” 

“Nenhuma religião é inteiramente ‘nova’, nenhuma mensagem religiosa elimina completamente o passado; trata-se, antes, de reorganização, renovação, revalorização, integração de elementos – e dos mais essenciais! – de uma tradição religiosa imemorial.” 

•Umbanda Popular: 

É a prática da religião de Umbanda sem muito conhecimento de causa, sem estudo ou interesse em entender seus fundamentos. 

É uma forma de religiosidade na qual vale apenas o que é dito e ensinado de forma direta pelos espíritos. 

O único conhecimento válido é o que veio de forma direta em seu próprio ambiente ritualístico. 

Não se costuma fazer referências a outras filosofias ou justificar suas práticas de forma “intelectualizada”. 

Eximindo-se de auto explicar-se reforçam a característica mística da religião, em que, independente de “racionalizações” a prática se sustenta devido à quantidade de resultados positivos alcançados. 

Podemos dizer que os adeptos muitas vezes não sabem ou têm certeza de como as coisas funcionam, mas sabem que funcionam. 

É aqui que muitas vezes nos deparamos com médiuns que afirmam, sobre a Umbanda, que não sabem de nada o que estão fazendo, mas que seus guias espirituais (caboclo e outros) sabem e isto lhes basta. 

Outrora, alguns, afirmam que médium não pode saber de nada de Umbanda para não mistificar. 

Muitos caem na armadilha do tempo, em que jovem de outrora agora já sabe de muita coisa que finge não saber para manter esta ideia de que nada deve saber. 

Enfim para nós que acreditamos no estudo dentro da religião é muito difícil abordar um seguimento que não se interesse pela leitura, embora se deva reconhecer, para não incorrer ao erro, que muitos estudam e conhecem muito das realidades espirituais que nos cercam e ainda assim preferem manter-se junto a uma forma pura de contato espiritual. 

•Umbanda Tradicional: 

Esta qualificação serve tanto para identificar a “Umbanda Branca”, “Umbanda Pura” ou “Umbanda Popular”. 

Que são as formas mais antigas, mais conhecidas e mais populares de praticar Umbanda, muito embora este perfil esteja mudando. 

Creio que hoje os terreiros que se adaptaram para uma linguagem mais jovem, mais intelectualizada e racional estão em franco crescimento, na medida em que no local de desinformação e/ou bagunça a Umbanda ainda vai secar. 

E neste mesmo solo vai ressurgir, nas novas gerações, que quando crianças, em algum momento, visitaram um terreiro. 

Estas crianças de ontem, adultos de hoje, podem nos dizer o quanto foi importante o trabalho da linha das crianças para a multiplicação da religião. 

Tantos se perguntam como criar cursos para as crianças na Umbanda, como um “catecismo” de Umbanda, ou umbanda para crianças, preocupados em como preparar e ensinar religião a nossos filhos. 

Se os terreiros mantivessem um trabalho periódico com a incorporação das crianças, bastava que este se torne o dia de nossos filhos na Umbanda, e que nesse dia nossos filhos aprenderiam sobre Umbanda direto com estas entidades. 

A curiosidade levaria nossos filhos a questionar e querer aprender mais sobre a Religião... 

Portanto, a ideia de estudar Umbanda está na base de crescimento e multiplicação da mesma. 

•Umbanda Esotérica ou Iniciática: 

É uma forma de praticar a Umbanda estudando os fundamentos ocultos, conhecidos apenas dos antigos sacerdotes egípcios, hindus, maias, incas, astecas etc. 

O conhecimento esotérico, ou seja, fechado e oculto dos arcanos sagrados, é desvelado por meio de iniciações. 

Foi idealizada com inspiração na obra de Blavatski, Ane Bessant, Saint-Yves D’Alveydre, Leterre, Domingos Magarinos (Epiaga), Eliphas Levi, Papus etc. 

Os fundamentos esotéricos da Umbanda foram organizados pela Tenda Espírita Mirim e apresentados, alguns deles, no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda. 

O primeiro autor que trouxe este tema para a literatura umbandista foi Oliveira Magno, 1951, com o título A Umbanda Esotérica e Iniciática. 

Como vimos no capítulo anterior e veremos nos capítulos posteriores, recebeu contribuições de Tata Tancredo e Aluízio Fontenelle. 

A Primeira Escola Iniciática Umbandista, que se tem notícia, foi o Primado de Umbanda, mais uma iniciativa do Caboclo Mirim. 

Já na segunda e terceira geração de autores Umbandistas surgirão outros autores dentro deste seguimento. 

Costumam citar a origem da Umbanda na Atlântida ou Lemúria, no mito do AUMBANDÃ, que seria a forma mais “pura” de Umbanda. 

•Umbanda Trançada, Mista e Omolocô: 

São nomes usados para identificar uma Umbanda praticada com influência maior dos Cultos de Nação ou do Candomblé Brasileiro onde se combina os fundamentos e preceitos oriundos das culturas africanas com as entidades de Umbanda. 

Podem-se ter os tradicionais rituais de Camarinha, Bori, Ebós e oferenda animais com seus respectivos sacrifícios. 

Muitos chamam esta variação de Umbandomblé. 

O autor, médium, sacerdote e presidente de Federação que mais defendeu a origem africana da Umbanda foi o conhecido Tata Tancredo. 

Autor de inúmeros títulos de Umbanda, publicou seu primeiro livro Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951, em parceria com Byron Torres de Freitas e é defensor da variação chamada de Omolocô, da qual é seu idealizador no Brasil. 

• Umbanda de Caboclo: 

É uma variação de Umbanda onde prevalece a presença do caboclo, muitas vezes acreditando que a Umbanda é antes de tudo a prática dos índios brasileiros revista pela cultura moderna e doutrinada com conceitos que foram sendo absorvidos com o tempo. 

Decelso escreveu o título Umbanda de Caboclo para explicar esta variação de Umbanda. 

•Umbanda de Jurema: 

No nordeste existe um culto popular chamado Catimbó ou Linha dos Mestres da Jurema, que combina a cultura indígena com a cultura católica, somando valores da magia europeia e de quando em vez algo da cultura afro. 

O principal fundamento é o uso da Jurema Sagrada, como bebida e também misturada no fumo, que vai ao fornilho do tradicional cachimbo, também chamado de “marca”, feito de Jurema ou Angico. 

As entidades que se manifestam são chamadas de Mestres e da Jurema. 

Umbanda herdou a manifestação do Mestre Zé Pelintra, que pode vir como Exu, Baiano, Preto-Velho ou Malandro. 

Quando se combinam os fundamentos de Umbanda e Catimbó temos esta modalidade, que pode ser uma Umbanda regional de Pernambuco ou praticada de forma intencional pelo umbandista que se interessou pela Jurema e descobriu a Linha de Mestres dentro de sua Umbanda. 

•Umbandaime: 

O Santo Daime é uma religião nativa do Amazonas, é uma variação da Ayuasca, que é um chá preparado com duas ervas de poder, o cipó Mariri e a folha da Chacrona. 

De tanto ter visões de entidades de Umbanda e Orixás em rituais do Daime é que alguns grupos de umbandistas passaram a praticar Umbandaime, ou seja, trabalhos de Umbanda ingerindo o Daime ou rituais de Ayuasca, para se comunicar com as entidades de Umbanda. 

A Umbanda em si não tem em seus fundamentos o uso de bebidas enteógenas, além dos tradicionais café, cerveja, vinho, “pinga”, batida de coco e outros que servem apenas como “curiador” (elemento usado para potencializar alguma ação espiritual ou magística), cada linha de trabalho tem sua “bebida-curiadora”, no entanto nem a bebida nem o fumo são carregados de erva que induza o estado de transe. 

A própria bebida deve ser controlada. 

Podem, no entanto ser consideradas bebidas de poder como o “vinho da jurema”, no entanto a bebida não é o centro do ritual, apenas um elemento auxiliar. 

No caso do Daime, este está no centro do culto, o poder que se manifesta por meio do chá é que conduz o adepto. 

Na Umbanda quem conduz o trabalho são os espíritos guias, com daime ou sem daime. 

•Umbanda Eclética: 

Chama-se de Eclética a Umbanda que mistura de tudo um pouco fazendo uma bricolagem de Orixás com Mestres Ascensionados e divindades hindus por exemplo. 

Recorrem à conhecida Linha do Oriente para justificar a presença de tantos elementos diferentes do Oriente e Ocidente junto ao esoterismo, ocultismo e misticismo. 

•Umbanda Sagrada ou Umbanda Natural: 

Quando começou a psicografar e dar palestras, Rubens Saraceni sempre fazia questão de se referir à Umbanda como Sagrada. 

Não havia intenção de criar uma nova Umbanda, apenas ressaltar uma qualidade inerente à mesma. 

Na apresentação de seu primeiro título doutrinário Umbanda – O Ritual do Culto à Natureza, publicado em 1995, afirma que o livro em questão guarda uma coerência bastante grande, o de trilhar num meio termo entre o popular e o iniciático, ou entre o exotérico e o esotérico. 

Já no Código de Umbanda, no capítulo Umbanda Natural, cita: 

Umbanda Astrológica, Filosófica, Analógica, Numerológica, Oculta, Aberta, Popular, Branca, Iniciática, Teosófica, Exotérica e Esotérica. 

Para então afirmar que: 

Natural é a Umbanda regida pelos Orixás, que são senhores dos mistérios naturais, os quais regem todos os polos umbandistas aqui descritos. 

Muitos optam por substituir a designação de “Ritual de Umbanda Sagrada”, dada à Umbanda Natural. 

Fica claro que para o autor a Umbanda é algo natural e sagrado, adjetivos que se aplicam ao todo da Umbanda, e não a um segmento em particular. 

No livro As Sete Linhas de Umbanda volta a citar as várias “umbandas” e comenta que na verdade, e a bem da verdade, tudo são segmentações dentro da religião Umbandista [...]. 

Ainda assim, sem a intenção de criar uma nova segmentação dentro do todo, trouxe muitos temas novos e novas abordagens para outros tantos, criando toda uma Teologia de Umbanda. 

Seus conceitos se expandiram muito rapidamente assim como a popularidade de títulos como O Guardião da Meia Noite e Cavaleiro da Estrela da Guia. 

Sua forma de apresentar, entender e explicar a Umbanda ficou identificada ou rotulada de Umbanda Sagrada. 

Palavra que para este autor engloba toda a Umbanda, como um Todo também chamado de Umbanda Natural. 

•Umbanda Cristã: 

A Umbanda, fundada no dia 15 de Novembro de 1908, tem no Caboclo das Sete Encruzilhadas a entidade que lançou seus fundamentos básicos, logo na primeira manifestação esta entidade já esclareceu que havia sido, em uma de suas encarnações, o Frei Gabriel de Malagrida, um sacerdote cristão queimado na “Santa Inquisição”, por ter previsto o terremoto de Lisboa, e que posteriormente nasceu como índio no Brasil. 

 Ao dizer qual seria o nome do primeiro templo da religião, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque “assim como Maria acolheu Jesus da mesma forma a Umbanda acolheria seus filhos”, já dava uma diretriz cristã à nova religião. 

Há um conto sobre o Caboclo das Sete Encruzilhadas que diz ter sido chamado por Maria, Mãe de Jesus, para semear a nova religião. 

Todo trabalho e doutrina de Zélio de Moraes têm este perfil cristão, subentendendo Umbanda Cristã, antes de ser “Umbanda Branca” ou “Umbanda Pura”, outros adjetivos que já foram associados a sua forma de praticá-la. 

Jota Alves de Oliveira escreveu um título chamado Umbanda Cristã e Brasileira, no qual encontrarmos a citação abaixo: 

“A Orientação Doutrinária do evangelizado Espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas nos levou a considerar e historiar seu trabalho enriquecido das lições do evangelho de Jesus, com a legenda: Umbanda Cristã e Brasileira.” 

Outro elemento que endossa a qualidade cristã da Umbanda é o arquétipo dos Pretos e Pretas velhas, são ex-escravos batizados com nomes católicos e que trazem muita fé em Cristo, nos Santos e Orixás. 

As qualidades cristãs e a presença dos santos católicos confortam e tranquilizam quem entra pela primeira vez em um templo umbandista, muito embora não se limite a adornos e sim a uma presença espiritual dos mesmos. 

Qualificar ou não qualificar? 

Quase todos os assuntos doutrinários e teológicos da Umbanda, quando aprofundados, criam polêmicas pelo fato de nos encontrarmos em uma religião nascente, ainda em formação, que em muito lembra o cristianismo primitivo com suas divergências internas. 

Vejamos a questão de Cristo na Umbanda, na qual para um ex-católico Cristo é Deus, para um espírita Cristo é um mestre ou irmão mais velho da humanidade, já um ex-muçulmano vê em Cristo um profeta. 

Este é um dos exemplos pelos quais surgem as Umbandas, outro seria o fato de sua constante evolução e transformação. 

A Umbanda ainda possui esta flexibilidade, não impõe, antes aceita as diferentes formas de interpretar os mistérios de Deus. 

Ali está uma boa parte dos fundamentos da Umbanda, seu ritual é aberto ao aperfeiçoamento constante... 

E por que isso? 

Simples: tudo o que as grandes religiões castram nos seus fiéis o ritual umbandista incentiva nas pessoas que dele se aproximam [...]. 

Fica fácil entender que as formações religiosas anteriores influenciam o ponto de vista do umbandista gerando seguimentos, assim como suas áreas de maior interesse cria todo um campo a ser explorado dentro da própria Umbanda, como ferramenta para alcançar certos mistérios da criação. 

No entanto, a Umbanda não pode ser contida, ou apreendida no seu todo por quem quer que seja. 

O mais que alguém poderá conseguir será captar partes desse todo. 

Por mais válidas que sejam as segmentações, por mais que se autoafirmem ser “a verdadeira” Umbanda ou a “Umbanda Pura”, nenhuma destas “umbandas” dá conta do TODO que é Umbanda. 

Particularizar, segmentar, é reduzir, para entender o todo há de se buscar um “mirante” privilegiado, no qual se possa vislumbrar todas as umbandas e “A” Umbanda ao mesmo tempo. 

Pela “parte” não se define o “todo”, mas pela “unidade” se busca uma “essência”, um fundamento e base. 

No fundo é possível praticar Umbanda, simplesmente, livre de qualificações, adjetivos, atributos ou atribuições. 

Basta dizer-se umbandista, e quando perguntarem: 

“- De que Umbanda você é?” 

É mais do que suficiente responder apenas: 

 “- Umbanda.” 

Da mesma forma é possível a alguém ser cristão independente de Catolicismo, Protestantismo, Luteranismo, Metodismo, Calvinismo, Pentecostalismo, mas não é possível negar que existam diferentes vertentes dentro do Cristianismo, e da mesma forma com a Umbanda.

Quem foi Allan Kardec ???

                               
                                   Biografia de Allan Kardec

 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869)

Teve formação acadêmica em matemática e pedagogia, interessando-se mais tarde pela física, principalmente o magnetismo. 

Como escritor, dedicou-se à tradução e à elaboração de obras de cunho educacional. 

Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador do Espiritismo, também denominado de Doutrina Espírita. 

O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. 

Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec". 

A juventude e a atividade pedagógica Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia. 

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. 

Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados. 

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. 

Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. 

Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?". 

Em 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. 

Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. 

Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. 

Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país. 

Publicou diversas obras sobre educação. 

Das mesas girantes à Codificação Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. 

Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam. 

Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Rivail dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem. 

Adotou, nessa tarefa, o pseudônimo que o tornaria conhecido: Allan Kardec. 

Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 

Os últimos anos Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e a defendê-lo dos opositores. 

Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos (65 anos incompletos) de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. 

Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. 

Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, acima de sua tumba, seu lema: 

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês. 

Assinatura de Allan Kardec.

Humildade

- 09/04/2011 - Edu Medeiros - Um Amigo do  BEM

Apesar de serem da mesma origem latina, as palavras humildade (do latim humilitate) e humilhação (do latim tardio humiliatione) não possuem o mesmo significado, portanto não são sinônimos, entretanto muitos irmãos acabam confundindo a primeira que na verdade é uma virtude a qual nos dá o sentimento da nossa fraqueza, com a última que possui significado mais amplo, onde poderá ser utilizada para exprimir a ação de nos tornarmos humildes, onde este é o lado do bem, como também o sentido que a palavra humilhação pode ser associado como sendo o de rebaixar, oprimir, abater, referir-se com menosprezo, tratar desdenhosamente ou com soberba, submeter, sujeitar ou ainda ser humilhante, onde este é o lado do mal.

A falta de discernimento para muitos irmãos a cerca do verdadeiro significado da humildade converte-se em uma barreira, quase que intransponível, de poder exercitá-la com mais facilidade, pois ao confundir humildade com humilhação poderemos estar desperdiçando as oportunidades que nos são dadas, onde estaremos deixando de enxergar a humildade como ferramenta de crescimento espiritual e passando a vê-la como motivo de vergonha, sendo este um entendimento equivocado. 

Muitos irmãos têm dificuldade de dissociar (separar) humildade de humilhação porque enxergam de forma limitada os seus reais significados. 

Esta dificuldade se fortalece quando somos vítima do orgulho que é o inimigo da humildade. “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, ou ainda “não misturar as estações”, são as expressões populares que facilitam o exercício do discernimento de um modo geral.

Por outro lado não devemos esquecer que a humilhação também é um instrumento do bem, porém é “uma faca de gumes”, pois sua eficácia para o nosso crescimento espiritual ocorre somente quando recebemos a ação, ou seja, quando somos humilhados e não quando humilhamos o próximo.

O Mestre nos ensinou que devemos exercer a humildade. 

Ser humilde ou agir com humildade converte-se na excelência de nos tornarmos verdadeiros cristãos, ou seja, propagadores das ideias de Jesus, o Cristo.

Existe um provérbio (dito popular) onde afirma que ser cristão exige: caridade, humildade, conduta, ética, respeito, moral, retidão, seriedade, disciplina, educação, cortesia, gentileza, comprometimento com a Verdade e demais valores edificantes: “Andar com Jesus no peito é fácil, o difícil é ter peito para andar com Jesus.

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade”.

– Livro O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Capítulo XV - Fora da caridade não há salvação, Item 3, página 310.

Edu Medeiros - Um Amigo do Bem, 09/04/2011.
Artigo publicado originalmente na Coluna Espírita do Jornal JC Regional de Pirassununga/SP - Edição de 09/04/2011.
Título: Humildade - 09/04/2011 - Edu Medeiros - Um Amigo do Bem

ACADEMIA: TEXTO de Hermes de Sousa Veras

Dear Antonio, You read the paper " O CABOCLO FORTE TUPINAMBÁ Aparelhagem sonora, agência e religião em Belém do Pará "...