sábado, 11 de fevereiro de 2012

UM BOM PASTOR


Um bom pastor …

Nos  mais de vinte anos na Umbanda, tenho observado bem de perto o que é verdadeiramente evoluir perante a espiritualidade e venho adquirindo experiência para poder discernir o certo do errado dentro de meus conceitos espirituais. Nunca fui muito de escrever, mas tenho sido cobrado pela espiritualidade superior a condição de explanar mais sobre minha vivência dentro dos terreiros e, porque não dizer, junto à espiritualidade, sendo que nasci em berço kardecista.
Me deparei estes dias com uma irmã em atendimento de quem, como médium semi-consciente que sou, escutei a seguinte frase: “ouvi dizer que os dirigentes desta casa são linha dura na Umbanda e é isto que estou procurando para minha vida espiritual…”. Calmamente o Pai-Velho que me acompanha lhe respondeu: “Fia, não tem linha dura, mas sim SERIEDADE! Saiba que desses companheiros, aqui neste pedaço de chão de terra, é exigida muita seriedade por nóis lá de cima, afinal, lá por cima, naquele pedaço de chão de estrelas, não tem ‘lero lero que também quero’”. Refletindo sobre essa frase, sobre a Ação Espiritual empregada alí e, claro, sobre a condição e a responsabilidade religiosa dos médiuns, só reafirmo a minha convicção ideológica de que a SERIEDADE É FUNDAMENTAL QUANDO SE TRATA DE ASSUNTOS REFERENTES À ESPIRITUALIDADE. É necessária, portanto, a constante moralidade e disciplina espiritual.
Na Umbanda não pode ser diferente, a Seriedade e a Disciplina devem ser praticadas continuamente. Acredito, inclusive, que um bom sacerdote é aquele que deixa de lado seus desejos humanos e mundanos para pensar primeiramente no espiritual. Percebo que, infelizmente, o ser humano anda pouco se importando com isso, porque não entendeu ainda que para poder praticar um trabalho religioso espiritual dentro da Lei da Umbanda não basta apenas ter vontade, é preciso deixar de lado as porcarias dos vícios emocionais e mentais e andar para frente, afinal, é logo “à frente” que encontraremos o significado da tão procurada Evolução.
Pai-velho ainda disse: “Nóis aqui deste lado entendemos perfeitamente as dificurdades do povo dessa terra e tentamos dá o nosso mió perto do pió, porém fia, se o chefe do terreiro não tiver purso firme não há tratamento que resorva e nem jeito que dê jeito, pois primeiro temos que lidá com o Ser encarnado que tem o mardito do livre arbítrio, né fia?”. E é com estas palavras tão abençoadas e simples que chego à conclusão de que estamos no caminho certo e de que para fazer parte da corrente mediúnica de Nossa Umbanda o médium tem que ter joelho marcado de tanto ajoelhar. Como diz um grande amigo: “É Umbandista? Então mostre-me o joelho!”
Peço a benção dos mais velhos, aos quais devo muitas das minhas experiências; peço agô a meu Pai Xangô pelos meus erros e peço, principalmente, guarnição ao Guerreiro que comanda Nosso Terreiro e é grande ancestre de minha companheira Mãe Mônica Caraccio.
“Um bom pastor é aquele que ajuda, respeita, direciona e cuida do seu rebanho. Para isso é necessário dedicação, conhecimento, regras e muita disciplina, caso contrário haverá desordem e rebeldia, então muitas ovelhas se perderão e o caminho se tornará incerto e perigoso”
Sob inspiração de um Preto Velho de Angola 
                 Fiel para sempre
No embate contínuo das inúmeras paixões para a intransferível sublimação espiritual, o cristão, descontente com as concessões que frui, compreende a necessidade de prosseguir lutando.

O triunfo imediato, as glórias fáceis, as alegrias ligeiras não o fascinam, porque lhes confere a transitoriedade.
Ante os monumentos colossais do passado, agora corroídos pelo tempo, constata a vacuidade dos bens terrenos.
Colunas de mármores raros cinzelados, granitos preciosos ornados de metais que produzem pujança e beleza deslumbrante, ressurgem, frios, tristes, aos seus olhos, narrando a história das mãos escravas que os trabalharam, lavando com suores e lágrimas de sangue a poeira que os instrumentos produziram ao dar-lhes forma arrancando dos minerais brutos a mensagem da beleza.
Museus abarrotados de valores de alto preço, que descrevem conquistas e poder, parecem páginas que choram em esculturas quebradas e ornatos incompletos, preciosidades mortas, fitando homens que a miséria mata desde a orfandade e que, possivelmente, foram os mesmos, que um dia no passado, se banquetearam na abastança da ilusão.
Lajes que suportaram, indiferentes, o tropel de exércitos com os seus animais e carros de guerra, continuam, gastas, suportando máquinas velozes que a técnica constrói...
E as paixões hoje são quase as mesmas de ontem, senão mais açuladas, mais violentas e devastadoras, no homem que prossegue inquieto.
Fala-se muito sobre tais belezas, ora transformadas em mausoléus de lembranças. Sem dúvida, retratam a arte, expressam grandezas espirituais, muitas delas. Fitando-as, todavia, não há como deixar de inquirir: “Se Deus concede ao homem ímpio e infeliz tanta fortuna, que não reservará ao filho generoso e trabalhador que Lhe é fiel?!”

Luta, pois, e sofre, mesmo sozinho.
Desencarcera-te das primitivas manifestações do instinto, por cujos impulsos tens transitado e ascende aos panoramas da emoção superior, buscando com os sentimentos nobres e a inteligência lúcida, a intuição libertadora.
Não te equivoques com o sorriso dos conquistadores iludidos, nem suponhas que, promovendo alaridos, eles hajam encontrado a felicidade. O júbilo que promove balbúrdia é loucura em plena explosão.
A alegria que brota de dentro é como córrego precioso, que nasce discretamente e dessedenta a terra por onde cantam, docemente, suas águas passantes.
A atroada dos infelizes é produzida pela fuga que promovem, aparentando festa interior.
Ei-los que se embriagam por um dia, se entristecem no outro, murcham repentinamente e se desgarram na excentridade das alienações mentais, conquanto aplaudidos por outros enfermos, sumindo pela porta do suicídio direto ou indireto para defrontar a realidade dolorosa, logo depois.

Todo cristão autêntico sofre um “espinho na carne”, que lhe dói e é, também, sua advertência.

O Calvário não é apenas a recordação ou o nome do lugar onde Ele padeceu. É a mensagem eterna da superação do Filho de Deus a todas as contingências, circunstâncias e imposições humanas, falando de amor, coragem, renúncia e fé.
Todos os mártires da fé, os heróis do bem e os santos do amor, caminhando entre os homens, sofriam com alegria o seu calvário, que era o sinal de união contínua com Ele, o Herói Estelar.

Abre, desse modo, os teus braços, submete-te à cruz redentora e avança. Pára a ouvir um pouco as vozes do passado que ensinam experiências e não temas: sê fiel a Jesus até o fim!



Autor: Joanna de Ângelis

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