sexta-feira, 7 de agosto de 2015

               VOLTA CABOCLO!


Volta, Caboclo! 

Vem das tuas verdes matas para o recesso da minha mediunidade saudosa dos teus benditos fluídos! 

Vem incensar minh’alma com o aroma da tua presença querida, fazendo ecoar em meus ouvidos atentos, o “quiô” da tua vibração! 

Vem trazer-me o calor das tuas palavras fluentes, traduzidas na sonoridade das folhas das palmeiras quando se espanam no ar… Quero, contigo, apanhar as folhas da Jurema para adornar todo o meu Juremá… Cruzar meu caminho com galhos de arruda e enfeitar minha gira com ramos de guiné… 

Vem… Traz o teu arco forte e a tua flecha certeira… Vamos, numa só vibração, penetrar no seio da mata virgem, procurar o inimigo que lá se esconde e desarmá-lo, à pujança do teu braço forte! 

Volta, Caboclo! Coloca em minha fronte o teu belo cocar… e entrosa em mim, tua essência pura de aromáticos jardins, contida em tão pequeno frasco! 

Como podes usar-me, tu, enviado bendito das falanges superiores, para cumprimento da tua missão? 

A que sacrifícios se submete a tua aura, pois, sendo tão grande, consegue incorporar-se num tão diminuto ser!… Mesmo sabendo-me o mais insignificante dos teus médiuns, rogo-te, com ânsias desesperadas na voz e uma saudade torturante em meu coração: “Volta ao teu reino de luz onde impera a verdadeira caridade! 

Volta ao teu pegi de amor onde te aguardam, ansiosos, os teus filhos de fé e o teu modesto aparelho receptor… 

As ondas vibráteis da minha mediunidade querem voltar a funcionar ao toque das tuas abençoadas mãos… 

Teu regresso será uma festa emocional onde as lágrimas mal contidas se confundirão com o sorriso de algumas criaturas que não sabem chorar… 

Teu ponto riscado iluminado está… teu ponto cantado, entoado num só diapasão de voz, te abrirá ao nosso meio, para aconchego dos que reconhecem em ti, um trabalhador no campo sublime da caridade!… 

Teu assobio atrairá a atenção daqueles que ainda te creem em missão no Alto e de pronto, estarás entre nós, numa vibração harmoniosa que a todos envolverá. 

Volta, Caboclo! Sem ti sou qual ave sem ninho… Pássaro sem asa… Árvore sem ramagens… 

Volta, Caboclo… Minha cabana te espera… A copa dos arvoredos se cobre de flores ao ciclo mágico da primavera… O perfume dos jasmins perpassa pelo ar e o caminho do teu regresso está se aromatizando de incenso, mirra e de benjoim… Curumins alegres – os teus curumins – vestidos de branco, irão espalhando, pela orla do vale, pétalas cheirosas à tua passagem… Nos cuités, haverá a água de coco fresquinha, o aluá e o néctar precioso que as abelhas produzem… 

Vem… Tudo se prepara para tua chegada… 

Os tambores saudarão a tua vinda junto com os aplausos daqueles que respeitam e reconhecem o valor da tua gira! 

VOLTA, Caboclo! Minhas mãos te buscam na sinceridade DESTA súplica onde se patenteia o meu amor por ti e a gratidão ao Médium Supremo por me ter apontado para ser teu pequenino médium! 

Volta, Caboclo… Volta… 

Autor Desconhecido – Publicado por: Atila Nunes em Antologia de Umbanda. 

MEU CABOCLO QUERIDO !!!!

                 Meu Caboclo, meu querido 


Eram 18h00 e Jorge já dava os últimos retoques em seu terno para assistir a mais uma reunião na igreja neopentecostal que frequentava há 1 ano. 

Homem trabalhador, desde jovem já exercia a função de carpinteiro. 

Hoje, aos 60 anos, com esposa e um neto, tinha vida humilde e tranquila, apesar dos problemas de saúde e finanças que o afligiam. 

Carregava uma grande mágoa dentro de seu coração. Tendo sido médium umbandista atuante por mais de 20 anos, deparou-se com uma enfermidade que atingiu violentamente sua única e amada filha. 

Rogou a Deus, a seu Guia Espiritual e as demais entidades espirituais do terreiro em que trabalhava que a curassem. 

Não logrou sucesso, perdendo a presença física de sua filha Denize em 6 meses. 

Revoltado com a tragédia, abandonou a Umbanda e afirmou que jamais voltaria para a religião, pois se ali estivessem espíritos do bem e de Deus, não teriam deixado que tão grande desgraça lhe atingisse. 

Sob grande instabilidade psíquica e induzido por fanáticos “evangélicos” , lá estava ele, ao lado de sua esposa, nos cultos da igreja, cujo “ministro religioso” exortava todos os presentes a esconjurarem os espíritos malignos da macumba, além de prometer a salvação e…….. pedir dinheiro. 

Jorge não reclamava, dando seu dízimo e ofertas com dificuldades, mas acreditando ser o caminho a seguir. 

Em suas horas de descanso, na paz do convívio familiar, Jorge quase sempre ouvia uma voz estranha, que lhe dizia: “Sempre estarei com você”. 

Comentava o fato com a esposa que, influenciada pelo fanatismo religioso, dava como resposta que deveria ser um espírito maligno que o acompanhava, aconselhando-o a comentar o assunto com o “pastor”. 

Resolveu seguir os conselhos de sua mulher, procurando, durante um culto, esclarecimentos com o “missionário”. 

Este informou-lhe que as ocorrências eram obra do diabo, solicitando a Jorge que aumentasse suas ofertas, para que Deus pudesse operar em obra e graça na sua vida (de Jorge). 

Com muita dificuldade, dobrou o valor do dízimo e ofertas. 

Contudo, a voz insistentemente lhe invadia, dizendo: “Sempre estarei com você”. 

Numa tarde de domingo, após o almoço, Jorge preparava-se para descansar em seu leito, quando bruscamente foi vitimado por uma forte dor no peito, próxima ao coração. 

Caiu desmaiado, sendo acudido por sua esposa, que aos berros rogava ajuda dos vizinhos.. 

Colocado em um táxi, rumou às pressas para o hospital mais próximo, a fim de ser atendido. 

Após o pronto-atendimento e posteriores exames clínicos, foi diagnosticado uma insuficiência cardíaca, provocada por grande lesão nas artérias do coração. 

O caso solicitava o concurso premente de intervenção cirúrgica, sem a qual Jorge certamente sucumbiria. 

A operação foi marcada. 

Sua esposa, apavorada com o cenário, encaminhou-se para a igreja, a fim de solicitar os préstimos religiosos do “missionário”. 

Foi atendida e aconselhada a aumentar as contribuições pecuniárias (dinheiro) e a fazer um desafio a Deus pela cura de Jorge. 

Desolada com o pouco caso dado a situação, voltou ao hospital, sendo ali informada que seu marido piorara, e que por isto, tinham antecipado a cirurgia. 

Encostou-se numa cadeira da recepção e entre lágrimas e soluços começou a rogar a Deus pela saúde do amado esposo. 

Ouviu então uma voz que lhe tocou como verdadeiro bálsamo consolador, que dizia: “Eu sempre estarei com ele”. 

Na sala de cirurgia, Jorge, ainda acordado, pedia a Deus que o deixasse viver, pois tinha esposa e neto para sustentar. 

Observando a movimentação dos médicos que preparavam a anestesia geral, Jorge notou intenso feixe de luz que surgia no canto direito daquele recinto. 

De cores variadas e predominância de violeta, a luminescência pouco a pouco foi se condensando na figura altiva de um Índio, que empunhando uma moringa nas mãos, se aproximou do leito. 

Jorge chamava pelos médicos, que não lhe davam atenção. 

Se perguntava mentalmente quem era aquele indígena. 

Do interior da moringa a Entidade Espiritual retirou um líquido verde e extremamente cintilante, derramando-o sobre o peito de Jorge, além de fazê-lo ingerir um pouco da substância. 

Ato contínuo, o espírito desapareceu e Jorge adormeceu. 

Duas horas depois despertou na enfermaria, notando a presença do médico e de sua esposa. 

Perguntou sobre a operação e, para seu espanto, o médico que alí estava disse-lhe que a cirurgia fora cancelada, uma vez que momentos antes da aplicação da anestesia geral, o cirurgião-chefe “resolveu” realizar novos exames, os quais não acusaram qualquer lesão nas artérias coronárias. 

Também relatou a Jorge que durante os preparativos para a operação, a equipe cirúrgica sentiu uma forte fragrância de ervas, cuja origem não foi detectada. 

Passados dois meses do susto, Jorge, sentado sob a copa de uma mangueira em seu quintal, observava o lindo luar que despontava no céu estrelado. 

Indagava-se sobre os acontecimentos passados, procurando uma resposta sensata para o que ocorrera; a cena na sala de cirurgias não lhe saía da mente. 

A brisa corria suave, e com ela uma voz chegou aos ouvidos de Jorge: “ Sempre estarei com você”. 

Virou-se em direção aos arbustos e, estático, visualizou a presença do mesmo índio presente ao hospital. 

O espírito, aproximando-se, informou a Jorge ser seu Guia Espiritual, Caboclo nominado aqui de “Y”, e que tinha recebido ordens superiores para curá-lo da enfermidade 

Trazia também informações sobre sua querida filha, que estava bem e envolvida em trabalhos assistenciais dentro da Umbanda, salientando a Jorge que a doença de sua filha era processo depurador irreversível, motivo pelo qual não havia como interferir. 

Jorge, profundamente emocionado, não conseguia expressar-se. 

O Caboclo “Y” disse-lhe que respeitava sua mudança de religião, mas onde estivesse, ele, o Caboclo, sempre estaria a seu lado, em labor de amparo e aconselhamento. 

O carpinteiro Jorge, sensibilizado pelas palavras do amigo espiritual, pediu desculpas pela falta de fé nos trabalhadores espirituais da Umbanda. 

O Caboclo sorriu, ao mesmo tempo em que começava a perder sua forma ideoplástica por entre a vegetação. 

Jorge, observando a grande beleza cenográfica espiritual, relembrava os tempos de terreiro; as pessoas sendo auxiliadas; sua filha querida cambonando o Caboclo “Y”; a caridade pura e simples se manifestando, sem dízimos, ofertas ou barganhas com Deus. 

Jorge voltou ao seu antigo terreiro, sendo calorosamente recepcionado pelos amigos espirituais e carnais que o aguardavam. 

Após as sessões de caridade, como instrumento de expressão dos amigos espirituais, Jorge, feliz por mais um dia de amparo aos necessitados e relembrando a fisionomia de seu Guia-Chefe, no silêncio de suas preces, sempre exclama: “MEU CABOCLO, MEU QUERIDO”. (Texto extraído do site www.jornalumbandahoje.com.br)
                      Sussurro... 

Conta-se que um amigo levou um índio para passear no centro de São Paulo.

Seus olhos não conseguiam acreditar na altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético das pessoas indo e vindo.

Espantava-se com o barulho ensurdecedor das sirenes, dos automóveis, das pessoas falando em voz alta.

De repente, o índio falou: “Ouço um grilo!”

O amigo espantado retrucou: “Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!”

O índio insistiu que ouvia o cantar de um grilo. Tomando o seu cicerone pela mão, levou-o até um canteiro de plantas. Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto.

“Como?” Perguntou o amigo, ainda sem crer.

O índio pediu-lhe algumas moedas, e então jogou-as na calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou.

“Escutei o grilo porque o meu ouvido está acostumado com este tipo de barulho. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque foram condicionados a reagirem a esse tipo de estímulo”.

Depois arrematou: “A gente ouve o que está acostumado ou treinado a ouvir.”

Vivemos em um mundo materialista. A vida nos impõem que sejamos muitas vezes duros. Acabamos nos tornando céticos. A voz de Deus não é ouvida senão por aqueles que tem o ouvido sensível. Muitas vezes a correria da vida e as agitações da nossa alma inquieta não nos permitem perceber o Divino.

Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da sobrevivência, mas há realidades que só se percebem com o espírito. Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo Eterno, escutam o sussurro de Deus.

Que todos consigamos, apesar do tumulto que nos cerca, escutar o sussurro de Deus!!!

Cantar pontos em casa.