sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

                             

                            O Mistério do Orixá Ancestral
                     De frente e ajuntó

 Por Rubens Saraceni 

Uma dúvida, e a que mais incomoda os umbandistas, é sobre seu orixá. 

Nós sabemos que orixá ancestral não é o mesmo que orixá de frente ou ajuntó. 

O orixá ancestral está ligado à nossa ancestralidade e é aquele que nos recepcionou assim que, gerados por Deus, fomos atraídos pelo seu magnetismo divino. 

Todos somos gerados por Deus e somos fatorados por uma de suas divindades, que nos magnetiza em sua onda fatoradora e nos distingue com sua qualidade divina. 

Uns são distinguidos com a qualidade congregadora e são fatorados pelo Trono da Fé. 

E, se for macho, é o orixá Oxalá que assume a condição de seu orixá ancestral. 

Mas, se for fêmea, aí é a orixá Oiá que assume sua ancestralidade. 

Uns são distinguidos com a qualidade agregadora e são fatorados pelo Trono do Amor. 

E, se forem machos, é o orixá Oxumaré que assume a condição de seu orixá ancestral. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Oxum que assume suas ancestralidades. 

Uns são distinguidos com a qualidade expansora e são fatorados pelo Trono do Conhecimento. 

E, se forem machos, é o orixá Oxóssi que assume a condição de seu orixá ancestral. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Obá que assume suas ancestralidades. 

Uns são distinguidos com a qualidade equilibradora e são fatorados pelo Trono da Razão. 

E, se forem machos, é o orixá Xangô que assume as suas ancestralidades. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Egunitá que assume suas ancestralidades. 

Uns são distinguidos com a qualidade ordenadora e são fatorados pelo Trono da Lei. 

E, se forem machos, é o orixá Ogum que assume suas ancestralidades. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iansã que assume suas ancestralidades. 

Uns são distinguidos com a qualidade evolutiva (transmutadora) e são fatorados pelo Trono da Evolução. 

E, se forem machos, é o orixá Obaluaiê que assume suas ancestralidades. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Nanã que assume suas ancestralidades. 

Uns são distinguidos com a qualidade geradora e são fatorados pelo Trono da Geração. 

E, se forem machos, é o orixá Omulu que assume suas ancestralidades. 

Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iemanjá que assume suas ancestralidades. 

Observem que não estamos nos referindo ao espírito que “encarnou” no plano material, e sim ao ser que acabou de ser gerado por Deus e foi atraído pelo magnetismo de uma de suas divindades, que, por serem unigênitas (únicas geradas) transmitem naturalmente a qualidade que são em si mesmas aos seus “herdeiros”, aos quais imantam com seus magnetismos divinos e dão uma ancestralidade imutável, pois é divina, e jamais ela deixará de guiá-los porque a natureza íntima de cada um será formada na qualidade que o distinguiu, fatorando-o. 

Alguém pode reencarnar mil vezes, e sob as mais diversas irradiações, que nunca mudará sua natureza íntima. 

Agora, a cada encarnação ele será regido por um orixá de frente (o que o guiará enquanto viver na carne) e será equilibrado por outro orixá que será o auxiliar (o ajuntó) desse orixá de frente ou da “cabeça”. 

Usamos o termo “orixá da cabeça” porque ele regerá a encarnação do ser e o influenciará o tempo todo, pois está de “frente” para ele. 

Sim, o orixá da cabeça está à nossa frente nos atraindo mentalmente para seu campo de ação e para o seu mistério, ao qual absorveremos e desenvolveremos algumas faculdades regidas por ele. 

Já o orixá ajuntó, este é um equilibrador do ser e atuará através do seu emocional, hora estimulando-o e hora apassivando-o, pois só assim o ser não se descaracterizará e se tornará irreconhecível dentro do seu grupo familiar ou tronco hereditário, regido pelo seu orixá ancestral. 

A dúvida dos “médiuns” e dos umbandistas se explica pela precariedade dos métodos divinatórios usados para identificar o orixá da cabeça e seu ajuntó. 

Daí, vemos pessoas reclamarem que a cada Babalorixá ou Ialorixá que consultaram, cada um deu um orixá diferente a cada consulta, criando uma confusão e levando ao descrédito. 

Esta queixa é muito comum e não são poucos os médiuns que estão confusos, porque uma consulta diz que é filho desse orixá e outra consulta diz que é filho de outro orixá. 

Nós dizemos isto: na ancestralidade, todo ser macho é filho de um orixá masculino e todo ser fêmea é filha de um orixá feminino

Na ancestralidade, orixá masculino só fatora seres machos e os magnetiza com sua qualidade, fatorando-os de forma tão marcante que o orixá feminino que o secunda na fatoração só participa como apassivadora de sua natureza masculina. 

E o inverso acontece com os seres fêmeas, onde o orixá masculino só participa como apassivador dessa sua natureza feminina. 

Portanto, no universo da ancestralidade dos seres machos, têm sete orixás masculinos, e na dos seres fêmeas têm sete orixás femininos. 

Têm sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas, tão marcantes que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas. 

Saibam que, mesmo que o orixá da cabeça ou de frente seja, digamos, a orixá Iansã, ainda assim, por trás dessa regência, poderemos identificar a ancestralidade se observarem bem o olhar, as feições, os traços, os gestos a postura etc., pois estes sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência da encarnação, mas não anulada por ela. Certo? 

E o mesmo se aplica ao orixá ajuntó, pois podemos identificá-lo nos gestos e nas iniciativas das pessoas, já que é através do emocional que ele atua. 

Outra forma de identificação é através do Guia de frente e do Exu Guardião dos Médiuns. 

Mas esta identificação exige um profundo conhecimento do simbolismo dos nomes usados por eles para se identificarem. 

E também nem sempre o Guia de frente ou o Exu guardião se mostram, pois preferem deixar isto para o Guia e o Exu de trabalho. 

Saber interpretar corretamente o simbolismo é fundamental. Certo? 

Então, que todos entendam isto: - 

Orixá ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que ele foi gerado por Deus, e o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima, imutáveis e eternas. - 

Orixá de frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e o conduz numa direção na qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno. - 

Orixá ajuntó é aquele que forma par com o orixá de frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente. 

Por isso também é que muitos encontram em si qualidades de vários orixás. 

A cada encarnação há a troca de regência da encarnação. E, nessa troca, os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os orixás. 

Afinal, se somos “humanos”, absorvemos energias e irradiações, magnetismo e vibrações de todos eles. Certo?

                                 
                                              
                     “Elementos de Liturgia”
                                          Da religião de Umbanda


Liturgia -  é uma palavra bonita - 

Uma palavra que diz respeito a todo o contexto do ritual da religião, então os elementos presentes naquela ritualística da religião de Umbanda. 

Então, como “elemento de liturgia” ou o “elemento ritual” na Umbanda a gente tem, é, o ato de: “bater cabeça”. 

Então, o que é bater cabeça? 

Por que eu bato cabeça? 

Ou como se bate cabeça? 

“Bater cabeça” o nome é bem simbólico,  nos remete a ideia de alguém batendo cabeça em alguma coisa, bater cabeça é o ato, o ato ritualístico gestual de prostrar-se diante do altar, de uma entidade ou do seu sacerdote. 

Então, o que é bater cabeça? 

“Bater cabeça” é: o elemento de reverência, de adoração, de humildade, de entrega. 

Então, dentro do ritual de Umbanda, numa Gira de Umbanda há um momento de bater cabeça ou os médiuns já chegam no Terreiro e batem cabeça no altar antes de começar o trabalho ou no ritual tem um momento, o momento aonde vai cantar o ponto de bater cabeça. 

Então, existem muitos pontos de bater cabeça, então se canta um ponto como: “Vai, vai, vai nos pés de meu pai Xangô e vai bater cabeça que Oxalá mandou. Ele era um Preto Velho, era um Babalaô e vai bater cabeça que Oxalá mandou”. 

Então, é um ponto de bater cabeça aonde um por um os médiuns vão batendo cabeça: bate cabeça no altar, bate cabeça para o dirigente ou bate cabeça só no altar. 

E que gesto é esse? 

Como se, qual é a construção desse gesto? 

Bater cabeça é prostrar-se. Como você vai se prostrar? 

Você para diante do altar, então, há Terreiros aonde você ajoelha e encosta a cabeça no chão em ato de reverência. 

Há Terreiros aonde você vai diante do altar e você se deita no chão, coloca as mãos para frente e toca o chão com a cabeça. 

Há Terreiros aonde no momento em que você deita e toca a cabeça no chão, você deve levantar os pés, dobrar os pés para cima. 

E em muitos Terreiros é pedido que bata a cabeça três vezes porque o três é um número sagrado, três é o número da multiplicação - 

Ritualisticamente, a gente acaba fazendo tudo em número de três ou em número de sete ou em número de nove são número multiplicadores. 

O três é multiplicador, três vezes três é pra tudo que você fizer em três vezes três se multiplique, prospere, aumente. 

O número sete é o número das sete vibrações - 

Então, se bate cabeça três vezes você está saudando o Alto, a Direita e a Esquerda. 

Geralmente, antes de bater cabeça em muitos Terreiros você na frente do altar, se ajoelha e você faz o sinal da cruz com a mão, você cruza o chão – 

“Cruzar” é: fazer o sinal da cruz – e  faz a saudação, saúda o Alto, o Embaixo, a Direita e a Esquerda daquele Terreiro e ali você ajoelha ou deita-se e bate cabeça tocando o chão com a testa. 

O ato ritualístico de bater cabeça é um ato de entrega. 

O momento, o momento de bater cabeça é um momento de entrega. Naquele momento, é, de forma pessoal você eleva o seu pensamento a Deus, aos Orixás, aos seus Guias e você se entrega. 

Você está, oferecendo a sua cabeça para a religião, bater cabeça é se oferecer, se entregar. 

Você está oferecendo o seu Ori: bate cabeça. 

Você em humildade está entregando o que há de mais sagrado em você: o seu Ori - oferecendo para Deus, para os Orixás, para Guias de Umbanda. 

É uma entrega, isso chama-se “bater cabeça”. 

A pessoa que bate cabeça ela está subentendendo que ela está ali para servir, ela está ali para obedecer, ela está ali para trabalhar, ela reconhece que o Terreiro tem um comando, esse comando vem de Deus, dos Orixás, dos Guias e também do dirigente espiritual. 

E que assim como numa orquestra, você tem um maestro e cada um dos elementos da orquestra, cada um tem o seu papel, a sua partitura pra desempenhar e o maestro comanda. 

Quando você bate cabeça você está dizendo: 

“Estou aqui para desempenhar o meu trabalho, a minha função nesse conjunto”, 

“Estou para trabalhar em harmonia com o grupo”, 

“Estou para obedecer, acatar, respeitar”,

 “Estou aqui em ato de humildade, ato religioso”. 

É por isso que em muito Terreiros bate cabeça no altar e depois bate cabeça diante do dirigente, aos pés do dirigente pra que fique claro que ali naquele Terreiro você reconhece aquele dirigente espiritual, aquele sacerdote, sacerdotisa, aquele padrinho, aquela madrinha, aquele pai de santo, aquela mãe de santo, você o reconhece como: o orientador, o tutor, o condutor, o sacerdote, o mestre 

– No Terreiro o dirigente é o mestre – você está em atitude de discípulo diante dele batendo cabeça e pedindo a benção. 

Então, há dirigentes espirituais que pedem que os médiuns não batam cabeça, mas é importante. 

Porque quando você bate cabeça para um dirigente, você não está batendo cabeça apenas para o homem ou a mulher que está encarnado ali, você está batendo cabeça para toda hierarquia que se manifesta mediunicamente por meio dele, o sacerdote, ele é um Templo vivo. 

Se no  “Assentamento” a gente afirma que: “Ninguém assenta do lado de fora, o que não está do lado de dentro”,  estou afirmando e repetindo as palavras de Pai Benedito de Aruanda, ditas tantas vezes na obra do Rubens de que: “Cada um de nós é um Templo vivo”.

Então, o Templo exterior é um reflexo, um espelho externo de tudo que está no interno. 

Então, quando eu bato cabeça para o meu sacerdote, para meu dirigente, eu estou batendo cabeça diante do Templo vivo que é o que ele representa, o meu sacerdote é o “Templo vivo”. 

Mas, ele é uma pessoa humana como eu, cheia de falhas, cheio de erros, cheio de defeitos e vícios? 

Exatamente. 

Você não está batendo cabeça para o homem ou para a mulher, você está batendo cabeça para o sacerdote. 

E há de se entender que humano todos nós somos com erros defeitos e vícios, todos nós somos assim. 
Mas, aquele sacerdote,dirigente;  não deve abrir mão do seu posto de hierarquia a frente do Terreiro. 

Então, estou batendo cabeça àquele que assumiu uma responsabilidade, a enorme responsabilidade de conduzir um grupo e que mesmo não sendo um ser iluminado - que não é – mesmo às vezes fazendo algo que não nos agrada, que ninguém agrada todo mundo o tempo todo. 

Se tem uma coisa que a gente aprende na Umbanda é que não estamos aqui para agradar, os Guias de Umbanda – Caboclo, Preto Velho, Baiano, Exu, Pombagira – não incorpora para ficar agradando as pessoas, incorpora para fazer o seu melhor, como pode lhe ajudar na maioria das vezes não é passando a mão na sua cabeça. 

Então, “melhor estar junto de alguém que está na verdade, do que junto de alguém que quer lhe agradar”, porque esse corre o risco de estar na falsidade, porque ninguém agrada o tempo inteiro e esforçar-se para agradar o tempo inteiro é faltar com a verdade. 

Então, esse sacerdote,dirigente,não agrada o tempo inteiro, ele tem defeitos, ele tem erros, tem falhas, mas ele é o “Templo vivo”, o Templo material é um espelho do que está no íntimo dele, é a edificação daquilo que anima o seu interior, da sua verdade, da sua alma, do seu amor pela religião. 

Então, bato cabeça para o meu dirigente, para meu pai de santo, minha mãe de santo, Babalorixá, Ialorixá, padrinho, cacique, comandante, não importa o nome, bato cabeça por toda responsabilidade que ele assumiu perante a espiritualidade de conduzir e porque ele está cuidando de mim, mesmo que eu não veja. 

Se eu estou dentro do Terreiro, estou sendo cuidado por esse dirigente e estou batendo cabeça para todos os seus Guias, e os seus Orixás que se manifestam nele. 

Então, bater cabeça para um dirigente espiritual é um ato de humildade, de amor, devoção, de respeito daquele que foi acolhido no Terreiro como filho de santo, como médium que é também um discípulo. 

Então, bate-se cabeça no altar, bate-se cabeça para o dirigente. 

Então esse ato de bater cabeça é um ato ritualístico importantíssimo, é um ato, ritualístico gestual milenar. 

Em quase todas as religiões você vai encontrar o momento em que o adepto se ajoelha e bate cabeça. 

No Islã todos os dias o muçulmano reza cinco vezes por dia voltado pra Meca, ele se ajoelha e ele bate cabeça voltado pra Meca. 

No Catolicismo há rituais realizado, realizados em Roma que nós vemos os padres se deitarem no chão, abrir os braços e ali ele está batendo cabeça. 

No Judaísmo, há momentos e rituais, principalmente dentro da Cabala Hebraica também, em que você ajoelha e toca o chão com a sua cabeça. 

Então, no Budismo isso mostra a sua humildade. 

De tanto você repetir esse gesto, preste atenção que existem várias dimensões da importância do ato gestual, não basta eu respeitar o meu dirigente, é importante eu demostrar e que todos vejam que eu respeito o meu dirigente. 

Então, eu bato cabeça para eles, eu estou mostrando a todos. 

Não basta sentir, é importante exteriorizar. 

No momento em que eu bato cabeça, eu recebo uma benção de quem protege: 

O dirigente e o altar, ao qual eu bato cabeça. 

Agora, dentro de mim quando eu me ajoelho, curvo o corpo, me deito e bato cabeça, alguma coisa acontece dentro da gente porque eu estou em atitude de humildade, eu estou de fato em ato, numa ação que demostra a minha humildade. 

Então, se eu estou batendo cabeça de forma sincera, isso começa a mexer com as minhas emoções, com a minha maneira de lidar com o mundo. 

É  difícil imaginar uma pessoa arrogante batendo cabeça, é difícil imaginar uma pessoa soberba batendo cabeça para outra, é difícil imaginar alguém vaidoso, egocêntrico, assumir uma atitude de humildade de bater cabeça para uma outra pessoa. 

Então, isso também nos torna humildes, nós batemos cabeça para o altar, batemos cabeça para o nosso dirigente, batemos cabeça para os Guias quando estão incorporado, para os Orixás quando incorporam e isso é forte, vai mexendo com a gente, vai nos tornando pessoas melhores, pessoas humildes, a gente vai entendendo, é, que bater cabeça é um ato litúrgico, ritualístico, então, nós vamos entendendo que cada elemento do ritual tem a sua importância de ser, não é o acaso que existem, é, esses momentos ritualísticos.

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