sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Só Sete Lágrimas de um Preto Velho ? Claro que Não !

            

     OS SETE SORRISOS DE UM PRETO-VELHO

(Texto enviado por Márcia)

Estava eu pensando nas sete lágrimas de um Preto Velho quando me veio em mente o questionamento se teríamos nós como fazer um Preto Velho Sorrir? 
Foi quando um Preto Velho sentado em um toco me chamou e disse:
-Sim filho, temos também motivos para termos nossos sete sorrisos. E começou:

O Primeiro sorriso vai para as pessoas que verdadeiramente vieram em busca de Zambi e verdadeiramente o colocaram em seu coração; vai para o médium que está sempre zelando por sua conduta e equilíbrio espiritual, quando um preto velho ou outra entidade chega no terreiro e o mesmo o trata com tamanho carinho.

O Segundo sorriso é para as crianças carnais que, em muitas ocasiões, estão presentes nas giras, no ambiente de alegria, amor e muito carinho; vai para aquelas pessoas que vêm em busca da Paz para si e para todos os que estão a sua volta.

O Terceiro sorriso é para os médiuns que estão dispostos a ajudar e zelar pela Casa de Nosso Pai; Os que chegam cedo para ajudar, os que vem de fora, os que usam seus dias de trabalho para organizar a casa pela sua própria vontade e que muitas das vezes são os primeiros a chegarem nas giras e os últimos também a saírem.

O Quarto sorriso é para a assistência, quando olhamos para ela e vemos através de seus olhares a humildade, a solidariedade, a igualdade e a vontade de receber a caridade, pois estes olhares são de sentimentos que brotam em seus corações.
O Quinto sorriso é para o consulente que vem até nós e fala:
- Hoje meu preto velho, não vim para pedir e sim para agradecer a nosso pai Oxalá  por tudo que recebi!

O Sexto sorriso é para o zelo com que o dirigente, tem por nossa UMBANDA, pelos seus irmãos; aquele que , por muitas vezes, devido à sua humildade; não sabe a referência que é.

O Sétimo sorriso é para agradecer aos Orixás e seus mensageiros, pois é por intermédio deles que Zambi, nos dá oportunidade de podermos praticar a caridade e nos elevarmos em nossa vida espiritual.
(Autor Desconhecido)

UMBANDISTA VAMOS RECORDAR O INÍCIO DE NOSSA AMADA UMBANDA ???????

                                   

                                               Frei Gabriel Malagrida


 - O Jesuíta No ano de 1689, às margens do rio Como, na Vila de Monagio, nascia um menino que recebeu o nome de Gabriel Malagrida (que significa ''As Vozes Harmoniosas de Deus"). 

Desde cedo Gabriel demonstrou tendências místicas. 

Entrou para o seminário de Milão onde foi ordenado e professou na Companhia de Jesus em 1711. 

Gabriel desejava cumprir sua missão no Brasil, porém Tamborini, o Geral da Companhia de Jesus, havia lhe reservado a cadeira de Humanidades no Colégio de Bastis, na Córsega. 

Mais tarde conseguiu se transferir para Lisboa, em 1721, onde depois de algum tempo conseguia embarcar para o Maranhão. 

Gabriel e o Brasil Nessas terras, Gabriel pregou internando-se no sertão, enfrentando sérios perigos e vencendo com a fibra de quem se julgava destinado a cumprir uma missão superior no Planeta, uma missão de conquistar almas para o Céu. 

Apresentava evidentes sintomas mediúnicos ouvindo vozes misteriosas e chegou mesmo a pensar que operava milagres. 

Em 1727 começou a árdua tarefa de catequizar os índios no Maranhão, conseguindo nessa mesma ocasião amansar a feroz tribo dos Barbassos. 

Fundou no Maranhão uma missão que teve grande desenvolvimento, sustentando uma peregrinação apostólica. 

Foi em seguida, em 1730, para a Bahia e Rio de Janeiro onde continuou a pregar, alcançando grande ascendência sobre os índios. 

Apareceu então convertido no apóstolo do Brasil. 

Dizia que conversava com Deus e que lhe aparecia a Virgem Maria, e para completar seus feitos, descrevia os "milagres" que operava. 

Em 1749 partiu para Lisboa, onde foi recebido com fama de santo por muitos fiéis. 

Nessa época Dom João V se encontrava muito doente, e Gabriel, a seu pedido, o assistiu nos seus últimos momentos. 

Em 1751 retornou ao Brasil onde ficou ate 1754, ano em que foi chamado a Lisboa pela Rainha Dona Mariana da Áustria. 

Encontrou no poder Sebastião José, o terrível Marquês de Pombal, que não permitiu sua presença por muito tempo junto à Rainha. 

Por esse motivo, Gabriel se isolou durante algum tempo em Setúbal. 

Gabriel e a Inquisição No dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi destruída por um terremoto. 

Correu o boato que a catástrofe era castigo do céu. 

Pombal mandou publicar um folheto escrito por um padre, explicando o fenômeno e as causas naturais que o determinaram. 

Gabriel apareceu em público com um opúsculo, onde procurava corrigir o teor da publicação. 

Nesse opúsculo, Gabriel afirmava que o terremoto era verdadeiramente um castigo do céu. 

Pombal enfurecido mandou queimar o opúsculo e desterrou Gabriel para Setúbal. 

Em setembro de 1758, ocorreu um atentado contra a vida de Dom José. 

Algumas semanas antes, Gabriel havia escrito uma carta ameaçadora ao Marquês de Pombal. 

Gabriel foi preso, em 11 de dezembro, como responsável pelo atentado e encarcerado nas prisões do Estado. 

Pombal vasculhou seus livros e nessa oportunidade lhe atribuiu passagens que pareciam pouco ortodoxas, e foi entregue à Inquisição. 

Gabriel foi condenado à pena de garrote e fogueira, sendo executado na Praça do Rossio em 21 de setembro de 1761. 

Uma comprovação destes fatos pode ser encontrada na Biblioteca de Amsterdam, onde existe uma cópia do seu famoso processo, traduzida da edição de Lisboa. 

Nesse processo pode-se ler que Malagrida foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo que lhe havia revelado o futuro!... 

Gabriel Malagrida reencarnou no Brasil (talvez para se refazer da árdua encarnação como jesuíta) se preparando para a importante missão que lhe estava reservada dentro do Movimento Umbandista no século XX, como Caboclo das Sete Encruzilhadas. 

Texto extraído do site http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/9175/historia.htm
                               
                            O que a Umbanda tem a oferecer?

por Fernando Sepe

Hoje em dia, quando falamos em religião, os questionamentos são diversos. 

A principal questão levantada refere-se à função da mesma nesse início de milênio. 

Tentaremos nesse texto, de forma panorâmica, levantar e propor algumas reflexões a esse respeito, tendo como foco do nosso estudo a Umbanda. 

O que a religião e, mais especificamente, a religião de Umbanda, pode oferecer a uma sociedade pós-moderna como a nossa? 

Como ela pode contribuir junto ao ser humano em sua busca por paz interior, desenvolvimento pessoal e autorrealização? 

Quais são suas contribuições ou posições nos aspectos sociais, em relação aos grandes problemas, paradoxos e dúvidas, que surgem na humanidade contemporânea? 

Existe uma ponte entre Umbanda e ciência (?) – algo indispensável e extremamente útil, nos dias de hoje, a estruturação de uma espiritualidade sadia. 

O principal ponto de atuação de uma religião está nos aspectos subjetivos do “eu”. 

Antigamente, a religião estava diretamente ligada à lei, aos controles morais e definição de padrões étnicos de uma sociedade – vide os dez mandamentos e seu caráter legislativo, por exemplo. 

Hoje, mais que um padrão de comportamento, a religião deve procurar proporcionar “ferramentas reflexivas” ou “direções” para as questões existenciais que afligem o ser humano. 

Em relação a isso, acreditamos ser riquíssimo o potencial de contribuição do universo umbandista, mas, para tanto, necessitamos que muitas questões, aspectos e interfaces entre espiritualidade umbandista e outras religiões e ciência sejam desenvolvidos, contribuindo de forma efetiva para que a religião concretize um pensamento profundo e integral em relação ao ser humano, assumindo de vez uma postura atual e vanguardista dentro do pensamento religioso. 

Entre essas questões, podemos citar: 

- Um estudo aprofundado dos rituais umbandistas, não apenas em seus aspectos “magísticos”, mas também em seus sentidos culturais, psíquicos e sociais. 

Como uma gira de Umbanda, através de seus ritos, cantos e danças, envolve-se com o inconsciente das pessoas? 

Como podem colaborar para trabalhar aspectos “primitivos” tão reprimidos em uma sociedade pós-moderna como a nossa? 

Como os ritos ganham um significado coletivo, e quais são esses significados? 

Grandes contribuições a sociologia e a antropologia podem dar à Umbanda. 

- Uma ponte entre as ciências da mente – como a psicanálise, psicologia – e a
mediunidade, utilizando-se da última também como uma forma de explorar e conhecer o inconsciente humano. 

Mais do que isso, os aspectos psicoterápicos de uma gira de Umbanda e suas manifestações tão mítico-arquetípicas. 

Ou será que nunca perceberemos como uma gira de “erê”, por exemplo, além do trabalho espiritual realizado, muitas vezes funciona como uma sessão de psicoterapia em grupo? - 

A mediunidade como prática de autoconhecimento e porta para momentâneos estados alterados de consciência que contribuem para o vislumbre e o alcance permanente de estágios de consciência superiores. 

Além disso, por que não a prática meditativa dentro da Umbanda (?) - prática essa tão difundida pelas religiões orientais e que pesquisas recentes dentro da neurociência demonstram de forma inequívoca seus benefícios em relação à saúde física, emocional e mental. 

- Uma proposta bem fundamentada de integração de corpo-mente-espírito. 

Contribuição muito importante tanto em relação ao bem-estar do indivíduo como também dentro da medicina, visto que a OMS (Organização Mundial da Saúde) hoje admite que as doenças tenham como causas uma série de fatores dentro de um paradigma bio-psíquico-social caminhando para uma visão ainda mais holística, uma visão bio-psíquico-sócio espiritual. 

 - O estudo comparativo entre religiões, com uma proposta de tolerância e respeito às mais diversas tradições. 

Por seu caráter sincrético, heterodoxo e antifundamentalista, a Umbanda tem um exemplo prático de paz às inúmeras questões de conflitos étnico-religiosos que existem ao redor do mundo. 

- A liberdade de pensamento e de vida que a Umbanda dá as pessoas também deveria ser mais difundida, visto que isso se adapta muito bem ao modelo de espiritualidade que surge como tendência nesse começo de século XXI. 

Parece-nos que a Umbanda há muito tempo deixou de lado a velha ortodoxia religiosa de “um único pastor e único rebanho”, para uma visão heterodoxa de se pensar espiritualidade, onde ela assume diversas formas de acordo com o estágio de desenvolvimento consciencial de cada pessoa, o que vem ao encontro – por exemplo – das ideias universalistas de Swami Vivekananda e seu discurso de “uma Verdade/Religião própria para cada pessoa na Terra”. 

E a Umbanda, assim como muitas outras religiões, pode sim desenvolver essa multiplicidade na unidade. 

- O resgate do sagrado na natureza e o respeito ao planeta como um grande organismo vivo. 

Na antiga tradição iorubana tínhamos um Orixá chamado Oninlé, que representava a Terra planeta, a mãe Terra. 

Mesmo que seu culto não tenha se preservado, tanto nos candomblés atuais como na Umbanda, através de seus outros “irmãos” Orixás, o culto à natureza é preservado e, em uma época crítica em termos ecológicos, a visão sagrada do planeta, dos mares, dos rios, das matas, dos animais etc. ganha uma importância ideológica muito grande e dota a espiritualidade umbandista de uma consciência ecológica necessária. 

- O desenvolvimento de uma mística dentro da Umbanda, onde elementos pré-pessoais como os mitos e o pensamento mágico-animista, possam ser trabalhados dentro da racionalidade, levando até mesmo ao desenvolvimento de aspectos trans pessoais, transracionais e trans-éticos dentro da religião. 

A identificação do médium em transe com o Todo através do Orixá, a trans-ética que deve reger os trabalhos magísticos de Umbanda, os insights e a lucidez verdadeira que levam a mente para picos além da razão e do alcance da linguagem, o fim da ilusão dualista para uma real compreensão monista através da iluminação, são exemplos de aspectos trans pessoais que podem ser (e faltam ser) desenvolvidos dentro da religião. 

- Os aspectos culturais, afinal Orixá é cultura, as entidades de Umbanda são cultura, o sincretismo umbandista é cultura. 

Umbanda é cultura e é triste perceber o descaso, seja de pessoas não adeptas, como de umbandistas, que simplesmente não compreendem a importância cultural da Umbanda e da herança afro indígena na construção de uma identidade nacional. 

A arte em suas mais variadas expressões tem na Umbanda um rico universo de inspiração. 

Cabe a ela apoiar e desenvolver mais aspectos de sua arte sacra. 

Essas são, ao nosso entendimento, algumas das “questões-desafios” que a Umbanda tem pela frente, principalmente por ser uma religião nova, estabelecendo-se em um mundo extremamente multifacetado como o nosso. 

Muito mais poderia e com certeza deve ser discutido e desenvolvido dentro dela. 

Apenas por essa introdução já se pode perceber a complexidade da questão e como é impossível ter uma resposta definitiva a respeito de tudo isso. 

Muitos podem achar que o que aqui foi dito esteja muito distante da realidade dos terreiros. 

Mas acreditamos que a discussão é pertinente, principalmente devido ao centenário, onde muito mais que festas deveríamos aproveitar esse momento para uma maior aproximação de ideais e pessoas, além de uma sólida estruturação do pensamento umbandista. 

Esperamos em outros textos abordar de forma mais profunda e propor algumas ideias a respeito das questões e relações aqui levantas. 

Esperamos também que outros umbandistas desenvolvam esses ou outros aspectos que acharem relevantes e caminhemos juntos em busca de uma espiritualidade sadia, integral e lúcida. 
                               
                                     “Do que a Umbanda precisa?”

por Rodrigo Queiroz

Dia destes, ao final de uma gira de desenvolvimento mediúnico, manifestou-se Pai João de Angola, o Preto Velho regente da casa. 

Como de costume, acendeu seu cachimbo, cumprimentou os presentes e chamou todos para bem perto dele, e após se acomodarem ele pediu que todos respondessem uma pergunta simples: “– Do que a Umbanda precisa?” 

E assim um a um foram respondendo: 

“- Mais união...” “– Mais estudo...” “– Mais divulgação...” “– Mais respeito...” “– Mais reconhecimento...” Mais, mais e mais... 

Após todos manifestarem suas opiniões, Pai João sorriu e disparou: “– 

Muito se diz do que a Umbanda precisa, não é? 

E eu digo que a Umbanda precisa de Filhos!” 

Silêncio repentino no ambiente. 

Naturalmente os filhos ficaram surpresos e ansiosos para a conclusão desta afirmação. 

Pai João pitou, pensou, pitou, sorriu e continuou: “É isso, a Umbanda precisa sobretudo de FILHOS. 

Porque um filho jamais nega sua mãe, sua origem, sua natureza. 

Quando alguém questiona vocês sobre o nome de sua mãe, vocês procuram dar um outro nome a ela que não seja o verdadeiro? 

Um filho nem pensa nisso, simplesmente revela a verdade. 

Assim é um verdadeiro Filho de Umbanda, não nega sua religião, nem conseguiria, pois seria o mesmo que negar a origem de sua vida, seria o mesmo que negar o nome de sua mãe. 

Um filho de Umbanda, dentro do terreiro limpa o chão com devoção e não como uma chata necessidade de faxinar. 

Um filho de Umbanda dá o melhor de si para e pelo terreiro, pois sente que ali, no terreiro, ele está na casa de sua mãe. 

Um filho de Umbanda ama e respeita seus irmãos de fé, pois são filhos da mesma mãe e sabem que por honra e respeito a ela é que precisam se amar, se respeitar e se fortalecer. 

Um filho de Umbanda sente naturalmente que o terreiro é a casa de sua mãe, onde ele encontra sua família e por isso quando não está no terreiro sente-se ansioso para retornar, e sempre que lá está é um momento de alegria e prazer. 

Um filho de Umbanda não precisa aprender o que é gratidão. 

Porque sua entrega verdadeira no convívio com sua mãe, a Umbanda, já lhe ensina por observação o que é humildade, cidadania, família, caridade e todas as virtudes básicas que um filho educado carrega consigo. 

Um filho de Umbanda não espera ser escalado ou designado por uma ordem superior para fazer e colaborar com o terreiro, ele por si só observa as necessidades e se voluntaria, pois lhe é muito satisfatório agradar sua mãe, a Umbanda. 

Um filho de Umbanda sabe o que é ser Filho e sabe o que é ter uma Mãe. 

Quando a Umbanda agregar em seu interior mais Filhos que qualquer outra coisa, estas necessidades que vocês tanto apontam como união, respeito, educação, ética, enfim, não existirão, pois isto só existe naqueles que não são Filhos de fato. 

Tenham uma boa noite, meus filhos!

” Pai João pitou mais uma vez e desincorporou. 

Diante dele, seus filhos, com olhos marejados, rosto rubro, agradeciam a lição. Saravá a Umbanda, salve a sabedoria, salve os Pretos Velhos.

Cantar pontos em casa.