segunda-feira, 2 de novembro de 2015

     Cerimônia Fúnebre Lurdes de Campos Vieira /                            Supervisão de Rubens Saraceni 

     RITUAL DE PURIFICAÇÃO DO CORPO 
     E ENCAMINHAMENTO DO ESPÍRITO, 
                     DE ACORDO COM 
           MESTRE RUBENS SARACENI

Em todas as culturas o campo-santo é considerado um lugar sagrado, onde os corpos sem vida são devolvidos ao Criador Olorum. 

Os mortos merecem o nosso respeito e devem ser lembrados com Amor, pois tai sentimentos os auxiliarão em sua caminhada evolutiva. 

A cerimônia fúnebre umbandista deve ser realizada de maneira que, através do corpo, o espírito, onde quer que se encontre, seja alcançado. 

A MORTE “A morte é um ato de vida.” Mestre Rubens Saraceni O que normalmente chamamos de morte é uma dissolução progressiva do indivíduo, que, ao desencarnar, se defronta com uma zona de transição entre o mundo da matéria e o mundo astral, denominada túnel da triagem. 

Não fugiremos à Lei imutável de que há vida após a morte. 

A verdadeira vida eterna é a existência do espírito que, após um período no astral, reencarna, voltando ao corpo material muitas vezes, para ampliar a consciência do ser e continuar o seu aperfeiçoamento e crescimento, no caminho rumo ao Criador. 

Esta vida é apenas um estágio, no qual devemos adquirir compreensão para evoluir. 

Com a morte, muda apenas a vibração, pois o plano de vida passa a ser o espiritual. 

Vida e Morte constituem um único ciclo de vida, no qual o nascimento corresponde à entrada na vida material e a morte à entrada na vida espiritual. 

Os cemitérios ou campos santos, no acima, são pontos de força regidos por nosso Pai Obaluaiê. 

São os pontos de transição do espírito, quando deixa a matéria e passa para o plano espiritual. 

Pai Obaluaiê é o “Senhor das Passagens” de um plano a outro, de uma dimensão para outra, do espírito para a carne e vice-versa. 

Na Umbanda, esse Pai é evocado como senhor das almas, dos meios aceleradores de sua evolução, e traz em si vontade de avançar, de ir para mais perto de Deus. 

Pai Omolu é o orixá responsável por nosso corpo, quando o espírito se desprende dele. 

Ele é o orixá da terra, que nos aguarda até que sejamos chamados pelo nosso Senhor, Olorum. 

Pai Omolu, de seu ponto de forças no campo-santo, coordena todas as almas, após o desencarne, de acordo com a Lei Maior, mantendo-as no cemitério ou encaminhando-as ao umbral, onde também é o regente. 

O Senhor Omolu é o chefe de todos os executores da Lei dentro da Linha das Almas e é, ele mesmo, o verdadeiro executor dos seres que caíram, por vários motivos, e que têm de purgar os seus erros no astral inferior. 

Ele também recolhe os espíritos que, quando na carne, ofenderam o Criador, e que cairão nos planos sem retorno. 

A obrigação de todos nós é cuidarmos da vida na carne, da melhor maneira possível, com a coragem de colocarmo-nos frente a frente com os nossos vícios, erros, desejos e anseios. 

É reconhecermos que somos imperfeitos e buscarmos sempre nossa melhora, envidando todos os esforços possíveis para vencermos a nós mesmos, mudarmos nossas atitudes em relação aos semelhantes e a nós, e caminharmos rumo ao Divino Criador. 

Purificação do Corpo
1º — Purificação do corpo com incenso (defumação) 
2º — Purificação do corpo com água consagrada 
3º — Cruzamento do corpo com a pemba, ou do caixão, se lacrado 
4º — Cruzamento do corpo com óleo de oliva 
5º — Borrifação do corpo com essências e óleos aromáticos (óleos essenciais) 

Encomenda do Espírito: 
1º — Apresentação do(a) falecido(a) 
2º — Palavras acerca dos espíritos 
3º — Prece ao Divino Criador Olorum 
4º — Canto de Oxalá 
5º — Hino da Umbanda 
6º — Canto de Obaluaiê 
7º — Canto ao orixá de cabeça do(a) falecido(a) 
8º — Despedida dos presentes 
9º — Fechamento do caixão 
10º — Transporte do corpo ao cemitério 
11º — Enterro do corpo 
12º — Cruzamento da cova onde foi enterrado 

PROCEDIMENTOS DO SACERDOTE UMBANDISTA PARA PURIFICAÇÃO DO CORPO 

1-Purificação do corpo com incenso 

A defumação poderá ser feita com incenso, que envolve o espírito em uma camada isolante. 

Procure incensar o corpo do(a) falecido(a),com incensos que tenham propriedade depuradora e purificadora: • Palha de alho — corta os cordões de vampirismo. • Guiné — neutraliza as energias externas, sela o corpo para evitar a captura do espírito. 

Proferir as seguintes palavras: Irmão(ã) ...(dizer o nome do(a) falecido(a).).., neste momento eu incenso o seu antigo corpo carnal e peço a Deus que, onde quer que seu espírito se encontre, receba este incensamento e seja purificado de todos os resquícios materiais ainda agregados nele, tornando-o mais leve e mais puro, para que você possa alçar seu vôo espiritual rumo às esferas superiores da vida. 

2 — Purificação do corpo com água consagrada Levar água consagrada do altar, ou consagrá-la na hora. 

Aspergir água consagrada sobre o corpo, dizendo as seguintes palavras: Irmão(ã) ...(dizer o nome do(a) falecido(a).).., neste momento eu purifico o seu antigo corpo, com a água consagrada, para que, onde você estiver, o seu espírito receba esta purificação de todos os resquícios materiais ainda agregados nele, tornando-o mais leve e mais puro, para que você possa alçar seu vôo espiritual rumo às esferas superiores da vida. 

3 — Cruzamento do corpo com a pemba, ou do caixão, se lacrado Cruzar a testa, a garganta e as costas das mãos, dizendo as seguintes palavras: Irmão(ã) ...(dizer o nome do(a) falecido(a).).., neste momento eu cruzo o seu antigo corpo, com a pemba branca consagrada, para que, onde você estiver, o seu espírito fique livre de todos os resquícios dos cruzamentos materiais ainda agregados nele, desobrigando-o de responder àqueles que fizeram esses cruzamentos em você, quando você ainda vivia no plano material e, com isso, torno-o livre para que você possa alçar seu vôo espiritual rumo às esferas superiores da vida. 

4 — Cruzamento do corpo com óleo de oliva 

Untar o ori, cruzar a testa, as costas das mãos e o peito do pé do(a) falecido(a), dizendo estas palavras: Irmão(ã) ...(dizer o nome do(a) falecido(a)..)., neste momento eu unto o seu ori, anulando nele os resquícios das firmezas de forças feitas em sua coroa e retiro dela a mão de quem as fez, purificando o seu espírito e livrando-o de ter de responder aos chamamentos de quem quer que seja e que ainda se sinta seu superior e seu responsável nos assuntos relacionados às suas antigas práticas religiosas. 

Com isto, torno-o livre para que possa alçar seu vôo espiritual rumo às esferas superiores da vida. 

5 — Borrifação do corpo com essências e óleos aromáticos (óleos essenciais) 

Aspergir o óleo essencial aromático (alfazema, olíbano, cipreste, mangerona, sândalo * ), da cabeça até os pés do corpo do(a) falecido(a). 

Durante esses atos, dizer as seguintes palavras: Irmão(ã) ...(dizer o nome do(a) falecido(a)..).., onde quer que você esteja neste momento, que o seu espírito seja envolvido por esta essência e este óleo, para que assim você possa alçar seu vôo espiritual rumo às esferas superiores, envolto numa aura perfumada e com o seu espírito livre de quaisquer resquícios materiais que nele ainda pudessem ter restado. 

Observação: • Alfazema — para purificação (limpa, acalma, revigora, renova); • Olíbano — para conexão com a divindade; • Cipreste — para desapego e desprendimento; • Mangerona — para acolhimento pela Mãe Divina; • Sândalo — é um bálsamo (ajuda a compreender a partida e a conexão com a nova morada). 

ENCOMENDA DO ESPÍRITO 

1 — Apresentação do(a) falecido(a) O próprio sacerdote ministrante do sacramento ou uma pessoa que conheceu bem o falecido deve, neste momento da cerimônia fúnebre, dizer algumas palavras sobre ele aos presentes. 

2 — Palavras acerca da missão do espírito que encarna O sacerdote ministrante deve recitar algum texto escolhido por ele ou recitar de si mesmo algumas palavras acerca da missão do espírito que encarna e do que ele leva para o mundo dos espíritos, quando do seu retorno à morada maior. 

3 — Prece ao Divino Criador Olorum Olorum, Senhor nosso Deus e nosso Divino Criador, hei-nos reunidos à volta do corpo carnal do(a) vosso(a) filho(a) ...(citar o nome do(a) falecido(a)...), que cumpriu sua passagem pela Terra, com Fé, Amor e Confiança e não esmoreceu em momento algum, diante das provações a que se submeteu, para que pudesse evoluir e aperfeiçoar ainda mais a sua consciência acerca da Vossa Grandeza, Senhor Nosso Pai! Acolha seu espírito que já retornou ao mundo maior, onde está a morada dos que O servem com Humildade, Fé e Caridade, Senhor Nosso Pai. Envolva-o(a) na Vossa Luz Divina e ampare-o(a) no Vosso Amor Eterno, Senhor Nosso Pai! Amém! Pombinho Branco, } Mensageiro de Oxalá } bis Leve esta mensagem De todo o coração, até Jesus, Diga que ele(ela) foi } um soldado de Aruanda, } bis Trabalhou pela Umbanda, } Semeando a sua Luz. } 

4 — Canto de Oxalá O sacerdote ministrante ou a curimba deve entoar um ponto cantado para Pai Oxalá. Exemplo: Após terminar o canto, deve dirigir algumas palavras a esse orixá Maior da Umbanda, solicitando-lhe que acolha o espírito do(a) falecido(a), ampare-o e direcione-o às esferas superiores do mundo espiritual. 

5 — Hino da Umbanda O sacerdote ministrante ou a curimba deve cantar o Hino da Umbanda, em homenagem ao espírito do(a) falecido(a) que, durante a sua passagem pela Terra, seguiu a religião umbandista. 

6 — Canto de Obaluaiê O sacerdote ministrante ou a curimba deve cantar um ponto de Obaluaiê e, após o seu término, deve dirigir algumas palavras a esse orixá, que é o Senhor das Almas e do Camposanto, para que ele acolha o espírito do(a) falecido(a) e o ampare, durante o seu transe de passagem do plano material para o espiritual, direcionando-o para o seu lugar nas esferas espirituais. 

CANTO DE OBALUAIÊ 

“No alto do cruzeiro tem uma grande cruz no centro do cruzeiro brilha a grande luz, de Obaluaiê, êêêê, de Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Seu campo é grande, meu Pai. seu reino é o campo-santo, meu Pai. 
Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Sua luz é grande, meu Pai, e conduz quem fica pra trás, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Seu campo é a terra, meu Pai, recebe quem vai pro seu reino, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Sua cruz, seu cajado, meu pai, amparam os que ficaram pra trás, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu pai. 
Nos conduz por seu reino, meu pai, somos os que ainda estão para trás, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu pai. 
Um dia no seu reino, meu Pai, ilumine pra que eu encontre a paz, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
No cruzeiro, almas oram, meu Pai de joelhos, pedem descanso e paz, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
O caminho eterno, um dia vou trilhar e em algum lugar eu vou lhe encontrar, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Sua coroa é só luz, ó meu Pai, pra iluminar os que ficaram prá trás, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Seu cajado é firme, meu Pai, prá amparar quem não mais quer ficar para trás, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Seu corpo é só chagas, meu Pai, simbolizam as almas que caem, Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai. 
Seu campo é eterno, meu Pai, guarda pra Olorum os que ficaram para trás. Obaluaiê, êêêê, Obaluaiê, êê, meu Pai.” (Mestre Rubens Saraceni) 

7 — Canto ao orixá de cabeça do(a) falecido(a) O sacerdote ministrante deve proferir algumas palavras sobre o orixá de cabeça do(a) falecido(a), pedindo-lhe que ampare o espírito de seu(sua) filho(a), durante o seu retorno ao mundo dos espíritos. 

8 — Despedida dos presentes à cerimônia Todos os presentes, iniciando pelos familiares do(a) falecido(a), devem dar a volta no caixão, onde está depositado o corpo do(a) falecido(a), despedindo-se dele(a) e desejandolhe uma vida luminosa e virtuosa no mundo espiritual. 

9 — Fechamento do caixão O caixão deve ser fechado pela pessoa da funerária, responsável pelo enterro ou cremação. 

10 — Transporte do corpo ao cemitério ou ao crematório Se a cerimônia foi realizada no terreiro freqüentado pelo(a) falecido(a) ou em sua casa, o caixão deve ser carregado pelos seus familiares e amigos, até o veículo que o transportará ao cemitério onde será enterrado. Se a cerimônia foi realizada na capela do cemitério onde será enterrado, o seu transporte deverá ser feito, da capela até o seu túmulo, através do meio recomendado pelos responsáveis pelo local. 

11 — Enterro do corpo O caixão, após ser depositado dentro da cova, deve receber uma fina camada de pemba ralada, antes de ser coberto pela terra. 

12 — Cruzamento da cova onde foi enterrado Após o túmulo ser coberto de terra e as flores serem depositadas sobre ele, o sacerdote ministrante deverá cercar a cova com pemba ralada, criando um círculo protetor à sua volta, e deve acender quatro velas brancas: uma acima da cabeça, uma abaixo dos pés, uma do lado direito e outra do lado esquerdo, formando uma cruz ao redor da cova, e proferir as seguintes palavras: — Divino Criador Olorum, amado Pai Obaluaiê, amado Pai Omolu, Senhores Guardiões do Campo-Santo, aqui eu selo e cruzo a cova onde (...dizer o nome do(a) falecido(a)...) teve seu corpo enterrado, impedindo, assim, que ela venha a ser profanada e impedindo que seu espírito venha a ser perturbado por quaisquer ações que possam ser intentadas contra ele a partir de agora. 

Observação: Em caso de cremação, fazer uma prece não necessitando ser um sacerdote, dirigente, tendo em vista que a cremação, significa a purificação . 

Texto extraído do livro “Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista - Coordenação de Lurdes de Campos Vieira / Supervisão de Rubens Saraceni - Editora Madras
                                                    Liturgia



É   uma palavra bonita - uma palavra que diz respeito a todo o contexto do ritual da religião, então os elementos presentes naquela ritualística da religião de Umbanda. 

Então, como “elemento de liturgia” ou o “elemento ritual” na Umbanda a gente tem, é, o ato de: “bater cabeça”. 

Então, o que é bater cabeça? 

Por que eu bato cabeça? 

Ou como se bate cabeça? 

“Bater cabeça” o nome é bem simbólico, é, nos remete a ideia de alguém batendo cabeça em alguma coisa, bater cabeça é o ato, o ato ritualístico gestual de prostrar-se diante do altar, de uma entidade ou do seu sacerdote. 

Então, o que é bater cabeça? 

“Bater cabeça” é: o elemento de reverência, de adoração, de humildade, de entrega. 

Então, dentro do ritual de Umbanda, numa Gira de Umbanda há um momento de bater cabeça ou os médiuns já chegam no Terreiro e batem cabeça no altar antes de começar o trabalho ou no ritual tem um momento, o momento aonde vai cantar o ponto de bater cabeça. 

Então, existem muitos pontos de bater cabeça, então se canta um ponto como: “Vai, vai, vai nos pés de meu pai Xangô e vai bater cabeça que Oxalá mandou. 

Ele era um Preto Velho, era um Babalaô e vai bater cabeça que Oxalá mandou”. 

Então, é um ponto de bater cabeça aonde um por um os médiuns vão batendo cabeça: bate cabeça no altar, bate cabeça para o dirigente ou bate cabeça só no altar. 

E que gesto é esse? 

Como se, qual é a construção desse gesto? 

Bater cabeça é prostrar-se. Como você vai se prostrar? 

Você para diante do altar, então, há Terreiros aonde você ajoelha e encosta a cabeça no chão em ato de reverência. 

Há Terreiros aonde você vai diante do altar e você se deita no chão, coloca as mãos para frente e toca o chão com a cabeça. 

Há Terreiros aonde no momento em que você deita e toca a cabeça no chão, você deve levantar os pés, dobrar os pés para cima. 

E em muitos Terreiros é pedido que bata a cabeça três vezes porque o três é um número sagrado, três é o número da multiplicação - Ritualisticamente, a gente acaba fazendo tudo em número de três ou em número de sete ou em número de nove são número multiplicadores. 

O três é multiplicador, três vezes três é pra tudo que você fizer em três vezes três se multiplique, prospere, aumente. 

O número sete é o número das sete vibrações - Então, se bate cabeça três vezes você está saudando o Alto, a Direita e a Esquerda. 

Geralmente, antes de bater cabeça em muitos Terreiros você na frente do altar, se ajoelha e você faz o sinal da cruz com a mão, você cruza o chão – “cruzar” é: fazer o sinal da cruz – e (sau...) faz a saudação, saúda o Alto, o Embaixo, a Direita e a Esquerda daquele Terreiro e ali você ajoelha ou deitase e bate cabeça tocando o chão com a testa. 

O ato ritualístico de bater cabeça é um ato de entrega. 

O momento, o momento de bater cabeça é um momento de entrega. 

Naquele momento, é, de forma pessoal você eleva o seu pensamento a Deus, aos Orixás, aos seus Guias e você se entrega. 

Você está  oferecendo a sua cabeça para a religião, bater cabeça é se oferecer, se entregar. 

Você está oferecendo o seu Ori: bate cabeça. 

Você em humildade está entregando o que há de mais sagrado em você: o seu Ori - oferecendo pra Deus, para os Orixás, para Guias de Umbanda. 

É uma entrega, isso chama-se “bater cabeça”. 

A pessoa que bate cabeça ela está subentendo que ela está ali para servir, ela está ali para obedecer, ela está ali para trabalhar, ela reconhece que o Terreiro tem um comando, esse comando vem de Deus, dos Orixás, dos Guias e também do dirigente espiritual. 

E que assim como numa orquestra, você tem um maestro e cada um dos elementos da orquestra, cada um tem o seu papel, a sua partitura pra desempenhar e o maestro comanda. 

Quando você bate cabeça você está dizendo: “Estou aqui para desempenhar o meu trabalho, a minha função nesse conjunto”, “Estou para trabalhar em harmonia com o grupo”, “Estou para obedecer, acatar, respeitar”, “Estou aqui em ato de humildade, ato religioso”. 

É por isso que em muito Terreiros bate cabeça no altar e depois bate cabeça diante do dirigente, aos pés do dirigente pra que fique claro que ali naquele Terreiro você reconhece aquele dirigente espiritual, aquele sacerdote, sacerdotisa, aquele padrinho, aquela madrinha, aquele pai de santo, aquela mãe de santo, você o reconhece como: o orientador, o tutor, o condutor, o sacerdote, o mestre – no Terreiro o dirigente é o mestre – você está em atitude de discípulo diante dele batendo cabeça e pedindo a benção. 

Então, há dirigentes espirituais que pedem que os médiuns não batam cabeça, mas é importante. 

Porque quando você bate cabeça para um dirigente, você não está batendo cabeça apenas para o homem ou a mulher que está encarnado ali, você está batendo cabeça pra toda hierarquia que se manifesta mediunicamente por meio dele, o sacerdote, ele é um Templo vivo. 

Estou afirmando e repetindo as palavras de Pai Benedito de Aruanda, ditas tantas vezes na obra do Rubens de que: “Cada um de nós é um Templo vivo”. 

Então, o Templo exterior é um reflexo, um espelho externo de tudo que está no interno. 

Então, quando eu bato cabeça para o meu sacerdote, para meu dirigente, eu estou batendo cabeça diante do Templo vivo que é o que ele representa, o meu sacerdote é o “Templo vivo”. 

Mas, ele é uma pessoa humana como eu, cheia de falhas, cheio de erros, cheio de defeitos e vícios? 

Exatamente. 

Você não está batendo cabeça para o homem ou para a mulher, você está batendo cabeça para o sacerdote. 

E há de se entender que humano todos nós somos com erros defeitos e vícios, todos nós somos assim. 

Mas, aquele sacerdote, você sacerdote não deve abrir mão do seu posto de hierarquia a frente do Terreiro. 

Então, estou batendo cabeça àquele que assumiu uma responsabilidade, a enorme responsabilidade de conduzir um grupo e que mesmo não sendo um ser iluminado - que não é – mesmo às vezes fazendo algo que não nos agrada, que ninguém agrada todo mundo o tempo todo. 

Se tem uma coisa que a gente aprende na Umbanda é que não estamos aqui para agradar, os Guias de Umbanda – Caboclo, Preto Velho, Baiano, Exu, Pombagira – não incorpora pra ficar agradando as pessoas, incorpora pra fazer o seu melhor, como pode lhe ajudar na maioria das vezes não é passando a mão na sua cabeça. 

Então, “melhor estar junto de alguém que está na verdade, do que junto de alguém que quer lhe agradar”, porque esse corre o risco de estar na falsidade, porque ninguém agrada o tempo inteiro e esforçar-se para agradar o tempo inteiro é faltar com a verdade. 

Então, esse sacerdote não agrada o tempo inteiro, ele tem defeitos, ele tem erros, tem falhas, mas ele é o “Templo vivo”, o Templo material é um espelho do que está no íntimo dele, é a edificação daquilo que anima o seu interior, da sua verdade, da sua alma, do seu amor pela religião. 

Então, bato cabeça para o meu dirigente, para meu pai de santo, minha mãe de santo, Babalorixá, Ialorixá, padrinho, cacique, comandante, não importa o nome, bato cabeça por toda responsabilidade que ele assumiu perante a espiritualidade de conduzir e porque ele está cuidando de mim, mesmo que eu não veja. 

Se eu estou dentro do Terreiro, estou sendo cuidado por esse dirigente e estou batendo cabeça para todos os seus Guias, e os seus Orixás que se manifestam nele. 

Então, bater cabeça para um dirigente espiritual é um ato de humildade, de amor, devoção, de respeito daquele que foi acolhido no Terreiro como filho de santo, como médium que é também um discípulo. 

Então, bate-se cabeça no altar, bate-se cabeça para o dirigente. 

Então esse ato de bater cabeça é um ato ritualístico importantíssimo, é um ato, é, ritualístico gestual milenar. 

Em quase todas as religiões você vai encontrar o momento em que o adepto se ajoelha e bate cabeça. 

No Islã todos os dias o muçulmano reza cinco vezes por dia voltado pra Meca, ele se ajoelha e ele bate cabeça voltado pra Meca. 

No Catolicismo há rituais realizado, realizados em Roma que nós vemos os padres se deitarem no chão, abrir os braços e ali ele está batendo cabeça. 

No Judaísmo, há momentos e rituais, principalmente dentro da Cabala Hebraica também, em que você ajoelha e toca o chão com a sua cabeça. 

Então, no Budismo isso mostra a sua humildade. 

De tanto você repetir esse gesto, preste atenção que existem várias dimensões da importância do ato gestual, não basta eu respeitar o meu dirigente, é importante eu demostrar e que todos vejam que eu respeito o meu dirigente. 

Então, eu bato cabeça pra eles, eu estou mostrando a todos. 

Não basta sentir, é importante exteriorizar. 

No momento em que eu bato cabeça, eu recebo uma benção de quem protege: o dirigente e o altar, ao qual eu bato cabeça. 

Agora, dentro de mim quando eu me ajoelho, curvo o corpo, me deito e bato cabeça, alguma coisa acontece dentro da gente porque eu estou em atitude de humildade, eu estou de fato em ato, numa ação que demostra a minha humildade. 

Então, se eu estou batendo cabeça de forma sincera, isso começa a mexer com as minhas emoções, com a minha maneira de lidar com o mundo. 

É, é difícil imaginar uma pessoa arrogante batendo cabeça, é difícil imaginar uma pessoa soberba batendo cabeça pra outra, é difícil imaginar alguém vaidoso, egocêntrico, assumir uma atitude de humildade de bater cabeça para uma outra pessoa. 

Então, isso também nos torna humildes, nós batemos cabeça para o altar, batemos cabeça para o nosso dirigente, batemos cabeça para os Guias quando estão incorporado, para os Orixás quando incorporam e isso é forte, vai mexendo com a gente, vai nos tornando pessoas melhores, pessoas humildes, a gente vai entendendo, é, que bater cabeça é um ato litúrgico, ritualístico, então, nós vamos entendendo que cada elemento do ritual tem a sua importância de ser, não é o acaso que existem, é, esses momentos ritualísticos.

Uma mensagem para todos os humanos

Vamos fazer uma pausa no nosso dia para ler esta mensagem de alguém muito importante para toda a humanidade. 
Uma mensagem para todos os humanos
 
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ACADEMIA: Texto= Renovação da Umbanda Urbana contemporânea: Por Luan Rocha de Campos

Dear Antonio, You read the paper " Algumas observações em torno da renovação na Umbanda urbana contemporânea "...