segunda-feira, 17 de agosto de 2015

                    Comunicações

Irmão x / Chico Xavier


 

A história parece brejeira, mas o fato é autêntico.

Rafael Provenzano escutava os grandes comentaristas do Evange­lho, entre despeitado e infeliz. Ator­mentado de inveja. Queria também falar às massas, comover a multidão. Nada lhe fulgia tanto aos olhos como a tribuna. E aguardava, ansioso, o dia em que pudesse alcançar aquele ponto saliente no espaço, de onde a sua voz conse­guisse impressionar cen­tenas de ou­vidos. Embora fixado à semelhante am­bição, era empre­gado de singela sapa­ta­ria. E a sua especialidade era bater pinos em sola.

Várias vezes, surpreendia-se no trabalho, mentalizando público enor­me e ele a falar, a falar sob aplausos quentes. Talvez por isso fosse ranzinza. Conflito permanente entre a voca­ção e a profissão. A família e os com­panheiros pagavam a diferença. A esposa e as quatro filhinhas, em ca­sa, sofriam-lhe a teimosia e o deses­pero. Irritadiço, classificava-se à con­ta de tirano do­méstico. Apurava com esmero o hábito de chacoalhar e ferir. A tensão não se limitava ao círculo mais íntimo. A parentela toda aguentava espanca­mentos morais. Entre amigos era temido na condição de crítico impertinente. Apesar de tudo isso, a paixão de Rafael era pre­gar solenemente a verdade cristã nos templos espíritas.

Certa noite, quando falava Mar­tinho, o orientador espiritual da reu­nião mediúnica de que era partici­pante, Rafael consultou o comuni­can­te a respeito de seus velhos pro­pósitos.

- Sim, meu filho – comentou o ben­feitor, através do médium -, você poderá ensinar, mais tarde, das tri­bunas. Agora, porém, é cedo. Con­vém estu­dar, preparar-se, aprender a servir...

E prosseguiu explicando que ban­­ca de solador era também lugar santo. Podia demonstrar fé e abne­gação pelo exemplo, edificar, inspi­rar, auxiliar...

Provenzano ouviu paciente, mas saiu desapontado.

Decorridas algumas semanas, o grupo se aprestava à reunião, em sala adequada. Conversa amena. Uma hora faltan­do para o início das ora­ções. Rafael chega, ale­gre. Participa que deseja expor ao estimado Mar­tinho o estudo de um belo sonho e contou aos cir­cuns­tantes que, na noite anterior, se vira espiri­tualmente, fora do corpo físico. Sentira-se volitan­do, leve qual pluma ao vento. E contemplara nos céus um cartaz com seis letras “A.D.P.S.B.P.” em projeção radiante. Toma­ra nota de tudo ao des­per­tar.

Dona Emília, que supunha nos sonhos um constante veículo para gran­des ensinamentos, inquiriu dele, quanto à conclusão a que chegara.

- Pois a senhora não com­pre­ende?

E Rafael explanou para o audi­tó­rio interessado:

- Segundo a minha intuição, as letras querem dizer: “Agora Deves Pre­gar Sem Bater Pinos”.

E acentuou que, apesar de algum sacrifício para a família, se dispunha a ten­tar outro emprego. Precisava de al­gum tempo livre. Se isso redun­dasse em privações e provações, afir­mava-se pronto para o que des­se e viesse. Por fim, declarou-se can­sado de bater couro de boi para calçados. Aspirava à posição dife­rente.

No horário justo, a pequena assembleia se entregou às tarefas que, naquela noite, se vinculavam a desobsessão.

Atividades preparatórias. Pre­ces. E começou movimentado so­corro às entidades enfermas. Mar­tinho ocupava o médium esclare­cedor, que, de quando em quando, orientava os serviços, dava ideias.

Rafael pediu vez para con­ver­sar. O instrutor, contudo, reco­men­dou-lhe esperasse. Necessário de­sin­­cumbir-se de obrigações mais urgentes. Entender-se-iam no fim.

Com efeito, ao término das ati­vi­dades, Martinho convidou-o à pa­lavra. Algo tímido, Provenzano narrou o sonho, referiu-se às letras lumi­nosas que descobrira no firma­men­to, como que brilhando especial­men­te para ele, e reasseverou os antigos desejos. Queria ser grande confe­ren­cista e prometia consagrar-se de corpo e alma, aos ensina­mentos pú­blicos do Evangelho.

O amigo espiritual, sereno, per­gun­tou sobre a interpretação que ele, o interessado, dera a letras.

Rafael repetiu, impávido: “Agora Deves Pregar Sem Bater Pinos”.

O benfeitor espiritual, todavia, pin­tou expressão de complacência no rosto do médium e observou:

- Efetivamente, Rafael, você es­te­ve fora do corpo de carne e viu, de fato a mensagem do plano espiri­tual... Mas, engana-se quanto ao que julga ter lido. As letras querem dizer simplesmente: “Antes De Pre­gar Seja Bom Primeiro”

Extraído do Livro “Cartas e Crônicas”  / Francisco Cândido Xavier pelo  / Espírito Irmão X / Editora FEB

QUER ENTENDER UM POUCO SOBRE QUE POSSA SER " POMBAGIRA "

      A popularidade de Pombagira


Por Rubens Saraceni

Com a liberação da mulher, vieram a responsabilidade, os direitos e os deveres. 

Pombagira popularizou-se com a expansão da Umbanda e dos demais cultos afro-brasileiros nos anos 60 e 70 do século XX e, em meio a multiplicidade de cultos com ela presente em todos, sua força era indiscutível e seu poder foi usufruído por todos os que iam se consultar com ela. 

Não demorou a descobrirem que ela atendia a todos os pedidos, inclusive pedidos bem terrenos dos humanos. 

Como ninguém se preocupou em fundamentá-la enquanto Mistério da criação e instrumento repressor da Lei Maior e da Justiça Divina, temidíssima justamente em um dos campos mais controvertidos da natureza dos seres, que é justamente o da sexualidade, eis que não foram poucas as pessoas que foram pedir o mal ao próximo e adquiriram terríveis carmas, todos ligados aos relacionamentos amorosos ou passionais.
Nada como pedir para as “moças da rua” coisas que não seriam muito bem vistas pelo “povo da direita”.
Assim, Pombagira tornou-se a ouvinte e conselheira de muitas pessoas com problemas nos seus relacionamentos amorosos, procurando atender a maioria das solicitações, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível a todas as classes sociais.
Junto à explosão descontrolada das manifestações de Pombagiras, vieram os males congênitos, que acompanham tudo o que é poderoso: os abusos em nome das entidades espirituais, tais como os pedidos de jóias e perfumes caríssimos; de vestes ricas e enfeitadas, de oferendas e mais oferendas caríssimas; de assentamentos luxuosos e ostentativos; de cobrança por trabalhos realizados por elas, mas recebidos em espécie por encarnados, etc.
Pombagira também serviu de desculpa para que algumas pessoas atribuíssem a ela seus comportamentos no campo da sexualidade.
Ainda que hoje saibamos que elas são esgotadoras do íntimo das pessoas negativadas por causa de decepções e frustrações nos campos do amor, no entanto ainda hoje vemos um caso ou outro que atribuem à Pombagira o fato de vibrarem determinados desejos ou compulsões ligadas ao sexo. 

Mas a verdade indica-nos exatamente o contrário disso, ou seja, a “mulher da rua” atua esgotando o íntimo de pessoas e de espíritos vítimas de desequilíbrios emocionais ou conscienciais, pois essa é uma de suas muitas funções na riação. 

Texto do livro: Orixá Pombagira, Ed Madras, www.madras.com.br
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"Umbanda é Linda;
Umbanda é Tudo de Bom;
Umbanda é Religião,
Portanto Só Pode Praticar o BEM!!!"
Alexandre Cumino

Cantar pontos em casa.