TODOS NÓS SOMOS MÉDIUNS?
Paulo da Silva Neto
Sobrinho
julho/2008.
(revisado set/2012)
“Nos últimos tempos, diz o Senhor, espalharei do meu
espírito por sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão;
vossos jovens terão visões e vossos velhos terão sonhos. – Nesses dias,
espalharei do meu espírito sobre os meus servidores e servidoras e eles
profetizarão”. (Atos 2,17-18; Joel
2,28-29).
Em
A Gênese, capítulo XVII – Predições do Evangelho, Kardec comenta
esse passo acima no tópico “Vossos filhos e vossas filhas profetização”, do qual
transcrevemos o seguinte trecho:
É a predição inequívoca
da vulgarização da mediunidade, que presentemente se revela em indivíduos de
todas as idades, de ambos os sexos e de todas as condições; a predição, por
conseguinte, da manifestação universal dos Espíritos, pois que sem os Espíritos
não haveria médiuns. Isso, conforme está dito, acontecerá nos últimos
tempos; ora, visto que não chegamos ao fim do mundo, mas, ao contrário, à
época da sua regeneração, devemos entender aquelas palavras como indicativas dos
últimos tempos do mundo moral que chega a seu termo. (KARDEC, 2007, p. 451-452)
(grifo nosso).
Então, em meados do século XIX, segundo o Codificador, a profecia de
Joel se cumpria, com a “vulgarização da mediunidade” que “se revela em
indivíduos de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as
condições”.
Inicialmente, antes de adentrar no tema, é necessário que
apresentemos a definição do que seja um médium, pois, sem isso, não há como
responder à questão proposta no título. Assim sendo, vejamos, primeiramente,
como o Espírito Erasto, ao responder à pergunta “O que é médium?”,
definiu esse termo:
É o ser, indivíduo que serve de
intermediário aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com
os homens, espíritos encarnados. Por conseguinte, sem médium não há comunicações
tangíveis, mentais, escritas, físicas, de qualquer espécie que seja. (KARDEC,
2006a, p. 212).
Kardec, por sua vez, explica-o da seguinte forma:
MÉDIUM (do lat. Médium, meio,
intermediário): pessoas acessíveis à influência dos Espíritos, e mais ou menos
dotadas da faculdade de receber e transmitir suas comunicações. Para os
Espíritos, o médium é um intermediário; é um agente ou um instrumento mais ou
menos cômodo, segundo a natureza ou o grau da faculdade mediúnica. Esta
faculdade depende de uma disposição orgânica especial, suscetível de
desenvolvimento. Distinguem-se diversas variedades de médiuns, segundo sua
aptidão particular para tal ou tal modo de transmissão, ou tal gênero de
comunicação. (KARDEC, 1986, p. 196-197).
O mestre de Lyon, em O Livro dos Médiuns, resumidamente,
disse: “Médium - (Do latim -
medium, meio, intermediário.): Pessoa que pode servir de medianeira entre
os Espíritos e os homens”. (KARDEC, 2006a, p. 351) e em Obras
Póstumas: “Médiuns são pessoas aptas a sentir a influência dos Espíritos
e a transmitir os pensamentos destes”. (KARDEC, 2006c, p.
62).
Em que pese a origem dessas duas definições, entendemos que falta
abrangência a elas, porquanto o conceito de médium não deveria restringir-se
apenas à relação entre os homens e os Espíritos desencarnados. Por que estamos
dizendo isso? Pelo simples fato de que há relato de experiência com
evocação de Espírito de pessoa viva, ocorrida em sessão da Sociedade Espírita de
Paris, conforme se lê na Revista
Espírita
[1] . Podemos ainda ver no cap. XXV de O Livro dos Médiuns o
item 284, que trata exatamente da evocação de pessoas vivas. Julgamos que esses
casos estariam fora da definição clássica, pois nela o termo “Espírito”
refere-se aos já desencarnados. Por outro lado, aceitando-se o que narra André
Luiz, dando notícias de reuniões mediúnicas no plano espiritual, nesse caso
teríamos a existência dos Espíritos médiuns, que servem de intermediários a
outros de esferas mais elevadas, às quais eles se encontram vinculados, conforme
podemos apreender nas suas obras, situações também não contempladas na definição
original.
Além
disso, poderíamos destacar que a condição do médium ser ou servir de
“intermediário” pode complicar um pouco a definição, haja vista, que é possível
ele receber uma comunicação para si mesmo, e aí, a rigor, não teríamos essa
função, a não ser que aceitemos que, nesse caso, ele, o médium, esteja sendo
intermediário para si mesmo, digamos assim, hipótese que aceitamos sem problema
algum.
Ademais, uma pessoa que esteja recebendo a influência de Espíritos se
não conseguir perceber este fato, não seria, segundo essas definições,
propriamente um médium? Então, seria o quê? Segundo nosso modo de ver, a
conjuntura dos fatos nos recomenda ampliar o atual conceito visando dar-lhe uma
abrangência maior, de forma que possa abrigar todos os casos. Assim, poderíamos
dizer, conforme a hipótese que abraçamos, que “médium seria o Espírito,
encarnado ou não, que consegue captar ou sentir o pensamento de um outro, pouco
importando a condição desse outro estar num corpo ou fora dele”. O único
aspecto condicionante seria de não estarem, o emissor e o captador, no mesmo
plano dimensional, no qual o processo de comunicação habitual entre os que nele
se encontram seja a transmissão de pensamento.
É
certo que estamos avançando um pouco na definição, indo além do que consta nas
obras da codificação, o que poderá causar espécie a alguns confrades; mas
justificamos, lembrando o que Kardec, numa certa ocasião, disse: “O Livro
dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão
colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver
sucessivamente pelo estudo e pela observação”. (KARDEC, 1993b, p.
223)
Por
outro lado, sabemos que o Codificador afirmou que “a verdadeira mediunidade
supõe a intervenção direta de um Espírito” (KARDEC, 2006a, p. 142) o que viria a
contradizer, em parte, o que estamos propondo; entretanto, se ampliarmos, nessa
frase, o significado de Espírito para considerá-lo em qualquer situação, ou
seja, encarnado ou desencarnado, ela ajustar-se-ia plenamente ao conceito
sugerido em nossa hipótese.
A
quem poderíamos, especificamente, qualificar como médium? Para elucidar isso,
leiamos o que consta na obra Instruções práticas sobres as manifestações
dos Espíritos, publicada em janeiro de 1858, o que nos leva a concluir
que é a primeira vez que Kardec classifica os médiuns dois tipos:
Toda pessoa que sofre de
alguma maneira a influência dos Espíritos é, por isso mesmo, médium. Esta
faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não é um privilégio
exclusivo. Por essa razão raros são os indivíduos nos quais não se encontram
ainda que simples rudimentos de mediunidade. Pode-se, pois, dizer que todas
ou quase todas as pessoas são médiuns. Todavia, no uso corrente, esta
qualificação não se aplica senão àqueles nas quais a faculdade mediúnica é
nitidamente caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa
intensidade, o que depende, então, de uma organização mais ou menos sensitiva. É
preciso notar, além disto, que esta faculdade não se revela em todas as pessoas
da mesma maneira. (KARDEC, 1986, p. 251) (grifo
nosso).
Temos aqui então as explicações, com as quais iremos distinguir em
dois sentidos o termo médium. Podemos dizer que no sentido amplo, todos nós
somos médiuns, já no sentido restrito, somente aqueles nos quais essa faculdade
é evidente, a ponto de produzir os fenômenos de efeitos físicos ou de transmitir
o pensamento dos Espíritos, ou seja, é um médium ostensivo. Isso fica mais claro
quando Kardec trata novamente desse assunto na Revista Espírita,
mês de fevereiro de 1859:
A mediunidade é uma faculdade
multíplice, e que apresenta uma variedade infinita de nuanças em seus meios e em
seus efeitos. Quem está apto para receber ou transmitir as comunicações dos
Espíritos é, por isso mesmo, médium, qualquer que seja o modo empregado ou o
grau de desenvolvimento da faculdade, desde a simples influência oculta até a
produção dos mais insólitos fenômenos. Todavia, em seu uso ordinário,
essa palavra tem uma acepção mais restrita, e se diz, geralmente, de pessoas
dotadas de um poder mediúnico muito grande, seja para produzir efeitos
físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela
palavra. (KARDEC, 1993e, p. 29) (grifo nosso).
Em
resumo, temos: médiuns no sentido amplo: todas as pessoas, enquanto que, médium
no sentido restrito se refere aos que têm a mediunidade de forma ostensiva. Para
deixar tudo no lugar certo, vale a pena ressaltar o que Kardec reafirma: “Todo o
mundo, dissemos, é mais ou menos médium; mas convencionou-se dar esse nome
àqueles nos quais as manifestações são patentes, e, por assim dizer,
facultativas” (KARDEC, 1993e, p. 57).
Essa distinção da mediunidade e o fato de que todos somos
médiuns podem ser corroborada em J. Herculano Pires
(1914-1979):
[…] Kardec notou a
generalização da mediunidade e os espíritos o socorreram, como se vê no Livro
dos Médiuns, com uma especificação curiosa. Temos assim duas áreas de
função mediúnica. A primeira corresponde à mediunidade natural, que
todos os seres humanos possuem, e a segunda corresponde à mediunidade
de compromisso, ou seja, de médiuns investidos espiritualmente de poderes
mediúnicos para finalidades específicas na encarnação. Como Kardec mencionou a
existência de médiuns elétricos e várias vezes comparou a mediunidade com a
eletricidade, surgiu mais tarde entre alguns estudiosos, entres os quais
Crawford, a ideia de uma divisão mais explícita, com a designação de
mediunidade estática e mediunidade dinâmica. A primeira
corresponde à mediunidade natural, que todos possuem e permanece geralmente
em estase, com manifestações moderadas e quase imperceptíveis. A segunda
corresponde à mediunidade ativa, que exige desenvolvimento e aplicação
durante a vida do médium. (PIRES, 1987, p. 18) (grifo
nosso).
Em Kardec temos mediunidade no sentido restrito e
mediunidade no sentido amplo, o que Herculano Pires interpretou como mediunidade
estática e mediunidade dinâmica.
Para
maior esclarecimento, cumpre-nos informar que a citação do livro
Instruções práticas sobre as manifestações dos espíritos,
transcrita um pouco mais acima (KARDEC, 1986, p. 251), também consta de O
Livro dos Médiuns, publicado em janeiro de 1861, que, como sabemos, veio
em substituição àquele livro, nele encontramos o texto nos seguintes
termos:
Toda pessoa que sente a
influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa
faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são
raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se
dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa
qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem
caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o
que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
Deve-se notar, ainda, que essa
faculdade não se revela em todos da mesma maneira. [...] (KARDEC, 2006a, p. 139)
(grifo nosso)
Nosso objetivo em colocar isso, foi para ressaltar que Kardec, nessa
sua nova fala, ao invés de dizer “todas ou quase todas as pessoas são médiuns”,
como consta da obra anterior, passou a afirmar que “todos são mais ou menos
médiuns”, demonstrando agora que a variação se prende apenas quanto a seu grau,
caso não estejamos enganados em nossa maneira de perceber.
Ademais, sendo uma faculdade inerente ao homem, como afirmado, não há
como não deduzir que todos a têm, daí, seguramente, poder-se dizer que todos nós
somos médiuns.
Não foram os médiuns que criaram
os Espíritos, estes existem de todos os tempos, e em todos os tempos
exerceram sua influência, salutar ou perniciosa, sobre os homens. Não há, pois,
a necessidade de ser médium para isso. A faculdade medianímica, para eles,
não é senão um meio de se manifestarem; à falta dessa faculdade, fazem-no de mil
outras maneiras. Se esse jovem não fosse médium, não estaria menos sobre a
influência desse mau Espírito que, sem dúvida, tê-lo-ia feito cometer
extravagâncias que não se poderiam atribuir a qualquer outra causa. (KARDEC,
2001a, p. 274) (grifo nosso).
A
afirmativa de que “não há, pois, a necessidade de ser médium para isso”, ou
seja, para receber a influência dos espíritos, Kardec está, certamente, tratando
do médium na forma restrita, o que nos leva a concluir, por consequência, que na
forma ampla todos nós o somos.
Encontramos ainda na Revista Espírita, especificamente,
no mês de fevereiro de 1858, esta fala de Kardec sobre o assunto:
Essa faculdade, como, aliás, já o
dissemos, não é um privilégio exclusivo; ela existe em estado latente,
e em diversos graus, numa multidão de indivíduos, não esperando senão uma
ocasião para se desenvolver; o princípio está em nós pelo próprio efeito da
nossa organização; está na Natureza; todos nós temo-lo em germe, e não está
longe o dia em que veremos os médiuns surgirem de todos os pontos, no
nosso meio, em nossas famílias, no pobre como no rico, a fim de que a verdade
seja conhecida por todos, porque, segundo o que nos está anunciado, é uma nova
era, uma nova fase que começa para a Humanidade. A evidência e a vulgarização
dos fenômenos espíritas darão um novo curso às ideias morais, como o vapor deu
um novo curso à indústria. (KARDEC, 2001a, p. 60-61) (grifo
nosso).
Aqui, nos parece, que Kardec, no mínimo, tem a todos nós como médiuns
em potencial, relacionando a mediunidade como sendo uma característica própria
da Natureza humana.
Percebemos que o Codificador foi claro ao dizer que é uma faculdade
inerente ao homem, sem qualquer tipo de privilégio, concluindo, conforme consta
em O Livro dos Médiuns, que “todos são mais ou menos médiuns”
(KARDEC, 2006a, p. 139), porquanto, segundo ele nos diz, todos nós recebemos
influência dos espíritos, o que veremos um pouquinho mais à frente, quando
citarmos O Livro dos Espíritos. É bem provável que, em virtude
disso, possamos ver a aplicação do que ele havia dito na Introdução de O
Livro dos Médiuns: “Embora cada qual já traga em si mesmo os germes das
qualidades necessárias, essas qualidades se apresentam em graus diversos, e o
seu desenvolvimento depende de causas estranhas à vontade humana” (KARDEC,
2006a, p. 10) e o que consta logo acima.
Essa
visão abrangente é o que, também, podemos encontrar em Channing, que, numa
mensagem discorrendo sobre os médiuns, disse:
Todos os homens são
médiuns. Todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem
escutá-lo. Quer alguns se comuniquem diretamente com ele, graças a uma
mediunidade especial, quer outros só o escutem pela voz interna do coração e
da mente. Isso pouco importa, pois é sempre o mesmo Espírito familiar que os
acompanha. Chamai-o Espírito, razão, inteligência, será sempre uma voz que
responde à vossa alma, dizendo-vos boas palavras. Acontece, porém, que nem
sempre as compreendeis. [...] Ouvi pois essa voz interior, esse bom gênio que
vos fala sem cessar, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo
guardião que vos estende a mão do alto do céu. Repito, a voz íntima que fala
ao coração é a dos bons Espíritos bons. E é desse ponto de vista que todos os
homens são médiuns. (KARDEC, 2006a, p. 331-332) (grifo
nosso).
Pelo
fato de todos nós termos um Espírito, que nos dirige para o bem, ao qual
denominamos de “anjo da guarda” ou “anjo guardião”, esse Espírito, autor da
mensagem, considera a todos nós como sendo médiuns; dando, aos que o são de
forma ostensiva, a condição de possuírem “uma mediunidade especial”, o que
significa apenas tê-la em um grau maior.
A
notícia sobre o anjo de guarda nos é dada em O Livro dos
Espíritos:
489. Há Espíritos que se
liguem particularmente a um indivíduo para protegê-lo?
“Sim, o irmão espiritual.
É o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio.”
490. Que se deve
entender por anjo da guarda?
“O Espírito protetor, pertencente
a uma ordem elevada.”
491. Qual a missão do
Espírito protetor?
“A de um pai com relação aos
filhos: conduzir seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com seus conselhos,
consolá-lo nas aflições e sustentar sua coragem nas provas da vida.”
(KARDEC, 2006a, p.
303)
Em
O Céu e o Inferno, confirma-se que todos nós temos um anjo de
guarda, cuja influência sobre nós é quase sempre oculta:
Quaisquer que sejam a
inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona.
Todos têm seu anjo de guarda (guia) que por eles
vela, na persuasão de suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e, bem assim, de espreitar-lhes os
movimentos da alma, como que se esforçam por reparar em uma nova existência o
mal que praticaram. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre
ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve
progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição.
(KARDEC, 2007d, p 103) (grifo nosso).
Quanto à expressão “raras são as pessoas que não a possuem pelo menos
em estado rudimentar” (KARDEC, 2006a, p. 139), citada um pouco atrás na mensagem
de Channing, não entendemos que, por isso, existam pessoas que não a tenha, mas
é uma maneira de dizer que, mesmo que seja com alguns rudimentos, ninguém a
deixa de ter, pois a afirmativa posterior de que “todos os homens são médiuns”
parece-nos ser mais forte e, cremos, seja a intenção final de sua afirmação, a
qual poderemos corroborar com outra fala do Codificador, quando diz sobre os
médiuns inspirados:
Todos os que recebem, no
seu estado normal ou de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias,
sem serem, como estas, preconcebidas, podem ser considerados médiuns
inspirados. Trata-se de uma variedade intuitiva, com a diferença de que a
intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível, sendo mais difícil de
distinguir no inspirado o pensamento próprio do que foi sugerido. O que
caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade. (KARDEC, 2006a, p. 154)
(grifo nosso).
É
interessante lermos a nota de rodapé colocada pelo tradutor dessa edição de
O Livro dos Médiuns, o professor e jornalista José Herculano
Pires, sobre o que se fala nesse parágrafo:
Nunca prestamos a devida atenção
aos nossos processos mentais. Kardec nos oferece neste livro, como repete no
período acima, uma regra de ouro nesse sentido. A psicologia materialista
vai hoje se aproximando desse princípio, graças às pesquisas no campo da
telepatia. Embora ainda não considere o pensamento dos Espíritos, já
admite que recebemos constantemente pensamentos alheios. A observação
permite-nos dividir perfeitamente o pensamento que produzimos aos poucos em
nossa mente dos que nos são sugeridos. (KARDEC, 2006a, p. 154) (grifo
nosso)
Como
proposto no início, não poderíamos ampliar o conceito da mediunidade,
tomando essa assertiva de Herculano, bem como desta outra?:
[…] A
mediunidade estática não é propriamente uma forma de energia que
permanece no organismo corporal em estado letárgico. É simplesmente a disposição
natural do espírito para expandir-se, projetar-se e entrar em relação com outros
espíritos. A Parapsicologia atual confirmou a tese espírita das relações
telepáticas permanentes na visa social. Nossa mente funciona, segundo
acentua John Ehrenwald em seu estudo sobre relações interpessoais, como ativo
centro emissor e receptor de pensamentos. Estamos sempre conversando sem o
perceber. Muitos dos nossos monólogos são diálogos com outras pessoas ou com
espíritos. […]. (PIRES, 1987, p. 19) (grifo
nosso).
Por acreditarmos que sim, foi que desenvolvemos o texto
Mediunidade: percepção da psique humana.
Após
esse nosso destaque, continuemos a transcrição:
Recebemos a inspiração
dos Espíritos que nos influenciam para o bem ou para o mal. Mas ela é
principalmente a ajuda dos que desejam o nosso bem, e cujos conselhos rejeitamos
com muita frequência. Aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas
resoluções que devemos tomar. Nesse sentido pode-se dizer que todos são
médiuns, pois não há quem não tenha os seus Espíritos protetores e familiares,
que tudo fazem para transmitir bons pensamentos aos seus protegidos. Se
todos estivessem compenetrados dessa verdade, com mais frequência se recorreria
à inspiração do anjo guardião, nos momentos em que não se sabe o que dizer ou
fazer.
Que se invoque o Espírito
protetor com fervor e confiança, nos casos de necessidade, e mais
assiduamente se admirará das ideias que surgirão como por encanto, seja para
auxiliar numa decisão ou em alguma coisa a fazer. Se nenhuma ideia surgir
imediatamente, é que se deve esperar. [...] (KARDEC, 2006a, p. 155) (grifo
nosso).
É
interessante que muitas vezes comentávamos que, pelo fato de termos, cada um de
nós, um anjo de guarda, que sempre nos acompanha, todos nós deveríamos ser
considerados médiuns, pela condição de podermos receber seus conselhos, não
diferente do que aqui é colocado ou do que consta nas obras O Livro dos
Médiuns e O Céu e o Inferno. Provavelmente, dizíamos isso,
porque vinha à nossa mente o que lêramos nelas, fato que tira qualquer pretensão
de nossa parte em ser o autor dessa ideia.
Na
Revista Espírita, ano de 1865, encontramos uma mensagem intitulada
Estudo sobre a mediunidade, assinada por Georges, na qual esse Espírito
diz:
A mediunidade é uma
faculdade inerente à natureza do homem; não é nenhuma exceção nem um favor, ela
faz parte do grande conjunto humano, e, como tal, está sujeita às variações
físicas e às desigualdades morais; sofre o dualismo temível do instinto e da
inteligência; possui seus gênios, sua multidão e seus monstros. (KARDEC, 2000b,
p. 115) (grifo nosso).
Confirma a mediunidade como uma faculdade que faz parte da natureza
do homem, sem que haja qualquer tipo de exceção. Como se observa no que já
transcrevemos, essa afirmativa foi, repetidas vezes, sendo enfatizada, fato que
ainda se verá.
Kardec analisa um artigo extraído do jornal la
Discussion, assinado por A. Briquel, do qual transcrevemos:
Os médiuns são
dotados de uma faculdade natural que os torna próprios para servirem de
intermediários aos Espíritos e produzirem com eles os fenômenos que passam por milagres ou por prestidigitação aos olhos
de quem lhes ignora a explicação. Mas a faculdade medianímica não é o privilégio
exclusivo de certos indivíduos; ela é inerente à espécie humana, embora cada
um a possua em graus diferentes, ou sob diferentes formas. (KARDEC, 1993b,
p. 34) (grifo nosso).
Pelas considerações elogiosas que o Codificador faz desse artigo,
dizendo serem perfeitos os pontos nele abordados, concluímos que ele endossou
tudo quanto foi dito, motivo pelo qual trouxemos esse trecho do artigo.
Ressaltamos a questão de ser inerente à espécie humana; portanto, todos nós a
temos, variando apenas quanto ao grau e formas de sua manifestação, como já foi
dito várias vezes.
Outro artigo interessante é o intitulado Mediunidade Mental,
no qual Kardec comenta o que lhe escreveu um dos seus correspondentes de
Milianah (Argélia), dessa forma:
Esta mediunidade, à qual damos o
nome de mediunidade mental, certamente não é feita para convencer
os incrédulos, porque ela nada tem de ostensiva, nem desses efeitos que ferem os
sentidos; ela é toda para a satisfação íntima daquele que a possui; mas é
preciso reconhecer também que ela se presta muito à ilusão, e que é o caso de se
desconfiar das aparências. Quanto à existência da faculdade, dela não se poderia
duvidar; pensamos mesmo que deve ser a mais frequente; porque o nome de pessoas
que sentem, no estado de vigília, a influência dos Espíritos e recebem a
inspiração de um pensamento que sentem não ser o seu, é considerável; a
impressão agradável ou penosa que se sente às vezes à vista de alguém que se vê
pela primeira vez; o pressentimento que se tem da aproximação de uma pessoa;
a penetração e a transmissão do pensamento, são também efeitos que se prendem
à mesma causa e constitui uma espécie de mediunidade, que se pode dizer
universal, porque todos dela possuem pelo menos os rudimentos; mas para
sentir-lhe os efeitos marcantes, é preciso uma aptidão especial, ou melhor um
grau de sensibilidade que é mais ou menos desenvolvido segundo os indivíduos.
A esse título, como dissemos há muito tempo, todo o mundo é médium, e Deus
não deserdou ninguém da preciosa vantagem de receber salutares eflúvios do mundo
espiritual, que se traduzem de mil maneiras diferentes; mas as variedades
que existem no organismo humano não permitem a todo mundo obter efeitos
idênticos e ostensivos. (KARDEC, 1993b, p. 86-87) (grifo
nosso).
O
que Kardec está comentando aqui é sobre uma pessoa que captava os pensamentos do
seu guia espiritual, quando em estado de emancipação. Descreve, inclusive, que,
nessa situação, recebia, até mesmo, visitas de outros Espíritos simpáticos,
encarnados e desencarnados, com os quais entabulava comunicação mental. É a isso
que ele denomina de mediunidade mental, assegurando que “todos dela possuem pelo
menos os rudimentos” e, na sequência, reafirma que: “como dissemos há muito
tempo, todo o mundo é médium”.
Kardec recebeu uma carta da cidade de Marennes sobre uma manifestação
antes da morte, sobre a qual tece os seguintes comentários:
Há todo um estudo a fazer sobre
esta carta. Nela vemos primeiro um encorajamento a orar pelos doentes, depois,
uma nova prova da assistência dos Espíritos pela inspiração das palavras que se
devem pronunciar, nas circunstâncias em que se estaria muito embaraçado para
falar, estando-se entregue às próprias forças. É talvez um dos gêneros de
mediunidade o mais comum, e que vem confirmar o princípio de que todo mundo é
mais ou menos Médium sem disto desconfiar. Seguramente, se cada um se
reportasse às diversas circunstâncias de sua vida, observasse com cuidado os
efeitos que sente, ou dos quais foi testemunha, não há ninguém que não
reconheça ter alguns efeitos de mediunidade inconsciente. (KARDEC, 1993c, p.
25) (grifo nosso).
Kardec aqui afirma que a mediunidade de inspiração é a mais comum e
que não há ninguém que não a tenha, basta para isso analisar com cuidado os
efeitos de diversas circunstâncias da vida, dessa forma muitos são “médiuns sem
disto desconfiar”.
Em
O que é o Espiritismo, numa de suas respostas ao céptico, Kardec
disse-lhe:
Além disso, os médiuns são
muito numerosos e é raríssimo, quando não o sejamos, não se encontrar algum em
qualquer dos membros de nossa família, ou nas pessoas que nos
cercam.
O sexo, a idade e o temperamento
são indiferentes: eles aparecem entre os homens e mulheres, entre crianças,
velhos, doentes e pessoas sadias. (KARDEC, 2007f, p. 107) (grifo
nosso).
Vemos, nesse ponto, que Kardec está tratando o fato de “ser médium”
no sentido restrito, dizendo que, na hipótese de não sermos médiuns no sentido
restrito, é raríssimo não encontrarmos um à nossa volta, o que nos faz acreditar
que ele, de forma direta, reafirma a questão de todos nós sermos médiuns,
variando apenas a intensidade em que a mediunidade aflora em cada um de nós,
seres humanos encarnados. É o que também concluímos do texto a
seguir:
Nossa alma que não é, em
definitivo, senão um Espírito encarnado, não é menos Espírito; se está
momentaneamente revestida de um envoltório material, suas relações com o mundo
incorpóreo, embora menos fáceis que no estado de liberdade, não são
interrompidas por isso de maneira absoluta; o pensamento é laço que nos une
ao Espírito, e por esse pensamento atraímos aqueles que simpatizam com as nossas
ideias e nossas tendências. (KARDEC,1993e, p. 30) (grifo
nosso).
Ressalte-se que, pelo fato de estarmos encarnados, não há empecilho
para que tenhamos relações com os Espíritos, decorrente, segundo acreditamos,
exatamente da circunstância de todos nós sermos médiuns. Ou estamos indo além do
sentido que se pode tirar desse texto?
Um
pouquinho mais à frente, lemos:
Estas considerações nos conduzem
naturalmente à questão dos médiuns. Estes últimos estão, como todo o mundo,
submetidos à influência oculta dos Espíritos bons ou maus; eles os atraem ou
os repelem segundo as simpatias de seu espírito pessoal, e os Espíritos maus se
aproveitam de todo defeito, como de uma falta de couraça para se introduzirem
junto deles e se imiscuírem, com seu desconhecimento, em todos os atos de sua
vida particular. (KARDEC, 1993e, p. 31) (grifo nosso).
Observamos que Kardec aqui reafirma que todo mundo está submetido à
influência oculta dos Espíritos bons ou maus, razão pela qual deduzimos que
todos nós somos médiuns, para que isso aconteça.
Dos
comentários de Kardec, na Revista Espírita, mês de janeiro de
1863, sobre os possessos de Morzine, transcrevemos o seguinte trecho:
[...] Pela natureza fluídica e
expansão do perispírito, o Espírito alcança o indivíduo sobre o qual quer agir,
o cerca, o envolve, o penetra e o magnetiza. O homem, vivendo no meio do
mundo invisível, está incessantemente submetido a essas influências, como às da
atmosfera que respira, e essa influência se traduz por efeitos morais e
fisiológicos, dos quais não se dá conta, e que atribui, frequentemente, a causas
inteiramente contrárias. Esta influência difere naturalmente, segundo as
qualidades boas ou más do Espírito, assim como explicamos no nosso precedente
artigo. Este é bom e benevolente, a influência, ou querendo-se, a impressão, é
agradável, salutar: é como as carícias de uma terna mãe que enlaça seu filho nos
braços; se for mau e malevolente, ela é dura, penosa, ansiosa e, às vezes,
malfazeja: ela não abraça, oprime. Vivemos nesse oceano fluídico,
incessantemente expostos às correntes contrárias, que atraímos, que repelimos,
ou às quais nos entregamos, conforme as nossas qualidades pessoais, mas no
meio das quais os homens conservam sempre seu livre arbítrio, atributo essencial
de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o seu
caminho.
Isto, como se vê, é
completamente independente da faculdade medianímica tal como é concebida
vulgarmente. A ação do mundo invisível, estando na ordem das coisas naturais, se
exerce sobre o homem, abstração feita de todo conhecimento espírita; a ela
se está submetido como se o está à influência da eletricidade atmosférica, sem
saber a física, como estar doente, sem saber a medicina. [...]
Todo indivíduo que
sofre, de um modo qualquer, a influência dos Espíritos é, por isso mesmo,
médium; mas é pela mediunidade efetiva, consciente e facultativa, que se chega a
constatar a existência do mundo invisível, e pela diversidade das
manifestações obtidas ou provocadas, que se pôde esclarecer sobre a qualidade
dos seres que a compõem, e sobre o papel que eles desempenham na Natureza; o
médium fez pelo mundo invisível o que o microscópio fez pelo mundo dos
infinitamente pequenos. (KARDEC, 2000a, p. 2-9) (grifo
nosso).
Na
verdade, por estarmos em meio a um “mar de Espíritos” ou “oceano fluídico”,
ninguém lhes escapa da influência, seja ela a dos bons ou a dos maus, motivo
pelo qual Kardec concluiu: “isto, como se vê, é completamente independente da
faculdade medianímica tal como é concebida vulgarmente”; ou seja, a questão do
médium no sentido restrito reafirma, ao que nos parece, o fato de todos nós
sermos médiuns no sentido amplo.
Em
Mecanismos da Mediunidade, André Luiz nos remete a uma informação,
segundo a qual fica fácil entender a possibilidade de todos nós sermos
influenciados uns pelos outros, quer estejamos encarnados ou não.
Leiamos:
Reconhecemos que toda criatura
dispõe de oscilações mentais próprias, pelas quais entra em combinação
espontânea com a onda de outras criaturas desencarnadas ou encarnadas que se lhe
afinem com as inclinações de desejos, atitudes e obras, no quimismo
inelutável do pensamento. (XAVIER, 1986a, p. 88) (grifo
nosso).
Isso, se não estamos sendo pretensioso demais, concilia-se com a
definição ampla que propomos, mais no início deste estudo.
E da
obra Missionários da Luz, transcrevemos do diálogo de André Luiz
com seu instrutor Alexandre:
- O Espiritismo cristão é a
revivescência do Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo, e a mediunidade
constitui um dos seus fundamentos vivos. A mediunidade, porém, não é
exclusiva dos chamados “médiuns”. Todas as criaturas a possuem, porquanto,
significa percepção espiritual, que deve ser incentivada em nós mesmos. […]
(XAVIER, 1986b, p. 32) (grifo nosso).
– Aqui, André, observa você o
trabalho simples da transmissão mental e não pode esquecer que o intercâmbio
do pensamento é movimento livre no Universo. Desencarnados e encarnados, em
todos os setores da atividade terrestre, vivem na mais ampla permuta de
ideias. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção e cada qual
atrai os que se lhe assemelham. Os tristes agradam aos tristes, os ignorantes se
reúnem, os criminosos comungam na mesma esfera, os bons estabelecem laços
recíprocos de trabalho e realização. Aqui temos o fenômeno intuitivo, que,
com maior ou menor intensidade, é comum a todas as criaturas, não só no
plano construtivo, mas também no círculo de expressões menos elevadas. […]
(XAVIER, 1986b, p. 57) (grifo nosso).
O
Interessante é que além de se confirmar, que todos nós possuímos a mediunidade,
também está considerando que o “fenômeno intuitivo é comum a todas as
criaturas”, e que “os encarnados e desencarnados vivem na mais ampla permuta de
ideias”, isso só corrobora a mediunidade como sendo algo generalizado
mesmo.
Ainda, nessa obra, um pouco mais à frente, continua o diálogo entre
os dois personagens:
[…] depois de obter a permissão
de Alexandre para acompanhá-lo ao trabalho, interroguei-o com a curiosidade de
sempre:
– Todo obsidiado é um médium, na
acepção legítima do termo?
O instrutor sorriu e
considerou:
– Médiuns, meu amigo,
inclusive nós outros, os desencarnados, todos o somos, em vista de
sermos intermediários do bem que procede de mais alto, quando nos elevamos, ou
portadores do mal, colhido nas zonas inferiores, quando caímos em
desequilíbrio. O obsidiado, porém, acima de médium de energias perturbadas,
é quase sempre um enfermo, representando uma legião de doentes invisíveis ao
olhar humano. Por isto mesmo, constitui, em todas as circunstâncias, um caso
especial, exigindo muita atenção, prudência e carinho. (XAVIER, 1986b, p. 297)
(grifo nosso).
Estende a mediunidade como algo inerente também aos espíritos
desencarnados.
Vejamos agora as questões de O Livro dos Espíritos, do
capítulo IX – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal, nas quais
iremos encontrar algumas coisas que vêm apoiar a nossa conclusão:
459. Os Espíritos
influem em nossos pensamentos e em nossos atos?
“Muito mais do que imaginais,
pois frequentemente são eles que vos dirigem.”
460. Além dos
pensamentos que nos são próprios, haverá outros que nos sejam
sugeridos?
“Vossa alma é um Espírito que
pensa. Não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem ao mesmo tempo sobre o
mesmo assunto e, frequentemente, bastante contraditórios. Pois bem! Neles
há sempre um pouco de vós e um pouco de nós, e é isso que vos deixa na
incerteza, porque tendes em vós duas ideias que se combatem.”
461. Como distinguir os
pensamentos que nos são próprios dos que nos são
sugeridos?
“Quando um pensamento vos é
sugerido, é como uma voz que vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios
são os que ocorrem em primeiro lugar. Aliás, não vos é de grande interesse
estabelecer essa distinção, e muitas vezes é útil não sabê-la: o homem age mais
livremente. Se decidir pelo bem, ele o fará com maior boa vontade; se tomar o
mau caminho, maior será a sua responsabilidade.”
489. Há Espíritos que se
liguem particularmente a um indivíduo para protegê-lo?
“Sim, o irmão
espiritual. É o que chamais o bom Espírito ou o bom
gênio.”
490. Que se deve
entender por anjo de guarda?
“O Espírito protetor,
pertencente a uma ordem elevada.”
491. Qual a missão do
Espírito protetor?
“A de um pai com relação aos
filhos: conduzir seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com seus conselhos,
consolá-lo nas aflições e sustentar sua coragem nas provas da
vida.”
492. O Espírito protetor
está ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?
“Desde o nascimento até a
morte. Muitas vezes ele o segue após a morte, na vida espiritual, e mesmo
através de muitas existências corporais, já que tais existências não passam de
fases bem curtas da vida do Espírito.”
(KARDEC, 2006b, p. 292-293/303)
(grifo nosso).
Todas as abordagens aqui relacionadas, no tocante à influenciação dos
Espíritos, se referem a todos nós, sem qualquer tipo de exceção; e se todo
aquele que sofre algum tipo de influência dos Espíritos é um médium, então a
alternativa, que se nos apresenta, é concluir que todos nós somos médiuns, pois
não existe quem não sofra as suas consequências.
Por
outro lado, se todos temos um Espírito protetor, um anjo da guarda, no linguajar
popular, então aí mesmo é que podemos dizer, de forma contundente, que todos nós
somos médiuns, pois se a função deles é ajudar-nos visando o nosso progresso
espiritual, não haverá outra forma para ele fazer isso senão exercendo a sua
influência sobre nós. Sobre esse ponto, vejamos o que disse o Espírito São Luís,
por intermédio do senhor C..., médium falante e vidente, na Sociedade Parisiense
de Estudos Espíritas, sessão do dia 12 de outubro de 1858, quando esclarecia
sobre o suicídio:
[...] O homem deve seguir
o impulso que lhe é dado; qualquer que seja a carreira que abrace, qualquer que
seja a vida que conduza, está sempre assistido por Espíritos que o conduzem e
o dirigem com o seu desconhecimento; ora, procurar ir contra os seus conselhos é
um crime, uma vez que aí estão colocados para nos dirigir, e que esses bons
Espíritos, quando queremos agir por nós mesmos, aí estão para nos ajudar.
[…]
[…] Quando eu disse que o homem
impelido ao suicídio, estava cercado de Espíritos que o solicitavam a isso, não
falei dos bons Espíritos que fazem todos os esforços para disso desviá-lo;
deveria estar subentendido; todos sabemos que temos um Anjo guardião, ou, se
preferis, um guia familiar. Ora, o homem tem seu livre arbítrio; se, apesar
dos bons conselhos que lhe são dados, persevera nessa ideia que é um crime, ele
a cumpre e é ajudado nisso pelos Espíritos levianos e impuros que o
cercam, que ficam felizes em verem que ao homem, ou Espírito encarnado,
também lhe falta coragem para seguir os conselhos de seu bom guia, e,
frequentemente, do Espírito de seus parentes mortos que o cercam, sobretudo em
circunstâncias semelhantes. (KARDEC, 2001a, p. 302-303) (grifo
nosso).
Podemos ainda corroborar essa afirmativa com um trecho que consta da
instrução dos Espíritos na questão 495, assinada conjuntamente pelos Espíritos
São Luís e Santo Agostinho. Leiamo-la:
[...] Cada anjo de guarda tem
o seu protegido, pelo qual vela, como o pai vela pelo filho. Alegra-se,
quando o vê no bom caminho; sofre, quando seus conselhos são
ignorados.
Não temais fatigar-nos com as
vossas perguntas. Ao contrário, procurai sempre estar em relação conosco, pois
assim sereis mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um
com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns
ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano
sem limites, para rechaçar a incredulidade e a ignorância. [...] (KARDEC,
2006b, p. 305-306) (grifo nosso).
Clara é a posição desses dois espíritos, que participaram ativamente
da codificação Espírita, com base na qual, imaginamos, Kardec tenha formado a
sua opinião, para dizer que “todos nós somos médiuns”. Porém, se a compararmos
com o que disse Erasto aí a coisa fica um pouco complicada; vejamos: “É, de
resto, essa possibilidade de rejeição, própria da matéria, que se opõe ao
desenvolvimento da mediunidade na maioria dos que não são médiuns” (KARDEC,
2006a, p. 212). Para resolver o impasse, pois por aqui se tem a ideia de que nem
todos são médiuns, deveremos tomar a sua explicação para tê-la no sentido
restrito, não valendo, portanto, para aqueles que são médiuns no sentido amplo.
Isso o fazemos, apoiando-nos em Kardec. Leiamos um trecho do seu comentário
intitulado A Mediunidade e a Inspiração, no qual ele analisa uma mensagem
de Halévy (Espírito), recebida em Paris, pelo grupo Desliens, na data de 16 de
fevereiro de 1869:
Sob suas formas variadas ao
infinito, a mediunidade abrange a Humanidade inteira, como uma rede da
qual nada pode escapar. Todos estando diariamente em contato, quer o saiba ou
não, quer queira ou com isso se revolte, com inteligências livres, não há um
homem que possa dizer: Eu não sou, eu não fui ou não serei médium. Sob a
forma intuitiva, modo de comunicação ao qual o vulgo dá o nome de voz da
consciência, cada um está em relação com várias influências espirituais,
que aconselham num sentido ou num outro, e, frequentemente simultaneamente,
ora o bem puro, absoluto; ora os acomodamentos com o interesse; ora o mal em
toda sua nudez. - O homem evoca essas vozes; elas respondem ao seu chamado, e
ele escolhe; mas escolhe, entre essas diferentes inspirações e seu próprio
sentimento. - Os inspiradores são os amigos invisíveis; como os amigos da Terra,
são sérios ou de passagem, interessados ou verdadeiramente guiados pela afeição.
(KARDEC, 2001b, p. 94-95) (grifo nosso).
Ressaltamos o trecho “não há um homem que possa dizer: Eu não sou, eu
não fui ou não serei médium”; o que vem reforçar o que se tem dito a respeito do
tema.
Concluímos que todos nós somos médiuns, sim, pois não há uma só
pessoa que não receba influência dos espíritos; na pior das hipóteses, em duas
situações: em uma delas, a do seu anjo da guarda; na outra, é a que acontece
durante os momentos de emancipação da alma, quando um encarnado se comunica com
os Espíritos que lhe são simpáticos, conforme ficaram aqui demonstrados ambos os
casos. Obviamente, que nosso modo de pensar pode não ser comungado por alguns
companheiros espíritas, o que, acreditamos, certamente, acontecerá; porém, por
coerência, continuaremos respeitando a liberdade de cada um ter a sua própria
opinião.
Tendo em vista que estamos usando O Livro dos Médiuns
traduzido por Herculano Pires, seria oportuno colocarmos a sua opinião constante
numa nota de rodapé:
A mediunidade é uma
faculdade humana como qualquer outra. Ninguém pode alegar que não a possui,
pois todos têm pressentimentos, intuições, percepções extrassensoriais, sonhos
premonitórios e assim por diante. Como as demais faculdades, Deus a distribui
segundo as necessidades evolutivas de cada criatura. [...] (KARDEC, 2006a, p.
183) (grifo nosso).
Herculano Pires está confirmando que a mediunidade é
uma faculdade humana, conforme já foi dito por várias vezes no decorrer deste
estudo:
[…] Essa faculdade é inerente
ao homem. [...] (KARDEC, 2006a, p. 139) (grifo nosso).
A mediunidade é uma faculdade
inerente à natureza do homem; não é nenhuma exceção nem um favor, ela faz
parte do grande conjunto humano, […] (KARDEC, 2000b, p. 115) (grifo
nosso).
[...] Mas a
faculdade medianímica não é o privilégio exclusivo de certos indivíduos; ela
é inerente à espécie humana, embora cada um a possua em graus diferentes,
ou sob diferentes formas. (KARDEC, 1993b, p. 34) (grifo
nosso).
A mediunidade é
uma faculdade humana como qualquer outra. Ninguém pode alegar que não a
possui, pois todos têm pressentimentos, intuições, percepções extrassensoriais,
sonhos premonitórios e assim por diante. [….] (KARDEC, 2006a, p. 183) (grifo
nosso).
Nessa mesma obra – O Livro dos Médiuns –, pela
publicação da Federação Espírita Brasileira - FEB, lemos:
Fora erro acreditar
alguém que precisa ser médium, para atrair a si os seres do mundo invisível.
Eles povoam o espaço; temo-los incessantemente em torno de nós, ao nosso lado,
vendo-nos, observando-nos, intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos, ou
evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos. A faculdade mediúnica em nada
influi para isto: ela mais não é que um meio de comunicação. De acordo com o que
dissemos acerca das causas de simpatia e antipatia dos Espíritos, facilmente se
compreenderá que devemos estar cercados daqueles que têm afinidade com o
nosso próprio Espírito, conforme é este graduado, ou degredado. […] (KARDEC,
2007b, p. 306) (grifo nosso).
Acreditamos que é exatamente isso que está dito no livro Nos
domínios da mediunidade, quando Áulus orienta aos dois aprendizes -
André Luiz e Hilário -, nestes termos: “A mediunidade é um dom inerente a
todos os seres humanos, como a faculdade de respirar, e cada criatura
assimila as forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza” (XAVIER,
1987a, p. 51) (grifo nosso) e que ainda podemos acrescentar com estas novas
transcrições de outras obras da série André Luiz:
A mediunidade, no
entanto, é faculdade inerente à própria vida e, com todas as suas
deficiências e grandezas, acertos e desacertos, é qual o dom da visão comum,
peculiar a todas as criaturas, responsável por tantas glórias e tantos
infortúnios na Terra. (XAVIER, 1987b, p. 136) (grifo nosso).
[…] A
mediunidade não é exclusiva dos chamados "médiuns". Todas as criaturas a
possuem, porquanto significa percepção espiritual, que deve ser incentivada
em nós mesmos. […] (XAVIER, 1986b, p. 32) (grifo
nosso).
Reportaremos também ao espírito Bezerra de Menezes, que a uma certa
altura da mensagem intitulada Advertência constante de Dramas da
Obsessão, datada de 14 de março de 1964, assim disse:
Sabido é, entre
espíritas fiéis aos seus princípios, que todos os homens são médiuns, ou, pelo
menos, possuem a possibilidade de se deixarem influenciar pelas individualidades
invisíveis, sejam estas esclarecidas, medíocres ou inferiores. Todavia,
sabido será também que mais depressa a individualidade humana se permitirá
envolver-se com as últimas que com as primeiras. […] (PEREIRA, 1987, p. 7)
(grifo nosso).
Antes de encerrar nosso estudo seria de bom tom que pudéssemos
responder a uma eventual pergunta: deveremos tentar desenvolver a nossa
mediunidade? A resposta é que não seria conveniente, pois se deve deixar seguir
o curso natural das coisas. Kardec, falando especificamente a respeito da
vidência, respondeu a uma pergunta semelhante; leiamos:
a) Essa faculdade pode
desenvolver-se pelo exercício?
- Pode, como todas as outras
faculdades. Mas é daquelas cujo desenvolvimento natural é melhor do que o
provocado, quando corremos o risco de sobre-excitar a imaginação. A visão geral
e permanente dos Espíritos é excepcional e não pertence às condições normais do
homem.
(KARDEC, 2006a, p.
93).
Ao
colocar a faculdade de ver os espíritos como pertencente ao número “daquelas
cujo desenvolvimento natural é melhor”, fácil concluir que considerava, também
em relação a outras, ser prudente esperar que surjam naturalmente, embora não as
tendo nominado. A razão disso ele atribuiu à possibilidade de sobre-excitar a
imaginação.
Não
podemos deixar de trazer a esse estudo a opinião de Léon Denis, que em
Depois da Morte assim afirmou:
Todos somos médiuns, é
verdade; porém, em graus bem diferentes. Muitos o são e ignoram-no; mas
não há homem sobre quem deixe de atuar a influência boa ou má dos
espíritos. Vivemos no meio de uma multidão invisível que assiste,
silenciosa, atenta, à minudências de nossa existência; participa, pelo
pensamento, de nossos trabalhos, de nossas alegrias e de nossas penas. […]
(DENIS, 1987, p. 179) (grifo nosso).
Denis, um dos principais continuadores do Espiritismo, após a morte
de Kardec, considerava também que todos nós somos médiuns.
Em
Mediunidade e doutrina, capítulo XIII – Todos somos médiuns, o
espírito Odilon Fernandes, afirma:
Todos são médiuns - uns mais,
outros menos.
Mas nem todos renascem para uma
tarefa específica na mediunidade.
A mediunidade é exercitada no dia
a dia, das mais variadas formas.
Como o tato e a visão, que foram
desenvolvendo-se no curso dos milênios, a mediunidade vem-se desenvolvendo na
criatura, desde tempos remotos.
Em algumas pessoas, a
mediunidade, de quando em quando, dá sinal de sua presença através do
pressentimento, visões, sonhos reveladores.
Outros podemos atravessar a
experiência física, sem perceberem em si nenhuma manifestação medianímica digna
de nota. […] (BACCELLI, 1990, p. 67-68) (grifo nosso).
Trazemos também a opinião do espírito Bezerra de Menezes, conforme
podemos ler no livro Recordações da Mediunidade, de autoria de
Yvonne A. Pereira:
Os ensinamentos contidos nos
códigos espíritas, a advertência dos elevados Espíritos que os organizaram e
a prática do espiritismo demonstram que nenhum indivíduo deverá provocar,
forçando-o, o desenvolvimento das suas faculdades mediúnicas, porque tal
princípio será contraproducente, ocasionando novos fenômenos psíquicos e não
propriamente espíritas, tais como a autossugestão ou a sugestão exercida por
pessoas presentes no recinto das experimentações, a hipnose, o animismo, ou
personismo, tal como o sábio dr. Alexandre Aksakof classifica o fenômeno,
distinguindo-o daqueles denominados “efeitos físicos”. A mediunidade deverá
ser espontânea por excelência, a fim de frutescer com segurança e
brilhantismo, e será em vão que o pretendente se esforçará por atraí-la antes da
ocasião propícia. Tal insofridez redundará, inapelavelmente, repetimos, em
fenômenos de autossugestão ou o chamado animismo, isto é, a mente do próprio
médium criando aquilo que se faz passar por uma comunicação de Espíritos
desencarnados. Existem mediunidades que do berço se revelam no seu portador, e
estas são as mais seguras, porque as mais positivas, frutos de longas etapas
reencarnatórias, durante as quais os seus possuidores exerceram atividades
marcantes, assim desenvolvendo forças do Perispírito, sede da mediunidade,
vibrando intensamente num e noutro setor da existência e assim adquirindo
vibratilidades acomodatícias do fenômeno. Outras existem ainda em formação
(forças vibratórias frágeis, incompletas, os chamados “agentes negativos”), que
jamais chegarão a se adestrar satisfatoriamente numa só existência, e que se
mesclarão de enxertos mentais do próprio médium em qualquer operosidade tentada,
dando-se também a possibilidade até mesmo da pseudoperturbação mental, ocorrendo
então a necessidade dos estágios em casas de saúde e hospitais psiquiátricos se
se tratar de indivíduos desconhecedores das ciências psíquicas. Por outro lado,
esse tratamento será balsamizante e até necessário, na maioria dos casos, visto
que tais impasses comumente sobrecarregam as células nervosas do paciente,
consumindo ainda grande percentagem de fluidos vitais, etc., etc. [...] (a)
Adolfo Bezerra de Menezes. (PEREIRA, 1989, p. 19-20) (grifo
nosso).
Sentimo-nos no dever de apresentar esse alerta, para evitar que
pessoas desejosas de possuir a mediunidade na forma ampla, ao lerem o que aqui
colocamos, se sintam incentivadas a buscar o seu desenvolvimento mediúnico e,
com isso, acabem trazendo prejuízos psíquicos a si mesmas, cuja responsabilidade
poderia cair sobre nossa cabeça, caso não o fizéssemos.
E
para terminar não podemos deixar de mencionar que é muito comum pessoas,
geralmente que não têm um conhecimento doutrinário mais aprofundado, colocarem
os médiuns, já experientes no labor mediúnico, no alto de um pedestal,
tomando-os como se fossem pessoas especiais, quando, na verdade, não é bem
isso:
Os médiuns, em sua
generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que
fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis
divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas
responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas
vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase
sempre, são espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da
autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para
se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas
luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas, que procuram
arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios,
tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de
condenável insânia. (XAVIER, FEB, 1987c, p. 66-67) (grifo
nosso).
Que
os próprios médiuns não se coloquem no pedestal e exerçam sua atividade
mediúnica com muita humildade, não se deixando embalar pelos mimos desses
companheiros. Ademais, que não se esqueçam da advertência do Mestre Jesus de que
a quem muito foi dado muito será exigido (Lc 12,48).
Paulo
da Silva Neto Sobrinho
julho/2008.
(revisado set/2012)
Referências bibliográficas:
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Conceituação da mediunidade e análise geral dos seus problemas atuais.
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XAVIER, F. C. Emmanuel – Dissertações
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XAVIER, F. C. Evolução em dois mundos.
Rio de Janeiro: FEB, 1987b.
XAVIER, F. C. Mecanismos da mediunidade. Rio de
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XAVIER, F. C. Missionário da Luz. Rio de
Janeiro: FEB, 1986b.
XAVIER, F. C. Nos domínios da mediunidade. Rio de
Janeiro: FEB, 1987a.
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