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LSD, MACONHA E LOUCURA

por cristinatormena

Achei esse texto extremamente elucidativo, escrito por um profissional que lida com o problema diariamente. Deixo aqui como reflexão e estudo. by Cris Alves.

Resultado de imagem para drogas e o espiritual

Do prazer efêmero ao aniquilamento físico e espiritual

Iso Jorge Teixeira
Comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.
Podemos distinguir dois grupos de drogas: as chamadas soft drugs (drogas "leves") e as hard drugs (drogas "pesadas"); assim, as drogas "pesadas" caracterizam-se pelo efeito potente, e por isto, podem levar a umadependência predominantemente física, em que o corpo físico necessita de doses cada vez maiores do preparado e cuja suspensão produz fenômenos de abstinência. Já as drogas "leves" não produzem, em geral, os fenômenos dramáticos de abstinência e não levariam a uma tendência a aumentar a dose, isto é, o que chamamos dependênciapredominantemente psíquica.
Dentre as hard drugs podemos citar as drogas chamadas opióides, como a morfina, a heroína e a metadona. E como exemplos de soft drugs temos o LSD25 e a maconha.
As drogas "leves". Atualmente, muitos usuários de drogas, jovens em geral, usam a maconha de forma moderada e, por isso, acreditam que ela não lhe traria prejuízos psíquicos ou físicos... É comum, hoje, alguns jovens dizerem: –- Eu gosto de fumar maconha, sinto prazer, fumo de vez em quando e não vejo nenhum mal nisso!... Talvez, o que estes jovens não saibam é que as chamadas drogas "leves" - apesar de não serem muito potentes se comparadas às hard drugs - são capazes de levar a graves alterações caracterológicas e, muitas vezes, à loucura, isto é, a estados psicóticos irreversíveis.
LSD e esquizofrenia. Apesar de ser pouco consumido pelos jovens brasileiros, o LSD25 (dietilamida do ácido lisérgico), produz efeitos muito semelhantes aos da maconha, embora muito mais agudos. O LSD25 foi o principal ponto de partida para o tratamento farmacológico, atual, das esquizofrenias, através do conhecimento dos chamados efeitos psicotomiméticos, isto é, dos efeitos imitadores da loucura; o LSD25 provoca o que se denominava modelo de psicose... Uma pessoa que fizer uso de LSD25 apresentará sintomas muito semelhantes aos das esquizofrenias e as fórmulas estruturais dos alucinógenos são muito semelhantes às aminas cerebrais e, como hoje se sabe, a dopamina(uma amina cerebral) está diretamente envolvida na bioquímica cerebral dos esquizofrênicos. Comparando-se as fórmulas dos alucinógenos com as das aminas cerebrais, observa-se que há grande semelhança estrutural e, considerando que tais substâncias agem nos receptores da célula cerebral (neurônio), chegou-se à conclusão de que há na esquizofrenia uma disfunção nos receptores dos neurônios pós-sinápticos; portanto, se a fórmula química do LSD25e da aminas cerebrais são semelhantes, é óbvio que agem semelhantemente nos receptores cerebrais.
Então, cabe a pergunta: o LSD25 pode causar a esquizofrenia?...
Obviamente, as esquizofrenias ocorrem com muito maior freqüência em pessoas que não são usuárias de droga, logo, as drogas não são a causa da doença. Contudo, podemos afirmar com certeza que uma "viagem" provocada pelo LSD25pode desencadear a esquizofrenia. A esquizofrenia é uma das mais graves, talvez a mais grave, das doenças mentais... Enfim, uma "viagem de ida sem volta", embora o tratamento possa deter a evolução do processo.
Por que afirmamos que a esquizofrenia é uma "viagem sem volta"? Porque após cada crise de um esquizofrênico, ele apresentará seqüelas permanentes na sua personalidade, o que denominamos defeito ou estado residual esquizofrênico, em que a pessoa fica com quase total alheamento do meio exterior (autismo), com graves alterações qualitativas na afetividade, no pensamento e nas ações, tornando-se uma caricatura de um ser humano, pois perde o que há de mais importante no homem: o livre-arbítrio; há uma vertigem da liberdade, como diria o filósofo SÖREN KIERKEGAARD. Em resumo: a esquizofrenia é uma doença que pode levar a um quase completo aniquilamento espiritual da pessoa.
Então, outra pergunta que se impõe é: valeria à pena o êxtase, o prazer momentâneo, efêmero, de uma "viagem" proporcionada pelo uso de LSD25 ? Embora as esquizofrenias tenham um componente genético importante, podemos dizer que todos somos passíveis de adoecer de esquizofrenia, pois, às vezes, a expressividade genética não é imediata; por exemplo: se eu sou esquizofrênico, meus filhos e netos podem não apresentar a doença, mas nada impede que meus bisnetos adoeçam de esquizofrenia... Portanto, não sabemos se somos predispostos à esquizofrenia ou não!...
Maconha e esquizofrenia. Não é aconselhável que ninguém faça uso de LSD25 , mesmo ocasionalmente, pois as esquizofrenias surgem como "um raio em céu claro", isto é, a "tempestade" surge sem nenhum sinal precursor. E a maconha poderia também, como o LSD25, propiciar os mesmos riscos? Diremos que sim, a nossa experiência clínica confirma isso... Embora a fórmula química da maconha seja diferente daquela do LSD25 é provável que a maconha altere funcionalmente as aminas cerebrais, nos neurônios. Assim, o delta-9-tetrahidrocannabinol (principal substância ativa da maconha) é capaz de provocar os mesmos sintomas produzidos pelo LSD25, só que em grau menor; a esse respeito, ensina o prof. holandês VAN DEN BERG:
A ação do LSD "parece-se muito com a da marijuana [maconha], mas é mais intensa, mais caprichosa, mais psicótica e tem conseqüências mais duradouras" (J. H. VAN DEN BERG. Pequena Psiquiatria. Edit. Mestre Jou, São Paulo, 1970, p. 143).
Maconha e Espírito. É importante ressaltar-se que não há provas de que a maconha altere, fisicamente, o perispírito do usuário (as pesquisas sobre isso ainda são muito incipientes); mas é indubitável o aniquilamento espiritual dos usuários contumazes: embotamento ético-social (desrespeito pelas normas sociais e desamor crescente àqueles que o rodeiam) e síndrome amotivacional ( desinteresse e falta de motivação quase total pelas atividades quotidianas); assim, a pessoa permanece completamente impossibilitada de cumprir seu compromissos reencarnatórios. Além disso, a pessoa aumentará seus débitos reencarnatórios em função de algumas horas de prazer (com evidente fuga da realidade) e, certamente aqui voltará, provavelmente com provas muito duras, cáusticas mesmo, pois insidiosamente essas pessoas vão caindo "nos braços de MORFEU", só que neste caso MORFEU não é o mito do sono, propriamente dito, e sim de um sono espiritual, da invigilância. JESUS disse: Vigiai e orai; este preceito tem múltiplas aplicações...
Que o jovem siga esse conselho de JESUS - mesmo que use drogas só ocasionalmente -, posto que o usuário de drogas está preocupado unicamente com os prazeres sensuais, da carne, esquecendo-se dos seus deveres espirituaiscomo filhos, como irmãos, como pais, como seres humanos enfim, em toda sua inteireza espiritual. Muitas vezes esses jovens não praticam o mal inicialmente, mas estarão perdendo um precioso tempo ao se distanciarem da família, do bem que poderiam trazer à Sociedade... Como disseram os Espíritos Superiores sobre a vida contemplativa:
"(...) se não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal".(cf. resp. à questão 657 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC, ab initium) e o complemento disso está na resposta à questão 769 (op. cit.):
"(...) Deus não pode considerar agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém".
Epílogo. Temos plena certeza de que uma pessoa que tivesse a convicção dos princípios doutrinários espíritas, que fosse levada circunstancialmente ao uso de drogas, não continuaria esse uso, pois no silêncio do seu quarto, ao realizar a sua prece, perguntaria: qual o bem que fiz hoje? Fui útil a alguém?...
Na prevenção do uso de drogas é extremamente importante a harmonia familiar, isto é destacado por todos. Em contrapartida, comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem, tolerados socialmente por algumas pessoas, podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.
Em síntese, além dos riscos reais proporcionados pelo uso de drogas, os prazeres efêmeros daí advindos são nulos ante os prazeres espirituais, permanentes.
Iso Jorge TeixeiraCREMERJ: 52-14472-7
Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
cristinatormena | 28 de abril de 2017 às 13:34 | Categorias: Sem categoria | URL: http://wp.me/p6CoVr-32s
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