Ex seminarista, com estudos, cursos diversos na amada UMBANDA incluindo o de teologia, praticante desde 1978; vi a necessidade de poder repassar o que aprendo todos dias, quer sejam textos, cursos, vídeos, e-books, aos que possam desejar, sem compromisso algum com quem quer que seja a não ser a DIVULGAÇÃO DE NOSSA AMADA UMBANDA. Se desejarem contato: acevangel@gmail.com
segunda-feira, 9 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
COLETÂNEAS ESSENCIAIS: SEU DEUS NÃO É DEUS
COLETÂNEAS ESSENCIAIS: SEU DEUS NÃO É DEUS: Ser teísta ou ateu, para mim, são ambos absurdos. Se você soubesse o que a verdade é, o que Deus é, não seria nem teísta nem ateu, pois n...
quinta-feira, 5 de junho de 2014
O Pequeno Aborrecimento
O rapaz consultava o relógio, de segundo a segundo, deixando perceber a pressa que o levava a movimentar-se rápido, mas o amigo, segurando-lhe o braço, parecia desvelar-se em transmitir-lhe todas as minudências de um caso absolutamente sem importância.
Contrafeito com a insistência da conversação aborrecida e inútil, o jovem ouvia o companheiro, por espírito de gentileza, quando o veículo largou sem ele.
Daí a alguns minutos, porém, correu inquietante a notícia.
A máquina estava sendo guiada por um condutor embriagado e precipitara-se num despenhadeiro, espatifando-se.
Ouvindo com paciência uma palestra incômoda, o moço fora salvo de triste desastre.
O jovem refletiu sobre a ocorrência e chegou à conclusão de que, muitas vezes, a Vontade Divina se manifesta, em nosso favor, nas pequenas contrariedades do caminho, ajudando-nos a cumprir nossos mais simples deveres, e passou a considerar, com mais respeito e atenção, as circunstâncias inesperadas que nos surgem à frente, na esfera dos nossos deveres de cada dia.
* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso.Ditado pelo Espírito Meimei.
19a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
CULTURA ESPÍRITAJ.
Herculano Pires in
O Espírito e o Tempo. 4.ª Parte. A Prática
Mediúnica, Cap. III, 7.ª ed. Sobradinho: Edicel, 1995.
A Cultura Espírita, como observou
Humberto Mariotti, filósofo e poeta espírita argentino, é uma realidade
bibliográfica, edificada no plano das pesquisas e dos estudos. Socialmente se
reduzia uma parte mínima do movimento espírita mundial, pois a maioria dos
espíritas a desconhece. Compreende-se que isso acontece em conseqüência das
campanhas deformadoras e difamatórias das Igrejas e das Instituições
Científicas, especialmente as de Medicina, contra o Espiritismo. Mas grande
parte da culpa cabe aos próprios espíritas cultos, que, em sua maioria, se
mostraram displicentes, por acomodação indébita ou preguiça mental. Por outro
lado, a vaidade e o pedantismo intelectual de muitos espíritas os afastaram das
pesquisas sobre os mais importantes aspectos da doutrina, para se entregarem a
elucubrações pessoais gratuitas, dispersivas e não raro absurdas. O desejo
vaidoso de brilhar aos olhos vazios do mundo levou muitos deles a querer adaptar
o Espiritismo às conquistas científicas modernas, ao invés de mostrarem a
subordinação dessas conquistas ao esquema doutrinário. Outros quiseram
atrevidamente atualizar a doutrina e outros ainda se aventuraram a corrigir
Kardec. Essas atitudes não deram o proveito pessoal que desejavam e serviram
apenas para incentivar as mistificações.
Toda nova cultura nasce da
anterior. Das culturas anteriores nasceu a cultura moderna, carregada de
contribuições antigas. Mas o aceleramento da evolução cultural a partir da II
Guerra Mundial fez eclodir quase de surpresa a Era Tecnológica. O materialismo
atingiu o seu ápice e explodiu para que as entranhas da matéria revelassem o seu
segredo. E esse segredo confirmou a validade da Cultura Espírita marginalizada
no plano bibliográfico. Começou assim o desabrochar de uma Nova Civilização, que
é a Civilização do Espírito. “A finalidade da Educação — escreveu
Hubert — é instalar na Terra, pela solidariedade de consciências, a
República dos Espíritos”. Essa foi a proclamação da Nova Era, feita na
França de Kardec, na Paris da sua batalha pelo Espiritismo.
Mas para que uma civilização se
desenvolva é necessária a integração dos homens nos seus princípios e
pressupostos. Uns e outros se encontram nos livros de Kardec, mas se esses
livros não forem realmente estudados, investigados na intimidade profunda dos
textos e transformados em pensamento vivo na realidade social, a civilização não
passará de uma utopia ou de uma deformação da realidade sonhada. Por mais frágil
e efêmero que seja o homem na sua existência, é ele que dá vida ao presente e ao
futuro, é ele o demiurgo que modela os mundos. Para o homem espírita construir a
Civilização do Espírito é necessário que a viva em si mesmo, na sua consciência
e na sua carne, pois é nesta que a relação da consciência com o mundo se
realiza. E para isso não bastam os livros, é necessário o concurso de todos os
meios de comunicação: a palavra, a imprensa, o rádio, a televisão, e mais ainda,
a prática intensiva e coletiva dos princípios doutrinários de maneira correta e
fiel. Se o homem espírita de hoje não compreender isso e dormir sobre os louros
literários, a Civilização Espírita abortará ou será transformada numa simples
caricatura da fórmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo. É disto que
os espíritas precisam tomar consciência com urgência. Ou acordam para a
gravidade do problema ou serão esmagados pelo avanço irrefreável dos
acontecimentos no tempo.
A idéia comodista de que Deus faz
e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar no Espiritismo. Pelo contrário,
neste se sabe que o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens
capazes de captar a sua vontade e executá-la. Não há milagres nem ações mágicas
na Natureza, onde a vontade de Deus se cumpre através dos Espíritos, desde o
controle das formações atômicas até o crescimento dos vegetais. Dizia Talles de
Mileto, o filósofo vidente, que o mundo está cheio de deuses que trabalham em
toda a Natureza, e deuses, para os gregos, eram espíritos. Kardec repetiu em
outros termos e de maneira mais explícita e minuciosa essa mesma verdade. No
mundo humano os Espíritos se encarnam, fazem-se homens para modelá-lo. Cada
espírito encarnado trás consigo sua tarefa e a sua responsabilidade individual e
intransferível. O que não cumpre o seu dever, fracassa. Não há outra
alternativa. O fracasso da maioria dos cristãos resultou na falência quase total
do Cristianismo. O que se salvou foi o pouco que alguns fizeram. E a partir
desse pouco, dois mil anos depois da pregação do Cristo e do seu exemplo de
abnegação total, foi que Kardec partiu para a arrancada espírita. O exemplo da
França é uma advertência aos brasileiros. A hipnose materialista absorveu os
franceses no imediato e o Espiritismo quase se apagou de todo nos campos
arroteados por Kardec, Denis, Flammarion, Delanne e tantos outros. A intensa e
comovente batalha de Léon Denis, na França e em toda a Europa, nos congressos
espíritas e espiritualistas de fins do século XIX e primeiro quarto do nosso
século foi contra as infiltrações de doutrinas estranhas, de espiritualismos
rebarbativos, no meio espírita. Foi gigantesco o esforço do famoso Druida da
Lorena, como Conan Doyle o chamava, para mostrar que o Espiritismo era uma nova
concepção do homem e da vida, que não se podia confundir com as escolas
espiritualistas ancestrais, carregadas de superstições e princípios
individualmente afirmados ou provindos de tradições longínquas, sem nenhuma base
de critério científico. O mesmo acontece hoje entre nós, sob a complacência de
instituições representativas da doutrina e o apoio fanático de lideres
carismáticos, piegos espirituais e alucinados mentais a dirigir multidões de
cegos.
Todas as tentativas de correção
dessa situação perigosa se chocam com a frieza irresponsável dos que se dizem
responsáveis pelo desenvolvimento doutrinário. E a passividade da massa
espírita, anestesiada pelo sonho da salvação pessoal, do valor mágico da
tolerância bastarda, da crença ingênua do valor sobrenatural das esmolas pífias
(o óbolo da viúva dado por casais de contas comuns nos bancos), vai minando em
silêncio o legado de Kardec. O medo do pecado que saí da boca, da pena ou das
teclas — enquanto se come e bebe à farta, semeiam-se migalhas aos pobres e
dorme-se na bem-aventurança das longas digestões — faz desaparecer do meio
espírita o diálogo do passado recente, substituindo o coro dos debates pelo
silêncio místico das bocas-de-siri. Ninguém fala para não pecar e peca por não
falar, por não espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras
que destroem a seara.
A imprensa espírita, que devia ser
uma labareda, é um foco de infestação, semeando as mistificações de Roustaing,
Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repetição cansativa de velhos e
surrados slogans, enquanto as terras secas se esterilizam abandonadas. O óbolo
da viúva não cai nos cofres do Templo, mas nos desvãos do chão rachado pela
secura maior dos corações, como lembrou Constâncio Vigil.
À margem dessa imprensa paroquial,
feita para alimentar a família, os jornais que surgem em condições de mostrar ao
grande público a grandeza e o esplendor da Doutrina morrem de inanição, enquanto
jornais mistificadores, preparados com os condimentos da imprensa
sensacionalista e louvaminheira, ou temperados com bocas-de-siri (quanto mais
fechadas, mais gostosas) são mantidos pela renda de instituições comerciais ou
por interesses marginais.
As escolas espíritas marcam passo
na estrada comum. Os programas de rádio são sufocados por adulteradores e
substituídos por improvisações acomodatícias. A televisão só se abre para
sensacionalismos deturpadores. Os recursos financeiros se são empregados na
caderneta de poupança da caridade visível, que no invisível rende juros e
correções monetárias. As iniciativas editoriais corajosas - como o lançamento de
toda a coleção da Revista Espírita (*) - morrem
asfixiadas pelo encalhe, ante o desinteresse de um público apático. Os hospitais
Espíritas transformam-se em organizações comuns, mantidos pelas verbas oficiais
de socorro a doentes que podem carreá-las aos seus cofres, a antiga e legítima
caridade espírita de anos atrás, sustentada por alguns abnegados que já passaram
para o Além, murcha como flor de guanxuma em pastos ressequidos. Restam apenas,
nessa paisagem desoladora, alguns pequenos oásis sustentados pelos últimos e
pobres abencerragens (**) de uma velha estirpe desaparecida.
É necessário que se diga tudo
isso, que se escreva e semeie essa verdade dolorosa, para que toque os corações,
na esperança de uma reação que talvez não se verifique, mas que pelo menos se
tenta despertar. Na hora decisiva da colheita, as geadas da indiferença e as
parasitas do comodismo ameaçam as mínimas esperanças de antigos e cansados
lavradores. Apesar disso, os que ainda resistem não podem abandonar os seus
postos. É necessário lutar, pois o pouco que se possa salvar poderá ser a
garantia de melhores dias. O homem, as gerações humanas morrem no tempo, mas o
espírito, não. O tempo é o campo de batalha em que os vencidos tombam para
ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? A consciência
humana amadurece na temporalidade. A esperança espírita não repousa na
fragilidade humana, mas nas potencialidades do espírito, que se atualizam no
fogo das experiências existenciais. Curta é a vida, longo é o tempo, e a Verdade
intemporal aguarda a todos no impassível Limiar do Eterno. O homem é incoerência
e paixão, labareda esquiva que se apaga nas cinzas, mas o espírito é a centelha
oculta que nunca se apaga e reacenderá a chama quantas vezes for necessário,
para que a serenidade, a coerência e o amor o resgatem na duração dos séculos e
dos milênios.
Todas as Civilizações da Terra se
desenvolveram, numa assombrosa sucessão de sombra e luz, para que um dia — o Dia
do Senhor, de que falavam os antigos hebreus — a Civilização do Espírito se
instale no planeta martirizado pelas tropelias da insensatez humana. Então
teremos o Novo Céu e a Nova Terra da profecia milenar. Os que não se tornarem
dignos da promessa continuarão a esperar e a amadurecer nas estufas dos mundos
inferiores, purgando os resíduos da animalidade. Essa é a lei inviolável da
Antropologia Espírita.
(*) Atualmentea coleção da
Revista Espírita apresenta grande circulação face ao
criterioso valor elucitativo e doutrinário. Conheça esta coleção acionando este
endereço eletrônico: http://www.aeradoespirito.net/CodifEspiritaIND/RevistaEspirita.html.
(**) Indivíduos que se mostram de
extrema dedicação a uma causa; são os derradeiros paladinos de uma idéia.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
LOCAIS
ASSOMBRADOS
Estudo
com base in Allan Kardec, O Livro dos Médiuns,
Segunda
Parte - Capítulo IX: Locais Assombrados, item 132.
Pesquisa: Elio
Mollo
Em
30/05/2014
As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a
insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares,
são a origem da crença nos locais assombrados. Este é o tema deste nosso
estudo:
O apego dos Espíritos a pessoas ou a alguma coisa depende da elevação
moral do Espírito. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os
avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as sua riquezas e não estão
suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e
guardá-los.
A predileção dos Espíritos errantes por certos lugares, trata-se ainda do
mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os
lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objetos
materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por
certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.
Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade,
não significa que também sejam maus espíritos. Um Espírito pode ser pouco
adiantado sem que por isso seja mau. É o que acontece também entre os
homens.
A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas não
tem fundamento. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a
imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos
Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não
nos fez tomar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal o
sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso
preferem os lugares habitados aos abandonados.
Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos
Espíritos, devem existir misantropos entre eles, que podem preferir a solidão.
Por isso dissemos que podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É
evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não
quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o
certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo
dos bosques.
Dizem que as crenças populares, em geral, têm um fundo de verdade a
existência de lugares assombrados. Então, o fundo de verdade, nesse caso, é a
manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto espiritual,
desde todos os tempos. Mas, como já dissemos, o aspecto dos lugares lúgubres
toca a imaginação humana e ele os povoa naturalmente com os seres que considera
sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e
pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância.
(1)
Os Espíritos que se reúnem não escolhem para isso dias e horas de sua
predileção. Os dias e as horas são usados pelo homem para controle do
tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a
respeito.
A origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite é a
impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças
são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O
mesmo se dá com a crença em dias e horas mais propícias. A influência da
meia-noite jamais existiu a não ser nos contos.
Certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para a
meia-noite e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo, mas estes
são Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela
mesma razão que uns se fazem passar pelo diabo ou por nomes infernais. Se
demostrarmos a esta categoria de Espíritos que não somos tolos eles não voltarão
mais para se manifestar com essas intenções esdrúxulas.
Os Espíritos podem comparecer aos seus túmulos em atenção aos seus entes
queridos e amigos. Entendem que o corpo lhe era apenas uma veste. Eles não ligam
mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A
lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor. É a
prece que santifica o ato de lembrar, daqueles que visitam seus túmulos, pouco
importa o lugar se a lembrança é ditada pelo coração. (2)
A prece é uma evocação que atrai os Espíritos. A prece tem tanto maior
ação, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as
pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho
de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o
pensamento que age sobre o Espírito e não os objetos materiais. Esses objetos
influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o
Espírito.
Certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais, também, podem
sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as
razões que os levaram a isso. As razões que podem levá-los a isso são a simpatia
por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem
com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se
trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais têm
queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma
punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram um crime, para que
tenham como expiação esse crime diante dos olhos. (3)
Os locais podem ficar assombrados, algumas vezes, por seus antigos
moradores, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não
ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que
assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho. Também, pode
acontecer de serem atraídos pela simpatia por alguma pessoa. Se são Espíritos
bons, eles poderão fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família,
mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.
Estórias como a Dama Branca, geralmente, são contos extraídos de mil
fatos que realmente se verificaram. (4)
Os Espíritos que assombram
certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da
credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Não podemos esquecer
que existem Espíritos por toda parte e de que onde estivermos, teremos Espíritos
ao nosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas
habitações porque encontram nelas as condições e as oportunidades para
manifestarem as suas presenças. (5)
Existe meio de afastá-los, mas quase sempre o que se faz para afastá-los
serve mais para atrai-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é
atraindo os bons. Os bons pensamentos e as boas ações naturalmente atraem os
bons Espíritos, sendo assim, fazendo o maior bem possível, os maus Espíritos não
terão condições de permanecer no local e naturalmente se afastarão, pois o bem e
o mal são incompatíveis. Se praticarmos sempre o bem só teremos bons Espíritos
ao nosso lado e estes não praticam assombrações, ao contrário, agem como
protetores promovendo um clima saudável e agradável nos lares como em qualquer
outro local.
Dizem que existem pessoas muito boas que vivem às voltas com as tropelias
dos maus Espíritos. Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser prova
para exercitar-lhes a paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas há
também aqueles parecem bons por fora e tentam mostrar virtudes que ainda não
possuem, pois, os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada
falam a respeito.
A prática do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais
assombrados, na maioria das vezes tem resultados contrários, as tropelias dos
Espíritos, podem redobrar-se após essas cerimônias de exorcismo. E eles se
divertem ao serem tomados pelo diabo. A força, para afastar os maus espíritos,
está na autoridade que se pode exercer sobre eles e tal autoridade está
subordinada à superioridade moral. É como o sol, dissipa o nevoeiro pela força
de seu raios. Assim, é bom esforçarmo-nos, tornando-nos melhores a cada dia,
numa palavra, elevarmo-nos moralmente o mais possível. Tal é o meio de adquirir
o poder de comandar os Espíritos inferiores, para afastá-los. Do contrário
zombarão de nossas injunções. (6)
Os Espíritos que não têm más intenções podem também manifestar a sua
presença por meio de ruídos ou mesmo tornar-se visíveis, mas não fazem jamais
tropelias incômodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podemos
aliviá-los fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos
benevolentes que desejam provar a sua presença junto a nós, ou, por fim,
Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos
são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que
fazem. Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou
impacientar.
Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos
locais e neles permanecem de preferência, mas não têm necessidade de manifestar
a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada
obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais
haja produzido alguma manifestação.
Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são
superiores, mas por não serem superiores não têm de ser maus ou de alimentar más
intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que
prejudiciais, pois caso se interessem pela pessoas podem
protegê-las.
NOTAS:
(1) O
instinto a que o Espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a
lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra. er,
no capitulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número
522, e na edição da LAKE, a nota do tradutor no fim do capitulo. Deve-se ainda
observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos
infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural.
(Nota de
J. Herculano Pires)
(2) Ver
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, Cap. VI,
Comemoração dos Mortos - Funerais, questão 323.
(3) Ver
Revista Espírita de fevereiro de 1860: História de um
danado (N. de Kardec). - O caos mencionado não só confirma a explicação
acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa
espírita realizada por Kardec. Indispensável a sua leitura para a boa
compreensão do problema tratado neste capítulo. (Nota de
J. Herculano Pires)
(4) A Dama
de Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em
lendas populares. (Nota de
J. Herculano Pires)
(5) O
filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os
deuses antigos eram Espíritos, segundo explica o Espiritismo. A afirmação de
Tales concorda com a resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em
O Livro dos Espíritos o cap. IX segunda parte: Intervenção dos
Espíritos no Mundo Corpóreo. (Nota de J. Herculano Pires)
(6) Ver
Allan Kardec, Revista Espírita, dezembro 1862, Causas da
Obsessão e meios de Combate (Estudos sobre os possessos de Morzine).
LOCAIS
ASSOMBRADOS
Estudo
com base in Allan Kardec, O Livro dos Médiuns,
Segunda
Parte - Capítulo IX: Locais Assombrados, item 132.
Pesquisa: Elio
Mollo
Em
30/05/2014
As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a
insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares,
são a origem da crença nos locais assombrados. Este é o tema deste nosso
estudo:
O apego dos Espíritos a pessoas ou a alguma coisa depende da elevação
moral do Espírito. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os
avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as sua riquezas e não estão
suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e
guardá-los.
A predileção dos Espíritos errantes por certos lugares, trata-se ainda do
mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os
lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objetos
materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por
certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.
Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade,
não significa que também sejam maus espíritos. Um Espírito pode ser pouco
adiantado sem que por isso seja mau. É o que acontece também entre os
homens.
A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas não
tem fundamento. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a
imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos
Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não
nos fez tomar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal o
sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso
preferem os lugares habitados aos abandonados.
Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos
Espíritos, devem existir misantropos entre eles, que podem preferir a solidão.
Por isso dissemos que podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É
evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não
quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o
certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo
dos bosques.
Dizem que as crenças populares, em geral, têm um fundo de verdade a
existência de lugares assombrados. Então, o fundo de verdade, nesse caso, é a
manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto espiritual,
desde todos os tempos. Mas, como já dissemos, o aspecto dos lugares lúgubres
toca a imaginação humana e ele os povoa naturalmente com os seres que considera
sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e
pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância.
(1)
Os Espíritos que se reúnem não escolhem para isso dias e horas de sua
predileção. Os dias e as horas são usados pelo homem para controle do
tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a
respeito.
A origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite é a
impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças
são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O
mesmo se dá com a crença em dias e horas mais propícias. A influência da
meia-noite jamais existiu a não ser nos contos.
Certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para a
meia-noite e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo, mas estes
são Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela
mesma razão que uns se fazem passar pelo diabo ou por nomes infernais. Se
demostrarmos a esta categoria de Espíritos que não somos tolos eles não voltarão
mais para se manifestar com essas intenções esdrúxulas.
Os Espíritos podem comparecer aos seus túmulos em atenção aos seus entes
queridos e amigos. Entendem que o corpo lhe era apenas uma veste. Eles não ligam
mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A
lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor. É a
prece que santifica o ato de lembrar, daqueles que visitam seus túmulos, pouco
importa o lugar se a lembrança é ditada pelo coração. (2)
A prece é uma evocação que atrai os Espíritos. A prece tem tanto maior
ação, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as
pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho
de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o
pensamento que age sobre o Espírito e não os objetos materiais. Esses objetos
influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o
Espírito.
Certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais, também, podem
sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as
razões que os levaram a isso. As razões que podem levá-los a isso são a simpatia
por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem
com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se
trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais têm
queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma
punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram um crime, para que
tenham como expiação esse crime diante dos olhos. (3)
Os locais podem ficar assombrados, algumas vezes, por seus antigos
moradores, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não
ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que
assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho. Também, pode
acontecer de serem atraídos pela simpatia por alguma pessoa. Se são Espíritos
bons, eles poderão fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família,
mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.
Estórias como a Dama Branca, geralmente, são contos extraídos de mil
fatos que realmente se verificaram. (4)
Os Espíritos que assombram
certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da
credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Não podemos esquecer
que existem Espíritos por toda parte e de que onde estivermos, teremos Espíritos
ao nosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas
habitações porque encontram nelas as condições e as oportunidades para
manifestarem as suas presenças. (5)
Existe meio de afastá-los, mas quase sempre o que se faz para afastá-los
serve mais para atrai-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é
atraindo os bons. Os bons pensamentos e as boas ações naturalmente atraem os
bons Espíritos, sendo assim, fazendo o maior bem possível, os maus Espíritos não
terão condições de permanecer no local e naturalmente se afastarão, pois o bem e
o mal são incompatíveis. Se praticarmos sempre o bem só teremos bons Espíritos
ao nosso lado e estes não praticam assombrações, ao contrário, agem como
protetores promovendo um clima saudável e agradável nos lares como em qualquer
outro local.
Dizem que existem pessoas muito boas que vivem às voltas com as tropelias
dos maus Espíritos. Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser prova
para exercitar-lhes a paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas há
também aqueles parecem bons por fora e tentam mostrar virtudes que ainda não
possuem, pois, os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada
falam a respeito.
A prática do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais
assombrados, na maioria das vezes tem resultados contrários, as tropelias dos
Espíritos, podem redobrar-se após essas cerimônias de exorcismo. E eles se
divertem ao serem tomados pelo diabo. A força, para afastar os maus espíritos,
está na autoridade que se pode exercer sobre eles e tal autoridade está
subordinada à superioridade moral. É como o sol, dissipa o nevoeiro pela força
de seu raios. Assim, é bom esforçarmo-nos, tornando-nos melhores a cada dia,
numa palavra, elevarmo-nos moralmente o mais possível. Tal é o meio de adquirir
o poder de comandar os Espíritos inferiores, para afastá-los. Do contrário
zombarão de nossas injunções. (6)
Os Espíritos que não têm más intenções podem também manifestar a sua
presença por meio de ruídos ou mesmo tornar-se visíveis, mas não fazem jamais
tropelias incômodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podemos
aliviá-los fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos
benevolentes que desejam provar a sua presença junto a nós, ou, por fim,
Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos
são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que
fazem. Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou
impacientar.
Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos
locais e neles permanecem de preferência, mas não têm necessidade de manifestar
a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada
obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais
haja produzido alguma manifestação.
Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são
superiores, mas por não serem superiores não têm de ser maus ou de alimentar más
intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que
prejudiciais, pois caso se interessem pela pessoas podem
protegê-las.
NOTAS:
(1) O
instinto a que o Espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a
lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra. er,
no capitulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número
522, e na edição da LAKE, a nota do tradutor no fim do capitulo. Deve-se ainda
observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos
infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural.
(Nota de
J. Herculano Pires)
(2) Ver
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, Cap. VI,
Comemoração dos Mortos - Funerais, questão 323.
(3) Ver
Revista Espírita de fevereiro de 1860: História de um
danado (N. de Kardec). - O caos mencionado não só confirma a explicação
acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa
espírita realizada por Kardec. Indispensável a sua leitura para a boa
compreensão do problema tratado neste capítulo. (Nota de
J. Herculano Pires)
(4) A Dama
de Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em
lendas populares. (Nota de
J. Herculano Pires)
(5) O
filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os
deuses antigos eram Espíritos, segundo explica o Espiritismo. A afirmação de
Tales concorda com a resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em
O Livro dos Espíritos o cap. IX segunda parte: Intervenção dos
Espíritos no Mundo Corpóreo. (Nota de J. Herculano Pires)
(6) Ver
Allan Kardec, Revista Espírita, dezembro 1862, Causas da
Obsessão e meios de Combate (Estudos sobre os possessos de Morzine).
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