domingo, 8 de junho de 2014

COLETÂNEAS ESSENCIAIS: SEU DEUS NÃO É DEUS

COLETÂNEAS ESSENCIAIS: SEU DEUS NÃO É DEUS: Ser teísta ou ateu, para mim, são ambos absurdos. Se você soubesse o que a verdade é, o que Deus é, não seria nem teísta nem ateu, pois n...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Polêmica: Pastor diz que espirito do demônio fez a santa chorar no velório

O Pequeno Aborrecimento

Um moço de boas maneiras, incapaz de ofender os que lhe buscavam o concurso amigo, sempre meditava na Vontade de Deus, disposto a cumpri-la.Certa vez, muito preocupado com o horário, aproximou-se de um pequeno ônibus, com a intenção de aproveitá-lo para a travessia de extenso trecho da cidade em que morava, mas, no momento exato em que o ia fazer, surgiu-lhe à frente um vizinho, que lhe prendeu a atenção para longa conversa.
O rapaz consultava o relógio, de segundo a segundo, deixando perceber a pressa que o levava a movimentar-se rápido, mas o amigo, segurando-lhe o braço, parecia desvelar-se em transmitir-lhe todas as minudências de um caso absolutamente sem importância.
Contrafeito com a insistência da conversação aborrecida e inútil, o jovem ouvia o companheiro, por espírito de gentileza, quando o veículo largou sem ele.
Daí a alguns minutos, porém, correu inquietante a notícia.
A máquina estava sendo guiada por um condutor embriagado e precipitara-se num despenhadeiro, espatifando-se.
Ouvindo com paciência uma palestra incômoda, o moço fora salvo de triste desastre.
O jovem refletiu sobre a ocorrência e chegou à conclusão de que, muitas vezes, a Vontade Divina se manifesta, em nosso favor, nas pequenas contrariedades do caminho, ajudando-nos a cumprir nossos mais simples deveres, e passou a considerar, com mais respeito e atenção, as circunstâncias inesperadas que nos surgem à frente, na esfera dos nossos deveres de cada dia.

* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso.
Ditado pelo Espírito Meimei.
19a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
CULTURA ESPÍRITAJ. Herculano Pires in O Espírito e o Tempo. 4.ª Parte. A Prática Mediúnica, Cap. III,  7.ª ed. Sobradinho: Edicel, 1995.
 
A Cultura Espírita, como observou Humberto Mariotti, filósofo e poeta espírita argentino, é uma realidade bibliográfica, edificada no plano das pesquisas e dos estudos. Socialmente se reduzia uma parte mínima do movi­mento espírita mundial, pois a maioria dos espíritas a desconhece. Compreende-se que isso acontece em conseqüência das campanhas deformadoras e difamatórias das Igrejas e das Instituições Científicas, especialmente as de Medicina, contra o Espiritismo. Mas grande parte da culpa cabe aos próprios espíritas cultos, que, em sua maioria, se mostraram displicentes, por acomodação indébita ou preguiça mental. Por outro lado, a vaidade e o pedantismo intelectual de muitos espíritas os afastaram das pesquisas sobre os mais importantes aspectos da doutrina, para se entregarem a elucubrações pessoais gratuitas, dispersivas e não raro absurdas. O desejo vaidoso de brilhar aos olhos vazios do mundo levou muitos deles a querer adaptar o Espiritismo às conquistas científicas modernas, ao invés de mostrarem a subordinação dessas conquistas ao esquema doutrinário. Outros quiseram atrevidamente atualizar a dou­trina e outros ainda se aventuraram a corrigir Kardec. Essas atitudes não deram o proveito pessoal que desejavam e serviram apenas para incentivar as mistificações.
 
Toda nova cultura nasce da anterior. Das culturas anteriores nasceu a cultura moderna, carregada de contribuições antigas. Mas o aceleramento da evolução cultural a partir da II Guerra Mundial fez eclodir quase de surpresa a Era Tecnológica. O materialismo atingiu o seu ápice e explodiu para que as entranhas da matéria revelassem o seu segredo. E esse segredo confirmou a validade da Cultura Espírita marginalizada no plano bibliográfico. Começou assim o desabrochar de uma Nova Civilização, que é a Civilização do Espírito. “A finalidade da Educação — escreveu Hubert — é instalar na Terra, pela solidariedade de consciências, a República dos Espíritos”. Essa foi a proclamação da Nova Era, feita na França de Kardec, na Paris da sua batalha pelo Espiritismo.
 
Mas para que uma civilização se desenvolva é necessária a integração dos homens nos seus princípios e pressupostos. Uns e outros se encontram nos livros de Kardec, mas se esses livros não forem realmente estudados, investigados na intimidade pro­funda dos textos e transformados em pensamento vivo na realidade social, a civilização não passará de uma utopia ou de uma deformação da realidade sonhada. Por mais frágil e efêmero que seja o homem na sua existência, é ele que dá vida ao presente e ao futuro, é ele o demiurgo que modela os mundos. Para o homem espírita construir a Civilização do Espírito é necessário que a viva em si mesmo, na sua consciência e na sua carne, pois é nesta que a relação da consciência com o mundo se realiza. E para isso não bastam os livros, é necessário o concurso de todos os meios de comunicação: a palavra, a imprensa, o rádio, a televisão, e mais ainda, a prática intensiva e coletiva dos princípios doutrinários de maneira correta e fiel. Se o homem espírita de hoje não compreender isso e dormir sobre os louros literários, a Civilização Espírita abortará ou será transformada numa simples caricatura da fórmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo. É disto que os espíritas precisam tomar consciência com urgência. Ou acordam para a gravidade do problema ou serão esmagados pelo avanço irrefreável dos acontecimentos no tempo.
 
A idéia comodista de que Deus faz e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar no Espiritismo. Pelo contrário, neste se sabe que o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens capazes de captar a sua vontade e executá-la. Não há milagres nem ações mágicas na Natureza, onde a vontade de Deus se cumpre através dos Espíritos, desde o controle das formações atômicas até o crescimento dos vegetais. Dizia Talles de Mileto, o filósofo vidente, que o mundo está cheio de deuses que trabalham em toda a Natureza, e deuses, para os gregos, eram espíritos. Kardec repetiu em outros termos e de maneira mais explícita e minuciosa essa mesma verdade. No mundo humano os Espíritos se encarnam, fazem-se homens para modelá-lo. Cada espírito encarnado trás consigo sua tarefa e a sua responsabilidade individual e intransferível. O que não cumpre o seu dever, fracassa. Não há outra alternativa. O fracasso da maioria dos cristãos resultou na falência quase total do Cristianismo. O que se salvou foi o pouco que alguns fizeram. E a partir desse pouco, dois mil anos depois da pregação do Cristo e do seu exemplo de abnegação total, foi que Kardec partiu para a arrancada espírita. O exemplo da França é uma advertência aos brasileiros. A hipnose materialista absorveu os franceses no imediato e o Espiritismo quase se apagou de todo nos campos arroteados por Kardec, Denis, Flammarion, Delanne e tantos outros. A intensa e comovente batalha de Léon Denis, na França e em toda a Europa, nos congressos espíritas e espiritualistas de fins do século XIX e primeiro quarto do nosso século foi contra as infiltrações de doutrinas estranhas, de espiritualismos rebarbativos, no meio espírita. Foi gigantesco o esforço do famoso Druida da Lorena, como Conan Doyle o chamava, para mostrar que o Espiritismo era uma nova concepção do homem e da vida, que não se podia confundir com as escolas espiritualistas ancestrais, carregadas de superstições e princípios individualmente afirmados ou provindos de tradições longínquas, sem nenhuma base de critério científico. O mesmo acontece hoje entre nós, sob a complacência de instituições representativas da doutrina e o apoio fanático de lideres carismáticos, piegos espirituais e alucinados mentais a dirigir multidões de cegos.
 
Todas as tentativas de correção dessa situação perigosa se chocam com a frieza irresponsável dos que se dizem responsáveis pelo desenvolvimento doutrinário. E a passividade da mas­sa espírita, anestesiada pelo sonho da salvação pessoal, do valor mágico da tolerância bastarda, da crença ingênua do valor sobrenatural das esmolas pífias (o óbolo da viúva dado por casais de contas comuns nos bancos), vai minando em silêncio o legado de Kardec. O medo do pecado que saí da boca, da pena ou das teclas — enquanto se come e bebe à farta, semeiam-se migalhas aos pobres e dorme-se na bem-aventurança das longas digestões — faz desaparecer do meio espírita o diálogo do passado recente, substituindo o coro dos debates pelo silêncio místico das bocas-de-siri. Ninguém fala para não pecar e peca por não falar, por não espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras que destroem a seara.
 
A imprensa espírita, que devia ser uma labareda, é um foco de infestação, semeando as mistificações de Roustaing, Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repetição cansativa de velhos e surrados slogans, enquanto as terras secas se esterilizam abandonadas. O óbolo da viúva não cai nos cofres do Templo, mas nos desvãos do chão rachado pela secura maior dos corações, como lembrou Constâncio Vigil.
 
À margem dessa imprensa paroquial, feita para alimentar a família, os jornais que surgem em condições de mostrar ao grande público a grandeza e o esplendor da Doutrina morrem de inanição, enquanto jornais mistificadores, preparados com os condimentos da imprensa sensacionalista e louvaminheira, ou temperados com bocas-de-siri (quanto mais fechadas, mais gostosas) são mantidos pela renda de instituições comerciais ou por interesses marginais.
 
As escolas espíritas marcam passo na estrada comum. Os programas de rádio são sufocados por adulteradores e substituí­dos por improvisações acomodatícias. A televisão só se abre para sensacionalismos deturpadores. Os recursos financeiros se são empregados na caderneta de poupança da caridade visível, que no invisível rende juros e correções monetárias. As iniciativas editoriais corajosas - como o lançamento de toda a coleção da Revista Espírita (*) - morrem asfixiadas pelo encalhe, ante o desinteresse de um público apático. Os hospitais Espíritas trans­formam-se em organizações comuns, mantidos pelas verbas oficiais de socorro a doentes que podem carreá-las aos seus cofres, a antiga e legítima caridade espírita de anos atrás, sustentada por alguns abnegados que já passaram para o Além, murcha como flor de guanxuma em pastos ressequidos. Restam apenas, nessa paisagem desoladora, alguns pequenos oásis sustentados pelos últimos e pobres abencerragens (**) de uma velha estirpe desaparecida.
 
É necessário que se diga tudo isso, que se escreva e semeie essa verdade dolorosa, para que toque os corações, na esperança de uma reação que talvez não se verifique, mas que pelo menos se tenta despertar. Na hora decisiva da colheita, as geadas da indiferença e as parasitas do comodismo ameaçam as mínimas esperanças de antigos e cansados lavradores. Apesar disso, os que ainda resistem não podem abandonar os seus postos. É necessário lutar, pois o pouco que se possa salvar poderá ser a garantia de melhores dias. O homem, as gerações humanas morrem no tempo, mas o espírito, não. O tempo é o campo de batalha em que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? A consciência humana amadure­ce na temporalidade. A esperança espírita não repousa na fragilidade humana, mas nas potencialidades do espírito, que se atualizam no fogo das experiências existenciais. Curta é a vida, longo é o tempo, e a Verdade intemporal aguarda a todos no impassível Limiar do Eterno. O homem é incoerência e paixão, labareda esquiva que se apaga nas cinzas, mas o espírito é a centelha oculta que nunca se apaga e reacenderá a chama quantas vezes for necessário, para que a serenidade, a coerência e o amor o resgatem na duração dos séculos e dos milênios.
 
Todas as Civilizações da Terra se desenvolveram, numa assombrosa sucessão de sombra e luz, para que um dia — o Dia do Senhor, de que falavam os antigos hebreus — a Civilização do Espírito se instale no planeta martirizado pelas tropelias da insensatez humana. Então teremos o Novo Céu e a Nova Terra da profecia milenar. Os que não se tornarem dignos da promessa continuarão a esperar e a amadurecer nas estufas dos mundos inferiores, purgando os resíduos da animalidade. Essa é a lei inviolável da Antropologia Espírita.  
 
(*) Atualmentea coleção da Revista Espírita apresenta grande circulação face ao criterioso valor elucitativo e doutrinário. Conheça esta coleção acionando este endereço eletrônico: http://www.aeradoespirito.net/CodifEspiritaIND/RevistaEspirita.html.
 

(**) Indivíduos que se mostram de extrema dedicação a uma causa; são os derradeiros paladinos de uma idéia.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

LOCAIS ASSOMBRADOS
Estudo com base in Allan Kardec, O Livro dos Médiuns,
Segunda Parte - Capítulo IX: Locais Assombrados, item 132.
Pesquisa: Elio Mollo
Em 30/05/2014 
 
As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares, são a origem da crença nos locais assombrados.  Este é o tema deste nosso estudo:
 
O apego dos Espíritos a pessoas ou a alguma coisa depende da elevação moral do Espírito. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as sua riquezas e não estão suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e guardá-los.
 
A predileção dos Espíritos errantes por certos lugares, trata-se ainda do mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objetos materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.
 
Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade, não significa que também sejam maus espíritos. Um Espírito pode ser pouco adiantado sem que por isso seja mau. É o que acontece também entre os homens.
 
A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas não tem fundamento. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não nos fez tomar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal o sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso preferem os lugares habitados aos abandonados.
 
Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos Espíritos, devem existir misantropos entre eles, que podem preferir a solidão. Por isso dissemos que podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo dos bosques.
 
Dizem que as crenças populares, em geral, têm um fundo de verdade a existência de lugares assombrados. Então, o fundo de verdade, nesse caso, é a manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto espiritual, desde todos os tempos. Mas, como já dissemos, o aspecto dos lugares lúgubres toca a imaginação humana e ele os povoa naturalmente com os seres que considera sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância. (1)
 
Os Espíritos que se reúnem não escolhem para isso dias e horas de sua predileção. Os dias e as horas são usados pelo homem para controle do tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a respeito.
 
A origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite é a impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O mesmo se dá com a crença em dias e horas mais propícias. A influência da meia-noite jamais existiu a não ser nos contos.
 
Certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para a meia-noite e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo, mas estes são Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela mesma razão que uns se fazem passar pelo diabo ou por nomes infernais. Se demostrarmos a esta categoria de Espíritos que não somos tolos eles não voltarão mais para se manifestar com essas intenções esdrúxulas.
 
Os Espíritos podem comparecer aos seus túmulos em atenção aos seus entes queridos e amigos. Entendem que o corpo lhe era apenas uma veste. Eles não ligam mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor. É a prece que santifica o ato de lembrar, daqueles que visitam seus túmulos, pouco importa o lugar se a lembrança é ditada pelo coração. (2)
 
A prece é uma evocação que atrai os Espíritos. A prece tem tanto maior ação, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o pensamento que age sobre o Espírito e não os objetos materiais. Esses objetos influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o Espírito.
 
Certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais, também, podem sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as razões que os levaram a isso. As razões que podem levá-los a isso são a simpatia por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais têm queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram um crime, para que tenham como expiação esse crime diante dos olhos. (3)
 
Os locais podem ficar assombrados, algumas vezes, por seus antigos moradores, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho. Também, pode acontecer de serem atraídos pela simpatia por alguma pessoa. Se são Espíritos bons, eles poderão fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família, mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.
 
Estórias como a Dama Branca, geralmente, são contos extraídos de mil fatos que realmente se verificaram. (4)
 
Os Espíritos que assombram certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Não podemos esquecer que existem Espíritos por toda parte e de que onde estivermos, teremos Espíritos ao nosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas habitações porque encontram nelas as condições e as oportunidades para manifestarem as suas presenças. (5)
 
Existe meio de afastá-los, mas quase sempre o que se faz para afastá-los serve mais para atrai-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atraindo os bons. Os bons pensamentos e as boas ações naturalmente atraem os bons Espíritos, sendo assim, fazendo o maior bem possível, os maus Espíritos não terão condições de permanecer no local e naturalmente se afastarão, pois o bem e o mal são incompatíveis. Se praticarmos sempre o bem só teremos bons Espíritos ao nosso lado e estes não praticam assombrações, ao contrário, agem como protetores promovendo um clima saudável e agradável nos lares como em qualquer outro local.
 
Dizem que existem pessoas muito boas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos. Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser prova para exercitar-lhes a paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas há também aqueles parecem bons por fora e tentam mostrar virtudes que ainda não possuem, pois, os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada falam a respeito.
 
A prática do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais assombrados, na maioria das vezes tem resultados contrários, as tropelias dos Espíritos, podem redobrar-se após essas cerimônias de exorcismo. E eles se divertem ao serem tomados pelo diabo. A força, para afastar os maus espíritos, está na autoridade que se pode exercer sobre eles e tal autoridade está subordinada à superioridade moral. É como o sol, dissipa o nevoeiro pela força de seu raios. Assim, é bom esforçarmo-nos, tornando-nos melhores a cada dia, numa palavra, elevarmo-nos moralmente o mais possível. Tal é o meio de adquirir o poder de comandar os Espíritos inferiores, para afastá-los. Do contrário zombarão de nossas injunções. (6)
 
Os Espíritos que não têm más intenções podem também manifestar a sua presença por meio de ruídos ou mesmo tornar-se visíveis, mas não fazem jamais tropelias incômodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podemos aliviá-los fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos benevolentes que desejam provar a sua presença junto a nós, ou, por fim, Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que fazem.  Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou impacientar.
 
Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos locais e neles permanecem de preferência, mas não têm necessidade de manifestar a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais haja produzido alguma manifestação.
 
Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são superiores, mas por não serem superiores não têm de ser maus ou de alimentar más intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que prejudiciais, pois caso se interessem pela pessoas podem protegê-las.
 
NOTAS:
 
(1) O instinto a que o Espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra.  er, no capitulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número 522, e na edição da LAKE, a nota do tradutor no fim do capitulo. Deve-se ainda observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural. (Nota de J. Herculano Pires)
 
(2) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, Cap. VI, Comemoração dos Mortos - Funerais, questão 323.
 
(3) Ver Revista Espírita de fevereiro de 1860: História de um danado (N. de Kardec). - O caos mencionado não só confirma a explicação acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa espírita realizada por Kardec.  Indispensável a sua leitura para a boa compreensão do problema tratado neste capítulo. (Nota de J. Herculano Pires)
 
(4) A Dama de Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em lendas populares. (Nota de J. Herculano Pires)
 
(5) O filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os deuses antigos eram Espíritos, segundo explica o Espiritismo. A afirmação de Tales concorda com a resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em O Livro dos Espíritos o cap. IX segunda parte: Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo. (Nota de J. Herculano Pires)
 

(6) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, dezembro 1862, Causas da Obsessão e meios de Combate (Estudos sobre os possessos de Morzine).
LOCAIS ASSOMBRADOS
Estudo com base in Allan Kardec, O Livro dos Médiuns,
Segunda Parte - Capítulo IX: Locais Assombrados, item 132.
Pesquisa: Elio Mollo
Em 30/05/2014 
As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares, são a origem da crença nos locais assombrados.  Este é o tema deste nosso estudo:
O apego dos Espíritos a pessoas ou a alguma coisa depende da elevação moral do Espírito. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as sua riquezas e não estão suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e guardá-los.
A predileção dos Espíritos errantes por certos lugares, trata-se ainda do mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objetos materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.
Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade, não significa que também sejam maus espíritos. Um Espírito pode ser pouco adiantado sem que por isso seja mau. É o que acontece também entre os homens.
A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas não tem fundamento. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não nos fez tomar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal o sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso preferem os lugares habitados aos abandonados.
Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos Espíritos, devem existir misantropos entre eles, que podem preferir a solidão. Por isso dissemos que podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo dos bosques.
Dizem que as crenças populares, em geral, têm um fundo de verdade a existência de lugares assombrados. Então, o fundo de verdade, nesse caso, é a manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto espiritual, desde todos os tempos. Mas, como já dissemos, o aspecto dos lugares lúgubres toca a imaginação humana e ele os povoa naturalmente com os seres que considera sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância. (1)
Os Espíritos que se reúnem não escolhem para isso dias e horas de sua predileção. Os dias e as horas são usados pelo homem para controle do tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a respeito.
A origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite é a impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O mesmo se dá com a crença em dias e horas mais propícias. A influência da meia-noite jamais existiu a não ser nos contos.
Certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para a meia-noite e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo, mas estes são Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela mesma razão que uns se fazem passar pelo diabo ou por nomes infernais. Se demostrarmos a esta categoria de Espíritos que não somos tolos eles não voltarão mais para se manifestar com essas intenções esdrúxulas.
Os Espíritos podem comparecer aos seus túmulos em atenção aos seus entes queridos e amigos. Entendem que o corpo lhe era apenas uma veste. Eles não ligam mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor. É a prece que santifica o ato de lembrar, daqueles que visitam seus túmulos, pouco importa o lugar se a lembrança é ditada pelo coração. (2)
A prece é uma evocação que atrai os Espíritos. A prece tem tanto maior ação, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o pensamento que age sobre o Espírito e não os objetos materiais. Esses objetos influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o Espírito.
Certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais, também, podem sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as razões que os levaram a isso. As razões que podem levá-los a isso são a simpatia por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais têm queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram um crime, para que tenham como expiação esse crime diante dos olhos. (3)
Os locais podem ficar assombrados, algumas vezes, por seus antigos moradores, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho. Também, pode acontecer de serem atraídos pela simpatia por alguma pessoa. Se são Espíritos bons, eles poderão fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família, mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.
Estórias como a Dama Branca, geralmente, são contos extraídos de mil fatos que realmente se verificaram. (4)
Os Espíritos que assombram certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Não podemos esquecer que existem Espíritos por toda parte e de que onde estivermos, teremos Espíritos ao nosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas habitações porque encontram nelas as condições e as oportunidades para manifestarem as suas presenças. (5)
Existe meio de afastá-los, mas quase sempre o que se faz para afastá-los serve mais para atrai-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atraindo os bons. Os bons pensamentos e as boas ações naturalmente atraem os bons Espíritos, sendo assim, fazendo o maior bem possível, os maus Espíritos não terão condições de permanecer no local e naturalmente se afastarão, pois o bem e o mal são incompatíveis. Se praticarmos sempre o bem só teremos bons Espíritos ao nosso lado e estes não praticam assombrações, ao contrário, agem como protetores promovendo um clima saudável e agradável nos lares como em qualquer outro local.
Dizem que existem pessoas muito boas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos. Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser prova para exercitar-lhes a paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas há também aqueles parecem bons por fora e tentam mostrar virtudes que ainda não possuem, pois, os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada falam a respeito.
A prática do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais assombrados, na maioria das vezes tem resultados contrários, as tropelias dos Espíritos, podem redobrar-se após essas cerimônias de exorcismo. E eles se divertem ao serem tomados pelo diabo. A força, para afastar os maus espíritos, está na autoridade que se pode exercer sobre eles e tal autoridade está subordinada à superioridade moral. É como o sol, dissipa o nevoeiro pela força de seu raios. Assim, é bom esforçarmo-nos, tornando-nos melhores a cada dia, numa palavra, elevarmo-nos moralmente o mais possível. Tal é o meio de adquirir o poder de comandar os Espíritos inferiores, para afastá-los. Do contrário zombarão de nossas injunções. (6)
Os Espíritos que não têm más intenções podem também manifestar a sua presença por meio de ruídos ou mesmo tornar-se visíveis, mas não fazem jamais tropelias incômodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podemos aliviá-los fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos benevolentes que desejam provar a sua presença junto a nós, ou, por fim, Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que fazem.  Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou impacientar.
Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos locais e neles permanecem de preferência, mas não têm necessidade de manifestar a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais haja produzido alguma manifestação.
Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são superiores, mas por não serem superiores não têm de ser maus ou de alimentar más intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que prejudiciais, pois caso se interessem pela pessoas podem protegê-las.
NOTAS:
(1) O instinto a que o Espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra.  er, no capitulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número 522, e na edição da LAKE, a nota do tradutor no fim do capitulo. Deve-se ainda observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural. (Nota de J. Herculano Pires)
(2) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, Cap. VI, Comemoração dos Mortos - Funerais, questão 323.
(3) Ver Revista Espírita de fevereiro de 1860: História de um danado (N. de Kardec). - O caos mencionado não só confirma a explicação acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa espírita realizada por Kardec.  Indispensável a sua leitura para a boa compreensão do problema tratado neste capítulo. (Nota de J. Herculano Pires)
(4) A Dama de Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em lendas populares. (Nota de J. Herculano Pires)
(5) O filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os deuses antigos eram Espíritos, segundo explica o Espiritismo. A afirmação de Tales concorda com a resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em O Livro dos Espíritos o cap. IX segunda parte: Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo. (Nota de J. Herculano Pires)

(6) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, dezembro 1862, Causas da Obsessão e meios de Combate (Estudos sobre os possessos de Morzine).

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