quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Ensinamento legado por Pai Rubens Saraceni

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A importância da educação mediúnica:

Mitos e Preconceitospor Rubens Saraceni
(livremente editado por Laura Carreta).

“Desenvolver a mediunidade não significa dar algo a quem não está habilitado para recebê-lo, mas sim, em habilitar alguém a assumir conscientemente o Dom com o qual foi ungido. Ao contrário do que apregoam, mediunidade não é punição, e sim benção divina, concedida ao espírito no momento em que encarna.” 
A educação mediúnica é de suma importância para quem realiza práticas magísticas ou religiosas de fundo espiritual, espiritualista ou espiritualizador. Para colocar o médium em sintonia com o mundo invisível, cria-se toda uma pré-disposição às manifestações espirituais e aos rituais magísticos.
A educação mediúnica é muito importante, pois só se reeducando internamente um médium alcança níveis vibratórios mentais e conscienciais que lhe facultam os níveis espirituais superiores a sintonização mental com seu mestre individual a neutralização de possíveis vícios antagônicos (fumo e álcool, utilizados nos trabalhos) com as práticas religiosas e a compreensão ou percepção do que está acontecendo à sua volta, mas que não está visível, assim como do que está acontecendo dentro de seu campo mediúnico.
É comum dizer-se que quem desenvolve sua mediunidade torna-se mais capaz do que aquele que não a desenvolve. Isto é uma verdade somente se aquele que se desenvolveu mediunicamente também compreendeu os compromissos que assumiu.
Portanto, quando o assunto é mediunidade, todo cuidado é pouco. É preciso uma forte dose de humildade e compreensão de que um médium não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio.
Vamos entender o que é a mediunidade:
  • 1 – mediunidade não é uma provação purgatória, mas sim uma provação Divina e um Dom que aflorou no ser que alcançou uma certa etapa evolutiva e assumiu um compromisso no plano astral antes de encarnar. Se bem desenvolvida, irá acelerar sua evolução espiritual;
  • 2 – não é uma punição cármica, mas sim um ótimo recurso que a Lei nos facultou para nos harmonizarmos com nossas ligações ancestrais;
  • 3 – não escraviza o médium, apenas exige dele uma conduta em acordo com o que esperam os espíritos que através dele atuam no plano material para socorrer os encarnados necessitados tanto de amparo espiritual quanto de uma palavra de consolo, conforto ou esclarecimento;
  • 4 – não limita o ser, pois é um sacerdócio. E, ou é entendida como tal ou de nada adianta alguém ser médium e não assumir conscientemente sua mediunidade.
Para concluir, podemos dizer que a mediunidade, por ser um Dom, tem de ser praticada com fé, amor e caridade. Só assim nos mostramos dignos do Senhor de Todos os Dons: nosso Divino Criador!
(Texto extraído do livro “O Código de Umbanda”.)
Oxalá em mim saúda Oxalá em você!
Alexandre Cumino

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Qual Umbanda???????


UMBANDAS 
por Alexandre Cumino

Há quem defenda um “tipo ideal” de Umbanda, descartando outras formas de praticá-la. Assim uns reconhecem e outros negam as várias Umbandas, aceitam ou refutam a “Umbanda do Outro Umbandista”. Creio que podemos trilhar um caminho do meio, no qual a Umbanda é uma na essência com diversas formas de manifestação. O UM da Unidade e a BANDA da Diversidade. O Uno e o Verso deste Universo Umbandista.

A liberdade litúrgica permite certas variantes, desde que estas não desvirtuem seus fundamentos básicos. A pluralidade deve existir enquanto não coloca em risco a unidade. Por unidade podemos entender seus fundamentos básicos, o que deve estar presente em todas as formas ou pelo menos na maioria delas. Portanto é pela unidade que definimos Umbanda e não pela diversidade, que são as diversas maneiras de praticar esta unidade, os as partes deste TODO.

Por exemplo, podemos ter como fundamento básico de sua unidade a definição de Umbanda, primeira, dada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio de seu médium Zélio de Moraes, em 1908: “Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade”.
Esta definição está em sua unidade, pois faz parte de seus fundamentos básicos, não cobrar pelos trabalhos, logo ela pode ter variantes mas nenhuma das tais deve apresentar-se cobrando para realizar trabalhos espirituais.

Assim como é fundamento: Aprender com quem sabe mais e ensinar com quem sabe menos. Umbanda é Amor, Fé e caridade. Conceitos, também, do Sete Encruzilhadas. Guardando esta Unidade muitos assumem para si um posicionamento dentro da pluralidade, se auto qualificando, vejamos abaixo um pouco desta diversidade:

UMBANDA BRANCA: O termo pode ter surgido da definição de Linha Branca de Umbanda usada por Leal de Souza, primeiro autor umbandista e médium preparado por Zélio de Moraes. A idéia é de que a Umbanda era uma “Linha” do Espiritismo ou uma forma de praticar Espiritismo.

UMBANDA PURA: Conceito usado no Primeiro Congresso de Umbanda em 1941, adotado pelo o grupo que assumiu esta responsabilidade e lutou pela legitimação da religião na década de 40.

UMBANDA POPULAR: É a prática da religião de Umbanda sem muito conhecimento de causa, sem estudo ou interesse em entender seus fundamentos. É uma forma de religiosidade na qual vale apenas o que é dito e ensinado de forma direta pelos espíritos. O único conhecimento válido é o que veio de forma direta em seu próprio ambiente ritualístico, dentro de seu terreiro.

UMBANDA TRADICIONAL: Serve tanto para identificar a “Umbanda Branca”, “Umbanda Pura” ou “Umbanda Popular”. Que são as formas mais antigas e conhecidas de praticar Umbanda, muito embora este perfil esteja mudando.

UMBANDA ESOTÉRICA OU INICIÁTICA: É uma forma de praticar a Umbanda fundamentada no esoterismo europeu. Foi idealizada com inspiração na obra de Blavatski, Ane Bessant, Saint-Yves D’Alveydre, Leterre, Domingos Magarinos, Eliphas Levi, Papus e etc. O primeiro autor que trouxe este tema para a literatura umbandista foi Oliveira Magno, 1951, com o título A Umbanda Esotérica e Iniciática.

UMBANDA TRANÇADA, MISTA E OMOLOCÔ: Umbanda com maior influencia dos Cultos de Nação ou Candomblé. Alguns chamam esta variação de Umbandomblé. O autor, médium, sacerdote e presidente de Federação que mais defendeu esta forma de praticar umbanda foi o conhecido Tata Tancredo. Autor de Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951, em parceria com Byron Torres de Freitas.

UMBANDA DE CABOCLO: É uma variação de Umbanda onde prevalece a presença do caboclo, acreditando que a Umbanda é antes de mais nada a pratica dos índios brasileiros. Decelso escreveu o título Umbanda de Caboclo para explicar esta forma de Umbanda.

UMBANDA DE JUREMA: Forma combinada com o Catimbó Nordestino. Seu principal fundamento é o uso da Jurema Sagrada, como bebida e também misturada no fumo. Deste culto, a Umbanda herdou a manifestação do Mestre Zé Pelintra, que pode vir como Exu, Baiano, Preto-Velho ou Malandro.

UMBANDA CRISTÃ: Ao dizer qual seria o nome do primeiro templo da religião, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque “assim como Maria acolheu Jesus da mesma forma a Umbanda acolheria os filhos seus”, o Caboclo das Sete Encruzilhadas já dava uma diretriz cristã a nova religião. Jota Alves de Oliveira escreveu um título chamado Umbanda Cristã e Brasileira: A Orientação Doutrinária do evangelizado Espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas nos levou a considerar e historiar seu trabalho enriquecido das lições do evangelho de Jesus, com a legenda: Umbanda Cristã e Brasileira.[1]
Outro elemento que endossa a qualidade cristã da Umbanda é o arquétipo dos Pretos e Pretas-velhas, são ex-escravos batizados com nomes católicos e que trazem muita fé em Cristo, nos Santos e Orixás.

UMBANDA SAGRADA OU UMBANDA NATURAL: Quando começou a psicografar e dar palestras, Rubens Saraceni sempre fazia questão de se referir à Umbanda como Sagrada. Não havia intenção de criar uma nova Umbanda, apenas ressaltar uma qualidade inerente à mesma. Na apresentação de seu primeiro título doutrinário Umbanda – O Ritual do Culto à Natureza, publicado em 1995, afirma que o livro em questão guarda uma coerência bastante grande, o de trilhar num meio termo entre o popular e o iniciático, ou entre o exotérico e o esotérico. Já no Código de Umbanda, no capítulo Umbanda Natural, cita: Umbanda Astrológica, Filosófica, Analógica, Numerológica, Oculta, Aberta, Popular, Branca, Iniciática, Teosófica, Exotérica e Esotérica.
Para então afirmar que: Natural é a Umbanda regida pelos Orixás, que são senhores dos mistérios naturais, os quais regem todos os pólos umbandistas aqui descritos. Muitos optam por substituir a designação de “Ritual de Umbanda Sagrada”, dada á Umbanda Natural [...] Fica claro que para o autor a Umbanda é algo natural e sagrado, adjetivos que se aplicam ao todo da Umbanda e não a um segmento em particular. 
No livro As Sete Linhas de Umbanda volta a citar as várias “umbandas” e comenta que na verdade, e a bem da verdade, tudo são seguimentações dentro da religião Umbandista [...]

QUALIFICAR OU NÃO QUALIFICAR? Há ainda outras qualificações e até a Umbanda deste ou daquele.Por mais válidos que sejam os adjetivos e qualificações, por mais que se auto afirmem ser “a verdadeira” Umbanda, a “Umbanda Pura”, original ou primordial. Nenhuma destas partes dá conta do TODO. Pela “parte” não se define o “todo”, no entanto, pela “unidade” se busca uma “essência”, um fundamento e base. Esta unidade é a sua base fundamental. É possível, também, praticar Umbanda, livre de qualificações basta dizer “Sou Umbandista” e ponto final.
Oxalá em mim saúda Oxalá em você!
Alexandre Cumino

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