domingo, 8 de abril de 2018

Afinal que é COSMOGÊNESE- RUBENS SARACENI EXPLICA

      
              Uma Cosmogênese Umbandista
            por Rubens Saraceni


A Umbanda é uma renovação do tradicional culto às divindades africanas, englobados na classificação “cultos das nações”, assim denominado porque cada povo possuía sua religião própria,
com seus ritos específicos, mas que mantinham uma analogia muito grande, tanto na preparação sacerdotal quanto organizacional, de seus panteões divinos.

Com o passar dos anos o Panteão Nagô dos povos nigerianos ou de língua Yorubá acabou se destacando no Brasil e se impondo sobre os demais, pois os Orixás popularizaram-se com a vinda de
muitos escravos nigerianos, trazidos principalmente para a Bahia a partir do final do século XVIII e início do século XIX.

Sua classe sacerdotal era mais organizada e destacou-se muito rapidamente e mais ainda no decorrer dos séculos XIX e XX, espalhando o Culto aos Orixás para todo o Brasil, adaptando-os
conforme foi possível e procurando conservar o máximo possível do conhecimento sobre eles.

Sendo a transmissão oral a forma que possuíam para preservarem o conhecimento, muito se perdeu sobre os Orixás e só uns poucos deles tornaram-se bem conhecidos e tiveram seus Cultos
tradicionais preservados desde 1780 até 1908, quando foi fundada a Umbanda por Pai Zélio de Moraes.

Assim, muitas das coisas que se sabia sobre eles dentro dos seus cultos tradicionais na Nigéria não chegaram até nós ou haviam sido adaptadas conforme foi possível.

Daí, para os primeiros umbandistas, não havia muito sobre os Orixás à disposição, e se um Caboclo identificava-se como de Ogum, de Xangô etc. os seus médiuns ficavam sem muitas
informações seguras sobre esses Orixás, e quase todos recorriam aos santos católicos sincretizados com eles como forma de conhecê-los.

E os santos católicos tiveram suas historias popularizada pelos umbandistas, que as passavam de mão em mão para poderem ensinar os novos médiuns, sendo que os santos sincretizados com os Orixás tornaram-se muito populares e muito cultuados no Brasil devido à compra de suas imagens para os altares umbandistas.

Esse conhecimento bem “terra” sobre os Orixás predominou no 1º século de existência da Umbanda, graças ao sincretismo e ao que se sabia sobre os santos católicos.

Ao estudioso da Umbanda, basta consultar os livros de muitos autores umbandistas para confirmarem o que até aqui afirmamos.

Não havia um conhecimento profundo sobre os Orixás, e o que se sabia ou se escrevia sobre eles não saía desse nível “terra” do conhecimento.

Antes de terem se espalhado pelo mundo todo, os Orixás só haviam sido cultuados pelos povos Nagôs ou Nigerianos... E na língua Yorubá.

Mas um conhecimento novo sobre os Orixás começou a ser aberto por um espírito chamado “Pai Benedito de Aruanda”, e ensinado por seu médium psicógrafo e fundador do Colégio de Umbanda
Sagrada.

E isso, sem que ele fosse Teólogo ou formado em qualquer Escola Iniciática, Esotérica ou Ocultista, mas criando uma base para o estudo doutrinário e teológico umbandista.

Toda religião tem sua cosmogênese ou gênese divina, que descreve para os seus seguidores a forma como Deus criou o “mundo”.

A Umbanda por ser a somatória de várias doutrinas e rituais religiosos, tanto pode escolher a cosmogênese dos povos Nagô, quanto aos Cultos Indígenas Brasileiros, assim como pode servir-se da Judaica, incorporada pelo Cristianismo, pois essas três religiões estão presentes devido à manifestação dos Caboclos e Pretos-velhos, dentro de uma moral Cristã.

Também pode recorrer à cosmogênese da última religião de guias espirituais hindus, chineses etc.

Mas sempre será uma adaptação de cosmogêneses alheias, muitas delas já extintas no plano material.

Portanto, por ser a somatória do conhecimento de espíritos doutrinados em outras religiões, a Umbanda não pode e não deve optar por nenhuma delas porque não seria aceita por todos os
umbandistas, com cada um tendo seu mentor espiritual formado por alguma das outras religiões do passado ou da atualidade.

Logo, a Umbanda tem que ter sua própria cosmogênese, genuinamente umbandista.

Ainda que se sirva da base Yorubana na nomenclatura do seu Panteão Divino e das qualidades dos Orixás e tudo o mais, deve preservar a “essência” desse conhecimento que nos chegou através da transmissão oral para que o culto aos Orixás se perpetuasse no tempo e servisse de ponto de partida para o surgimento de novas religiões fundamentadas neles, tal como Judaísmo preservou sua
cosmogênese que, posteriormente, fundamentou o Cristianismo e o Islamismo, grandes religiões da atualidade, muito maiores em número de seguidores.

Como qualquer uma das antigas cosmogêneses só agradaria um número limitado de seguidores da Umbanda, após observar a religião em seu lado material por muito tempo, os “espíritos superiores” que a fundaram através de Pai Zélio de Morais liberaram todo um conhecimento ainda não disponível até então no plano material que fundamenta todas as suas práticas religiosas e magísticas sem, em momento algum, contradizer ou negar a essência da cosmogênese Yorubana ou Nagô.

Até porque esse não é o propósito deles, e sim fundamentar tudo o que foi preservado e o que não chegou ao Brasil e só existe na Nigéria.

A cosmogênese disponibilizada pelos espíritos mentores da religião umbandista não se fundamenta em mitos ou lendas, e sim no estudo profundo e elevadíssimo desenvolvido nas escolas espirituais existentes nos planos mais elevados do nosso Planeta, estudo esse desenvolvido por espíritos que já não encarnam mais, porque ascensionaram à 7ª faixa vibratória positiva da dimensão
humana da vida e hoje atuam em beneficio da humanidade através de suas hierarquias ou correntes espirituais, que chegam até o plano material através dos guias espirituais dos médiuns umbandistas e
dos protetores espirituais que todo ser encarnado possui.

Essa cosmogênese é tão abrangente que explica a religião Umbanda, todos os Orixás cultuados nela, todas as linhas de trabalhos espirituais, todas as ancestralidades dos filhos dos Orixás, todas as práticas religiosas e imagísticas realizadas na Umbanda e pelos umbandistas.

Também explica as cores, o uso de colares, de fitas, de cordões, de toalhas, de flores, de pedras, de ervas, de velas, de líquidos, de pós, de pembas, de pontos riscados e cantados etc.

Enfim, ela explica a existência dos seres e das coisas criadas por Deus, assim como explica porque cada pessoa, seja umbandista ou não, possui ligação com os Sagrados Orixás e deles pode servir-se, mesmo que não tenha sido iniciada na Umbanda e nada saiba sobre eles, as divindades, mistérios que governam a Criação Divina.

Alguns dos livros que trazem esse conhecimento novo seguem abaixo:

Umbanda Sagrada
Tratado Geral de Umbanda
Orixás Ancestrais
Orixá Exu
Orixá Pomba-gira
Orixá Exu Mirim
Livro de Exu
Doutrina e Teologia de Umbanda
Teogonia de Umbanda
Código de Umbanda
Gênese de Umbanda
Formulário de Consagrações Umbandista
Iniciação à Escrita Mágica Simbólica
Código da Escrita Mágica Simbólica
Tratado de Escrita Mágica etc.
Todos editados pela Madras Editora.

sábado, 7 de abril de 2018

Informação da Umbanda EAD

Informação da Fonte 📰

Oi Antonio 😀 Como está?

É com muita alegria, que hoje eu venho te entregar em primeira mão essa notícia ⤵️

Record tem recurso contra o direito de resposta as religiões afro negado

Ler no Blog
Record é condenada a exibir o direito de resposta as religiões de matriz afro. Julgamento ainda aguarda pelo acórdão.
Antonio, essa é uma vitória sem precedentes para o povo do Axé! 
A sustenção oral da defesa foi feita pelo Dr. Hédio Silva Jr., acompanhado do Dr. Jader Freire e Antônio Basílio, representantes da ação. 
Aproveite e compartilhe essa excelente notícia! 
Axé, Júlia Pereira - Jornalista Blog UEAD
Enviado por Umbanda EAD

Rituais segundo Pai Alexandre Cumino !

Rituais na Umbanda
Por Alexandre Cumino

Se procurarmos no dicionário (Aurélio) encontraremos as seguintes definições para Ritual:

Referente a Rito; Culto; Liturgia; Livro que contém os ritos de uma religião; Conjunto de práticas consagradas pelo uso e/ou normas , e que se deve observar de forma invariável em ocasiões determinadas; cerimonial.

Quando alguém repete diariamente e metodicamente determinada tarefa, com os mesmos movimentos e gestos, dizemos que fulano age como num ritual, pois dá importância a cada detalhe no cumprimento de sua tarefa. Da mesma forma afirmamos que a pontualidade denota que cumpre “religiosamente” seu compromisso. 

Que seja o tocar do despertador,arrumar a mesa do “café” ou organizar seu ambiente de trabalho.

No entanto a origem da palavra Ritual está justamente no campo religioso em que prescreve minuciosamente como se deve cumprir as formalidades de certa liturgia, que seja o Ritual Católico da Missa, Ritual Candomblecista do Bori, Ritual Judaico da Páscoa, Ritual Budista de Meditação, Ritual de Batismo, Casamento, Encomenda Funebre... 

Cada Ritual diz respeito de como realizar tal ato. Até mesmo o Espiritismo que afirma não ter ritual, formal,encontra nas “sessões espíritas” uma sequência adotada como num ritual, que seja o preparo físico do ambiente, o preparo da mesa, musica ambiente, água para fluidificar, oração,leitura do evangelho, manifestação mediúnica e passes... marcam uma sequência ritual pela repetição de atos e gestos e a importância que se dá a cada uma das partes que formam este todo.

Quando falamos em Ritual Religioso estamos nos referindo, na maioria das vezes, ao contexto e conjunto de gestos criados e organizados de forma pensada para a conexão com o sagrado. 

Os Rituais Religiosos são realizados há milênios repetidos e passados de geração em geração. 

Um dos objetivos do Ritual é ajudar para que nenhum detalhe do culto seja esquecido e entre as prioridades de um culto está: criar um ambiente para que as pessoas tenham uma experiência religiosa, se sintam tocadas pelo mistério, e dê um significado e
sentido para esta experiência.

Na Umbanda, desde um banho de ervas, feito em casa, a vela ao anjo da guarda, a forma como se adentra o terreiro (templo) já faz parte de todo um ritual. 

Umbanda é Religião e faz questão do Ritual e suas formalidades para “alcançar” o sagrado. O Ritual ajuda as pessoas a entrarem em uma outra realidade, diferente de seu dia a dia, o ritual marca
emocionalmente, psicologicamente e verbalmente a separação, no tempo, entre sagrado e profano. 

O ritual convida todos a esquecerem, durante alguns momentos, os seus problemas e preocupações, para alcançarem um estado de harmonia, sintonia e vibração tal que lhes ajude desde uma cura até a encontrar respostas dentro de si mesmos para as dificuldades da
vida. 

Embora muitas vezes nos digam que o que vale são as intenções, não basta tê-las e não saber como colocar em pratica, nesta questão o ritual conduz a realização dos ideais religiosos.

Só por estas qualidades já nos daríamos por satisfeitos em compreender a importância de um Ritual, no entanto, para a Umbanda, assim como para outras religiões, o Ritual tem um
aspecto “mágico-religioso”, de invocação e evocação de poderes e mistérios, da manipulação de elementos e transformação nas energias internas e externas, e sua repetição visa potencializar tudo o que é metodicamente solicitado à divindade estabelecendo um vinculo cada vez mais forte com a egrégora que sustenta esta religião no astral e que guarda sintonia, compartilhando, o “axé” (poder de realização) como todos os outros milhares a repetir o
mesmo ritual e pedidos.

Logo, em religião e mais especificamente na Umbanda, Ritual não é apenas uma formalidade e sim um conjunto de atos e gestos muito bem pensados que visam aproveitar ao máximo, num curto espaço de tempo, o contato direto com a espiritualidade. 

O que causa, algumas vezes, certa impressão errada com relação ao ritual, é exatamente o fato de que em algumas situações sentimos valorização excessiva da formalidade em detrimento da experiência com o sagrado. 

Alguns rituais se tornam cansativos e até mesmo vazios, quando a
religião ou o culto vai perdendo a capacidade de conduzir ao centro do mistério, no qual reside a percepção do transcendente. 

Nos sentimos enganados ao perceber que intermediário (sacerdote ou médium) se coloca acima ou no centro do “mistério”, fazendo do ritual um momento de autopromoção para alimentar seu ego; esquecendo-se de que o “Poder” de um ritual não está no “ministro religioso” ou “médium” e sim na Divindade que sustenta e ampara a tudo e a todos.

Muitos, sem ritual nenhum, sem formalidades e sem hora marcada se entregam a praticas pessoais de meditação e oração, nas quais se realizam espiritualmente dando-se por satisfeitos, o que é positivo; no entanto pelas desilusões com esta ou aquela religião adotam
uma forma de pensar que faz crer que todos ritual seja vazio e que o que sempre terá mais valia a pratica solitária. 

No entanto esta pratica solitária nem sempre é solidária e entre os
objetivos de uma religião está o proceder e agir em comunidade, propiciando o encontro com o outro e a pratica da caridade espiritual, a qual deve incentivar também a caridade material. 

Logo uma experiência solitária pode ser muito boa e satisfazer seu praticante, mas é apenas em comunidade que criamos egrégoras de trabalho, força tarefa e nos unimos reunindo os recursos espirituais e materiais para ajudar ao próximo dentro deste contexto.

Rituais com participação de muitas pessoas mechem com muitas energias e vidas, implicam mais responsabilidade e também com resultados que são potencializados de acordo com as intenções. 

Fazer parte de uma religião é comungar de seus ideais e filosofia, na busca por um mundo melhor, no entanto esperamos que tanto os rituais quanto as religiões nos incentivem na pratica do “conhece-te a ti mesmo”. 

Podemos dizer que na Umbanda com o exercício mediúnico e as consultas diretas aos espíritos guias temos uma ferramenta
importantíssima para o auto conhecimento e crescimento pessoais.

Cada casa (templo) tem o seu ritual, onde o mesmo se amolda, segundo a concepção do grupo e direcionamento dado pelo sacerdote e mentor que dirigem os trabalhos. 

Dificilmente encontraremos Centros/tendas/terreiros com o mesmo ritual, até porque cada um tem uma energia e concepção da realidade espiritual. 

Um templo dirigido por um filho de Ogum terá um perfil diferente de um outro dirigido por uma Filha de Oxum e, mesmo que a ritualística seja em muito semelhante a forma de relacionar-se será outra, pois para além da diferença de comportamento denotada pelo orixá de cabeça de cada um ainda deve-se levar em conta a
formação religiosa, cultural e familiar. 

Nossos valores de berço amoldados pelo meio em que nos desenvolvemos, o que faz de cada ser um universo à parte convivendo todos em diversas realidades sociais e espirituais. 

Ainda que muitos não aceitem esta diversidade na forma é
justamente a pluralidade de perfil que vai dar espaço para que muitos e diferentes grupos de afinidades possam se encontrar dentro de uma mesma e única Umbanda.

Quanto ao Ritual de Umbanda podemos dizer ainda que é simples e poderoso, simples porque realiza o essencial sem se perder nas formalidades, e poderoso pois o contato com a Divindade, com o sagrado, e seus mistérios é direto. 

Vamos pensar nestas questões? 

Cada elemento de nosso ritual tem uma razão e função de ser, portanto pode e deve ser explicado
e fundamentado.

  Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira. Leia no blog  ou  leitor Quando enxergamos o mal do outro… . Por  cristinatormena  em  5 ...