sexta-feira, 24 de abril de 2015

SER UM SACERDOTE DE UMBANDA.

 SER UM SACERDOTE DE UMBANDA.: Um sacerdote de Umbanda deve ser um bom conselheiro e orientador espiritual. Deve ser um líder na sua comunidade. Deve ser alguém que...
                            A Umbanda
Irmão!... 

Medita demoradamente sobre a tua condição de ente humano, e procura conhecer a razão de ser dos teus inúmeros sofrimentos. Acompanha a evolução da mais perfeita ideologia religiosa, que é a Umbanda, e verás que os teus temores se dissiparão. 

Quando tomares conhecimento do mundo espiritual, os bondosos Orixás te mostrarão a sublimidade das Leis Divinas, dando-te forças para suportares, com a resignação dos fortes , os mais atrozes padecimentos morais, materiais e espirituais.
Vem... A Umbanda redentora e amiga te espera!... -  (FONTENELLE, 1953, p. 9).
Jesus e Oxalá na terra de Yurupari
No fundo são misturas. Misturam-se as almas nas coisas; misturam-se as coisas nas almas. Misturam-se as vidas, e é assim que as pessoas e as coisas misturadas saem cada qual de sua esfera e se misturam: o que é precisamente -  o contrato e a troca (MAUSS, 1974, p. 71). 

O Alabê De Jerusalém - A Ópera

Sim, leitor. Uma ópera.

Uma ópera completa, linda e que conta uma história envolvente, passada a dois mil anos atrás.
Alabê de Jerusalém foi encenada poucas vezes no Brasil. Mesmo reunindo nomes de peso da MPB, como Elba Ramalho, Fafá de Belém, Alcione, Lenine, Bibi Ferreira, Jorge Aragão e Ivan Lins, entre outros, Altay não consegue patrocínio para levá-la novamente a público.

Fafá de Belém disse que se Altay tivesse nascido norte-americano, sua ópera seria um dos maiores sucessos da Broadway. E ele estaria rico, muito rico. Como não é o caso, Altay luta diariamente para conseguir o seu sustento e continua na batalha para levar de volta aos palcos a sua grande obra.

Mas, deve estar se perguntando o nobre leitor: o que uma ópera está fazendo num blog ambiental?
Respondo com um trechinho da ópera de Altay:
Ah, meu Deus! Assisto com muita tristeza a pena da aspereza dilacerando a beleza de uma linda sinfonia. A aguarrás de juizes, ciumentos inflexíveis, descolorindo as matizes de uma linda pintura, só porque não gostam da assinatura
E vai com uma bailarina, com a inocência de menina, dançando em volta do sol, a Grande Mãe Terra. Enquanto muitas nações, governos, religiões ensaiam a dança da guerra.

Na verdade a bola azul quase nunca foi amada; é sempre penalizada. Tem um trabalho enorme, dedicação e talento para preparar a mistura, juntar os seus elementos para dar forma às criaturas, e elas, depois de paridas, desconhecem a matriarca e dizem, mal agradecidas: que a carne é fraca.
Olha, eu vou dizer na minha simples observação: dia após dia, me perdoem a liberdade, mas religião de verdade, mais parecida com a que Jesus queria, talvez seja sentimento de ecologia. Para esse sentimento não tem fronteiras e só reza um mandamento: preservação das espécies com urgência, sem adiamento.

Hoje, ela pensa nas plantas, nos rios, no mar, nos bichos. Amanhã, com certeza, com a mesma dedicação e capricho, pensará com muito cuidado nos meninos abandonados.

Ah, se ela tivesse mais força para sustentar sua zanga, evitaria, com certeza a fome cruel de Ruanda. Ainda era uma menina, quando a impertinência sangrou, com a bola de fogo, a pobre Hiroshima. Mas ela cresce, se instala como uma prece no coração das crianças. Tenho muitas esperanças

Eu tenho toda a certeza que nosso planeta um dia, mesmo cansado, exausto, terá toda a garantia e guardado por uma geração vigia, nunca mais verá a espada fria no Holocausto.

Alabê é uma exaltação a conservação da natureza e uma tremenda lição de respeito a vida. 
Só por sua riqueza cultural já merecia estar entre os materiais didáticos distribuídos pelo MEC às escolas. 
A sua mensagem ambiental, importantíssima, só reforça o seu valor.

Mas como quase tudo que presta nesse país, é relegada ao esquecimento.

O  Alabê De Jerusalém - A Historia

Ogundana é um andarilho africano que viveu há dois mil anos, contemporâneo de Jesus Cristo.
Ele sai da própria aldeia, em Ifé, Nigéria, aos doze anos e atravessa todo o Norte da África, a pé, poucas vezes em caravanas, até romper as fronteiras do continente e chegar a Roma. Busca conhecer o mundo e encontrar a si mesmo.

A passagem pela África ocupa o primeiro quarto do livro e foi o que mais me emocionou e interessou. 

O tônus poético das cenas e cenários é de difícil tradução, resta destacá-los para que os sentidos de quem lê este texto possam se aproximar da magia de Ogundana, ao demonstrar, por exemplo, a necessidade de desenvolver fina sintonia com o Orixá de cada dia, como requisito para se tornar um Alabê, aquele que cuida da música nos cultos Iorubás. 

Foi então, que na manhã seguinte, com realeza e requinte, na casa dos instrumentos, recebi dos sacerdotes a empunhadura do archote que ilumina os fundamentos, a orientação secreta pra ficar em sintonia com o Orixá de cada dia, pra receber a energia que cura, que alivia e neutraliza a magia fria dos maus momentos. 

Assim, ao som dos tambores, Xangô desceu de Aruanda trazendo seus dois machados e os cruzou no meu peito, realizou os preceitos; e, então, já quase eleito um Alabê iniciado fui levado em cortejo até a beira do rio. 

E ao som dos cânticos sagrados, recebi a grande honraria: ser portador de um colar, uma guia, que foi por Oxum batizada, pertencer à hierarquia dos que vivem em sintonia com o raio que Xangô envia rumo ao palácio das águas (p.18).

Madiba, primo e melhor amigo de Ogundana vai ao encontro dele, pois não o deixaria viajar sozinho rumo ao desconhecido que ele, Madiba, também queria alcançar. Ogundana o define como aquele que trazia consigo, além da força dos destemidos, a luz do sexto sentido que brilha nos olhos dos iniciados. 

Embora fosse um menino, assim como ele, inocente, Madiba era um sábio, tinha a intuição dos magos, a lucidez dos videntes (p.29).

Mas Madiba adoece parte, e o momento de sua passagem é requintada reflexão de fé na existência do mundo espiritual e nas razões que a razão desconhece. A dor de Ogundana é dilacerante e a poesia gerada dessa dor nos ajuda a compreender e superar nossas dores causadas por perdas:
Conduzido pela dor, fui levado ao traiçoeiro reino da apatia. 

Lá, sujeito às bruxarias silenciosas e à música furiosa daquele mundo sombrio, caí no mais denso e frio estado de melancolia. Não mais levantei os olhos para contemplar o firmamento; e, sem o sábio aconselhamento das estrelas, distante da luminosidade solar e do carinhoso olhar da lua cheia, cheguei a perder de vista o elo resplandecente da poderosa corrente que une os deuses da minha aldeia. 

Era como um açoite, a escuridão da noite, toda vez que ela chegava. E eu sofria pesadelos, acordava assustado. 
 
Ainda na inocência, confundia a luz da vidência com as trevas dos maus presságios(p.35).

Antes disso, a lucidez de Madiba diante da morte iminente, impressiona. 

Ogundana, sinto muito, mas acho que chegou a hora. Minha razão, já está em silêncio, não encontrou nenhuma resposta, e já não faz nenhuma pergunta. Mas a tua, vai estar mais forte que nunca, depois da minha partida, pode deixá-lo de costas pra luz do seu espírito, e, te mergulhar em suas próprias sombras, arruinar sua vida. A razão quase sempre zomba da percepção da alma. Não aceite a hostilidade, segue em busca da verdade, confia nas divindades, que com o tempo, ela se acalma (p. 32 e 33).

Ainda em estado aflitivo, Ogundana prossegue a caminhada. Sonha com um rei altivo e carinhoso, senhor de belo reinado que lhe dá conselhos plenos de sabedoria: (...) 

Todos nós estamos sujeitos a cair nas armadilhas da tristeza. Não percas a delicadeza, só ela traz a clareza quando a estrada é sombria, mantém-te em vigília. Às vezes parece que tarda a chegar o tempo das flores. Mas é que a natureza o guarda porque sabe que os pintores, os que fabricam as cores, moram em outras estações.

E por isso ela espera até que outros artistas procurem-na e felizes lhe digam: Querida mãe natureza, já temos todos os matizes pra pintar sua primavera (p.37).

Uma das mais belas partes do livro vem logo a seguir, um diálogo entre o rio Nilo e o deserto, feito por meio dos viajantes que trazem a um, notícias do outro. 

Há também reflexões profundas sobre a vida e a paixão, uma nos joga na estrada e a outra em algum lugar nos espera, e, finalmente, sobre a difícil decisão de persistir no caminho, de atender ao chamado da vida: Hesitei, não por me faltar coragem, mas o ritual de passagem de um mundo conhecido pra outro tão longe de nossas raízes é um ato violento.
Correu por dentro de mim como um raio, quase me levou ao desmaio, uma assustadora sensação de saudade (...) Chorei. Não como uma criança, mas como um homem que tem esperança, um homem que acredita que a estrada ama os caminheiros, que crê ser do mundo um passageiro e que não deve descansar enquanto o corpo a alma puder levar ao encontro de novos companheiros (p.53).

A partir daí, a poesia reinante se torna episódica.
 
Há mudanças no tom do texto, adota-se um coloquialismo excessivo que destoa da elaborada linguagem anterior. 

O maior mérito dos restantes três quartos do livro, a meu ver, é destacar a simultaneidade da presença de Ogundana, um africano, ao período de vida de Jesus Cristo na Galiléia. Ou seja, o autor mostra o intercruzamento de mundos que não eram estanques, cujas fronteiras eram transpostas e ocorria o diálogo, mesmo que entre estrangeiros, entenda-se, pessoas e culturas em permanente estranhamento.

Ao final, uma grande surpresa, Ogundana não seria uma personagem de ficção? Teria existido? Seria hoje uma entidade espiritual, o Alabê de Jerusalém, que se comunica com os humanos ancorado em uma plêiade de pretos velhos resplandecentes? 

Se assim for, pode ser desculpada uma ou outra incongruência temporal da obra, por exemplo, o fato de uma personagem que viveu há dois mil anos afirmar que não poderia deixar de adotar um determinado comportamento por conta de ideologia. 

A palavra ideologia sequer existia naquela época, é construção política do século XVIII.

Mas é também um bom impasse literário, ou foi problema de revisão, de falta de leitura crítica, ou solução de espírito atemporal que vive em múltiplas eras e incorpora distintas linguagens.

"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal 頡 lei"
Allan Kardec.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Tira Dúvidas nº 15

085 - Assentamento Vibratório

                  CARTA DO CHEFE SEATLE

ChefeSeatle
Carta do Cacique americano ao Presidente dos Estados Unidos da América
Em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena Seatle a vender suas terras.
Como resposta, o chefe enviou uma carta ao presidente que se tornou famosa em todo o mundo. Seu conteúdo merece uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por todos, por esta e pelas futuras gerações.
Decorridos quase dois séculos da carta do cacique indígena Seatle ao Presidente do Estados Unidos, suas lições permanecem atuais e proféticas, para todos aqueles que sabem enxergar no fundo do conteúdo de sua mensagem.
A carta do cacique Seatle é uma lição inesgotável de amor à natureza e à vida, que permanece na consciência de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. É o hino de todos aqueles que amam a natureza e tudo o que nela vive. A cada leitura, renovamos os ensinamentos que ali estão.
Serve para ler e reler e passar adiante para que todos a conheçam.
No Brasil, existiam em torno de 4 milhões de indígenas, quando os colonizadores chegaram. Hoje, restam cerca de 200 mil! Embora o indígena tenha contribuído de forma essencial para a miscigenação da raça brasileira, é certo que foram sendo expulsos de suas terras pelos exploradores e eliminados por doenças contraídas através do convívio com os brancos.
Atualmente, continuam sofrendo a invasão de suas terras por madeireiros, fazendeiros e garimpeiros, seus principais algozes.
É fundamental que seja preservada a riqueza de sua cultura, suas danças, ritos, conhecimentos sobre as plantas e animais e as formas de viver em harmonia com a natureza. Os indígenas possuem uma sabedoria milenar que precisamos aprender a ouvir.
A história dos indígenas em cada país onde existiam, antes do homem branco, é diferente nas suas particularidades, mas no seu conteúdo são iguais. Nos Estados Unidos ou no Brasil, os problemas enfrentados pelos indígenas foram
os mesmos. Daí esse sentimento de solidariedade e cooperação que existe entre os diferentes povos indígenas e essa sabedoria milenar da qual todos nós temos muito que aprender.
        CARTA DO CHEFE INDÍGENA SEATLE
“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro (…).

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem deve tratar os animais desta terra como seus irmãos (…)

O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a Terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra.

Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. 
De uma coisa estamos certos ( e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas não é possível. Ela é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho. 
A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar o seu Criador. 
Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. 
Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. 
Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está a árvore? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. 
É o final da vida e o início da sobrevivência.
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do meu povo. 
A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho (…).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas a idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do
meu povo. 
A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho (…).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. 
Se vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, devem ensinar às crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. 
O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. 
Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. 
Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. 
Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita.
 A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. 
Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. 
Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa (…). Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei. Nossos costumes são diferentes dos seus.
A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há lugar quieto nas cidades do homem branco. 
Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. 
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. 
O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? 
Eu sou um homem vermelho e não compreendo.
O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes.
Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. 
A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. 
Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. 
Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa (…). Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.”
fonte: http://www.comitepaz.org.br/chefe_seattle.htm

Uma excelente reflexão para todos as pessoas, principalmente para nós, os umbandistas, que consideramos a natureza sagrada, onde vibram nossos orixás.
Saravá!
São Vicente,20/04/2015
Manoel Lopes

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dificuldades????? Leiam e reflitam se essas mensagens não nos trazem meios de enfrentá-las!!!!!!

Sábias Palavras Sobre A Dificuldade

A vida é um desafio, um teste. Nós deixamos maus pensamentos tomarem conta da nossa cabeça, e não conseguimos ver as dificuldades com a clareza necessária para enfrentá-las. Portanto, pare um pouco, alguns minutos por dia, e pense nessas frases que coletamos para você. Sempre há a esperança de dias melhores.
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 
Superar as Dificuldades
 

domingo, 19 de abril de 2015

Entenda um pouco do início da Religiosidade....

Escribas -

Nome dado, a princípio, aos secretários dos reis de Judá e a certos intendentes dos exércitos judeus. Mais tarde, foi aplicado especialmente aos doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Faziam causa comum com os fariseus, de cujos princípios partilhavam, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí o envolvê-los Jesus na reprovação que lançava aos fariseus.

Essênios ou esseus - 

Também seita judia fundada cerca do ano 150 antes de Jesus Cristo, ao tempo dos macabeus, e cujos membros, habitando uma espécie de mosteiros, formavam entre si uma como associação moral e religiosa. Distinguiam-se pelos costumes brandos e por austeras virtudes, ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura. Contrários aos saduceus sensuais, que negavam a imortalidade; aos fariseus de rígidas práticas exteriores e de virtudes apenas aparentes, nunca os essênios tomaram parte nas querelas que tornaram antagonistas aquelas duas outras seitas. Pelo gênero de vida que levavam, assemelhavam-se muito aos primeiros cristãos, e os princípios da moral que professavam induziram muitas pessoas a supor que Jesus, antes de dar começo à sua missão pública, lhes pertencera à comunidade. E certo que ele há de tê-la conhecido, mas nada prova que se lhe houvesse filiado, sendo, pois, hipotético tudo quanto a esse respeito se escreveu. (1)

Fariseus -

(do hebreu parush, divisão, separação). - A tradição constituía parte importante da teologia dos judeus.
Consistia numa compilação das interpretações sucessivamente dadas ao sentido das Escrituras e tomadas artigos de dogma. Constituía, entre os doutores, assunto de discussões intermináveis, as mais das vezes sobre simples questões de palavras ou de formas, no gênero das disputas teológicas e das sutilezas da escolástica da Idade Média. Daí nasceram diferentes seitas, cada uma das quais pretendia ter o monopólio da verdade, detestando-se umas às outras, como sói acontecer.
Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus, que teve por chefe Hillel (2), doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que só se devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a 180 ou 200 anos antes de Jesus Cristo.
Os fariseus, em diversas épocas, foram perseguidos, especialmente sob Hircano -soberano pontífice e rei dos judeus -, Aristóbulo e Alexandre, rei da Síria. Este último, porém, lhes deferiu honras e restituiu os bens, de sorte que eles readquiriram o antigo poderio e o conservaram até à ruína de Jerusalém, no ano 70 da era cristã, época em que se lhes apagou o nome, em conseqüência da dispersão dos judeus.
Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimigos dos inovadores, afetavam grande severidade de princípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, excessiva ânsia de dominação. Tinham a religião mais como meio de chegarem a seus fins, do que como objeto de fé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exterioridade e da ostentação; entretanto, por umas eoutras, exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas. Daí o serem muito poderosos em Jerusalém.
Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, nº. 4.) Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, que, na lei, preferia o espírito, que vivifica, a letra, que mata, se aplicou, durante toda a sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia, pelo que tinha neles encarniçados inimigos. Essa a razão por que se ligaram aos príncipes dos sacerdotes para amotinar contra ele o povo e eliminá-lo.

Nazarenos -

Nome dado, na antiga lei, aos judeus que faziam voto, ou perpétuo ou temporário, de guardar perfeita pureza. Eles se comprometiam a observar a castidade, a abster-se de bebidas alcoólicas e a conservar a cabeleira.
Sansão, Samuel e João Batista eram nazarenos. Mais tarde, os judeus deram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré. Também foi essa a denominação de uma seita herética dos primeiros séculos da era cristã, a qual, do mesmo modo que os ebionitas, de quem adotava certos princípios, misturava as práticas do moisaísmo com os dogmas cristãos, seita essa que desapareceu no século quarto.

Portageiros - 

Eram os arrecadadores de baixa categoria, incumbidos principalmente da cobrança dos direitos de entrada nas cidades. Suas funções correspondiam mais ou menos à dos empregados de alfândega e recebedores dos direitos de barreira. Compartilhavam da repulsa que pesava sobre os publicanos em geral. Essa a razão por que, no Evangelho, se depara freqüentemente com a palavra publicano ao lado da expressão gente de má vida. Tal qualificação não implicava a de debochados ou vagabundos. Era um termo de desprezo, sinônimo de gente de má companhia, gente indigna de conviver com pessoas distintas.

Publicanos Eram assim chamados, na antiga Roma, os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, quer em Roma mesma, quer nas outras partes do Império.

Eram como os arrendatários gerais e arrematadores de taxas do antigo regímen na França e que ainda existem nalgumas legiões.

Os riscos a que estavam sujeitos faziam que os olhos se fechassem para as riquezas que muitas vezes adquiriam e que, da parte de alguns, eram frutos de exações e de lucros escandalosos. O nome de publicano se estendeu mais tarde a todos os que superintendiam os dinheiros públicos e aos agentes subalternos. Hoje esse termo se emprega em sentido pejorativo, para designar os financistas e os agentes pouco escrupulosos de negócios. 

Diz-se por vezes:
Ávido como um publicano, rico como um publicano, com referência a riquezas de mau quilate.
De toda a dominação romana, o imposto foi o que os judeus mais dificilmente aceitaram e o que mais irritação causou entre eles. Dai nasceram várias revoltas, fazendo-se do caso uma questão religiosa, por ser considerada contrária à Lei. Constituiu-se, mesmo, um partido poderoso, a cuja frente se pôs um certo Judá, apelidado o Gaulonita, tendo por principio o não pagamento do imposto, Os judeus, pois, abominavam a este e, como consequência, a todos os que eram encarregados de arrecadá-lo, donde a aversão que votavam aos publicanos de todas as categorias, entre os quais podiam encontrar-se pessoas muito estimáveis, mas que, em virtude das suas funções, eram desprezadas, assim como os que com elas mantinham relações, os quais se viam atingidos pela mesma reprovação. Os judeus de destaque consideravam um comprometimento ter com eles intimidade.

Saduceus - 

Seita judia, que se formou por volta do ano 248 antes de Jesus Cristo e cujo nome lhe veio do de Sadoc, seu fundador. Não criam na imortalidade, nem na ressurreição, nem nos anjos bons e maus.

Entretanto, criam em Deus; nada, porém, esperando após a morte, só o serviam tendo em vista recompensas temporais, ao que, segundo eles, se limitava a providência divina. 

Assim pensando, tinham a satisfação dos sentidos tísicos por objetivo essencial da vida. Quanto às Escrituras, atinham-se ao texto da lei antiga. Não admitiam a tradição, nem interpretações quaisquer. Colocavam as boas obras e a observância pura e simples da Lei acima das práticas exteriores do culto. Eram, como se vê, os materialistas, os deístas e os sensualistas da época.

Seita pouco numerosa, mas que contava em seu seio importantes personagens e se tornou um partido político oposto constantemente aos fariseus.

Samaritanos 

Após o cisma das dez tribos, Samaria se constituiu a capital do reino dissidente de Israel. Destruída e reconstruída várias vezes, tomou-se, sob os romanos, a cabeça da Samaria, uma das quatro divisões da Palestina. Herodes, chamado o Grande, a embelezou de suntuosos monumentos e, para lisonjear Augusto, lhe deu o nome de Augusta, em grego Sebaste.

Os samaritanos estiveram quase constantemente em guerra com os reis de Judá. Aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para tornarem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela celebração das festas religiosas, construiram para si um templo particular e adotaram algumas reformas. Somente admitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, e rejeitavam todos os outros livros que a esse foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antigüidade. 

Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos. Ó antagonismo das duas nações tinha, pois, por fundamento único a divergência das opiniões religiosas; se bem fosse a mesma a origem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes desse tempo.

Ainda hoje se encontram samaritanos em algumas regiões do Levante, particularmente em Nablus e em Jafa.

Observam a lei de Moisés com mais rigor que os outros judeus e só entre si contraem alianças.

Sinagoga - 

(do grego synagogê, assembléia, congregação). - 

Um único templo havia na Judéia, o de Salomão, em Jerusalém, onde se celebravam as grandes cerimônias do culto. Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinação para as festas principais, como as da Páscoa, da Dedicação e dos Tabernáculos. Por ocasião dessas festas é que Jesus também costumava ir lá. As outras cidades não possuíam templos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeus se reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelas também se realizavam leituras dos livros sagrados, seguidas de explicações e comentários, atividades das quais qualquer pessoa podia participar. Por isso é que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas.

Desde a ruína de Jerusalém e a dispersão dos judeus, as sinagogas, nas cidades por eles habitadas, servem-lhes de templos para a celebração do culto.
Terapeutas - 

(do grego therapeutai, formado de therapeuein, servir, cuidar, isto é: servidores de Deus, ou curadores)

- Eram sectários judeus contemporâneos do Cristo, estabelecidos principalmente em Alexandria, no Egito. Tinham muita relação com os essênios, cujos princípios adotavam, aplicando-se, como esses últimos, à prática de todas as virtudes. Eram de extrema frugalidade na alimentação. Também celibatários, votados à contemplação e vivendo vida solitária, constituíam uma verdadeira ordem religiosa. Fílon, filósofo judeu platônico, de Alexandria, foi o primeiro a falar dos terapeutas, considerando-os uma seita do judaísmo. Eusébio, S. Jerônimo e outros Pais da Igreja pensam que eles eram cristãos. Fossem tais, ou fossem judeus, o que é evidente é que, do mesmo modo que os essênios, eles representam o traço de união entre o Judaísmo e o Cristianismo. Escribas -
Nome dado, a princípio, aos secretários dos reis de Judá e a certos intendentes dos exércitos judeus. Mais tarde, foi aplicado especialmente aos doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Faziam causa comum com os fariseus, de cujos princípios partilhavam, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí o envolvê-los Jesus na reprovação que lançava aos fariseus.

Essênios ou esseus - 

Também seita judia fundada cerca do ano 150 antes de Jesus Cristo, ao tempo dos macabeus, e cujos membros, habitando uma espécie de mosteiros, formavam entre si uma como associação moral e religiosa. Distinguiam-se pelos costumes brandos e por austeras virtudes, ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura. Contrários aos saduceus sensuais, que negavam a imortalidade; aos fariseus de rígidas práticas exteriores e de virtudes apenas aparentes, nunca os essênios tomaram parte nas querelas que tornaram antagonistas aquelas duas outras seitas. Pelo gênero de vida que levavam, assemelhavam-se muito aos primeiros cristãos, e os princípios da moral que professavam induziram muitas pessoas a supor que Jesus, antes de dar começo à sua missão pública, lhes pertencera à comunidade. E certo que ele há de tê-la conhecido, mas nada prova que se lhe houvesse filiado, sendo, pois, hipotético tudo quanto a esse respeito se escreveu. (1)

Fariseus - 

(do hebreu parush, divisão, separação).

A tradição constituía parte importante da teologia dos judeus.
Consistia numa compilação das interpretações sucessivamente dadas ao sentido das Escrituras e tomadas artigos de dogma. Constituía, entre os doutores, assunto de discussões intermináveis, as mais das vezes sobre simples questões de palavras ou de formas, no gênero das disputas teológicas e das sutilezas da escolástica da Idade Média. Daí nasceram diferentes seitas, cada uma das quais pretendia ter o monopólio da verdade, detestando-se umas às outras, como sói acontecer.
Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus, que teve por chefe Hillel (2), doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que só se devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a 180 ou 200 anos antes de Jesus Cristo.

Os fariseus, em diversas épocas, foram perseguidos, especialmente sob Hircano -soberano pontífice e rei dos judeus -, Aristóbulo e Alexandre, rei da Síria. Este último, porém, lhes deferiu honras e restituiu os bens, de sorte que eles readquiriram o antigo poderio e o conservaram até à ruína de Jerusalém, no ano 70 da era cristã, época em que se lhes apagou o nome, em conseqüência da dispersão dos judeus.

Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimigos dos inovadores, afetavam grande severidade de princípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, excessiva ânsia de dominação. Tinham a religião mais como meio de chegarem a seus fins, do que como objeto de fé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exterioridade e da ostentação; entretanto, por umas eoutras, exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas. Daí o serem muito poderosos em Jerusalém.

Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, nº. 4.) Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, que, na lei, preferia o espírito, que vivifica, a letra, que mata, se aplicou, durante toda a sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia, pelo que tinha neles encarniçados inimigos. Essa a razão por que se ligaram aos príncipes dos sacerdotes para amotinar contra ele o povo e eliminá-lo.

Nazarenos - 

Nome dado, na antiga lei, aos judeus que faziam voto, ou perpétuo ou temporário, de guardar perfeita pureza. Eles se comprometiam a observar a castidade, a abster-se de bebidas alcoólicas e a conservar a cabeleira.

Sansão, Samuel e João Batista eram nazarenos. Mais tarde, os judeus deram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré. Também foi essa a denominação de uma seita herética dos primeiros séculos da era cristã, a qual, do mesmo modo que os ebionitas, de quem adotava certos princípios, misturava as práticas do moisaísmo com os dogmas cristãos, seita essa que desapareceu no século quarto.

Portageiros - 

Eram os arrecadadores de baixa categoria, incumbidos principalmente da cobrança dos direitos de entrada nas cidades. Suas funções correspondiam mais ou menos à dos empregados de alfândega e recebedores dos direitos de barreira. Compartilhavam da repulsa que pesava sobre os publicanos em geral. Essa a razão por que, no Evangelho, se depara freqüentemente com a palavra publicano ao lado da expressão gente de má vida. Tal qualificação não implicava a de debochados ou vagabundos. Era um termo de desprezo, sinônimo de gente de má companhia, gente indigna de conviver com pessoas distintas.

Publicanos 

Eram assim chamados, na antiga Roma, os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, quer em Roma mesma, quer nas outras partes do Império.

Eram como os arrendatários gerais e arrematadores de taxas do antigo regímen na França e que ainda existem nalgumas legiões.

Os riscos a que estavam sujeitos faziam que os olhos se fechassem para as riquezas que muitas vezes adquiriam e que, da parte de alguns, eram frutos de exações e de lucros escandalosos. O nome de publicano se estendeu mais tarde a todos os que superintendiam os dinheiros públicos e aos agentes subalternos. Hoje esse termo se emprega em sentido pejorativo, para designar os financistas e os agentes pouco escrupulosos de negócios. 

Diz-se por vezes:
Ávido como um publicano, rico como um publicano, com referência a riquezas de mau quilate.
De toda a dominação romana, o imposto foi o que os judeus mais dificilmente aceitaram e o que mais irritação causou entre eles. Dai nasceram várias revoltas, fazendo-se do caso uma questão religiosa, por ser considerada contrária à Lei. Constituiu-se, mesmo, um partido poderoso, a cuja frente se pôs um certo Judá, apelidado o Gaulonita, tendo por principio o não pagamento do imposto, Os judeus, pois, abominavam a este e, como consequência, a todos os que eram encarregados de arrecadá-lo, donde a aversão que votavam aos publicanos de todas as categorias, entre os quais podiam encontrar-se pessoas muito estimáveis, mas que, em virtude das suas funções, eram desprezadas, assim como os que com elas mantinham relações, os quais se viam atingidos pela mesma reprovação. Os judeus de destaque consideravam um comprometimento ter com eles intimidade.

Saduceus - 

Seita judia, que se formou por volta do ano 248 antes de Jesus Cristo e cujo nome lhe veio do de Sadoc, seu fundador. Não criam na imortalidade, nem na ressurreição, nem nos anjos bons e maus.
Entretanto, criam em Deus; nada, porém, esperando após a morte, só o serviam tendo em vista recompensas temporais, ao que, segundo eles, se limitava a providência divina. 

Assim pensando, tinham a satisfação dos sentidos tísicos por objetivo essencial da vida. Quanto às Escrituras, atinham-se ao texto da lei antiga. Não admitiam a tradição, nem interpretações quaisquer. Colocavam as boas obras e a observância pura e simples da Lei acima das práticas exteriores do culto. Eram, como se vê, os materialistas, os deístas e os sensualistas da época.

Seita pouco numerosa, mas que contava em seu seio importantes personagens e se tornou um partido político oposto constantemente aos fariseus.

Samaritanos 

Após o cisma das dez tribos, Samaria se constituiu a capital do reino dissidente de Israel. Destruída e reconstruída várias vezes, tomou-se, sob os romanos, a cabeça da Samaria, uma das quatro divisões da Palestina. Herodes, chamado o Grande, a embelezou de suntuosos monumentos e, para lisonjear Augusto, lhe deu o nome de Augusta, em grego Sebaste.

Os samaritanos estiveram quase constantemente em guerra com os reis de Judá. Aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para tornarem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela celebração das festas religiosas, construiram para si um templo particular e adotaram algumas reformas

Somente admitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, e rejeitavam todos os outros livros que a esse foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antigüidade

 Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos. Ó antagonismo das duas nações tinha, pois, por fundamento único a divergência das opiniões religiosas; se bem fosse a mesma a origem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes desse tempo.

Ainda hoje se encontram samaritanos em algumas regiões do Levante, particularmente em Nablus e em Jafa.
Observam a lei de Moisés com mais rigor que os outros judeus e só entre si contraem alianças.

Sinagoga - 

(do grego synagogê, assembléia, congregação). - 

Um único templo havia na Judéia, o de Salomão, em Jerusalém, onde se celebravam as grandes cerimônias do culto. Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinação para as festas principais, como as da Páscoa, da Dedicação e dos Tabernáculos. Por ocasião dessas festas é que Jesus também costumava ir lá. 

 As outras cidades não possuíam templos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeus se reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelas também se realizavam leituras dos livros sagrados, seguidas de explicações e comentários, atividades das quais qualquer pessoa podia participar

Por isso é que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas.
Desde a ruína de Jerusalém e a dispersão dos judeus, as sinagogas, nas cidades por eles habitadas, servem-lhes de templos para a celebração do culto.

Terapeutas - 

(do grego therapeutai, formado de therapeuein, servir, cuidar, isto é: servidores de Deus, ou curadores). 

- Eram sectários judeus contemporâneos do Cristo, estabelecidos principalmente em Alexandria, no Egito. 

Tinham muita relação com os essênios, cujos princípios adotavam, aplicando-se, como esses últimos, à prática de todas as virtudes. 

Eram de extrema frugalidade na alimentação. Também celibatários, votados à contemplação e vivendo vida solitária, constituíam uma verdadeira ordem religiosa

Fílon, filósofo judeu platônico, de Alexandria, foi o primeiro a falar dos terapeutas, considerando-os uma seita do judaísmo. Eusébio, S. Jerônimo e outros Pais da Igreja pensam que eles eram cristãos. 

Fossem tais, ou fossem judeus, o que é evidente é que, do mesmo modo que os essênios, eles representam o traço de união entre o Judaísmo e o Cristianismo.


"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal 頡 lei"
Allan Kardec.

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