terça-feira, 1 de janeiro de 2019

TEM OU NÃO TEM ?

Alexandre Cumino

                 
Umbanda tem fundamento

A Religião de Umbanda foi fundada aqui no Brasil dia 15 de Novembro de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do seu médium Zélio Fernandino de Moraes.

O Caboclo se manifestou em uma sessão Kardecista em Niterói onde anunciou:

“Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e há de perdurar até o final dos séculos... Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos àqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.”

Assim o Caboclo das Sete encruzilhadas fundou a primeira tenda de Umbanda, “Tenda Nossa Senhora da Piedade”, mantida até hoje pela filha de Zélio, Zilméia de Moraes. Ali mesmo o caboclo previu muitos acontecimentos históricos que viriam a acontecer como a primeira e segunda grande guerras e algumas revelações como a de que ele mesmo teria sido em outra encarnação o Padre Gabriel de Malagrida sacrificado na fogueira da inquisição por ter previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755, em sua ultima encarnação teve o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro. Assim temos que a “Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”, Zilméia, filha de Zélio de Moraes, afirma que “Umbanda é Amor e Caridade”. Da casa do Zélio vieram muitas outras casas que se multiplicaram em outras tantas, mas muitas outras viriam depois sem nenhuma ligação material com a primeira, pois a mediunidade surge em todos os cantos e através dela se manifestam as entidades de Umbanda, independente dos laços físicos ou iniciações.

O crescimento da Umbanda foi vertiginoso, em sentido horizontal, sem “Papas”, com pouca hierarquia, sem núcleo, sem unidade, sem um órgão que unisse a todos, pois ela simplesmente se manifesta e pede muito pouco para se manter.

A Umbanda não foi codificada, como foi o kardecismo em sua origem por Hippolyte Leon Denizard Rivail (Livro dos espíritos, Livro dos médiuns, Evangelho Segundo Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese), a Umbanda foi manifestada e o kardecismo esclarecido, por isso temos muito a aprender com o Kardecismo sobre esclarecimento e eles muito a aprender conosco sobre manifestação.

Costumo dizer que se não temos uma “Bíblia Umbandista”, todos os livros sagrados da humanidade são nossos, para extrairmos o que eles tiverem de melhor, temos a liberdade de estudar a Bíblia Cristã, o Tora (Judeu), O Alcorão (Muçulmano), O Tao Te Ching (Chinês), O Zend Avesta (Persa), Os Vedas (Hindu) e tantos outros. Não temos 10 mandamentos Católicos, mas nos basta apenas um mandamento: “Amar ao próximo como a si mesmo e Deus acima de todas as coisas”.

Não temos sete pecados capitais (gula, avareza, inveja, ira, luxuria, orgulho e preguiça) porque não acreditamos em pecado, mas cremos em vicios e virtudes, nos sete sentidos da vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração) dentro de nosso livre arbítrio, onde o que se volta para o ego torna-se vicio. Não temos dogma nem tabu, pois na Umbanda ninguém é obrigado a aceitar nada, mas o conhecimento vai sendo absorvido naturalmente e da mesma forma a própria religião evolui e se adapta.

Umbanda não é uma seita religiosa, Umbanda é religião, portanto tem seus fundamentos próprios que devem ser esclarecidos. O conceito de seita é muito antigo e vem da época em que haviam religiões oficiais, onde aqueles que se opunham de alguma forma àquela liturgia, formando grupos discidentes, eram chamados de seitas e portanto considerados “hereges”, à margem da sociedade. Hoje em dia o termo seita é muito mais utilizado para identificar grupos de fanáticos religiosos, que mantém facções em cima de práticas e conceitos que vão contra o bom senso comum. A Umbanda não é um grupo discidente, não surgiu para se opor a ninguém, não usamos métodos de conversão ou fanatismo doutrinário, as práticas religiosas jamais poderão atentar contra o bom senso ou os valores de moral comum. Com base nestes dados podemos dizer com certeza que Umbanda é religião e o que está surgindo é uma base umbandista, com fundamentos umbandistas, diretamente recebidos pela espiritualidade.

O objetivo das religiões é religar o homem a Deus, simples, cada uma de uma forma diferente, pois diferentes são as culturas, não existem religiões melhores que as outras. O Catolicismo é a melhor religião do mundo para o Católico, da mesma forma o Judaísmo para o Judeu, o Islamismo para o Islâmico, Budismo para o Budista, Kardecismo para o Kardecista (embora muitos não o consideram como religião) e Umbanda é a melhor religião do mundo para os Umbandistas, ao mesmo tempo uma não é melhor que a outra, mas satisfazem necessidades sociais, culturais, grupais e individuais. Podemos e devemos absorver o conhecimento de outras religiões, ampliando assim nosso universo espiritual. Na verdade temos a aprender com todos e todos têm a aprender conosco, quando a única religião for o Amor, o que existirão serão práticas diferentes deste Amor, Umbanda é a nossa prática do Amor.

A Umbanda surge da necessidade de uma nova realidade cultural miscigenada, do encontro destas culturas do índio brasileiro, do negro africano e do branco europeu somando uma riqueza espiritual muito grande de um novo povo, que não se enquadra mais nos moldes clássicos de religiosidade, um povo que não aceita fronteira espiritual, que não aceita tabus ou dogmas, um povo que além de tudo isso vive na era da informação. As práticas da Umbanda são milenares como a defumação, magia natural e cerimonial, manifestação mediúnica, adoração às divindades e principalmente o culto a natureza onde o divino se manifesta em sua forma mais pura, estas práticas são tão antigas quanto as lendas da Lemuria e Atlântida, atraindo para a Umbanda espíritos muito antigos, ancestrais já fora do circulo reencarnacionista, que adaptam à simplicidade da Umbanda seu conhecimento já esquecido pela humanidade, verdadeiras egrégoras de remanescentes de outras religiões extintas na matéria formam linhas de trabalho dentro da Umbanda. Parece difícil conceber ou organizar tudo isso, mas “a Umbanda traz em si energia divina viva e atuante à qual nos sintonizamos a partir de nossas vibrações mentais, racionais e emocionais, energias estas que se amoldam segundo nosso entendimento do mundo.”

Cada um ou cada grupo umbandista realiza seus trabalhos, sessões, segundo seu ponto de vista, sem deixar de ser umbanda. Cada casa, templo ou tenda é diferente um do outro e todos são centros ou “igrejas de umbanda”. O que há em comum é a essência e não a forma! Mas é tudo muito novo, se compararmos com outras religiões a Umbanda que tem quase 100 anos não está nem engatinhando, enquanto muitos acham que ela já é uma “velha senhora”, tudo está por fazer na Umbanda, principalmente no campo do esclarecimento da essência. Muitos estudam a forma, o trabalho realizado dentro do seu grupo (tenda), quando observam um outro grupo afirmam que o outro não é Umbanda por ser diferente, este é um comportamento muito infantil ou de pessoas de má fé, pois: O seu terreiro é Umbanda, mas, Umbanda é o seu terreiro e muito mais, é todos ao mesmo tempo e muito mais, pois ela não está limitada em paredes, ela não está codificada, ela é livre e esta é uma das maravilhas da Umbanda. Agora é preciso entendermos a essência da Umbanda, que são os fundamentos de Umbanda, que só a espiritualidade pode nos passar.

“Umbanda tem fundamento” 

Desde a origem da religião ouvimos falar de “Sete Linhas de Umbanda” e cada um ensinou o que era sete linhas da sua forma, mas ninguém havia ensinado o que é a essência das sete linhas que absorve em si todas as formas. A espiritualidade através da mediunidade de Rubens Saraceni nos esclareceu que as Sete Linhas de Umbanda são as sete vibrações de Deus, pois tudo ele cria de forma sétupla, como as sete cores do arco íris em sintonia com nossos sete chacras. Isto é essência pois na forma para os que acham que sete linhas de Umbanda são Sete Orixás, dizemos sete Orixás são manifestadores de sete vibrações, outros acham que sete linhas de Umbanda são sete santos católicos, dizemos sete santos se manifestam em sete vibrações, outros dizem que sete linhas de umbanda são sete cores do arco íris e dizemos sete cores do arco íris é a manifestação visual das sete vibrações de Deus, outros ainda dizem que sete linhas de umbanda são sete arcanjos e voltamos mais uma vez em sete vibrações de Deus, pois sete linhas também não cabe em uma forma mas são sim a essência de tantas interpretações. Quando encontrar alguém discutindo quais são as verdadeiras sete linhas de umbanda lembre-se disso: estão discutindo sobre a forma e a forma pouco importa, cada um faz sob o seu ponto de vista o que importa é a essência.

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ACADEMIA: Texto= Renovação da Umbanda Urbana contemporânea: Por Luan Rocha de Campos

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