Jornal de Umbanda Sagrada - Janeiro/2015
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A PALAVRA DO EDITOR
Por ALEXANDRE CUMINO Contatos: alexandre@colegiopenabranca.com.br
Incorporação não é possessão
NA GRANDE MAIORIA das religiões, o
fenômeno que chamamos de “incorporação”
não é algo desejado e, assim,
quando alguém entra em transe, geralmente,
é algo contra a sua vontade. Por
este fato, se usa o termo possessão e se
afirma que tal pessoa está possuída. A
própria palavra implica em algo que está
sendo tomado à força, uma agressão.
Assim é, por exemplo, no catolicismo,
em que quando alguém é possuído ou
tomado, logo isso é reconhecido como
uma possessão demoníaca e o caminho
mais indicado é fazer um exorcismo.
Nas religiões Pentecostais, é costume
incorporar o espírito santo e falar em
línguas, o que também é um fenômeno
de transe. Ainda neste seguimento,
também se faz exorcismos dos capetas
ou demônios que podem estar atrapalhando
a vida de alguém. Nas novas
religiões evangélicas brasileiras, houve
uma demonização das entidades de
Umbanda, especialmente Exu e Pomba
Gira, e assim, é comum que os adeptos
incorporem estas entidades como se elas
fossem demônios que necessitam ser
expulsos. O que, do ponto de vista da
Umbanda, é um absurdo claro.
Este quadro em torno do transe,
aqui chamado de possessão, faz com
que se crie um grande quadro imaginário
em torno do que chamamos de incorporação
na Umbanda, o que confunde
um pouco, tanto quem é de fora, quanto
quem está chegando na religião.
Muitas pessoas chegam aos templos
de Umbanda acreditando que serão
possuídas pelos guias de Umbanda,
acreditam que serão tomadas de si
mesmas e que as entidades espirituais
entram em seus corpos independente de
sua vontade, o que não é verdade - com
raras exceções que devem ser analisadas
e estudadas, caso a caso, para entender
o que de fato está acontecendo.
Na Umbanda, o transe de incorporação
é algo desejado, o médium quer
estar incorporado, o médium quer viver
esta experiência, o médium admira e
ama os guias espirituais e deseja esta
proximidade. Então, quando entramos
nesta realidade de Umbanda, em que
todos querem incorporar, nos deparamos
com o fato de que incorporar não é algo
tão simples e que, embora seja para
uma grande maioria, não é para todos.
Ainda assim, há muitas dificuldades e
bloqueios que impedem a incorporação,
mas que podem ser trabalhados e neutralizados
com um bom desenvolvimento
mediúnico.
Assim, podemos definir que a palavra
“incorporação” é a mais utilizada para
definir este transe em que um médium
está manifestado com um guia de Umbanda,
o que também cria outras dificuldades
com relação à expectativa e ao
entendimento que o médium tem sobre
o que irá acontecer com ele no momento
em que seu guia espiritual se apresentar.
A palavra incorporar traz a ideia de
que alguém vai entrar em você e, desta
forma, a grande maioria acredita que, se
alguém vai entrar alguém, tem que sair
para dar espaço, e daí mais confusão
e conflitos. Afinal, na grande maioria
das vezes, quando incorporamos, nosso
espírito não sai do corpo para um outro
entrar, eles coabitam o mesmo corpo,
por isso que o médium deve aprender
a ficar quieto e não interferir para que
seu guia possa se manifestar. Há inú-
meras polêmicas em torno da palavra
“incorporação”, no entanto, não há
outra palavra que traduza melhor o que
acontece, independente do fato de um
espírito ter que “entrar” ou não em seu
corpo para se manifestar, a sensação
de quem está em transe é que alguém
está se manifestando de dentro para
fora em você.
Embora o espiritismo traga muita
luz e estudo sobre as diversas formas
de mediunidade, é muito raro encontrar
o transe de incorporação no meio espí-
rita, o que mais vemos é a psicofonia,
ou seja, a fala mediúnica, que difere do
que chamamos de “incorporação”, na
qual o médium fica totalmente caracterizado
pela forma de manifestação de
seus guias espirituais. A racionalização
do fenômeno mediúnico é algo bom
para seu entendimento, mas a racionalização
excessiva pode atrapalhar mais
que ajudar, simplesmente porque, no
processo de transe e incorporação, há
momentos em que o melhor é esquecer
de tudo que é racional ou questionável
e apenas se entregar, como um amante
se entrega a seu amor, sem medidas ou
questionamentos infindáveis.
A incorporação é um ato de amor,
no qual o médium tem a oportunidade
de unir-se misticamente a seus guias e
Orixás. Nas religiões de transe acontece
isso, algo muito especial, seus mestres e
suas divindades vem à terra e lhe tomam
como morada para sua manifestação. O
médium em si é um templo vivo recebendo
a visita das entidades, as quais
ele tem em alta conta dentro do que é
sagrado e divino. O mesmo vemos no
Candomblé, Catimbó, Pajelança, Tambor
de Mina e outras religiões dos seguimentos
afro-indígenas-brasileiro.
O transe de incorporação é uma das
manifestações mais antigas e arcaicas
de religiosidade e espiritualidade. Muito
antes de haver uma história escrita, os
xamãs de todas as culturas já entravam
em transe e recebiam espíritos e divindades
por meios dos rituais mais variados.
A incorporação não é uma invenção de
Kardec e muito menos da Umbanda,
ou de outras tradições atuais. A incorporação
é algo ancestral e visceral no
ser humano. Mesmo que encontre uma
sociedade em que nenhuma religião de
transe esteja presente, sempre haverá
pessoas que entram em transe e têm
algo de positivo como resultado de uma
incorporação.
Por isso tudo e muito mais, podemos
dizer que: “incorporação não é
possessão” e que é, de fato, algo muito
desejado na religião, antes de mais
nada, é o pilar de sustentação da Umbanda.
Afinal, a própria religião nasceu
da incorporação de um espírito chamado
Caboclo das Sete Encruzilhadas em seu
médium, Zélio de Moraes, no dia 15 de
Novembro de 1908.
Ex seminarista, com estudos, cursos diversos na amada UMBANDA incluindo o de teologia, praticante desde 1978; vi a necessidade de poder repassar o que aprendo todos dias, quer sejam textos, cursos, vídeos, e-books, aos que possam desejar, sem compromisso algum com quem quer que seja a não ser a DIVULGAÇÃO DE NOSSA AMADA UMBANDA. Se desejarem contato: acevangel@gmail.com
domingo, 20 de setembro de 2015
O QUE IMPORTA É FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM.
COMO ASSIM???
COMO ASSIM???
Já de algum tempo se popularizou no meio espírita-espiritualista-umbandista a afirmação (aforismo):
- o que importa é fazer o bem sem olhar a quem.
Vamos refletir melhor a respeito.
Quem faz o bem e não olha a quem presume que sabe o bem que este "desconhecido" precisa. Se sabe quem é o alvo do bem a ser realizado o "caldo" engrossa, pois julga saber o bem que o outro precisa.
Isto é PRESUNÇÃO.
Cria-se uma armadilha do ego, pois ao presumirmos o bem que o outro necessita, colocamo-nos como superiores, afinal não somos nós que precisamos deste bem a ser feito.
O presunçoso chega ao ápice quando avisa o outro - vou orar por você.
Agrava-se a situação se o tal indivíduo, por vezes nosso amigo ou parente, não deseja receber este bem e não é da mesma confissão religiosa que nós somos.
Ou seja, ele não permite que executemos o bem para que este bem seja realizado a seu favor: colocar o nome nas preces e irradiações, levar a roupa para o passe do preto velho (fazemos escondido muitas vezes), pedir às entidades benesses a favor dos mesmos, fazer oferendas e colocar o nome escrito do sujeito...
Muitas vezes este bem presumido é um falso bem, pois desrespeita o livre arbítrio e o merecimento do ser ao qual presumimos estar fazendo o bem, pois interferimos nas experiências que cabem ao outro passar.
Neste sentido, já dizia Paulo de Tarso:
- "pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico..."
- "pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico..."
Em verdade, não sabemos quem somos, desconhecemos nosso passado, o plano reencarnatório com nossas provas,...Assim presumimos, como pequenos "deuses", o bem que o outro precisa, no mais das vezes este outro sequer pediu ou autorizou, muito menos faz parte de nossa fé e doutrina.
Você, faz o bem sem olhar a quem???
Fica a dica de reflexão para este domingo!!!
sábado, 19 de setembro de 2015
A ORIGEM DA DOUTRINA
No Núcleo Mata Verde seguimos uma doutrina umbandista chamada Umbanda Os Sete Reinos Sagrados.
Esta doutrina vem se formando há mais de 30 anos e podemos afirmar que teve uma forte influência da ritualística seguida pelo Primado de Umbanda e pelos ensinamentos do Caboclo Mirim.
Em 2007 orientado pelo Caboclo Mata Verde e pelo Sr. Exu das Sete Encruzilhadas, recebemos autorização para iniciarmos a divulgação de forma sistemática, inclusive com a publicação do livro Umbanda Os Sete Reinos Sagrados – Ed. Ícone.
Atualmente seus princípios são ensinados aos membros do Núcleo Mata Verde, aos participantes de cursos presencias e através do portal de ensino distância (www.ead.mataverde.org )
Para entendermos como os princípios ensinados pelo Caboclo Mirim chegaram até o Núcleo Mata Verde, estamos publicando este pequeno texto, que em breve será desdobrado com informações mais detalhadas.
É importante registrar que atualmente não possuímos nenhum vínculo com o Primado de Umbanda e nem com a Tenda Mirim e que a doutrina dos sete reinos sagrados tem características próprias.
Queremos externar nossos agradecimentos ao Caboclo Mirim, nosso mestre espiritual, por todo conhecimento adquirido nestes anos.
Dentro da diversidade de fundamentos e rituais existentes na Umbanda, podemos dizer que a doutrina seguida pelo Núcleo Mata Verde, tem forte influência dos fundamentos indígenas e espíritas, procurando sempre buscar na ciência a interpretação dos fenômenos umbandistas, favorecendo a prática da umbanda de forma simples e racional.
A seguir um pouco da história da origem destes princípios.
CABOCLO PENA ROXA
Em meados de 1977 era fundada na cidade de Araraquara/SP a Tenda Espírita de Umbanda Pai Oxalá – comandada pelo Caboclo Pena Roxa.
D. Inês Bombarda através de sua mediunidade incorporava o Caboclo Pena Roxa e foi nesta época que iniciamos nossa caminhada na Umbanda incorporando o Caboclo Mata Verde.
Nesta Tenda seguíamos as orientações do Primado de Umbanda; posteriormente D. Inês se afastou do Primado e seguiu um ritual próprio de sua casa, embora ainda mantendo muitos fundamentos do Primado de Umbanda.
Foi a partir desta data que começou a tomar forma a doutrina UMBANDA OS SETE REINOS SAGRADOS , seguida pelo Núcleo Mata Verde.
CABOCLO FOLHA VERDE
D. Inês era portadora de uma mediunidade excelente e durante a década de setenta, depois de conhecer alguns Terreiros, encontrou na cidade de São Carlos a Tenda Espírita de Umbanda Caboclo Folha Verde que lhe daria os fundamentos necessários para abrir sua Tenda de Umbanda.
A Tenda de Umbanda do Caboclo Folha Verde, na cidade de São Carlos, era dirigida pelo Senhor Gevaer, um senhor alto, forte, de cabelos brancos, bem determinado e também iniciado nos mistérios da ordem maçônica.
Tive oportunidade de conhecer seu Gevaer, mas poucas vezes pudemos manter uma conversa, eu era um médium iniciante, jovem, com meus dezessete anos, e ainda bem inexperiente nos mistérios desta maravilhosa religião.
Seu Gevaer, como era conhecido, abriu seu Terreiro na década de sessenta na cidade de São Carlos e seguia as orientações do Primado de Umbanda do estado de São Paulo que nesta época era dirigido pelo senhor Felix Nascente Pinto, médium do Caboclo Arranca Toco.
CABOCLO ARRANCA TOCO
Nesta época o Primado de Umbanda era uma Federação muito forte e estava presente em vários estados, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
O Primado de Umbanda nesta época, em São Paulo, era comandado pelo senhor Felix Nascente Pinto, médium do Caboclo Arranca Toco.
Durante os anos de 1937 a 1940 concluiu a escola de formação de Chefe de Terreiro (CCT) e em 1950 fundou sua Tenda de Umbanda, a Tupã Oca do Caboclo Arranca Toco.
Em 1960 a convite do senhor Benjamim Gonçalves Figueiredo, funda no estado de São Paulo o Primado de Umbanda.
PRIMADO DE UMBANDA
A origem do Primado de Umbanda é na cidade do Rio de Janeiro e sua fundação foi em 05 de outubro de 1952, como uma Organização Federativa Nacional de caráter religioso e iniciático.
Seu primeiro Primaz foi o senhor Benjamim Gonçalves Figueiredo, médium do Caboclo Mirim.
CABOCLO MIRIM
Quem era o Caboclo Mirim?
Benjamim Gonçalves Figueiredo, começou a incorporar o Caboclo Mirim, a partir de 1920 em reuniões espíritas, nos moldes Kardecistas, que eram realizadas em sua casa.
O Caboclo então apresentou a doutrina que seria seguida pela casa.
TENDA ESPÍRITA MIRIM
No dia 13 de Março de 1924 é fundada na cidade do Rio de Janeiro, por ordem do Caboclo Mirim, a Tenda Espírita Mirim.A Tenda Espírita Mirim existe até os dias de hoje, e podemos afirmar que é seguramente uma das maiores Tendas de Umbanda do Brasil, contando com mais de dois mil médiuns e 12 filiais.
Finalizando, queremos dizer que neste pequeno texto apresentamos as origens da ritualística seguida pelo Núcleo Mata Verde; fizemos uma volta ao passado, fomos de 1920 com o início das manifestações do Caboclo Mirim até os dias atuais, são noventa anos de umbanda (outubro/2010).
Registramos nossos agradecimentos aos Caboclos que permitiram que o Núcleo Mata Verde pudesse existir.
Nossas homenagens a esta falange maravilhosa de Caboclos de Oxossi:
Caboclo Mata Verde (Saravá meu Pai espiritual)
Caboclo Pena Roxa (Saravá meu Avô espiritual)
Caboclo Folha Verde (Saravá meu bisavô espiritual)
Caboclo Arranca Toco (Sua benção)
Caboclo Mirim (Saravá meu mestre!)
Salve todos os Caboclos!
Saravá Oxossi!
Manoel Lopes – Dirigente do Núcleo Mata Verde
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Aviso de Atividade Comemorativa ao dia de Ibejada !
Festa de Cosme e Damião - 25/09/2015
Festa de Cosme e Damião
Homenagem as crianças
Dia: 25/09/2015 (sexta-feira)
Horário: 20:00 horas
Local: Rua Julio de Mesquita 209 - Santos/SP
Homenagem as crianças
Dia: 25/09/2015 (sexta-feira)
Horário: 20:00 horas
Local: Rua Julio de Mesquita 209 - Santos/SP
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