quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O que é Procrastinar ?

PROCRASTINAÇÃO 

 Procrastinação é uma arte humana desenvolvida, com pouca ou muita criatividade, para adiar suas obrigações e compromissos, para a sua realização na última hora, ou simplesmente, não as realiza-las. Para muitos isto está incorporado em sua dinâmica, para outros é o eventual. Triste está a situação daqueles espíritos, encarnados e desencarnados que  deixaram para a ultima hora seu despertar. 

Estamos em um momento das grandes mudanças, o tempo já expirou, é triste o que vemos e acompanhamos no mundo não material,  milhões de irmãos sendo degredados a novas moradas, chorando em profundo desespero, muitos até se arrependendo do que um dia fizeram, mas infelizmente não acreditaram nas palavras, zombaram, desacreditaram, e agora sofrem as consequências. 

Procrastinar o ato de profundas mudanças interiores, adiar o despertar ao amor incondicional, a compaixão a solidariedade, a construção coletiva de um mundo é uma omissão de grandes consequências para sua evolução. 

Não há mais tempo de procrastinar, o momento da mudança é o agora, não espera a renovação exterior, esta deve vir do seu interior, por maior que seja as adversidades vista. Mesmo diante de fatos e eventos depreciativos que atentam a dignidade humana, não perca a fé e a grandeza do perdão, pratique a omissão do criticar, julgar e condenar, pratique a ação do amar. Não necessitamos mais de ritos, procedimentos, alegorias, necessitamos, hoje, da verdadeira mudança, da verdadeira transformação. 

Filhos desta terra, não existe mais o amanhã, existe o hoje, o agora, nossas palavras não são mais retóricas, são um apelo a ação, ao movimento. 

Abra-se ao amor, ao amor incondicional, corrija seu rumo, se eleve ao criador, a porta está se fechando, o caminho esta estreito, não espere, pois talvez seja tarde demais. 
Pelo espírito do Padre Vieira.
Josemar Ganho (médium) Curitiba, 06/08/2018 


*** 
PAZ e LUZ


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Estudo UM bandas

                                                             
                                                          Umbandas
por Alexandre Cumino

Este texto é parte do livro História da Umbanda, é uma versão editada e adaptada para servir de
nota de aula ou parte da apostila neste Curso Virtual de Teologia de Umbanda.

Sabemos que existem várias correntes de pensamento dentro da Umbanda, e também há muitas
formas de praticá-la, ainda que todas se mantenham fiéis à participação dos espíritos nos seus trabalhos ou engiras.

Não consideramos nenhuma das correntes melhor ou pior e nem mais ou menos importante
para a consolidação da Umbanda.

Todas foram, são e sempre serão boas e importantes, pois só assim não se estabelecerá um domínio e uma paralisia geral na assimilação e incorporação de novas práticas ou conceitos renovadores.

(Rubens Saraceni, Formulário de Consagrações Umbandistas, Ed. Madras, 2005. p.19)

Há quem defenda um “tipo ideal” de Umbanda, descartando outras formas de praticá-la. Assim
uns reconhecem e outros negam as várias Umbandas, creio que podemos trilhar um caminho do meio,
no qual a Umbanda é uma na essência e diversa nas formas de praticá-la.

O UM da Unidade e a BANDA da Diversidade.

O Uno e o Verso deste Universo Umbandista.
A liberdade litúrgica permite certas variantes, desde que estas não desvirtuem seus fundamentos
básicos.

A pluralidade deve existir enquanto não coloca em risco a unidade.

Por unidade podemos entender seus fundamentos básicos, o que deve estar presente em todas as
formas ou pelo menos na maioria delas. Portanto, é pela unidade que definimos Umbanda e não pela
diversidade, que são as diversas maneiras de praticar esta unidade.

Por exemplo, podemos ter como fundamento básico de sua unidade a definição de Umbanda dada
pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio de seu médium Zélio de Moraes, em 15 de Novembro de 1908:

Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade.

Esta definição está em sua unidade, faz parte de seus fundamentos básicos, não cobrar pelos
trabalhos, logo ela pode ter variantes, mas nenhuma das tais deve apresentar-se cobrando para realizar
trabalhos espirituais.

Pois neste ponto a “diversidade” colocaria em risco a “unidade”. Desta forma, falar de Umbanda é falar de sua unidade assim como falar de Umbandas é falar de sua pluralidade.

Abaixo apresento algo desta pluralidade ou se preferir Diversidade, para nossa reflexão:

•Umbanda Branca: O termo pode ter surgido da definição de Linha Branca de Umbanda usada por
Leal de Souza e adotada por tantos outros. A ideia era de que a Umbanda era uma “Linha” do
Espiritismo ou uma forma de praticar Espiritismo, na qual a Linha Branca se divide em outras Sete
Linhas. Ao afirmar a Umbanda como Branca subentende-se muitas coisas, entre elas que possa haver
outras umbandas, de outras cores e “sabores”. Mas a questão de ser branca está muito mais ligada ao
fato de associar ao que é “claro”, “limpo”, “leve” ou simplesmente ausente do “preto”, “escuro” ou
“negro” – há um preconceito subentendido – afinal é uma Umbanda mais “branca” que “negra”, mais
europeia que afro e, porque não, mais Espírita. Geralmente usa-se esta qualificação, “Umbanda
Branca”, para definir trabalhos de Umbanda com a ausência do que chamamos de “Linha da Esquerda”,
para Leal de Souza uma “Linha Negra”. Ainda hoje muitos se identificam desta forma e geralmente o
usam como um “recurso” para “livrar-se” do preconceito de outros... como a dizer: Sou Umbandista,
mas da Umbanda Branca – como quem afirma pertencer à “Umbanda boa”. Não há uma “Umbanda
Negra” ou uma “Umbanda Ruim”, toda Umbanda é Boa.

•Umbanda Pura: Ao propor o Primeiro Congresso de Umbanda em 1941 o grupo que assumiu esta
responsabilidade esperava apresentar uma “Umbanda Pura” (“desafricanizada” e “orientalizada”),
praticada pela classe média no Rio de Janeiro. É a Umbanda praticada pelo “grupo fundador da
Umbanda” ou simplesmente o grupo intelectual carioca que lutou pela legitimação da Umbanda,
criando a Primeira Federação Espírita de Umbanda do Brasil, Primeiro Congresso Brasileiro do
Espiritismo de Umbanda e o Primeiro Jornal de Umbanda. Este grupo pretendia uma “codificação” da Umbanda em seu estado mais puro de ser. Embora a ideia de uma “Religião Pura” sempre será algo a ser questionado, independente de qual tradição lhe tenha dado origem. Do ponto de vista Histórico, Sociológico, Antropológico e até Filosófico, não há “Religião Pura”. Por trás de uma cultura sempre há outras culturas que lhe deram origem, sucessivamente desde que o Homem é homo sapiens também é homo religiosus. O Antropólogo Arthur Ramos afirma que: “As formas mais adiantadas de religião, mesmo entre os povos mais cultos, não existem em estado puro. Ao lado da religião oficial, há outras atividades subterrâneas...”. E o já citado Historiador das Religiões, Mircea Eliade, afirma: “Mas nunca será demais repetir que não há a menor probabilidade de se encontrar, em parte alguma do mundo ou da história, um fenômeno religioso ‘puro’ e perfeitamente ‘original’.” “Nenhuma religião é inteiramente ‘nova’, nenhuma mensagem religiosa elimina completamente o passado; trata-se, antes, de reorganização, renovação, revalorização, integração de elementos – e dos mais essenciais! – de uma tradição religiosa imemorial.”

•Umbanda Popular: É a prática da religião de Umbanda sem muito conhecimento de causa, sem
estudo ou interesse em entender seus fundamentos. É uma forma de religiosidade na qual vale apenas o que é dito e ensinado de forma direta pelos espíritos. O único conhecimento válido é o que veio de
forma direta em seu próprio ambiente ritualístico. Não se costuma fazer referências a outras filosofias
ou justificar suas práticas de forma “intelectualizada”. Eximindo-se de auto explicar-se reforçam a
característica mística da religião, em que, independente de “racionalizações” a prática se sustenta
devido à quantidade de resultados positivos alcançados. Podemos dizer que os adeptos muitas vezes não sabem ou têm certeza de como as coisas funcionam, mas sabem que funcionam. É aqui que muitas vezes nos deparamos com médiuns que afirmam, sobre a Umbanda, que não sabem de nada o que estão fazendo, mas que seus guias espirituais (caboclo e outros) sabem e isto lhes basta. Outrora, alguns, afirmam que médium não pode saber de nada de Umbanda para não mistificar. Muitos caem na armadilha do tempo, em que jovem de outrora agora já sabe de muita coisa que finge não saber para manter esta ideia de que nada deve saber. Enfim para nós que acreditamos no estudo dentro da religião é muito difícil abordar um seguimento que não se interesse pela leitura, embora se deva reconhecer, para não incorrer ao erro, que muitos estudam e conhecem muito das realidades espirituais que noscercam e ainda assim preferem manter-se junto a uma forma pura de contato espiritual.

•Umbanda Tradicional: Esta qualificação serve tanto para identificar a “Umbanda Branca”,
“Umbanda Pura” ou “Umbanda Popular”. Que são as formas mais antigas, mais conhecidas e mais
populares de praticar Umbanda, muito embora este perfil esteja mudando. Creio que hoje os terreiros
que se adaptaram para uma linguagem mais jovem, mais intelectualizada e racional estão em franco
crescimento, na medida em que no local de desinformação e/ou bagunça a Umbanda ainda vai secar. E neste mesmo solo vai ressurgir, nas novas gerações, que quando crianças, em algum momento,
visitaram um terreiro. Estas crianças de ontem, adultos de hoje, podem nos dizer o quanto foi
importante o trabalho da linha das crianças para a multiplicação da religião. Tantos se perguntam como criar cursos para as crianças na Umbanda, como um “catecismo” de Umbanda, ou umbanda para crianças, preocupados em como preparar e ensinar religião a nossos filhos. Se os terreiros mantivessem um trabalho periódico com a incorporação das crianças, bastava que este se torne o dia de nossos filhos na Umbanda, e que nesse dia nossos filhos aprenderiam sobre Umbanda direto com estas entidades. A curiosidade levaria nossos filhos a questionar e querer aprender mais sobre a Religião... Portanto, a ideia de estudar Umbanda está na base de crescimento e multiplicação da mesma.

•Umbanda Esotérica ou Iniciática: É uma forma de praticar a Umbanda estudando os fundamentos
ocultos, conhecidos apenas dos antigos sacerdotes egípcios, hindus, maias, incas, astecas etc. O
conhecimento esotérico, ou seja, fechado e oculto dos arcanos sagrados, é desvelado por meio de
iniciações. Foi idealizada com inspiração na obra de Blavatski, Ane Bessant, Saint-Yves D’Alveydre,
Leterre, Domingos Magarinos (Epiaga), Eliphas Levi, Papus etc. Os fundamentos esotéricos da Umbanda foram organizados pela Tenda Espírita Mirim e apresentados, alguns deles, no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda. O primeiro autor que trouxe este tema para a literatura umbandista foi Oliveira Magno, 1951, com o título A Umbanda Esotérica e Iniciática. Como vimos no capítulo anterior e veremos nos capítulos posteriores, recebeu contribuições de Tata Tancredo e Aluízio Fontenelle. A Primeira Escola Iniciática Umbandista, que se tem notícia, foi o Primado de Umbanda, mais uma iniciativa do Caboclo Mirim. Já na segunda e terceira geração de autores Umbandistas surgirão outros autores dentro deste seguimento. Costumam citar a origem da Umbanda na Atlântida ou Lemúria, no mito do AUMBANDÃ, que seria a forma mais “pura” de Umbanda.

•Umbanda Trançada, Mista e Omolocô: São nomes usados para identificar uma Umbanda praticada
com influência maior dos Cultos de Nação ou do Candomblé Brasileiro onde se combina os fundamentos e preceitos oriundos das culturas africanas com as entidades de Umbanda. Podem-se ter os tradicionais rituais de Camarinha, Bori, Ebós e oferenda animais com seus respectivos sacrifícios. Muitos chamam esta variação de Umbandomblé. O autor, médium, sacerdote e presidente de Federação que mais defendeu a origem africana da Umbanda foi o conhecido Tata Tancredo. Autor de inúmeros títulos de Umbanda, publicou seu primeiro livro Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951, em parceria com Byron Torres de Freitas e é defensor da variação chamada de Omolocô, da qual é seu idealizador no Brasil.

• Umbanda de Caboclo: É uma variação de Umbanda onde prevalece a presença do caboclo,
muitas vezes acreditando que a Umbanda é antes de tudo a prática dos índios brasileiros revista pela
cultura moderna e doutrinada com conceitos que foram sendo absorvidos com o tempo. Decelso
escreveu o título Umbanda de Caboclo para explicar esta variação de Umbanda.

•Umbanda de Jurema: No nordeste existe um culto popular chamado Catimbó ou Linha dos
Mestres da Jurema, que combina a cultura indígena com a cultura católica, somando valores da magia
europeia e de quando em vez algo da cultura afro. O principal fundamento é o uso da Jurema Sagrada, como bebida e também misturada no fumo, que vai ao fornilho do tradicional cachimbo, também chamado de “marca”, feito de Jurema ou Angico. As entidades que se manifestam são chamadas de Mestres e da Jurema. Umbanda herdou a manifestação do Mestre Zé Pelintra, que pode vir como Exu, Baiano, Preto-Velho ou Malandro. Quando se combinam os fundamentos de Umbanda e Catimbó temos esta modalidade, que pode ser uma Umbanda regional de Pernambuco ou praticada de forma intencional pelo umbandista que se interessou pela Jurema e descobriu a Linha de Mestres dentro desua Umbanda.

•Umbandaime: O Santo Daime é uma religião nativa do Amazonas, é uma variação da Ayuasca,
que é um chá preparado com duas ervas de poder, o cipó Mariri e a folha da Chacrona. De tanto ter
visões de entidades de Umbanda e Orixás em rituais do Daime é que alguns grupos de umbandistas
passaram a praticar Umbandaime, ou seja, trabalhos de Umbanda ingerindo o Daime ou rituais de
Ayuasca, para se comunicar com as entidades de Umbanda. A Umbanda em si não tem em seus
fundamentos o uso de bebidas enteógenas, além dos tradicionais café, cerveja, vinho, “pinga”, batida
de coco e outros que servem apenas como “curiador” (elemento usado para potencializar alguma ação
espiritual ou magística), cada linha de trabalho tem sua “bebida-curiadora”, no entanto nem a bebida
nem o fumo são carregados de erva que induza o estado de transe. A própria bebida deve ser
controlada. Podem, no entanto ser consideradas bebidas de poder como o “vinho da jurema”, no
entanto a bebida não é o centro do ritual, apenas um elemento auxiliar. No caso do Daime, este está no centro do culto, o poder que se manifesta por meio do chá é que conduz o adepto. Na Umbanda quem conduz o trabalho são os espíritos guias, com daime ou sem daime.

•Umbanda Eclética: Chama-se de Eclética a Umbanda que mistura de tudo um pouco fazendo uma
bricolagem de Orixás com Mestres Ascensionados e divindades hindus por exemplo. Recorrem à
conhecida Linha do Oriente para justificar a presença de tantos elementos diferentes do Oriente e
Ocidente junto ao esoterismo, ocultismo e misticismo.

•Umbanda Sagrada ou Umbanda Natural: Quando começou a psicografar e dar palestras, Rubens
Saraceni sempre fazia questão de se referir à Umbanda como Sagrada. Não havia intenção de criar uma nova Umbanda, apenas ressaltar uma qualidade inerente à mesma. Na apresentação de seu primeiro título doutrinário Umbanda – O Ritual do Culto à Natureza, publicado em 1995, afirma que o livro em questão guarda uma coerência bastante grande, o de trilhar num meio termo entre o popular e o iniciático, ou entre o exotérico e o esotérico. Já no Código de Umbanda, no capítulo Umbanda Natural, cita: Umbanda Astrológica, Filosófica, Analógica, Numerológica, Oculta, Aberta, Popular, Branca, Iniciática, Teosófica, Exotérica e Esotérica. Para então afirmar que: Natural é a Umbanda regida pelos Orixás, que são senhores dos mistérios naturais, os quais regem todos os polos umbandistas aqui descritos. Muitos optam por substituir a designação de “Ritual de Umbanda Sagrada”, dada à Umbanda Natural. Fica claro que para o autor a Umbanda é algo natural e sagrado, adjetivos que se aplicam ao todo da Umbanda, e não a um segmento em particular.

No livro As Sete Linhas de Umbanda volta a citar as várias “umbandas” e comenta que na verdade, e a bem da verdade, tudo são segmentações dentro da religião Umbandista [...]. Ainda assim, sem a intenção de criar uma nova segmentação dentro do todo, trouxe muitos temas novos e novas abordagens para outros tantos, criando toda uma Teologia de Umbanda. Seus conceitos se expandiram muito rapidamente assim como a popularidade de títulos como O Guardião da Meia Noite e Cavaleiro da Estrela da Guia. Sua forma de apresentar, entender e explicar a Umbanda ficou identificada ou rotulada de Umbanda Sagrada.

Palavra que para este autor engloba toda a Umbanda, como um Todo também chamado de Umbanda Natural.

•Umbanda Cristã: A Umbanda, fundada no dia 15 de Novembro de 1908, tem no Caboclo das Sete
Encruzilhadas a entidade que lançou seus fundamentos básicos, logo na primeira manifestação esta
entidade já esclareceu que havia sido, em uma de suas encarnações, o Frei Gabriel de Malagrida, um
sacerdote cristão queimado na “Santa Inquisição”, por ter previsto o terremoto de Lisboa, e que
posteriormente nasceu como índio no Brasil.

Ao dizer qual seria o nome do primeiro templo da religião, Tenda Espírita Nossa Senhora da
Piedade, porque “assim como Maria acolheu Jesus da mesma forma a Umbanda acolheria seus filhos”, já dava uma diretriz cristã à nova religião. Há um conto sobre o Caboclo das Sete Encruzilhadas que diz ter sido chamado por Maria, Mãe de Jesus, para semear a nova religião.
Todo trabalho e doutrina de Zélio de Moraes têm este perfil cristão, subentendendo Umbanda
Cristã, antes de ser “Umbanda Branca” ou “Umbanda Pura”, outros adjetivos que já foram associados a sua forma de praticá-la.

Jota Alves de Oliveira escreveu um título chamado Umbanda Cristã e Brasileira, no qual
encontrarmos a citação abaixo:

“A Orientação Doutrinária do evangelizado Espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas nos levou a
considerar e historiar seu trabalho enriquecido das lições do evangelho de Jesus, com a legenda:
Umbanda Cristã e Brasileira.”
Outro elemento que endossa a qualidade cristã da Umbanda é o arquétipo dos Pretos e Pretasvelhas,
são ex-escravos batizados com nomes católicos e que trazem muita fé em Cristo, nos Santos e
Orixás.
As qualidades cristãs e a presença dos santos católicos confortam e tranquilizam quem entra pela
primeira vez em um templo umbandista, muito embora não se limite a adornos e sim a uma presença
espiritual dos mesmos.

Qualificar ou não qualificar?

Quase todos os assuntos doutrinários e teológicos da Umbanda, quando aprofundados, criam
polêmicas pelo fato de nos encontrarmos em uma religião nascente, ainda em formação, que em muito lembra o cristianismo primitivo com suas divergências internas.

Vejamos a questão de Cristo na Umbanda, na qual para um ex-católico Cristo é Deus, para um ex-espírita Cristo é um mestre ou irmão mais velho da humanidade, já um ex-muçulmano vê em Cristo um profeta. Este é um dos exemplos pelos quais surgem as Umbandas, outro seria o fato de sua constante evolução e transformação. A Umbanda ainda possui esta flexibilidade, não impõe, antes aceita as diferentes formas de interpretar os mistérios de Deus.

Ali está uma boa parte dos fundamentos da Umbanda, seu ritual é aberto ao aperfeiçoamento
constante... E por que isso? Simples: tudo o que as grandes religiões castram nos seus fiéis o ritual
umbandista incentiva nas pessoas que dele se aproximam [...].

Fica fácil entender que as formações religiosas anteriores influenciam o ponto de vista do
umbandista gerando seguimentos, assim como suas áreas de maior interesse cria todo um campo a ser
explorado dentro da própria Umbanda, como ferramenta para alcançar certos mistérios da criação. No
entanto, a Umbanda não pode ser contida, ou apreendida no seu todo por quem quer que seja. O mais
que alguém poderá conseguir será captar partes desse todo.

Por mais válidas que sejam as segmentações, por mais que se autoafirmem ser “a verdadeira”
Umbanda ou a “Umbanda Pura”, nenhuma destas “umbandas” dá conta do TODO que é Umbanda.

Particularizar, segmentar, é reduzir, para entender o todo há de se buscar um “mirante” privilegiado,
no qual se possa vislumbrar todas as umbandas e “A” Umbanda ao mesmo tempo.

Pela “parte” não se define o “todo”, mas pela “unidade” se busca uma “essência”, um fundamento e base.

No fundo é possível praticar Umbanda, simplesmente, livre de qualificações, adjetivos, atributos
ou atribuições. Basta dizer-se umbandista, e quando perguntarem:

“- De que Umbanda você é?”

É mais do que suficiente responder apenas:

“- Umbanda.”

Da mesma forma é possível a alguém ser cristão independente de Catolicismo, Protestantismo,
Luteranismo, Metodismo, Calvinismo, Pentecostalismo, mas não é possível negar que existam diferentes vertentes dentro do Cristianismo, e da mesma forma com a Umbanda.

O Poder do Pensamento segundo Vera Ghimmel !

O poder do pensamento - Parte 1
por Vera Ghimmel - veraghimel@oi.com.br

"Todos já sabem que é você quem cria a sua realidade e a vida só poderá ser para você como pensa que ela será. Então, se você quer que sua vida realmente melhore, mude a sua idéia em relação a ela e a você.
Pense, fale e aja como o Deus que você é. Não há nada que você não possa ser ou fazer, nada que não possa ter. Que outro tipo de promessa você acha que Deus faria? Você acreditaria em Deus se Ele prometesse menos?
Porque se você é igual a Deus, isto significa que nada está sendo feito para você e que todas as situações são criadas por você não há mais vítimas e nem vilões; então, só há resultados de seu pensamento em relação a alguma coisa", segundo Neale Donald Walsh, autor de "Conversando com Deus" e "Uma Amizade com Deus".

"Existem LEIS UNIVERSAIS que nos regem independentemente de termos consciência delas.
Essas são as leis segundo as quais criamos e manifestamos nossa realidade. São elas:

1. LEI DA ATRAÇÃO MAGNÉTICA
Atraímos a nós o que desejamos. Atraímos também o que consideramos indesejável - se nos concentrarmos nisso. Se nos concentrarmos em doença, manifestaremos mais doença. Se nos concentrarmos em pobreza, manifestaremos mais pobreza. Se nos concentrarmos na falta de amor em nossas vidas, manifestaremos apenas mais carência. É impossível criar amor quando nos concentramos no medo.
É impossível criar prosperidade quando nos concentramos na pobreza.
Trata-se da lei da atração magnética.

2. LEI DA MANIFESTAÇÃO CRIATIVA
Agora que entendem a lei número um, invoquem a lei número dois. Concentrem-se intencionalmente no que desejam; evitem se concentrar no que consideram indesejável em sua vida.
Se estiverem numa sala onde houver outras pessoas entretidas numa conversa sobre algo que consideram indesejável em sua vida, educadamente se desculpem e vão embora. Permanecer nessa energia apenas atrairá mais dela para sua vida.

3. LEI DA PERMISSÃO
A lei mais difícil de todas. Ponham seus pensamentos na consciência universal fortalecidos pelo desejo. Então, retirem-se e permitam que o universo os manifestem para vocês.
Se vocês tiverem esperança, não estarão permitindo. Se tiverem expectativas, não estarão permitindo. Quanto mais esperarem, mais tiverem esperança, mais tentarão manipular ou controlar, então mais atrapalharão e retardarão a manifestação de seus desejos. A lei da "permissão" significa simplesmente isso: PERMITIR.
Lembrem-se, tudo na criação é energia. Todos os pensamentos por vocês pensados apresentam uma freqüência. Cada sílaba, palavra ou forma-pensamento por vocês invocada tem seus próprios conjuntos de freqüências que ressoam por todo seu universo.
Quando vocês se concentram no amor, as freqüências de alegria, harmonia e paz, ressoam por todo seu universo.
Quando se concentram no medo, freqüências de raiva, depressão e caos são as mensagens recebidas por seu universo".
(Rich Work)

Vocês notaram que, com bastante freqüência, ao viver um pouco do que não querem, vocês atingem uma clareza maior e então acabam mesmo por chegar a uma decisão sobre o que querem realmente? Quando vocês compreenderem que a decisão provém do contraste, então entenderão porque o contraste é valioso, pois é essencial para se chegar a uma decisão.
Vocês são criadores e o criador é alguém que dá atenção ou se concentra em algo, e toda a criação diz respeito a concentrar energia.

EIS O QUE É CRIAR:
Experienciar e dar sua atenção a algo.
Seja o que for a que vocês estiverem dando sua atenção, esse objeto possui uma vibração toda própria. Tudo o que estão vivendo, tudo o que estão observando, tudo ao que estão dando a sua atenção inclui-se em sua vibração e, à medida que dão sua atenção a isso, essa vibração se reflete em sua vibração - e à medida que essa vibração se reflete em sua vibração, ela se torna parte de seu ponto de atração.

O PROCESSO CRIATIVO É SIMPLESMENTE ISTO:
Identifiquem seu objeto de desejo - o que significa simplesmente tomar uma decisão - e então de forma vibracional correspondam a essa decisão. Agora, isso parece bem simples, mas a maioria das pessoas não consegue completar uma frase sem contradizer seu próprio desejo. As pessoas dizem:
"Quero mais dinheiro. Estou tão cansado da luta". Ou dizem: "Quero ter saúde, mas tenho medo de ficar doente". Ou: "Quero ter saúde, mas esta doença é assustadora". Ou seja, estão oferecendo seu desejo e, logo em seguida, estão oferecendo uma afirmação contraditória, sem nunca compreender que em ambos existe uma vibração à qual o universo está respondendo.

O universo não está respondendo às suas palavras. Está respondendo às vibrações, e vocês sabem qual é sua vibração pelo modo como se sentem. Quando estão sentindo alegria e grande contentamento, quando estão sentindo felicidade ou amor, estão em perfeita harmonia vibracional com a Fonte. Mas quando sentem raiva, frustração, medo ou culpa ou quaisquer emoções negativas, sem querer senti-las, vocês estão dando sua atenção a algo que vibra de forma muito diferente do seu próprio desejo, e acabam por incluir essa vibração inferior e lenta, mesclando-a, incluindo-a ao desejo, criando desarmonia e vivenciando situações negativas.
Então vocês podem sempre dizer, pela maneira como se sentem, em que grau estão correspondendo vibratoriamente a seu próprio desejo. Já ouviram a expressão: "rezem com um coração puro"? quando o seu desejo corresponde em termos vibratórios com o seu pensamento, então sua vibração é pura e o universo deverá lhe entregar o que desejam. Mas se estiverem rezando por algo que não possuem, e suas orações forem chorosas ou assustadas, agora vocês não estão em correspondência vibratória com seu próprio desejo e não há maneira de o universo lhes entregar o que estão pedindo.
A maioria de vocês está observando e não visualizando, e quero mostra-lhes algumas coisas que podem fazer para direcionar com mais deliberação seus pensamentos. É importante descobrir a vibração de seu desejo e mantê-la por pelo menos 17 segundos, pois 17 segundos é o ponto de combustão.
Se vocês forem capazes de manter um pensamento com pureza, sem contradizê-Io, por 17 segundos (um pequeno pensamento - não importa qual) então, pela lei da atração, outro pensamento igual se reunirá a ele, porque um atraiu o outro.
Segundo a lei da atração, o igual a si mesmo é atraído e, ao se juntarem, há uma combustão que soma esses pensamentos de vibração inferior e lenta, obtendo uma freqüência mais elevada e rápida. Então, agora vocês possuem um pensamento mais evoluído.

Então: "17 segundos de pensamento puro, que significa apenas pensamento não contradizente, equivale a duas mil horas de ação. Trinta e quatro segundos (17 x 2) de pensamento concentrado equivalem a 20 mil horas de ação (dez vezes mais). Se conseguir manter esse ritmo pelo terceiro intervalo de 17 segundos, ultrapassando a marca de 51 segundos, de modo que possa receber a combustão novamente, poderá multiplicar por dez mais uma vez. Isso equivale a 200 mil horas de ação. Se conseguir manter essa atitude por 68 segundos, sem contradizer sua vibração, poderá novamente multiplicar por dez - Isso dá mais “de dois milhões de horas de ação”.

(Abraham, através de Hester Hicks)

Fonte: http://www.pedro.coelho.nom.br/pensamentotexto.htm


por Vera Ghimmel - veraghimel@oi.com.br   

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Orientações e regras do Caboclço Junco Verde ! Terreiro de PAI MANECO !

Orientações para os Médiuns

Mensagem do Caboclo Junco Verde aos membros do TPM:
Deve ser avisado a todas as pessoas das giras que a Umbanda mantem um exército que obedece as ordens de Oxalá. Igual ao exército da Terra, os soldados da Umbanda tem como compromisso assumido no Amaci: defender os fracos; enaltecer os humildes; coibir a prepotência; tirar da escuridão os aflitos, os desesperados e os obsediados; curar os doentes; alegrar os tristes; acalmar os nervosos; aliviar a dor; encaminhar os desajustados; salvar os viciados e trazer honra para a religião brasileira que é a Umbanda. Quem não quiser fazer isso pode se juntar aos pedintes do amor. Quem se doa, ganha.”CABOCLO JUNCO VERDE
Médiuns
Os médiuns ou cavalos, como queiram, da Umbanda, têm que tomar certos cuidados para seu perfeito desenvolvimento. Devem cuidar de sua cultura, honrar os espíritos acima de tudo, doar-se inteiramente à casa em que trabalham, sem entretanto esquecer de equilibrar sua vida profissional, social e familiar e fugir do fanatismo tão nocivo ao bem estar dos religiosos. Deve respeitar as outras religiões, sem querer impor aos outros as suas convicções.
Não beber, controlar seu emocional e não cobrar nada da religião. Nunca aceitar favores ou pagamentos pelos trabalhos que fizer e jamais usar a energia do sangue em seus trabalhos e, principalmente, nunca sacrificar nenhum animal. Por isso mesmo, antes de se filiar à uma casa, deve saber dos princípios filosóficos dos seus dirigentes. Deve fazer da Umbanda uma religião alegre, gostosa e vibrante. Para isso não deve se imiscuir nos problemas dos irmãos de corrente, sem jamais julgá-los. Deve respeitar a hierarquia da casa, muito embora lhe caiba o direito de também ser respeitado.
Muito médium tem dúvidas sobre as incorporações, confundindo-se nas mensagens, achando que não é o espírito falando, mas sim sua própria cabeça. Espero com esta nota dirimir dúvidas aos médiuns e trazer-lhes a certeza que quando for animismo os dirigentes da casa sabem como corrigi-lo.Anchor
Terceira Energia
Muito médium tem dúvidas sobre as incorporações, confundindo-se nas mensagens, achando que não é o espírito falando, mas sim sua própria cabeça. Espero com esta nota dirimir dúvidas aos médiuns e trazer-lhes a certeza que quando for animismo os dirigentes da casa sabem como corrigi-lo. Vejam como funciona: existe uma fusão do espírito do médium com o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia. Gosto de dar exemplos. O café e o leite, separados, são puros. Misturados criam uma terceira bebida, podendo ser mais preto ou mais branco, conforme a quantidade das bebidas. Mas sempre a união de ambos terá uma terceira qualidade.
É impossível a comunicação pura do espírito. O importante é a presença do espírito, com maior ou menor intensidade.
Facilitar as Incorporações
Quando o médium está preparado para seguir o procedimento normal do aprendizado, ele não deve segurar as incorporações, e jamais esquecer o momento certo da incorporação. Se está se chamando um espírito pelo ponto individual ele não deve dar passagem, exceto se for ponto de linha, o momento for oportuno e permitido pelo desenrolar da gira. O médium deve facilitar a incorporação. Na Umbanda as entidades têm incorporações típicas da linha. O índio é ereto, forte e incorpora com um vibração firme, algumas vezes se ajoelhando e batendo no peito. O preto-velho já é mais macio na incorporação, se curva e faz o tipo de cansado e a criança o tipo infantil. Quando o ponto estiver induzindo o tipo da entidade, o médium já deve estar psicologicamente preparado para receber e se comportar conforme o tipo da entidade. É um erro lutar contra o espírito, ou seja, receber um índio como se fosse um preto-velho. De propósito até agora não falei do exu e da pomba-gira, para dar um destaque de grande importância: Exu não é aleijado e Pomba-gira não é prostituta. Ambos são entidades maravilhosas e não precisam fazer o tipo distorcido do folclore da Umbanda. Na continuidade, quando estivermos falando de cada linha, darei melhores explicações.
Cuidados e deveres
O médium tem um complexo espiritual chamado aura, que é formado pelo material (o corpo físico), o duplo etéreo (ou cascão), o perispírito e o espírito. A aura é formada por elementos energéticos que se chama chacras. É por eles que o espírito incorpora, até unir o seu espírito com a aura do cavalo. Por esse motivo é importante haver uma preparação do médium nos dias de gira para que sua aura esteja leve e limpa, através de um banho de erva, bons pensamentos, com o mental sem mágoa ou raiva. Sua atenção no dia dos trabalhos deve estar sempre voltada para reunião com os irmãos da corrente, procurar a alegria, boa leitura, não dizer palavrões, não comer carne e fazer refeições leves. Alguns autores e dirigentes dizem que a mulher com menstruação não deve participar da gira e muito menos incorporar.
Como eu não vejo nenhuma lógica e nunca ninguém me explicou de forma convincente essa proibição, refuto o fato não criando nenhuma objeção para as médiuns em nosso terreiro. Sobre isso uma vez disseram-me que pode haver a aproximação de espíritos atrasados atrás da energia do sangue. Não me convenceu a explicação, porque acho que se algum espírito quiser sangue, ele irá aos matadouros e nunca a um terreiro organizado e protegido. Quando o médium for receber a entidade, ele deve ficar com sua mente o mais livre possível de pensamentos. Para quem não tem a prática da concentração, um bom método para facilitar a incorporação é ficar pensando no tipo da entidade que vai incorporar e respirar rapidamente e soltar pela boca o ar aspirado.
  • A Umbanda, como quase todas as religiões, é machista; e essa é a razão do preconceito com as mulheres em período da menstruação. Existe pai-de-santo que proíbe a mulher tocar nos atabaques. Não vejo lógica, ao contrário, um insulto à capacidade feminina.
Obrigações
Não tenho nenhuma ligação com a Igreja Católica, muito menos com as regras dessa religião, mas sou totalmente contra os padres que se rebelam com as dificuldades de viver no celibato. Quando foram coroinhas, seminaristas e se ordenaram padres, sabiam que não se podiam casar. Por que depois que entram ficam contra?
As regras são bem claras. Por isso é bom que os candidatos ao ingresso no terreiro conheçam antecipadamente as suas obrigações e o que devem ou não fazer. Existe um compromisso com o terreiro a que forem pertencer, seja ele qual for: vontade de evoluir espiritualmente, disciplina na corrente, submissão aos mandos da hierarquia, se não puderem amar seus irmãos ao menos os tolerem, não criticar os outros, cuidar para que suas palavras sempre sejam de incentivo e amor, cuidar e zelar por seu material dos trabalhos e de sua roupa branca, honrar a respeitar o nome dos espíritos, respeitar as outras religiões, sempre que tiverem dúvidas perguntar aos dirigentes, não hesitar quando forem convocados para auxiliar o outro como cambono, não fomentar brigas e discórdias, não faltar aos trabalhos (inclusive os que forem marcados em outros dias), cumprir os horários dos trabalhos, não freqüentar outros trabalhos sem autorização do dirigente, cantar os pontos e auxiliar a manutenção da gira e outras condições que o bom senso determina e que por qualquer motivo eu não tenha mencionado. Sou contra regras e prego a liberdade, mas jamais o médium deve esquecer que a sua liberdade cessa quando começa a do outro.
  • Servir como cambono por um período no terreiro é uma obrigação dos médiuns novos. Servir e assistir os trabalhos das entidades vai dar um conhecimento significativo sobre a forma como os Orixás trabalham. Para conhecimento de todos, o que mais aborrece um dirigente é a má vontade do médium quando ele é convocado para ajudar como cambono. Quando comecei na Umbanda eu pedi, por minha espontânea vontade, ao meu pai-de-santo a oportunidade de eu servir alguém como cambono. Não me arrependi porque aprendi muito.
  • O médium não deve ficar olhando os outros, julgar ou criticar seu irmão de corrente. Deve cuidar somente de si e deixar para a hierarquia corrigir o erro dos outros.
  • Levar seu material de trabalho e manter sua roupa branca sempre limpa e em ordem e, se não quiser ficar descalço, usar uma alpargata com sola de cordas e nunca tênis.
  • Chegar e cumprir à risca os horários dos trabalhos e quando não puder participar dos mesmos, avisar com antecedência a sua ausência.
Magia da Corrente
Li e usei:
Ninguém é tão forte como todos nós juntos”
A corrente é a grande força do terreiro. Uma vez alguém perguntou ao Pai Maneco a importância de um terreiro bonito e confortável.
Meu filho, se esta casa cair, vocês vão se reunir lá fora, olhando para o céu estrelado, e vão continuar trabalhando. Mas se a corrente se dissolver, o terreiro, mesmo belo e sólido, vai fechar. Na verdade acho a corrente mais merecedora de cuidados que estas paredes frias. Nunca trabalhei sozinho, só com a corrente. Quem trabalha sozinho, um dia ou outro, vai se complicar”.
É inevitável o desastre. A corrente, como diz a mensagem, é a força do terreiro. Tudo gira em torno dela. São meus pequenos deuses. Que Oxalá abençoe a todos eles.
Para quem pretende entrar no Terreiro do Pai Maneco:
  • Novos médiuns só serão admitidos após a freqüência de no mínimo sete giras no dia em que deseje entrar na corrente. Está participação deverá ser comprovada mediante a assinatura na secretaria da ficha de participação. Por exemplo: se um médium quer entrar na gira de sexta-feira ele deverá freqüentar sete giras de sexta-feira;
  • É obrigatório o uso de roupa branca. As roupas devem ser recatadas. Não se admite o uso de roupas justas, curtas, decotadas ou transparentes, cabendo a cada dirigente observar e instruir os seus médiuns quanto aos abusos;
  • O médium só poder trabalhar na gira em que se cadastrar. Isto significa que um médium não poder trabalhar em duas ou mais giras. Pode freqüentar a assistência, porém não pode trabalhar de branco na corrente de outro Pai-de-Santo.
  • É obrigatório o uso do crachá de identificação durante a gira. É obrigatório passar o crachá pelo leitor de forma a marcar a sua presença na gira. Todo final de ano é feita a revisão do amacis e os médiuns com elevado número de faltas terão o amaci levantado presumindo-se que ele não está mais freqüentando o terreiro;
  • Após entrar na gira o médium só poderá fazer o amaci depois de freqüentar o Curso de Umbanda do Terreiro Pai Maneco;
  • Nenhum médium pode usar as guias dos orixás antes de fazer o amaci. As guias são entregues no dia do amaci;
  • Só é admitido trocar de gira após a freqüência mínima de um ano na gira em que o médium foi admitido e ainda assim com justificativa plausível para a troca;
Para quem já é mediun no Terreiro do Pai Maneco:
  • Quando uma entidade der o seu nome ou pedir guias, roupas, capas, etc, o pedido deverá ser encaminhado pelo cambono diretamente ao dirigente da gira e somente por ele poderá ser autorizado o seu uso;
  • Os cambonos deverão preencher a ficha de acompanhamento das consultas desenhando o ponto riscado pela entidade e descrevendo as consultas, No final da gira as fichas devem ser entregues ao dirigente da gira;
  • Os Ogans só podem tocar atabaque usando as roupas brancas do terreiro e as guias de proteção;
  • No caso de um médium ser expulso da gira em que freqüenta considera-se o médium expulso do Terreiro Pai Maneco, não podendo, é claro freqüentar nenhuma outra gira nas dependências do terreiro. Entretanto, a todos será concedido o direito de defesa. Os médiuns com comportamento incompatível com os princípios do Terreiro ou que afetem o terreiro como um todo serão encaminhados ao Conselho de Ética ao qual cabe propor as sanções cabíveis ou até mesmo propor a expulsão do médium.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O que é o ESPIRITISMO !

Espiritismo, que religião é essa?

Jesus Cristo não é o enviado de Deus à Terra. É apenas um espírito mais evoluído que serve de guia para toda a humanidade.

Criado por um pedagogo, o Espiritismo surgiu na França no século XIX. Hoje, o Brasil possui a maior comunidade espírita do mundo. Saiba tudo sobre a religião que considera a morte apenas uma etapa da evolução pessoal e que acredita na vida em outros planetas
Jesus Cristo não é o enviado de Deus à Terra. É apenas um espírito mais evoluído que serve de guia para toda a humanidade.
A morte de um ente querido, por mais dolorosa que seja, não deve ser encarada de forma absolutamente negativa. Muitas vezes, é apenas o encerramento de uma missão no mundo dos vivos.
Vivemos cercados de espíritos, alguns bons, outros ruins.
As afirmações acima – que batem de frente com os princípios fundadores de muitos credos, entre eles a fé católica e todas as demais religiões dela derivadas – costumam ser proferidas de maneira desassombrada pelos espíritas em centenas de centros espalhados pelo Brasil. Pudera. Fazem parte das idéias básicas de uma religião professada por 2,3 milhões de brasileiros, segundo o último censo do IBGE.
A enorme receptividade do Espiritismo no Brasil é mais um dos inúmeros paradoxos da fé em terras tupiniquins. Embora a pátria-mãe do Espiritismo seja a França – país de Allan Kardec, o homem que, no século XIX, compilou e decodificou os princípios que até hoje orientam os 15 milhões de adeptos no mundo todo –, foi no Brasil que essa religião, gestada numa era em que a ciência se desenvolvia vertiginosamente, encontrou terreno fértil para se alastrar do Oiapoque ao Chuí. Por quê? A resposta está tanto no Espiritismo quanto no povo brasileiro.

O que é

Religião ou doutrina? Se você perguntar a algum freqüentador assíduo de centro espírita, provavelmente receberá a seguinte resposta: o Espiritismo é uma doutrina revelada pelos espíritos superiores a Allan Kardec, que a codificou em cinco obras: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1859), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1863), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
Mas isso explica muito pouco. Doutrinas há de todas as cores e matizes ideológicos. O Marxismo também é uma doutrina baseada em um livro fundamental (no caso, O Capital, de Karl Marx), mas nem por isso deve ser encarado como uma religião. A Psicanálise, também. Assim ocorre com outras filosofias. A diferença básica está na forma de encarar a realidade. “Se você explica a realidade social pela realidade transcendente, sua visão é religiosa”, afirma Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudiosa do Espiritismo no Brasil. Isso quer dizer que, sim, o Espiritismo é uma religião – pois apresenta toda uma série de explicações espirituais e divinas para eventos tão comezinhos quanto o mau humor do seu vizinho e tão devastadores quanto a morte de alguém em sua família.
Típico rebento do século XIX – o mesmo das teorias evolucionistas de Charles Darwin, da Tabela Periódica, da redescoberta das filosofias orientais e do Positivismo de Auguste Comte –, o Espiritismo consegue a proeza de mesclar Catolicismo primitivo (caridade), Budismo (reencarnações), Darwin (evolucionismo) e um caldeirão de credos esotéricos que estavam em plena voga nos anos 1800 – e que geraram filosofias tão diversas como o Espiritualismo de Emannuel Swedenborg e a Teosofia de Madame Blavatsky. “É uma religião de síntese”, afirma Maria Laura.
E só poderia ser assim mesmo. Seu iniciador, Allan Kardec (1804-1869), era um pedagogo que fundou na própria casa um curso gratuito de Química, Física, Anatomia e outras ciências que galvanizaram as mentes curiosas do século XIX e ajudaram a preparar o terreno para as revoluções científicas da nossa era. Kardec inclusive chegou a estudar Medicina, mas logo abandonou os planos de atuar nessa profissão. É por essa razão que, desde o início do movimento espírita, ele sempre fez questão de apresentar, com um vocabulário inspirado nas ciências, eventos como comunicação com espíritos e o movimento de objetos sem ação humana aparente. Num texto bastante famoso, o iniciador do Espiritismo explica seu método: “Apliquei a esta nova ciência, como tinha feito até então, o método de experimentação; nunca elaborei teorias preconcebidas: eu observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências…”.
A identificação explícita com o método de dedução científica foi uma tentativa de livrar o Espiritismo da pecha de irracionalidade num tempo em que a Razão era um verdadeiro dogma. E também foi – numa estratégia inversa – uma afirmação do Espiritismo como reunião de doutrinas religiosas, científicas e filosóficas para fazer frente às verdades incontestáveis da Igreja Católica. E essa, logo iria mostrar seu desagrado com a nova religião. Porque a afirmação do Espiritismo foi uma luta difícil e demorada, como se verá a seguir.

Como surgiu

Um dia, andando pelas ruas de Paris, Hippolyte Léon Denizard Rivail encontrou-se com um amigo de nome Carlotti, que lhe descreveu uma série de eventos extraordinários, supostamente provocados pela ação direta de espíritos.
Curioso e ainda descrente, Rivail começou a freqüentar algumas reuniões – e teria visto seu ceticismo virar picadinho ao observar mesas e outros objetos ganharem movimento sem a ajuda de qualquer pessoa ou mecanismo especial. Disposto a entender esses fenômenos, Rivail mergulhou no estudo de várias correntes do misticismo e começou (num gesto que viria confirmar suas inclinações científicas) a experimentar e repetir vários daqueles que seriam fenômenos de comunicação com o mundo dos mortos.
Numa das sessões que presenciava, Rivail ouviu de um médium que ele já fora um celta chamado Allan Kardec. E que, como Kardec, ele deveria reunir os muitos ensinamentos e conclusões dos últimos séculos numa doutrina que propagasse os ideais de Cristo e trouxesse alívio para os corações dos homens. Imbuído desse espírito (sem trocadilhos), Kardec começou a trabalhar na síntese que gerou o Espiritismo.
Em 1857, Kardec trouxe à luz O Livro dos Espíritos. É a partir dessa obra que se pode falar em Espiritismo (a palavra, aliás, é um neologismo cunhado pelo próprio Kardec para diferenciar a nova religião dos inúmeros espiritualismos que estavam na moda). E – outro elemento de diferenciação com as demais religiões – tinha a retórica livremente inspirada no vocabulário e no método expositivo dos livros de ciências naturais do século XIX. Uma linguagem sintética, facilmente compreensível e nada hermética.
Contudo, a nova religião iria despertar a fúria da Igreja Católica. Os motivos dão força a um debate que, mesmo hoje, mais de cem anos depois, ainda inflamam adeptos e estudiosos acadêmicos. Primeiro motivo: no Espiritismo, Cristo não é o filho de Deus – mas um espírito mais evoluído. Segundo motivo: a Redenção no Catolicismo é um evento único, total, universal. No Espiritismo ela se dá em conta-gotas, a cada passo da evolução de cada um dos espíritos.
Só essas duas diferenças já serviriam para provocar uma cisão. Sem falar na possibilidade de reencarnação, que não existe no Catolicismo. Mas – pelo menos entre os espíritas – a identificação com a fé cristã é total. “A fé espírita é baseada nos ensinamentos de Jesus: logo, é uma religião cristã”, afirma Durval Ciamponi, presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
“O Espiritismo não é uma religião cristã”, diz Antônio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores estudiosos da religiosidade brasileira. “Os espíritas utilizam o Cristianismo para se legitimarem.” Pierucci vai mais longe. Afirma que esse vínculo com a Igreja Católica pregado pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação: “O Espiritismo faz força para não parecer uma religião exótica”.
Esse alinhamento com os evangelhos pode ser explicado pelas perseguições sofridas pelos adeptos do Espiritismo. Já em 1861, o bispo de Barcelona, na Espanha, promoveu um auto-de-fé com livros espíritas. Uma enorme fogueira queimou os livros de Kardec. Junto com a Igreja, nessa mesma época cientistas e políticos europeus (influenciados pela Igreja ou não encontrando na doutrina o rigor que ela declarava ter) iniciaram uma poderosa campanha de difamação do Espiritismo.
No final das contas, grande parte dos estudiosos acadêmicos do Espiritismo considera a religião uma espécie de neocristianismo. “Jesus
Cristo é um elemento comum entre as duas religiões. As diferenças não apagam as semelhanças”, afirma Maria Laura.
E assim, identificado com o Cristianismo, o novo credo se alastrou pelo mundo. Chegando ao Brasil em 1860, o Espiritismo logo foi adotado por intelectuais, militares e funcionários públicos. Porém, o rastro de perseguição também chegou até aqui. O Código Penal de 1890 classificava o Espiritismo como crime. Apesar disso, a religião se fortalecia e expunha à população um dos seus lados mais meritórios: a caridade. E o ato de fazer bem às comunidades próximas dos centros espíritas se tornou uma marca tão forte no Espiritismo brasileiro que ajudou a transformar a religião e a lhe emprestar uma face tipicamente verde-amarela. É isso, em parte, que ajuda a explicar o salto quantitativo do Espiritismo no Brasil.
Há até uma cidade fundada exclusivamente por espíritas. Palmelo, a 200 quilômetros de Goiânia, GO, surgiu a partir da criação de um centro espírita, em 1929. Recebendo cerca de 50 000 visitantes todos os anos, que ali procuram consolo para inúmeras aflições físicas e espirituais, Palmelo (que foi emancipada em 1953) não permite a venda de bebidas alcoólicas e, em suas ruas, placas apresentam “pílulas” de ensinamentos espíritas extraídos dos livros de Allan Kardec.
A cidade goiana, porém, é um fato isolado. No resto do Brasil, os agrupamentos espíritas distinguem-se pela sobriedade e pelos baixos níveis de proselitismo. E mesmo com sua enorme difusão em terras brasileiras, a religião continua sendo, até hoje, uma fé professada pela classe média urbana (que, por receio de discriminação, não costuma ostentar traço algum da sua opção religiosa). “O Espiritismo difundiu-se entre profissionais liberais e pessoas da classe média dos centros urbanos porque exige leitura e instrução”, afirma Marcelo Camurça, professor de Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais.
Quem já freqüentou um centro espírita sabe disso. A atmosfera lembra ligeiramente um congresso universitário. Um auditório atento, muitas vezes municiado de algum dos livros de Kardec, escuta as leituras e os comentários feitos por um ou mais “palestrantes” reunidos em uma mesa. Tudo de um modo sóbrio e nada espetaculoso. “A sobriedade é uma das maiores fontes de identificação do Espiritismo entre a classe média”, afirma Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti.
A disciplina é outra exigência não assumidamente declarada. Vai daí o grande número de militares que, desde os primórdios, mergulhou nos ensinamentos de Kardec. Um dos mais famosos espíritas fardados do Brasil é o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional e líder de um centro espírita na capital federal.
Por causa de suas origens declaradamente científicas e pelo discurso que prega a racionalidade, o Espiritismo vem atraindo médicos – céticos diplomados e profissionais – nas últimas décadas. Fundada em 1968, a Associação dos Médicos Espíritas do Brasil (Amebrasil) reúne cerca de 1 200 médicos que estudam e tentam transpor para a prática diária da Medicina alguns dos princípios do Espiritismo.
É uma questão polêmica. O Espiritismo prega o tratamento homeopático e são célebres na trajetória brasileira da religião os casos de médiuns (como o mineiro José Arigó, que incorporava um suposto doutor Fritz e, inspirado por ele, fazia escatológicas cirurgias em milhares de pessoas entre os anos 50 e 70) que reúnem multidões de desvalidos em operações de fundo de quintal. Está-se falando de dois elementos que configuram prática ilegal da Medicina: receitar remédios e operar doentes sem licença para isso.
No entanto, esses aspectos não são levados em conta pelos médicos espíritas. “Sempre usei a alopatia e o próprio Chico Xavier sempre se operou pela Medicina tradicional”, afirma Marlene Rossi Severino Nobre, médica aposentada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo e presidente da Amebrasil. Marlene – que trabalhou com Chico em Uberaba no início da década de 60 e com ele chegou a psicografar algumas obras – não divisa conflito algum entre Medicina e Espiritismo. “O médico espírita leva aos seus pacientes os ideais de caridade da doutrina Espírita”, diz. “A Medicina é muito reducionista”, afirma. Para ela, a única explicação para a vida biológica, para o surgimento das células e para a evolução do Homem é a ação de forças superiores, ainda pouco compreendidas pela humanidade.
Nos próximos anos, os médicos da Amebrasil pretendem intensificar uma série de experimentos para comprovar eventos como campo magnético e experiências de quase-morte, até hoje inexplicados pela ciência tradicional. Sem contar com aval universitário algum, nem com qualquer tipo de estímulo de órgãos tradicionais de fomento à pesquisa como Capes e CNPq, a Amebrasil equilibra-se numa corda-bamba entre ciência e fé. É uma polêmica que promete esquentar os meios médicos e espíritas brasileiros num futuro próximo.
Mas um comportamento sóbrio, a prática da caridade e a adesão crescente de setores da Medicina não explicam totalmente o ibope do Espiritismo no Brasil. A fé espírita germinou aqui mais do que em qualquer outro lugar porque encontrou um terreno fértil para grande parte de seus princípios. Uma mistura muito brasileira de crenças católicas populares herdadas de Portugal, adoração aos mortos e religiosidades indígena e negra ajudou a alastrar o alcance da fé.
E foi no Brasil que surgiu o maior médium desde Allan Kardec. Francisco Cândido Xavier (1910-2002), franzino e modesto, com uma saúde combalida desde sempre, encarnou como ninguém os ideais de comedimento, benevolência e austeridade do Espiritismo. Sua adesão à fé obedeceu aos insondáveis princípios de uma predestinação.
Órfão ainda na infância, Chico teria começado a se comunicar e a se aconselhar com o espírito da mãe. Na escola, durante as comemorações do Centenário da Independência, em 1922, a turma de Chico deveria escrever uma redação sobre o acontecimento nacional. Durante a aula, o menino teria se perturbado com a presença de um homem ao seu lado, ditando-lhe o texto – que obteve menção honrosa.
Com 18 anos e buscando uma explicação para os fenômenos que o teriam acompanhado desde a infância, Chico já é um freqüentador de centros espíritas. E logo fica bem claro para todos que aquele rapaz de saúde frágil é um médium destinado a limpar as últimas nódoas de marginalidade que ainda recobrem o Espiritismo no Brasil. É a partir desse momento que ele teria entrado em contato com as primeiras manifestações do espírito Emmanuel – o que lhe renderia o posto de “co-autor” de nada menos que cerca de 400 títulos por ele psicografados sob inspiração do espírito e que venderam 25 milhões de livros em todo o mundo.
Com Emmanuel (que teria sido o senador romano Publius, depois um escravo cristão dilacerado por leões e, finalmente, o padre Manuel da Nóbrega, já em terras brasileiras), Chico realizou vários avanços na doutrina formada por Kardec, alastrando a sabedoria espírita para outros campos, como ciências sociais e economia. Imbuído do espírito de caridade, Chico destinou toda a renda a entidades sociais e aposentou-se com um modesto salário de funcionário público.
Quando morreu, em 30 de junho deste ano, deixou uma multidão de seguidores e leitores em todos os cantos do planeta e uma lição de humildade e amor ao próximo que transcende os limites do Espiritismo.

O que prega

Para entender o Espiritismo, é preciso saber que a base de toda a religião está exposta nas cinco obras seminais de Allan Kardec. Desde esse nascimento na França oitocentista, o Espiritismo reivindica não apenas um status de religião, mas também de ciência e de filosofia. Ou seja: é uma fé e uma doutrina cujas manifestações – contato com espíritos, regressões a vidas passadas e textos psicografados – poderiam ser comprovadas através do método dedutivo herdado da ciência.
Segundo o Espiritismo, todo homem é um médium, um canal de comunicação entre os vivos e os espíritos. Por isso, não existe um papa espírita nem qualquer tipo de hierarquia dentro da religião (a ausência de paramentos e cerimoniais também é uma característica “racionalista” dentro da fé espírita). Nos centros espíritas, por exemplo, a função de liderança geralmente está reservada ao médium mais experiente ou ao próprio fundador do centro.
A simplicidade pregada pelo Espiritismo também estaria explicitada pela inexistência de grandes rituais de passagem como casamentos, batismos e enterros. Isso porque os espíritas acreditam ser desnecessário o vínculo com Deus – “a inteligência suprema”, como prega Allan Kardec. Céu, inferno e diabo virtualmente não existem no horizonte espírita. Isso porque o Bem e o Mal podem estar dentro de cada um, sem que haja a necessidade de uma localização para cada um.
Os médiuns comunicam-se com os espíritos das mais diversas maneiras. Houve um tempo em que a comunicação se dava por meio de batidinhas na parede, mas hoje, na maioria dos centros espíritas, as principais formas de comunicação costumam ser a psicografia e a incorporação. Em sessões chamadas de “desobsessão” (quando um espírito cheio de más intenções incomoda uma pessoa), os médiuns incorporam essas entidades chamadas “obsessoras” e procuram convencê-las da falta de sentido em assombrar a vida dos “encarnados”.
O Espiritismo acredita que os espíritos são criados numa espécie de “ponto zero”, onde todos são imperfeitos e devem chegar – ao longo de várias e sucessivas encarnações – à perfeição. A cada encarnação o espírito aprende um pouco mais sobre bondade, tolerância e caridade. Claro que nem todos são “santos”: o livre-arbítrio (a capacidade de cada um escolher o seu destino) é um elemento importante da religião. Por isso, haveria espíritos deliberadamente “maléficos” fadados a intermináveis (e sofridas) encarnações na Terra. Os espíritos só se tornarão mais iluminados e superiores na medida em que forem eliminando seus maus hábitos, os aspectos ruins do seu caráter e passarem a praticar o bem.
Um fato curioso é a crença dos espíritas na vida em outros planetas. “Os espíritos são intergalácticos”, afirma Durval Ciamponi, da Federação Espírita de São Paulo. Isso não significa, necessariamente, a existência de ETs pilotando discos voadores pelo espaço sideral: mas formas de vida – inclusive minerais – que são habitadas por espíritos em diferentes estágios de evolução em lugares tão inóspitos quanto Saturno ou Plutão. Essa crença numa força divina interplanetária fez do Espiritismo, desde a década de 1960, um dos elementos que ajudaram a compor as religiões new age. “O Espiritismo antecipa toda essa onda de religiões e doutrinas da Nova Era”, afirma Marcelo Camurça, da UFJF.
Kardec fatiou o homem em três porções básicas: espírito (“essência imortal”), corpo (“invólucro material”) e perispírito (“corpo” que reveste o espírito). Quando uma pessoa morre, sua alma e seu perispírito libertam-se do corpo e passam a seguir um trajeto rumo à reencarnação. Um espírito irá encarnar tantas vezes quantas forem necessárias para atingir a perfeição. O mundo material, portanto, seria uma espécie de universidade onde os espíritos aprendem com as provações.
É nesse mundo que nos coube viver que cada ação seria avaliada como mais um aspecto da evolução pessoal. O velho adágio “aqui se faz, aqui se paga” recebe, no Espiritismo, uma validade bastante concreta. E são essas “dívidas”que explicariam, por exemplo, o nascimento de uma criança sem cérebro ou a paralisia de um adulto: tragédias pessoais que, do ponto de vista da doutrina, seriam necessárias para que o espírito refletisse e compreendesse que todos os reveses acontecem para seu benefício durante a evolução.
Temas incandescentes como aborto, eutanásia e suicídio são condenados – como na maior parte das religiões –, mas sua possibilidade existe porque cada um conta com o livre-arbítrio.
O percurso evolutivo de cada um explica as diferenças sociais, de saúde ou de capacidade intelectual. As benesses ou tragédias de cada um fazem parte do carma – que pode ser revertido graças a ações meritórias. Pois fazer o bem para os outros, no Espiritismo, é fazer o bem para si mesmo. Por isso a caridade é um dos elementos mais importantes da religião: ela serve para amenizar o sofrimento alheio e “conta pontos” na evolução de quem a pratica.
“Fora da caridade não há salvação”, prega a mais famosa frase de Allan Kardec. Pode-se discordar ou mesmo refutar desdenhosamente os princípios do Espiritismo. Porém, é virtualmente impossível fazer troça ou ignorar o legado de respeito ao próximo difundido por essa religião. Um princípio que, tranqüilamente, pode ser seguido por qualquer um que habite o nosso planeta. Acredite em Deus ou não.

Pequeno vocabulário espírita

Nas cinco obras que deixou para a posteridade, Allan Kardec estabeleceu os princípios básicos da doutrina espírita. Uma curiosa mistura de conceitos religiosos com alguma terminologia científica do século XIX. Conheça alguns dos principais termos do Espiritismo:
Universo
Criação de Deus. Todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados fazem parte dele. Comporta vários mundos habitados com seres em diferentes graus de evolução.
Deus
É considerado uma forma de inteligência suprema. Eterno, imutável, imaterial, justo, bom e onipotente.
Cristo
Ao contrário do que pregam a maior parte das religiões cristãs, Jesus Cristo não é o filho de Deus, mas um espírito mais evoluído. E um modelo para toda a humanidade.
Espíritos
Seres inteligentes da criação. São criados ignorantes e evoluem ao longo de várias vidas até alcançarem a perfeição. Dividem-se em “espíritos puros” (perfeição máxima), “bons espíritos” (em que predomina o desejo do bem) e “espíritos imperfeitos” (caracterizados pelo desejo do Mal).
Homem
Espírito encarnado em um corpo material.
Reencarnação
O espírito atravessa várias existências como encarnado. Cada uma delas é um estágio evolutivo rumo à perfeição.
Desencarnar
A morte (desencarnação) é encarada como apenas mais um estágio da vida espiritual – considerada a verdadeira vida. Não é compreendida como uma cisão definitiva entre as pessoas que se amam, mas apenas uma separação temporária no mundo físico.
Livre-arbítrio
O homem tem várias escolhas na vida, mas responde por todas as suas ações.
Prece
A prece torna melhor o homem e é um ato de adoração a Deus.

Abençoado por Deus

Paradoxos do país tropical: a maior nação católica do mundo (cerca de 125 milhões de praticantes, segundo o censo do IBGE) ofereceu, desde os primórdios da colonização, um terreno fértil para a mistura de credos e favoreceu o surgimento de modalidades de fé genuinamente brasileiras. Religiões tão diversas quanto Candomblé, Catimbó, Pajelança, Tambor de Mina, Umbanda e a face nacional do Espiritismo formaram-se a partir de elementos comuns.
Uma das maiores explicações para o sincretismo brasileiro estaria no Catolicismo legado pelos portugueses. A fé católica que veio de além-mar é muito mais “íntima” e “pessoal” do que a de outros países cristãos da Europa. Em Portugal e, em seguida, no Brasil, a relação dos homens com Deus geralmente é filtrada pelo santo da predileção de cada um. Antes de recorrer a Deus, portugueses e brasileiros vão bater na porta do santo mais próximo. A profusão de anjos da guarda, de rezas particulares e de toda uma sorte de benzeduras favoreceu a mescla de elementos cristãos com outros originários dos rituais indígenas e africanos.
Outro elemento do Catolicismo popular que iria ser combinado com práticas religiosas nativas é a adoração aos mortos. Procissões populares e mesmo o hábito de “conversar” ao pé do túmulo de um ente querido favoreceram a penetração de credos em que o contato com o mundo dos mortos é um dos elementos básicos – como o Espiritismo.
Assim como, no campo racial, a mestiçagem serviu para anestesiar certos conflitos, a Igreja portuguesa soube incorporar – ou, no mínimo estrategicamente, não quis condenar – algumas manifestações religiosas inspiradas no Catolicismo que surgiram ao longo da história brasileira. Festas populares repletas de elementos de outros credos, divindades africanas que poderiam ser “permutadas” por equivalentes na fé cristã (Oxalá Jovem = Menino Jesus) e o saudável livre-trânsito, tipicamente nacional, entre mundos religiosos paralelos (milhões de brasileiros comparecem às quartas no terreiro e aos domingos na missa), forjaram a democracia religiosa nacional.
“O Catolicismo no Brasil sempre favoreceu a mistura”, diz a médica e pesquisadora Eneida D. Gaspar, autora do Guia de Religiões Populares do Brasil. Eneida afirma que foi graças a essa postura mais flexível da Igreja que religiões como Umbanda – uma mistura de elementos cristãos, espíritas e africanos – ganharam forma no início do século XX.
Mas nem tudo são flores na trajetória das religiões brasileiras. A maior parte delas foi condenada no início justamente porque apresentava forte influência africana. Terreiros de Candomblé eram sistematicamente fechados pela polícia ainda nos anos 50.
A forma encontrada para o fim da discriminação diz muito sobre a alma brasileira: quando brancos de classe média, com conhecimento do Espiritismo, ingressaram nos terreiros, a nuvem de preconceito rapidamente se dissipou.
A Umbanda é um caso exemplar dessas transformações da religiosidade brasileira. Mesclando os principais ensinamentos do Espiritismo com o ritualismo e a força teatral do Candomblé, a Umbanda fez com que o preconceito contra práticas africanas – no idioma da discriminação, todas as religiões negras são “macumba” – fosse diminuindo com o passar dos anos graças à freqüência de um público de maior poder aquisitivo.
Paradoxalmente, no momento em que a Igreja parou de discriminar outras crenças, incorporando elementos africanos e indígenas, as igrejas neopentecostais – ou evangélicas – desestimulam seus fiéis à prática do sincretismo. Associam-no à prática de satanismo.

Frases

O “passe” é um dos elementos mais fortes do Espiritismo. Durante a sessão, o médium transmitiria a outras pessoas forças consideradas benéficas para sua saúde física e espiritual
A leitura dos livros básicos do Espiritismo é uma das exigências da religião iniciada por Allan Kardec
Kardec chegou a estudar Medicina, mas logo perdeu o interesse pelo mundo concreto
Nos primórdios do Espiritismo, a Igreja Católica queimava os livros de Kardec nas praças
O mundo dos espíritos – a alma de pessoas que morreram – comunica-se com os vivos por meio do pensamento e de textos psicografados
Alguns espíritos considerados mais evoluídos transmitiriam ensinamentos e contariam histórias através da psicografia. Somente Chico Xavier, que teria incorporado Emmanuel, publicou mais de 400 livros
No Brasil, grande parte dos conflitos religiosos foram amenizados pelo sincretismo
Os espíritas acreditam que um copo d’água como este pode ser energizado durante as sessões

Para saber mais

Na livraria
Espiritismo, Eduardo Araia, Ática, São Paulo, 1996
Guia de Religiões Populares do Brasil, Eneida D. Gaspar, Pallas, Rio de Janeiro, 2002
O Que é Espiritismo, Allan Kardec, Instituto de Difusão Espirita, Araras, 1990
A Realidade Social das Religiões no Brasil, Antônio Flávio Pierucci e Reginaldo Prandi, Hucitec, São Paulo, 1996
A Magia, Antônio Flávio Pierucci, Publifolha, São Paulo, 2001

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