sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

QUE SIGNIFICA A VIDA?


Certa feita, um jovem aprendiz, sedento das coisas da vida e de seus mistérios, dirigiu-se ao velho sábio da aldeia, interpelando-o:

Mestre, o que significa a vida?

A pergunta, aparentemente simples, fez com que o ancião refletisse profundamente em torno das longas décadas que caminhara pela existência.

A vida, meu filho, é apenas uma escola. - Respondeu, calando-se em seguida.

Pela resposta inusitada e breve, o jovem esperou algo mais e, como o silêncio se fizesse longo, não resistiu e tornou a questionar:
Mestre, como pode a vida ser uma escola, se tantos morrem analfabetos, se outros não têm oportunidade de frequentar uma sala de aula e muitos nem sequer entendem a importância do estudo?

No entanto, redarguiu o velho mestre, não há quem passe pela vida sem ter a oportunidade de valiosas lições.

É verdade que muitos se veem analfabetos ao longo da existência ou pouca oportunidade de estudo se lhes apresenta.

Porém, as lições da vida não são somente para o cérebro. Muitas delas e, talvez, as mais importantes, são para o coração.

Quando conseguimos calar perante a ignorância alheia é a lição da humildade e paciência que a vida nos oferece.

Quando nos tornamos solidários, temos compaixão, auxiliando alguém em dificuldade, é a lição do amor fraterno que a vida nos oportuniza.

E quando as dores da alma nos chegam, como a rasgar nossas entranhas, parecendo nos dilacerar e aguardamos e esperamos, é a lição da fé e resignação que a vida nos apresenta.

Assim meu filho, ninguém pode passar pela existência alegando que não teve oportunidades excelentes de aprendizado.

O que pode ocorrer é que muitos de nós somos alunos ainda muito indisciplinados e rebeldes para essa escola abençoada.

Mergulhados nas ilusões de que o mundo é apenas um parque de diversões, no qual se deve usufruir de todos os prazeres fugidios que ele nos ofereça, poucos nos damos conta das importantes lições da vida.

Devemos encarar cada dia que se inicia como nova oportunidade de aprender coisas para a mente, mas também para o coração.

Afinal, dia virá em que seremos convidados a nos apartar do corpo que nos serve, nesta existência, e seguiremos apenas com aquilo que conseguirmos carregar, na mente e no coração.

Por isso podemos dizer que o hoje é a oportunidade para a construção de dias futuros felizes, ou um amanhã de tristezas, quando aportarmos do outro lado da vida.

Tudo dependerá do aproveitamento das lições. E do que guardarmos em nossa intimidade.

Assim, meu filho, podemos dizer que o céu ou o inferno, a felicidade ou a desdita depois desta vida estão somente em nossas mãos, em bem ou mal aproveitarmos as lições desta escola.

Finalizando sua explicação, o velho ancião afastou-se, dando oportunidade para o jovem ficar a sós, repassando na mente as profundas reflexões do mestre sábio. 

TROQUE AS DEDUÇÕES POR DIÁLOGO!


Posted  by Mãe Mônica Caraccio

                                                                                                                                                                                                                                                                                             De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa 
etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Quando li o texto acima fiquei impressionada com a maravilhosa capacidade de nosso cérebro e com a clareza que émostrada a nossa habilidade de manipular, criar, deduzir e de formar situações. É exposto de forma simples e óbvia o quanto somos limitados e manipulados, quanto uma primeira imagem nos leva a deduções e à incapacidade de ver cada coisa ou situação em sua essência íntima e verdadeira. Claro que essas habilidades estão ligadas ao nosso emocional e não ao nosso cérebro. Acredito que isso está acontecendo diariamente em nossas vidas e em todos os sentidos; quantos pré-conceitos e conceitos são criados em nosso íntimo e que, consequentemente, influenciam não apenas minha vida, mas a de todos que estão ao meu entorno. Percebemos isso claramente no referido texto e fica óbvio o nosso poder de dedução e de criação. A mente, nesse momento, somente obedece a estímulos emocionais, torna-se preguiçosa e limita a visão real e íntima do fato. Pontos importantes que não podemos deixar passar sem uma boa reflexão. Afinal, vemos tantas pessoas sofrendo compulsivamente por deduções e criações.
E quando se fala em dedução e sofrimento percebemos uma simbiose sutil, mas agressiva. O sofrimento, ou melhor, a dor do sofrimento surge quando não se consegue compreender, aceitar e distinguir o ‘Real’ do ‘Irreal’, o que propicia a ausência da realidade, e é nesse momento que entra a dedução dos fatos. Falar na capacidade de criar e relacioná-la ao sofrimento é falar em frustrações. Criamos, imaginamos e desejamos coisas que nem sempre são possíveis ou permitidas e assim vivenciamos a dor amarga da frustração. É Importante vivenciar o real e evitar expectativas. É importante saber que a dor, seja ela qual for, deve propiciar um diálogo concreto com a perspectiva de obter respostas.
Isso mesmo! Sofre-se porque não se tem REPOSTAS. E onde encontrar as ‘respostas’? Muitos escritores, filósofos e antropólogos falam que uma das funções da religião é dar respostas, e que assim o ser apazigua seu íntimo tranquilizando seu lado emocional e se sente esperançoso e até perdoado. Concordo plenamente com esse conceito mas, como umbandista, tento ir um pouco mais longe nessa concepção, trazendo-a para minha realidade religiosa, acredito que não é estar dentro das igrejas e das religiões que encontramos respostas. Essas instituições além de vivenciarem as verdades Divinas e as respostas dadas pelo seu Divino, tem a função de mostrar onde o fiel deve encontrá-las. Na instituição católica as respostas estão na Bíblia, no judaísmo estão no Torá, no budismo na Sutra e assim por diante, são livros sagrados que direcionam o comportamento humano que deve ser vivenciado e praticado pelos seus fiéis.
Pois bem, quando falamos em Umbanda as respostas estão mais próximas, o que não quer dizer mais fáceis, elas estão no sentido religioso do ser e não no fenômeno mediúnico, no dom da incorporação ou dentro do Terreiro simplesmente, como muitos pensam e agem. Sabe-se que a Umbanda não tem um livro sagrado que direciona o caminho, e que também não é dedução ou achismo. Ela tem os Orixás e a Fala Sagrada das Entidades de Luz que sempre tentam nos mostrar o caminho nos estimulando a reflexão interior e a compaixão. Portanto, médiuns umbandistas encontrarão respostas quando se tornarem religiosos e não apenas médiuns pertencentes a esse ou aquele terreiro de Umbanda. É importante saber que incorporar é somente uma forma de trabalho mediúnico e que isso não significa ser religioso, portanto não é só incorporando que encontraremos as respostas ou que evoluiremos espiritualmente. É necessário ser religioso e para ser religioso partimos do principio que é necessário se entender, se compreender, se enxergar verdadeiramente, assim como, entender, compreender e enxergar o próximo, mas não de forma manipuladora, dedutiva e pré-conceituosa.
Portanto, vamos aproveitar a reflexão inspirada no texto acima e levá-la para dentro de nossa realidade humana e, principalmente, para dentro de nossa realidade espiritual e religiosa e percebamos que a capacidade de nosso cérebro é imensa, mas que a emoção pode controlá-la, limitá-la ou paralisá-la. Não dá para simplesmente ler um texto, sem observar de fato como ele está composto, sem ler as entrelinhas e a intenção do texto. Não dá para olhar uma situação sem enxergar o que a envolve, assim como nossas ações, nossas palavras, nossas atitudes, nossos pensamentos não devem simplesmente estar ligados à compulsividade emocional gerando deduções, criações, julgamentos e manipulações. É necessário parar, pensar, refletir e dialogar antes de deduzir e criar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"SIT"! : NOVA DOENÇA SOCIAL........



José Lucas

Numa breve viagem efectuada em serviço profissional, não pude deixar de constatar o mundo que me rodeia, desde o embarque no avião, a viagem, o desembarque, enfim as múltiplas acções e reacções das pessoas na sua interacção social.
Confesso que fiquei preocupado ao aperceber-me de uma nova doença que afecta a sociedade ocidental: chama-se SIT.
Curiosamente, ao ler "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, verdadeira pérola da literatura mundial, onde está confinada a parte filosófica da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas sim ciência, filosofia e moral), no seu capítulo VII intitulado "Lei de Sociedade", podemos encontrar questões interessantes:
"766 A vida social está na Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”
767. É contrário à lei da Natureza o isolamento absoluto?
“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.”
768.Procurando a sociedade, não fará o homem mais do que obedecer a um sentimento pessoal, ou há nesse sentimento algum providencial objectivo de ordem mais geral?
“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.”
Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não isolados."
O ser humano estimulando a sua inteligência, vai criando e modificando a matéria e o mundo material, tornando-o mais agradável para a sua vida no quotidiano, que por sua vez se torna mais confortável e mais feliz.
“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.” (Allan Kardec)
Vemos ao longo destes últimos 100 anos, um incremento fantástico ao nível tecnológico, contribuindo sobremaneira para uma maior e melhor qualidade de vida do ser humano. Curiosamente, esta tecnologia ao invés de contribuir para uma partilha saudável de vivências entre os seres humanos, tem contribuído para um uso desajustado, levando-o ao isolamento.
Paradoxalmente, nestes tempos que deveriam ser de alegria, face ao incremento da tecnologia, a sociedade sofre de grave doença mortal, a solidão, mesmo quando rodeados de uma imensidão de pessoas.
Naquele avião potente, com 200 pessoas a bordo, meditava fascinado no avanço da tecnologia, naquele grande pássaro de ferro rasgando o ar, tranquilamente e, verificava com alguma tristeza, que naquela hora e meia de viagem as 200 pessoas iam, cada uma delas, imersas no seu mundo (com auriculares ouvindo música ou outra coisa qualquer, com computadores trabalhando ou jogando, agarrados interminavelmente aos seus telemóveis e/ou agendas electrónicas, dormindo ou descansando de olhos fechados), ao invés de aproveitarem o tempo para conversarem, fazerem novos conhecimentos, trocarem ideias, partilharem opiniões, enfim, sociabilizarem-se.
Foi aí que me apercebi da grave doença, que se vai instalando silenciosamente, que nos afecta nos dias de hoje: a "SIT" (Solidão, Isolamento e Tecnologia).
Se as novas tecnologias são uma bênção para a humanidade, o seu uso deve ser efectuado com parcimónia, de modo a que o rumo orientador de sociabilização apontado em "O Livro dos Espíritos", nos itens acima referidos, não venham a ser postos em causa por este flagelo que associa a tecnologia ao isolamento e à solidão do ser humano.

NA UMBANDA, ASSIM COMO AFIRMAM OS PRETOS VELHOS.......





Axé pessoal. Quero chamar a atenção para um texto que meses atrás publiquei no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, sob o titulo “FALA agente ativo da magia” de Joseph KI- Zerbo (Coordenador do livro “História geral da África”, volume 1 produzido pela UNESCO). Percebam a importância da obra, o nível cultural do texto, do escritor e ainda a oportunidade de um conhecimento nato das tradições africanas, ‘saindo’ da psicografia ou da orientação espiritual e ‘entrando’ em um nível acadêmico que percorre o mundo inteiro.
Vale salientar que quando nos referimos às tradições africanas, falamos de nossas origens inclusive religiosas, na qual a Umbanda, os Pretos Velhos, os Orixás e toda nossa ancestralidade transcorrem. Portanto, uma leitura como essa, mais que conhecer a África ou uma tradição, é conhecer alguns fundamentos da Umbanda e como nosso espírito deve se comportar para estar em harmonia com nossa ancestralidade.
Boa leitura a todos e observem com atenção o olhar para a magia, a importância da fala e a forma que a mentira é caracterizada. Percebam que a Umbanda tem esses fundamentos em sua doutrina, afinal, para a Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos, nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus, a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas  e a mentira uma verdadeira lepra moral.
“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não é o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitem, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente” (Tierno Bokar)

A fala, agente ativo da magia--

História Geral da África- Metodologia e Pré- História da África – Volume I
de J. KI- Zerbo (Coordenador do Volume) Ática – Unesco
Deve-se ter em mente que, de maneira geral, todas as tradições africanas postulam uma visão religiosa do mundo. O universo visível é concebido e sentido como o sinal, a concretização ou o envoltório de um universo invisível e vivo, constituído de forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica, tudo se liga, tudo é solidário, e o comportamento do homem em relação a si mesmo e em relação ao mundo que o cerca (mundo mineral, vegetal, animal e a sociedade humana) será objeto de uma regulamentação ritual muito precisa cuja forma pode variar segundo as etnias ou regiões.
A violação das leis sagradas causaria uma perturbação no equilíbrio das forças que se manifestaria em distúrbios de diversos tipos. Por isso a ação mágica, ou seja, a manipulação das forças, geralmente almejava restaurar o equilíbrio perturbado e restabelecer a harmonia, da qual o Homem, como vimos, havia sido designado guardião por seu Criador.
Na Europa, a palavra “magia” é sempre tomada no mau sentido, enquanto que na África designa unicamente o controle das forças, em si uma coisa neutra que pode se tomar benéfica ou maléfica conforme a direção que se lhe dê. Como se diz: “Nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus”.
A magia boa, a dos iniciados e dos “mestres do conhecimento”, visa purificar os homens, os animais e os objetos a fim de repor as forças em ordem. E aqui é decisiva a força da fala.
Assim como a fala divina de Maa Ngala* animou as forças cósmicas que dormiam, estáticas, em Maa, assim também a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas. Mas para que a fala produza um efeito total, as palavras devem ser entoadas ritmicamente, porque o movimento precisa de ritmo, estando ele próprio fundamentado no segredo dos números. A fala deve reproduzir o vaivém que é a essência do ritmo.
Nas canções rituais e nas fórmulas encantatórias, a fala é, portanto, a materialização da cadência. E se é considerada como tendo o poder de agir sobre os espíritos, é porque sua harmonia cria movimentos, movimentos que geram forças, forças que agem sobre os espíritos que são, por sua vez, as potências da ação.
Na tradição africana, a fala, que tira do sagrado o seu poder criador e operativo, encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem e no mundo que o cerca.
Por esse motivo a maior parte das sociedades orais tradicionais considera a mentira uma verdadeira lepra moral. Na África tradicional, aquele que falta à palavra mata sua pessoa civil, religiosa e oculta. Ele se separa de si mesmo e da sociedade. Seria preferível que morresse, tanto para si próprio como para os seus.
O chantre do Komo Dibi de Kulikoro, no Mali, cantou em um de seus poemas rituais:
“A fala é divinamente exata,
convém ser exato para com ela”. 
“A língua que falsifica a palavra
vicia o sangue daquele que mente.”

O sangue simboliza aqui a força vital interior, cuja harmonia é perturbada pela mentira. “Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio”, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo: Rompe a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica, criando desarmonia dentro e ao redor de si.
Agora podemos compreender melhor em que contexto mágico-religioso e social se situa o respeito pela palavra nas sociedades de tradição oral, especialmente quando se trata de transmitir as palavras herdadas de ancestrais ou de pessoas idosas. O que a África tradicional mais preza é a herança ancestral. O apego religioso ao patrimônio transmitido exprime-se em frases como: “Aprendi com meu Mestre”, “Aprendi com meu pai”, “Foi o que suguei no seio de minha mãe”.

JESUS E A HUMANIDADE


Jesus-Homem é a lição de vida que haurimos no Evangelho como convite ao homem que se deve edificar.



Não havendo criado qualquer doutrina ou sistema, Jesus tornou a Sua vida o modelo para que o homem se pudesse humanizar, adquirindo a expressão superior.



No Seu tempo, e ainda agora, o homem tem sido símbolo de violência, prepotência e presunção, dominador exterior, estorcegando-se, porém, na sua fragilidade, nos seus conflitos e perecibilidade.



Após os Seus exemplos surgiu um diferente homem: humilde, simples, submisso e forte na sua perenidade espiritual.



Enquanto os grandes pensadores de todos os tempos estabeleceram métodos e sistemas de doutrinas, Ele sustentou, no amor, os pilotis da ética humanizada para a felicidade. Não se utilizou de sofismas, nem de silogismos, jamais aplicando comportamentos excêntricos ou fórmulas complexas que exigissem altos níveis de inteligência ou de astúcia.



Tudo aquilo a que se referiu é conhecido, embora as roupagens novas que o revestem. Utilizou-se de um insignificante grão de mostarda, para lecionar sobre a fé; recorreu a redes de pesca e a peixes, para deixar imperecíveis exemplos de trabalho; a semente caindo em diferentes tipos de solos, para demonstrar a diversidade de sentimentos humanos ante o pólen de luz da Sua palavra. O "Sermão da montanha" inverteu o convencional e aceito sem discussão, exaltando a vítima inocente ao invés do triunfador arbitrário; o esfaimado de justiça, de amor e de verdade, em desconsideração pelo farto e ocioso, dilapidador dos dons da vida. Jesus é a personagem histórica mais identificada com o homem e com a humanidade.



Todo o Seu ministério é feito de humanização, erguendo o ser do instinto para a razão e daí para a angelitude. Igualmente, é o Homem que mais se identifica com Deus. Nunca se Lhe refere como se estivesse distante, ou fosse desconhecido, ou temível. Apresenta-O em forma de Amor, amável e conhecido, próximo das necessidades humanas, compassivo e amigo. Reformula o conceito mosaico e atualiza- o em termos de conquista possível, aproximando os homens d’Ele pela razão simples de Ele estar sempre próximo dos indivíduos que se recusam a doar-se-Lhe em amor. Referindo-se ao "reino", não o adorna de quimeras nem o torna pavoroso; antes, desperta nos corações o anelo de consegui-lo na realidade da transcendência de que se reveste. Nega o mundo, sem o maldizer, abençoando-o nas maravilhosas paisagens nas quais atende a dor, e deixa-se mergulhar em meditações profundas sob o faiscar das estrelas luminosas do Infinito.



Jesus, na humanidade, significa a luz que a aquece e a clareia. Se te deixaste fossilizar por doutrinas ortodoxas que pretendem n’Ele ter o seu fundador, renasce e busca-O, na multidão ou no silêncio da reflexão, fazendo uma nova leitura das Suas palavras, despidas das interpretações forjadas.



Se te decepcionaste com aqueles que se dizem seguidores d’Ele, mas não Lhe vivem os exemplos, olvida-os, seguindo- O na simplicidade dos convites que Ele te endereça até agora e estão no conteúdo das Suas mensagens, ainda avivas quão ignoradas.



Se não Lhe sentiste o calor, rompe o frio da tua indiferença e faze-te um pouco imparcial, sem reações adrede estabelecidas, facultando-Lhe penetrar-te o coração e a mente. Na tua condição humana necessitas d’ Ele, a fim de cresceres, saindo dos teus limites para o infinito do Seu amor. Jesus veio ao homem para humanizá-lo, sem dúvida. Cabe-te, agora, esquecer por momentos das tuas pequenezes e recebê-Lo, assim cristificando-te, no logro da tua realização plena e total.



Autor: Joanna de Ângelis

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012



DESENCARNAÇÃO; PROCESSO DE TRANSIÇÃO.
Fernando A. Moreira
 
 

Morte é a cessação da vida orgânica; desencarnação é a libertação do Espírito imortal, período de transição, na sua mudança de plano. “A morte é hereditária” (1) e quando o corpo morre, o Espírito está pronto para livrar-se, porque “não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito;” (2) mas este, nem sempre está em condições de fazê-lo. Neste caso, a morte biológica acontece mas, o Espírito não se desprende, não se liberta, fica preso ao corpo físico, isto é, continua encarnado, porque “nem todos os que morrem desencarnam.” (3)

“Disse-nos, certa vez, um suicida: ‘Não estou morto.’ E acrescentava: ‘No entanto sinto os vermes a me roerem.’ Ora indubitavelmente, os vermes não lhe roíam o perispírito e ainda menos o Espírito; roíam-lhe apenas o corpo. (...) Era antes a visão do que se passava com o corpo, ao qual ainda o conservava ligado o perispírito, o que lhe causava a ilusão, que ele tomava por realidade.” (4)

A reencarnação não é um processo punitivo, mas educativo, pois aqui “é escola, é prisão, é hospital”; para atingir a perfeição, a felicidade e a plenitude, é necessário renovar-se na experiência da matéria densa.. Tendo escolhido o caminho do progresso, evoluído, e assim realizado a sua reforma íntima, ou, ao contrário estagnado, com a ressalva que, por mínimo que seja, sempre se evolui alguma cousa, inexoravelmente sobrevem a morte  (Fig. 1) , que é a fatalidade do corpo físico, assim como“a evolução é a fatalidade do Espírito” (5), um dos objetivos da reencarnação.(4); o outro é “ trabalhar para o Universo, como o Universo trabalha para nós, tal é o segredo do destino” (6), “é por o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação (...) e concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.” (4) (FIG. 1); este último é atingido consciente ou inconscientemente pelo Espírito. A reestruturação ou não de seu perispírito, vai depender em ter atingido ambos os objetivos, com influências importantes no seqüenciamento do processo desencarnatório. Quanto mais depurado esteja mais fácil se torna o seu desligamento gradual, porque “os laços se desatam, não se quebram.” (4)

Dois fatores são seqüenciais à morte (Fig. 1), ocorrendo paralelamente e vinculados às suas circunstâncias e ao grau evolutivo do Espírito desencarnante: 
  • desprendimento do corpo físico        
  • a  perturbação do Espírito.

Léon Denis assinala que deveríamos chorar na hora da reencarnação, que é um momento de intenso sofrimento para o Espírito, e rirmos na hora da morte, quando o Espírito se liberta, já que encarnação é seu encarceramento fluídico e a desencarnação a sua libertação; isto, é importante frisar, se o Espírito cumpriu os objetivos da encarnação, porque se não o fez, serão dois choros, um ao encarnar e o outro ao desencarnar, tal a influência que esta sua conduta projetará na desencarnação.

O desprendimento.

Ao reencarnar o Espírito se liga ao corpo, através de seu perispírito, que a ele se une, molécula a molécula, átomo a átomo e ao desencarnar, inversamente se desprende, também, átomo a átomo, molécula a molécula.

O princípio vital  é “o interruptor da vida”,(7) enquanto que o fluido vital é a eletricidade que carrega nossas baterias, o fluido cósmico animalizado; ao ser desligado aquele, a vida se esvai, cessa e sobrevem a morte (morte natural), que se dá por esgotamento do fluido vital ou embora com sua presença, por falência orgânica súbita (morte violenta), ficando ele impotente para transmitir o movimento da vida. (8) Esta fuga energética do corpo físico e do perispírito, que se encontravam dela impregnados, desde o primeiro instante da concepção, realiza-se de forma suave ou abrupta,(Fig. 1) de acordo com a sua distribuição, que é peculiar a cada ser, a cada órgão, a cada célula; há nos centros vitais ou de força, maior atividade vital e pontos de ligação com maior densidade entre o Espírito-perispírito e o corpo físico; destes o que tem mais forte esta união com o Espírito, via perispírito, é o centro coronário ou regente que, pelo fato mesmo, é o último que se desliga, desfazendo-se as conexões Espírito-perispírito-glândula pineal, a “glândula da vida espiritual”. O rompimento destes laços fluídico-magnéticos que compõe o cordão fluídico ou de prata, representa o selo da desencarnação, iniciando-se pelas extremidades e terminando, como dissemos, no cérebro.

A natureza das demais ligações dos centros vitais, variam de acordo com cada ser, dependentes da evolução do Espírito, modulador e estruturador do perispírito e portanto de suas ligações com a matéria densa, através dos centros vitais controladores e seus órgãos súditos e que  serviço prestou ao comandante de suas ações - o Espírito. Assim quem usou desregradamente o sexo, ou praticou aborto, por exemplo, terá suas ligações com o centro vital genésico difíceis de serem desligadas; quem foi tabagista inveterado, igualmente terá fortes ligações fluídico-magnéticas com o centro cardíaco, a retardar o processo desencarnatório, e daí por diante.

Assim o desprendimento acontece de forma lenta (envelhecimento natural, doenças crônicas, etc.) por esgotamento do fluido vital, ou de forma abrupta (morte violenta: acidentes, desastres, assassinatos, suicídios) por injúria grave, determinando a incapacidade funcional orgânica definitiva.(FIG. 1); nos primeiros, o desligamento já vinha se fazendo quando ocorreu a morte e nos últimos, a morte corresponde ao início do processo desencarnatório; equivale a dizer que o período morte-libertação, genericamente, é maior nestes.  Com os Espíritos evoluídos ocorre que o momento da morte corresponde ao da libertação, mas, ao contrário, certos Espíritos que têm seu perispírito ainda muito densificado, ficam presos ainda ao corpo, após a morte.

“O Espiritismo, pelos fatos cuja observação ele faculta, dá a conhecer os fenômenos que acompanham esta separação, que, às vezes, é rápida, fácil, suave e insensível, ao passo que doutras é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, conforme o estado moral do Espírito, e pode durar meses inteiros”, (2)  e  até anos.

A perturbação.

A consciência é do Espírito e após a morte corporal, ele passa por um período variável de perturbação, de acordo com o estado moral da alma,“fruto das suas construções mentais, emocionais e volitivas” (9) e o gênero ou circunstâncias da morte, para voltar a readquiri-la.

O Espírito purificado se desvencilha dos tênues laços que o prendiam ao corpo físico, tomando então consciência de si mesmo, da sua volta ao mundo espiritual e da memória do passado, que é também do Espírito e aos poucos vai retornando do inconsciente, sediado no perispírito (8); este“livro misterioso, fechado a nossa vista, durante a vida terrena, abre-se no espaço. O espírito adiantado percorre-lhe à vontade as páginas (...).”(6) Nestes casos a sensação é de alívio, como quem acordou de uma intervenção cirúrgica e obteve alta, curado; não é pois, nem penosa, nem duradoura; é um despertamento, pois a “vida na carne é o sono da alma; é o sonho triste ou alegre.” (6)

Naqueles Espíritos que não aproveitaram o retorno à vida corporal, para sua evolução, estagnados na escala do progresso, o desencarne será um processo extremamente doloroso, “tétrico, aterrador, ansioso (...) qual horrendo pesadelo” (10), demorado e a perturbação espiritual que se seguirá, será muito intensa e prolongada; muitas vezes, mal se lembram até da última encarnação e muito menos das outras, em mais uma concessão da bondade e da misericórdia divina, mas um dia o farão, pois terão que “entrar no conhecimento do seu estado, antes de serem levadas para o meio cósmico adequado ao seu grau de luz e densidade. “(6)

Na morte violenta, situação não esperada na maioria das vezes pelo Espírito, sua conscientização da morte e conseqüente passagem à vida espiritual é difícil  e demorada, tanto mais prolongada quanto menor a evolução espiritual.

Na Espiritualidade.

A espiritualidade não está parada, nem contemplativa, ao contrário, trabalha incessantemente e “Espíritos evoluídos, com fortes vínculos com a caridade”, (11) se incumbem da tarefa da desencarnação, ajudando nos desligamentos dos laços que unem o Espírito ao corpo físico, sob influxo do pensamento divino. Espíritos amigos e familiares, já desencarnados, colaboram nesta tarefa. Esta mesma atuação, pode ser prejudicada por Espíritos inimigos, obsessores até, que têm a finalidade de tornar o desligamento mais penoso, contribuindo também para maior perturbação do Espírito desencarnante, seu desafeto.

Destino dos componentes do homem. 

Após a morte, o corpo físico desintegra-se, seguindo as leis físico-químicas, que também são divinas, nunca mais voltando a recompor-se, ou destinar-se à ressurreição, que seria desprovida de qualquer finalidade.

O fluido vital volta ao seu lugar de origem - o fluido cósmico ou universal.

O perispírito poderá apresentar modificações em relação à sua densidade; não se segmenta e não se sedimenta; se depura, tornando-se tanto mais sutil quanto maior for o progresso espiritual.

O Espírito pode apresentar modificações em relação ao seu estado moral reencarnatório, porque o “Espírito evolui, tudo o mais se transforma”, por menor que seja esta mesma evolução, às vezes mínima, o que não pode nunca acontecer, é retrogradar.

Conclusão

Um dia, depois da morte corporal, nós teremos um decisivo encontro marcado com nós mesmos, nos recônditos da nossa consciência, apanágio do Espírito, onde foram impressas por Deus as suas leis morais (4); aí serão julgados por ela, todos os nossos atos da senda reencarnatória, no uso do nosso livre arbítrio e comparados com os nossos propósitos ao reencarnar, escolhidos ou impostos pela justiça divina, sempre de acordo com as aptidões de cada um; depende de nós, e só de nós, se este será o “dia mais feliz de nossa existência”, momento de puro êxtase ou, “ao contrário, o pior deles”, o seu momento mais fatídico.

“Cremos que a educação para o desencarne implica na educação para a vida”. (9), para que consigamos a morte de que nos fala Hernani Santanna: (12)  
“A morte (...) é a liberdade !
É o vôo augusto para a luz divina,
sob as bênçãos da paz da eternidade!
É bem começo de uma nova idade,
antemanhã formosa e peregrina,
da nossa vera e grã felicidade.”
BIBLIOGRAFIA
1 _ FORMIGA, Luiz Carlos D. “Dores, Valores, Tabus e Preconceitos”, CELD Ed., maio/96, pg.89-102.
2 _ KARDEC, Allan. “A Gênese”. 22ª ed. Trad. Guillon Ribeiro. 1980, pg. 215.
3 _ RIBEIRO, Gêmison. “Nem todos que morrem desencarnam.” Revista Internacional de Espiritismo, Dez/1999, pg. 504.
4 _ KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 68ª ed.: FEB, 1987. perg. 132, 155, 257, 621.
5 _ SANTOS, Edson Ribeiro dos. Comunicação pessoal.
6 _ DENIS, Léon. “O Problema do Ser, do Destino e da Dor.” 4ª ed. 1936: FEB, pg. 167, 261, 323.
7 _ MELO, Jacob. “O Passe”. 8ª ed.: FEB,1992, pg 60.
8 _ MOREIRA, Fernando Augusto. “Fisiologia da Alma”. Revista Inter-nacional  de Espiritismo, Out/2000, pg.399.
9 _ JERRI, Roberto. “A Fisiologia do Desencarne” A Reencarnação. Nº 414, ano XIII, 1º semestre, 1997, pg. 39 e 42.
10 _ KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37ª ed. Trad. Manuel J. Quintão: FEB, 1991, pg. 169.
11 _ CARNEIRO, Oscar F. “Reflexões”. Ozon Editor, 1960, pg. 15.
12 _ SANTANNA, Hernani. “Canção do Alvorecer”. 2ª ed,: FEB, 1983, pg. 46.

SÍMBOLOS DA UMBANDA



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Não é raro as pessoas me perguntarem o que significam determinados símbolos e riscos e acredito que esse deva ser 
um assunto que traz duvida ou mesmo curiosidade a muitas pessoas. Como os símbolos fazem parte da nossa Umbanda e de nossos trabalhos trago hoje para vocês o significado de alguns deles. Saibam que este assunto, além de belo e interessante, é muito vasto e vai além do que está colocado neste artigo. Espero que vocês não parem por aqui e que esse aprendizado sirva como início de muito estudo e conhecimento. Aproveitem!!
O CÍRCULO representa o espírito puro, simboliza o Criador, a consciência humana reconhecendo a eternidade, o Universo e a perfeição. É um símbolo universal de unidade, totalidade e infinito. Já um PONTO representa o ser Supremo, a energia concentrada. A CRUZ é o símbolo que representa a fé e a submissão ao Sagrado, a LINHA HORIZONTAL representa o corpo, a matéria – é o lado mundano – e a LINHA VERTICAL representa a alma em busca do retorno ao Criador – é o lado Divino. LINHAS SINUOSAS representam a vibração do mar, a regeneração e os mistérios da vida.
O QUADRADO representa os quatro elementos: terra, fogo, água e ar e  o TRIÂNGULO representa a força Divina, a trindade Pai, Filho e Espírito Santo ou Olorum, Oxalá e Ifá.
O ARCO e FLECHA é a força espiritual, energia e potência, a ESPADA representa a alma em busca do Criador, a luta do trabalho, o guerreiro e o CORAÇÃO representa almas em posições equilibradas, o amor e a doçura.
As estrelas são o símbolo da verdade, do espírito e da esperança. A ESTRELA DE QUATRO PONTAS se assemelha a uma cruz e nos remete ao nascimento de Jesus e principalmente à finalidade da sua vinda: o amor incondicional. A ESTRELA DE CINCO PONTAS ou Pentagrama é um símbolo poderoso de proteção e equilíbrio. Cada uma de suas pontas representa um dos quatro elementos manifestados – Fogo, Ar, Água e Terra – mais o elemento unificador: o Espírito.
O Hexagrama ou ESTRELA DE SEIS PONTAS é formada por dois triângulos e representa todas as Forças do Espaço em equilíbrio. É um símbolo potente que retrata o macrocosmo – Deus, o Universo ou Energias mais altas – em equilíbrio com o microcosmo – a raça humana, a Terra ou Energias Evidentes. A ESTRELA DE SETE PONTAS ou Septagrama é um símbolo de integração e tão mística quanto o número de suas pontas. Representa a inteligência oculta, é associado aos sete planetas da astrologia clássica e a outros sistemas do Sete, tal como os chacras do Hinduísmo. A ESTRELA BRANCA representa a luz dos espíritos e a ESTRELA GUIA (com cauda)  é o símbolo da capacidade de acompanhamento.

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