quinta-feira, 2 de julho de 2015



Na Sua imensa Sabedoria e Perfeição, Olorum, através dos Mestres Iluminados, ao idealizarem a Umbanda como caminho ao seu encontro, não esqueceu das Crianças. Seres infantis que vivem no astral e no físico. Preocupados com a formação dos pequeninos encarnados, que precisam desde tenra idade serem envolvidos pela consciência de evolução e transcendência da alma, é que se formou no astral de Umbanda uma estrutura complexa de suporte aos encarnados, a Linha das Crianças ou dos Erês como é comumente conhecida.
Neste “agrupamento” agrega-se duas classes de espíritos. Uma é a situação de espíritos que saem do quinto plano da evolução para encarnar pela primeira vez e por algum motivo acaba retornando ao plano espiritual ainda na fase infantil. Como a sua estrutura mental não configurou a fase adulta, pois não a alcançou neste novo estágio, então manter-se-á infantil até que novo reencarne ocorra e possa este espírito vivenciar todas as fases da experiência “vida terrena”. Porém, até que isso ocorra, este espírito vem para uma colônia dar continuidade a outras atividades, podendo muitos interagir com os encarnados através da mediunidade. Como são infantis e não tiveram o acesso aos “vícios e paixões” terrenos, então ainda se mantêm puros energeticamente facilitando o trabalho espiritual típico desta Linha que é a Cura e a Limpeza Psíquica (este último é uma habilidade “exclusiva” desta Linha).  São habilidosos ao tratar da estrutura que forma o pensamento negativo. Para concluir este primeiro ponto, deixo reforçado que estes são espíritos humanos que desencarnaram crianças na sua primeira encarnação.
Uma outra presença mais massiva é a dos Encantados, ou seja, espíritos da quinta dimensão que não encarnaram e não são da natureza humana e sim encantados. Estes seres é que compõem o maior número de entidades que se manifestam nos Terreiros como Crianças e são mesmo, pois são espíritos infantis do reino encantado que se preparam exaustivamente para interagirem com os encarnados. No entanto, em muitas situações da realidade humana estes seres não compreendem e não participam e tampouco entendem sentimentos viciosos dos humanos. Estes interagem com os encarnados, pois focam primeiramente as Crianças encarnadas, por uma questão de afinidade natural e depois é que vão se preocupar com os adultos. Sua energia é puríssima, pois na realidade em que vivem não existe estes infinitos cruzamentos energéticos como na dimensão humana.
Os Encantados se dividem entre os quatro elementos primários que é: terra, ar, fogo e água. É perceptível isso quando incorporados, pois percebemos nos infantis da terra uma postura mais sisuda, nos do fogo uns verdadeiros espoletas, nos do ar bastante brincalhões e os da água são chorões e de certa forma manhosos.
Logo, o arquétipo desta Linha de trabalho é a Criança, oferecendo desta forma um campo fértil para o desenvolvimento da fé nas crianças terrenas, pois quando crescerem e saírem da faixa infantil esta Linha já não lhe atrairá tanto. No entanto, a semente da espiritualidade estará lá plantada e germinando uma frondosa árvore no caminho da evolução espiritual.
Não esqueça, Umbandista: a religião oferece uma estrutura perfeita de crescimento; explore melhor a Linha das Crianças e garanta o futuro iluminado da Umbanda.
Salve as Crianças!
Saravá!
Nota do Médium: Salve Pai Zuluá, que neste objetivo discurso nos apresenta com clareza a realidade sobre esta Linha. Há quem pregue que as Crianças na Umbanda seriam espíritos adultos que tomam a forma infantil para interagir demonstrando a inocência e a alegria de viver. E percebemos agora que isso é um contrasenso. Oras, como podemos manifestar a inocência sem tê-la verdadeiramente em nós? Então o que vale é o fingimento? O fazer de conta que é? Qual propósito final? Pois é, perguntas e mais perguntas. E este texto apresenta que na Criação não tem faz de conta e no plano espiritual não existem falsetas: ou é ou não é.  Assim, viva as Crianças! Cuidemos delas e vamos garantir não só o futuro da religião bem como da humanidade.
Salve Zezinho!
Ditado por Pai Zuluá de Aruanda

25 setembro, 2013

As Crianças são a alegria na Umbanda. Simbolizam a pureza, a inocência e o bom humor. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, auxílio para resolver problemas cotidianos, fazer confidências, mas nunca para o Mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza. 
É uma falange de espíritos que se apresenta arquetipicamente com uma mentalidade infantil. Como no plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada. É conhecida também como Linha dos Erês ou de Ibeji. É tão independente quanto a Linha de Exu. Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são alguns dos vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil, alegre e descontraída.
Quando incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras como qualquer criança. Énecessária muita concentração do médium para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na mensagem a ser transmitida. Os “meninos” são em sua maioria mais bagunceiros, enquanto que as “meninas” são mais quietas e sensíveis. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, e assim por diante. Os pedidos feitos a uma Criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Poucos são aqueles que dão importância devida às Giras das vibrações infantis. O fato é que uma Gira de Criança não deve ser interpretada como uma diversão, embora normalmente seja realizada em dias festivos, e às vezes não consigamos conter os risos diante das palavras e atitudes que as crianças tomam.
Festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeji, em 27 de Setembro, é muito concorrida em quase todos os Terreiros do País. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, estado de Pernambuco e ainda existe. Cosme e Damião são representantes (patronos) da falange das Crianças, o que deve ter iniciado a partir do sincretismocom os Ibejis, crianças gêmeas do panteão Iorubá, também chamados Erês. 
As Crianças na Umbanda não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões; preferem as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. Muitas entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil são muito amigas e têm mais poder do que imaginamos. Mas como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação fica oculto, mas são ótimos conselheiros e curadores, daí sua associação a São Cosme e São Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos.
MAGIA DA CRIANÇA
O elemento e força da natureza correspondente aos Ibejis podem, na verdade, ser todos, pois poderão, de acordo com a necessidade, manipular as energias elementais devido ao fato de serem portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.  A Falange das Crianças é uma das poucas falanges que consegue dominar a magia. Embora as Crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. Imaginem uma Criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes; assim são Eles na Umbanda: fazem tipo infantil, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas “águas de bolinhas” – o refrigerante – e tratam a todos como tio/tia e vô/vó. Os Erês também são, em geral, ótimos para a limpeza espiritual dos Terreiros.
Dúvidas

ALGUMAS DÚVIDAS JÁ RESPONDIDAS

Quem é o Mal segundo a crença umbandista e qual papel dele no universo?
Questão enviada por Gabriella de Sousa – São Paulo (SP) 
Resposta: O Mal é uma criação nossa. O Universo é energia. Todos nós somos energia. Tudo, simplesmente tudo, por mais sólido que possa parecer é feito de moléculas, átomos, elétrons, enfim, está em movimento, embora não pareça. A vibração de uma mesa é bem menor do que a de nossos corpos, por exemplo, e é por isso que podemos interagir com a mesa sem nos “grudarmos a ela”. Assim, quando pensamos, tememos e principalmente fazemos o Mal, acabamos por gerar esta energia no Universo, que será ruim para alguém e para uma coletividade. Veja: o Universo não possui positivo ou negativo no sentido que conhecemos como Bom ou Mal; tudo é energia! Se esta energia gerar negatividades ela não será boa e deverá ser evitada. Assim, em teoria, seria possível um mundo e um Universo sem o Mal, mas para isso seria preciso que nenhum ser humano vibrasse negatividade contra nada nem ninguém nunca.

Os Orixás vêm na forma de Guias ou Mentores que são outros espíritos?
Questão enviada por Rafael Napolitano – São Caetano do Sul (SP) 
Resposta: Os Orixás são irradiações divinas e, em geral, quando se manifestam nos médiuns é apenas “de passagem”, pois os Guias é que “trabalham” nos Terreiros. Em geral, observe o nome do Guia e saberá em qual irradiação ele se situa. Exemplo: Caboclo Beira Mar (é um Caboclo, então trabalha na irradiação de Oxóssi, mas também atua sob a irradiação de Iemanjá em razão do “sobrenome” Beira Mar).

Questão enviada por Priscila Tótaro – Belo Horizonte (MG)
Resposta: Fique à vontade com a questão “velas”. Cada Orixá e Guia da Umbanda possui uma cor específica, mas, na ausência de velas coloridas use a branca, pois o que importa é a nossa mentalização do que desejamos. O tamanho também pode ser variado (hoje já encontra-se algumas menores, que queimam em cerca de uma hora e meia) e, se apagar, basta acender novamente.  A forma como a vela queima (chorosa, etc) não tem relação direta com a espiritualidade. A vela é símbolo de luz, foco, atenção; nos ajuda a firmar desejos e preces. Use sem restrições!
Posso acender uma vela para o meu Orixá em casa? Qual tamanho?
Questão enviada por Priscila Tótaro – Belo Horizonte (MG)
Resposta: Fique à vontade com a questão “velas”. Cada Orixá e Guia da Umbanda possui uma cor específica, mas, na ausência de velas coloridas use a branca, pois o que importa é a nossa mentalização do que desejamos. O tamanho também pode ser variado (hoje já encontra-se algumas menores, que queimam em cerca de uma hora e meia) e, se apagar, basta acender novamente.  A forma como a vela queima (chorosa, etc) não tem relação direta com a espiritualidade. A vela é símbolo de luz, foco, atenção; nos ajuda a firmar desejos e preces. Use sem restrições!

Questão enviada por Diego Farias – São Paulo (SP) 
Resposta: Todos nós temos mediunidade, mas alguns apresentam mais sensibilidade mediúnica do que outros. Um bom exemplo é o que chamamos de intuição; todos temos intuição, pressentimentos e ideias que surgem nesta ou naquela ocasião, que seguimos ou não. Para os médiuns na Umbanda, em geral o Pai/Mãe de Santo instrui a pessoa sobre esta “sensibilidade aflorada” e, a partir daí, esta pessoa começa o processo de desenvolvimento para “trabalhar”. É uma grande responsabilidade, mas também uma atividade que demonstra a Caridade e a Doação que devemos ter com o próximo.

A toalha de cabeça antes de ser utilizada pela primeira vez deve ser cruzada por alguma entidade?
Questão enviada por Dinalva Faria – São Paulo (SP) 
Resposta: Olá irmã, como vai? Isso depende de cada Casa/Terreiro. Se for o procedimento, sim; caso contrário, pode pedir para uma Entidade/Guia/Mentor que trabalha contigo cruzar. Muita Luz!

Questão enviada por Guilherme Veleda – São Paulo (SP) 
Resposta: A mediunidade é inerente ao ser humano, todos a temos em maior ou menor grau. Ela se modifica com o tempo, da infância até a idade adulta, mas todos temos, no mínimo, algo que muitos chamam de “intuição”. Para trabalhar na Umbanda, em geral os Terreiros optam por médiuns acima dos 18 anos e isso não significa que os mais jovens não pudessem trabalhar; é que, frente aos consulentes, talvez pudesse gerar algum desconforto. Assim, se a mediunidade já se manifestar fortemente, por exemplo, na adolescência, o ideal é conversar com o Pai/Mãe de Santo e se aconselhar sobre a melhor atitude a tomar. Ler, estudar e se desenvolver é um bom caminho para a preparação até a idade adulta.

Questão enviada por Marta Régis (PR) 
Resposta: Sua preocupação é muito importante, mas por enquanto nós também não conseguimos visualizar uma grande unificação das práticas e costumes da Umbanda no futuro. A religião cresceu na tradição oral, sem dogma, sem um “papa” de onde viriam as normas a serem seguidas por todos. Assim, o que devemos procurar fazer é nos cercar da maior quantidade de conhecimento possível (livros, sites, cursos, etc) para dar uma conformidade à nossa religião. Nós, do Umbanda, eu curto! seguimos a orientação dos nossos colaboradores (veja no site) pois a maioria é autor e publica livros e textos sobre a Umbanda.

Questão enviada por Patricia Cardoso – São Paulo (SP) 
Resposta: Uma explicação inicial mais simples seria compararmos aos signos do Zodíaco. Assim como nos enquadramos em determinado signo, também nos enquadramos sob a irradiação de um determinado Orixá. Assim como nos signos, isso não significa que seremos e agiremos de acordo com suas características principais; elas apenas serão mais evidentes em nós, de acordo com cada Orixá. Exemplo: filhos de Xangô terão propensão a se preocupar com questões relacionadas à razão, equilíbrio, justiça e assim por diante. Uma boa maneira de saber qual é o seu Orixá regente é jogar Búzios.


Questão enviada por Bruna Arruda – São José dos Campos (SP) 
Resposta: Na Umbanda há também dois termos que é importante você se familiarizar: egum e quiumba. Egum é um espírito perdido, não necessariamente do Bem ou do Mal. Pode ser de uma pessoa que faleceu e não se deu conta disso ainda e precisa evoluir, entender a passagem da vida e seguir em frente rumo à evolução.
Já quiumbas são espíritos do baixo astral, alimentados pela energia negativa, vingativa e do Mal. Como dissemos antes, esse Mal só existe porque foi alimentado através dos tempos por nós, humanos. Os quiumbas realmente atrapalham muito. São aqueles que atendem esse pessoal que “traz a pessoa amada em X dias” e coisas assim. Este pessoal, na verdade, faz a manipulação de energias ruins, por meio dos quiumbas, e se a pessoa que for o foco deste “trabalho” não estiver bem protegida, pode sim ser afetada. Estes senhores e senhoras que fazem estes trabalhos e manipulam energias do Mal, podem até dizer que é Exu, Xangô, etc, mas na verdade são quiumbas travestidos espiritualmente, buscando fazer o Mal de forma gratuita.
Sabemos que nossa energia varia ao longo de um dia, ao longo da semana, ou seja, somos humanos, passíveis de falhas e variações energéticas. E é por isso que devemos sempre nos proteger, fazendo orações, mantendo a mente sempre direcionada para o Bem e, sempre que possível, visitar um Centro e tomar um passe.

Pode sim ir tranquilamente em Giras de Esquerda e conversar sem medo com os médiuns incorporados trabalhando com Exus e Pombagiras. Eles não farão o Mal em hipótese alguma, pois trabalham a serviço do Bem.
PRIMEIRO CASO:
Aos vinte anos de idade fui chamado à tarefa mediúnica… A vidência, a audição e a psicografia que o Senhor me concedera, por misericórdia… Entretanto, apesar das lições maravilhosas de amor evangélico, inclinei-me a transformar minhas faculdades em fonte de renda material… Não era meu serviço igual a outros? Não recebiam os sacerdotes católicos-romanos a remuneração de trabalhos espirituais e religiosos? Se todos pagávamos por serviços ao corpo, que razões haveria para fugir ao pagamento por serviços à alma?
Debalde, movimentaram-se os amigos espirituais aconselhando-me o melhor caminho. Em vão, companheiros encarnados chamavam-me a esclarecimento oportuno. Arbitrei o preço das consultas, com bonificações especiais aos pobres e desvalidos da sorte, e meu consultório encheu-se de gente.

SEGUNDO CASO
Grande número de famílias abastadas tomou-me por consultor habitual para todos os problemas da vida. As lições de espiritualidade superior, a confraternização amiga, o serviço redentor do Evangelho e as preleções dos emissários divinos ficaram à distância. Não mais a escola da virtude, do amor fraternal, da edificação superior, e sim a concorrência comercial, as ligações humanas legais ou criminosas, os caprichos apaixonados, os casos de polícia e todo um cortejo de misérias da Humanidade, em suas experiências menos dignas… E transformei a mediunidade em fonte de palpites materiais e baixos avisos.– Mas a morte chegou… a ronda escura dos consulentes criminosos, que me haviam precedido no túmulo, rodeou-me a reclamar palpites e orientações de natureza inferior. Queriam notícias de cúmplices encarnados, de resultados comerciais, de soluções atinentes a ligações clandestinas. Gritei, chorei, implorei, mas estava algemado a eles por sinistros elos mentais
 
TERCEIRO CASO
Fiz quanto pude – exclamava uma velhinha simpática para duas companheiras que a escutavam atentamente – … mas… e o marido? Amâncio nunca se conformou.   Se os enfermos me procuravam no receituário comum, agravava-se-lhe a neurastenia; se os companheiros de doutrina me convidavam aos estudos evangélicos, revoltava-se, ciumento. Que pensam vocês? Chegava a mobilizar minhas filhas contra mim. Como seria possível, em tais circunstâncias, atender a obrigações mediúnicas?
Todavia – ponderou uma das senhoras que parecia mais segura de si –, sempre temos recursos e pretextos para fugir às culpas. Encaremos nossos problemas com realismo. Há de convir que, com o socorro da boa vontade, sempre lhe ficariam alguns minutos na semana e algumas pequenas oportunidades para fazer o bem.  Para trabalharmos com eficiência – tornou a companheira, sensata –, é preciso saber calar, antes de tudo.  Teríamos atendido perfeitamente aos nossos deveres, se tivéssemos usado todas as receitas de obediência e otimismo que fornecemos aos outros.
Não executei minha tarefa mediúnica em virtude da irritação que me dominou, dada a indiferença dos meus familiares pelos serviços espirituais. Nossos instrutores, aqui, muito me recomendaram, antes, que para bem ensinar é necessário exemplificar melhor. Entretanto, por minha desventura, tudo esqueci no trabalho temporário da Terra.
Não suportava qualquer parecer contrário ao meu ponto de vista, em matéria de crença, incapaz de perceber a vaidade e a tolice dos meus gestos. Preparei-me o bastante para resgatar antigos débitos e efetuar edificações novas; contudo, não vigiei como se impunha. O chamamento ao serviço ressoou no tempo próprio, orientando-me o raciocínio a melhores esclarecimentos; nossos instrutores me proporcionavam os mais santos incentivos, mas desconfiei dos homens, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos estudiosos do plano físico, enxergava pessoas de má fé; nos irmãos invisíveis, presumia encontrar apenas galhofeiros fantasiados de orientadores e, em mim mesma, receava as tendências nocivas. Muitos amigos tinham-me em conta de virtuosa, pelo rigor das minhas exigências; todavia, no fundo, eu não passava de enferma voluntária, carregada de aflições inúteis…  […] o receio das mistificações prejudicou minha bela oportunidade.
– É, minha amiga – tornou a interlocutora –, é tarde para lamentar. Tanto tememos as mistificações, que acabamos por mistificar os serviços do Cristo.
 
QUARTO CASO
- Faltou-me o amparo da esposa. Enquanto a tive a meu lado, verificava-se profundo equilíbrio em minhas forças psíquicas. A companhia dela, sem que eu pudesse explicar, compensava-me todo gasto de energia mediúnica. Minha noção de balanço estava nas mãos de minha querida Adélia. Esqueci-me, porém, de que o bom servo deve estar preparado para o serviço do Senhor, em qualquer circunstância… 
Quando me senti sem a dedicada companheira, arrebatada pela morte, amedrontei-me, por sentir-me em desequilíbrio e, erradamente, procurei substituí-la, e fui acidentado.   Extremamente ligada a entidades malfazejas, minha segunda mulher, com os seus desvarios, arrastou-me a perversões sexuais de que nunca me supusera capaz. Voltei, insensivelmente, ao convívio de criaturas perversas e, tendo começado bem, acabei mal.
 
QUINTO CASO
No quadro dos meus trabalhos mediúnicos, estava a recordação de existências pregressas mas existe uma ciência de recordar, que não respeitei como devia.  Sentia, intuitivamente, a vívida lembrança de minhas promessas em “Nosso Lar”. Tinha o coração repleto de propósitos sagrados. Trabalharia. Espalharia muito longe a vibração das verdades eternas. Contudo, aos primeiros contatos com o serviço, a excitação psíquica fez rodar o mecanismo de minhas recordações adormecidas, como o disco sob a agulha da vitrola, e lembrei toda a minha penúltima existência, quando envergara a batina, sob o nome de Monsenhor Alexandre Pizarro, nos últimos períodos da Inquisição Espanhola.

SEXTO CASO
Foi, então, que abusei da lente sagrada a que me referi. A volúpia das grandes sensações, que pode ser tão prejudicial como o uso do álcool que embriaga os sentidos, fez olvidar os deveres mais santos… não estava satisfeito senão com rever meus companheiros visíveis e invisíveis, no setor das velhas lutas religiosas.  Impunha a mim mesmo a obrigação de localizar cada um deles no tempo, fazendo questão de reconstituir-lhes as fichas biográficas, sem cuidar do verdadeiro aproveitamento no campo do trabalho construtivo.
“A audição psíquica tornou-se-me muito clara; entretanto, não queria ouvir os benfeitores espirituais sobre tarefas proveitosas e sim interpelá-los, ousadamente, no capítulo da minha satisfação egoística.   “Não faltaram generosas advertências”.  Mas, qual! Eu não queria saber senão das minhas descobertas pessoais.

SÉTIMO CASO
“Tínhamos quatro reuniões semanais, às quais comparecia com assiduidade absoluta. Confesso que experimentava certa volúpia na doutrinação aos desencarnados de condição inferior. Para todos eles, tinha longas exortações decoradas, na ponta da língua. Aos sofredores, fazia ver que padeciam por culpa própria. Aos embusteiros, recomendava, enfaticamente, a abstenção da mentira criminosa. Os casos de obsessão mereciam-me ardor apaixonado. Estimava enfrentar obsessores cruéis para reduzi-los a zero, no campo da argumentação pesada.Somente aqui, de volta, pude verificar a extensão da minha cegueira.
“Por vezes, após longa doutrinação sobre a paciência, impondo pesadíssimas obrigações aos desencarnados, abria as janelas do grupo de nossas atividades doutrinárias para descompor as crianças que brincavam inocentemente na rua.  Isso, quanto a coisas mínimas, porque, no meu estabelecimento comercial, minhas atitudes eram inflexíveis. Raro o mês que não mandasse promissórias a protesto público. Lembro-me de alguns varejistas menos felizes, que me rogavam prazo, desculpas, proteção. Nada me demovia, porém. Os advogados conheciam minhas deliberações implacáveis.  Não conseguia perceber que a existência terrestre, por si só, é uma sessão permanente.
Passei para cá, qual demente necessitado de hospício. Tarde reconhecia que abusara das sublimes faculdades do verbo. Como ensinar sem exemplo, dirigir sem amor?  Entidades perigosas e revoltadas aguardaram-me à saída do plano físico… 
[…] alguns bons amigos me trouxeram até aqui. E imagine o irmão que meu Espírito infeliz ainda estava revoltado.
– Desde então, minha atitude mudou muitíssimo, entendeu?
“.. a multiplicidade de fenômenos e as singularidades mediúnicas reservam surpresas de vulto a qualquer doutrinador que possua mais raciocínios na cabeça que sentimentos no coração.”
Primeiramente, quando chegar à porta do Terreiro, peça licença aos guardiões da casa logo que entrar.  Dentro do Terreiro, sinta o ambiente, feche os olhos e respire fundo (a respiração é a base da vida, os ciclos e ritmos – o Fole Vital). Inspire os perfumes, as essências do Templo. Elas lhe despertarão sentimentos e prazeres jamais sentidos. Experimente…
Quando as entidades estiverem incorporadas, visualize bem e sinta a vibração do atabaque e das entidades. No passe, é necessário que você sinta a vibração da entidade, ou quem não sente vibração sentirá qualquer outro tipo de sensação que mostrará se a entidade está ali ou se é uma mistificação.
Qualquer tipo de entidade da linha branca não tem linguajar grosseiro nem fica falando da vida de outros ou até mesmo falando que fulano fez isso aqui ou macumba acolá. 
As entidades tem sempre que deixar uma mensagem de conforto. Se isso não acontecer fale com a entidade chefe, pois pode estar havendo mistificação! Tome muito cuidado com médiuns mistificadores; não existe na Lei de Umbanda Sagrada cobrar para fazer trabalho, muito menos a própria entidade falar que tem que ser cobrado. Isso é um imenso desrespeito com nosso Senhor Zambi (Deus) e com as entidades. Existem muitos engraçadinhos que querem ganhar a vida através de mistificação, portanto cuidado, irmãos!

  Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira. Leia no blog  ou  leitor Quando enxergamos o mal do outro… . Por  cristinatormena  em  5 ...