quinta-feira, 21 de abril de 2016

Umbanda não é sinônimo de sujeira quer seja interior ou exterior !

Do Sagrado para a Sujeira

A Umbanda possui dentro das suas práticas e liturgias vários procedimentos que acabam tendo o seu destino o externo do terreiro, ou seja, na rua! Não é necessário enumerar estes procedimentos, mas é bom lembrar os mais comuns:

- oferendas na natureza;
- despachos de materiais para descargas energéticas;
- consagrações e imantações de elementos: guias de conta, colares, etc;

Todos estes procedimentos podem sofrer alteração de acordo com a escola que o médium segue, mas existe algo que não muda em escola nenhuma: o hábito de abandonar os materiais nos locais do trabalho!

Aos irmãos que já mudaram esta postura, por favor, não se aborreçam, estou falando em relação aos que não mudaram!

Pensando desta maneira, podemos entender que o nosso cartão de apresentação ou de visita é feio, bem feio. Matas queimadas, encruzilhadas emporcalhadas, comidas apodrecidas nas cachoeiras, portas de cemitérios fedendo, beira da praia intransitável e todo horror que se possa imaginar.

Um tempo atrás, estava transitando por uma avenida bem conhecida na zona leste, para ser mais exato, a Avenida Jacúpessêgo, parado em um semáforo aguardando a sua abertura. Ao reparar no canteiro central, vi que uma criança se incomodava com algo, que ela chutava e dava risada... foi ai que me dei conta que naquele pequeno perímetro estavam depositados um total de 9 alguidares, que pela decomposição e posicionamento foram colocados em dias diferentes...

A pergunta é: por que que o nosso trabalho tem que se tornar o lixo para o outro?

Não se trata somente do outro irmão não religioso, mas de nós mesmos!

Quantas vezes você se incomodou de procurar um local para fazer oferenda e o mesmo já tinha sido usado e abusado, estava fedido e sujo?!

Mas, o que pode ser feito?
Abaixo, um procedimento de trabalho externo adotado pelo Instituto Cultural Sete Porteiras do Brasil. Esta é uma sugestão que adotamos e recomendamos!

- Pedir licença no ponto de força e a todos os seus intermediários.
  (deixar algo ou pedir licença mentalmente.);
-  Montagem da Oferenda;
-  Pedido, descarrego ou imantação/consagração;
- Tempo de espera antes de retirar, de 15 a 25 minutos;
- Recolhimento de todos os elementos, sendo cada um separado de acordo com sua classe (vidro com vidro, fruta com fruta...) e cada um depositado no seu lixo de destino.

A natureza não está dando conta do recado, não estamos deixando os pontos descansar e se renovar. Por mais que se façam limpezas diárias, o grau de decomposição e comprometimento é muito grande, sendo assim, vamos cada um fazer a sua parte!

Jorge Scritori

A ânsia louca de se saber quem é o Orixá

Todos os dias em inúmeros fóruns pela internet a fora, a gente se depara com um batalhão de médiuns ansiosos para saber quem são seus orixás, e perguntam para um e perguntam para o outro, ai vem um e diz uma coisa e vem outro diz outra. Dentre algumas sugestões lemos a seguinte frase: para se saber seu orixá você tem que jogar búzios é a maneira mais certa de saber, pois é né… já foi, hoje em dia não mais.
Pois fiquem sabendo que era, vocês acham mesmo que hoje em dia jogar búzios é a maneira mais segura de se saber quem é o seu orixá, ah meus irmãos já foi o tempo, depois que começaram a “ensinar” jogar búzios por revistinha, cursinho, on line, você acha mesmo que todos aqueles supostos “mãos de Ifá” são de fato? não se iludam, infelizmente hoje em dia, virou comércio, e vocês não fazem ideia das asneiras que o povo anda falando por ai. Querem pagar para ver, vão em 10 supostos jogadores de búzios, e observem a surpresa, provavelmente um dirá que você é filho de Oxossi, no outro que você é filho de Ogum, no outro que você é filho de Nanã e assim por diante, em toda minha trajetória eu tive o privilegio de achar dois Babas que realmente jogavam búzios. Hoje em dia você vai jogar búzios é um tal de você precisa fazer ebó, você precisa fazer buri, você precisa fazer feitura, obrigação, e vai dinheiro. Nada contra as ritualísticas que frise-se bem isso, obrigações e limpezas essas que na mão de dirigentes corretos e idôneos tem seu valor e mérito, mas infelizmente tem muito vagabundo usando delas para tirar proveito de pessoas leigas e necessitadas.
Pasmem até trocar Orixá já fiquei sabendo que o povo tá inventando, tipo: seu orixá não está te ajudando, vamos fazer uns trabalhos para trocá-lo. Aloouuu sério? ai vão fazem um monte de bobagens na cabeça daquela pessoa, ela gasta dinheiro que não é pouco, as vezes dinheiro que não tem, e resultado que é bom nada, e sabem o que é pior,  piora ainda mais sua situação espiritual. Pessoal, seu Orixá nasce e escolhe você, não é descartável não, ele tem uma missão para você. Não caiam nessa.
O que eu aprendi é que o oráculo do búzios pertence ao Candomblé e ponto final, eu fico pensando o desgosto e desapontamento que isso não deve passar na cabeça de um iyawo de nação que passou por todos os anos de obrigações e feitura para conseguir seus direitos, até ganhar sua peneira, rala muito, ai ele se depara com um sem lá quem, que nem trajetória tem, se dizendo mão de Ifá, detalhe o jogo de búzios é DOM, e mesmo passando por tudo nem todos os iyawos vão ter o dom. Agora pensa aquela pessoa que fez ali um cursinho de algumas horas. Por isso achar um bom dirigente que tenha esse dom hoje em dia está se tornando joia rara. Mas não desanimem, ainda tem gente muito boa por ai, mas uma dica, costumam ser muito discretos, e são muito pouco vaidosos porque sabem a responsabilidade que esse DOM ENVOLVE. Quem honra Orixá sabe do que estou falando.
Continuemos, dentro da Umbanda, há algumas confirmações que são feitas, mas a forma mais eficiente é pelos guias chefes do terreiro.
Alguns dirigentes, possuem o costume de ficar cantando pontos e onde o filho bambear é o Orixá da pessoa, me perdoem mas esse método é bem falível, dentro do ritual da Umbanda nós louvamos e cultuamos vários Orixás é muito natural um filho no começo do seu desenvolvimento sentir a irradiação de mais de um falangeiro de Orixá, então precisa-se na minha opinião se ter um pouco mais de cautela nesse suposto método, alguns erros já foram evidenciados.
Outra falha que vemos, ah você tem o estereótipo de Oxossi então você é do Oxossi, observem estão determinando ou vulgo taxando um Orixá olhando para a aparência e temperamento da pessoa, não tem nada haver uma coisa com a outra, e só para complementar alguns filhos não tem o estereótipo do primeiro Orixá, e sim do segundo, então erros ocorrem com esse suposto método.
Os médiuns de Umbanda estão se apegando em algo muito desnecessário, essa pressa toda está gerando problemas e até minando a fé de alguns, esse negócio de criar expectativas já não é bom em nenhum setor da vida, porque vejam tem gente que por causa de supostos métodos acreditam piamente que são de um determinado Orixá, quando descobrem que não são, ficam com uma frustração tremenda.
Os médiuns estão se esquecendo que na Umbanda se trabalha com os falangeiros do Orixá, então todos estarão presentes na trajetória daquele médium, sim os médiuns tem os Orixás de sua coroa, mas essa determinação é revelada com o tempo, com a dedicação, presença e comprometimento de um médium.
Uma pessoa que nem faz parte da religião vamos colocar assim, que não frequenta nenhum terreiro, apenas por curiosidade, quer que quer saber quem é seu Orixá, as vezes fico pensando, para que? o que a pessoa vai fazer com tal informação? só para dizer que tem tal orixá? e o que ela pretende fazer com isso, guardar? Uma pessoa pode sim ser simpática a um determinado Orixá, ter fé, orar por ele, acreditar, mas ela deve saber também que aquele Orixá tem toda uma representação, toda uma cultura religiosa envolvida em seu culto e louvor.
A presença de Orixá na vida de uma pessoa deve ser além de se saciar uma mera curiosidade, os Orixás são divindades e há preceitos, cuidados, zelos, o máximo de respeito possível no culto, no tratar, até mesmo para falar em nome deles.
Tem muito médium que fica sabendo que é de Ogum por exemplo, ai bate no peito sou filho de Ogum, puxa parabéns, mas quando se é perguntado, o que você está fazendo para ser merecedor de ser filho de Ogum, não é só receber, o que o médium está se doando ao orixá, a nível físico, moral, e espiritual, porque não adianta bater no peito e dizer sou filho de Ogum, se é um médium relapso, mistificador, profano. Percebe o ponto a que queremos chegar nessa reflexão?
Os nossos Orixás merecem isso de seus digníssimos filhos, caso contrário que mérito tem?
O que adianta dizer sou filho de Oxossi, sou filho de Mãe D.Água senhora mãe Iemanjá, se vai nas suas matas, nas suas águas e cachoeiras e poluem tudo, queimam árvores, jogam lixo, isso é ser filho de Orixá? acho que não.
É só partir da premissa, vocês gostariam que entrassem em sua casa e sujassem tudo, poluíssem tudo? Educação religiosa também tem que fazer parte do Amor pelo Orixá.
E querem saber filho de Umbanda é filho de todos os Orixás, todos os Orixás olham por nós, velam por nós, em cada linha chamada nesses terreiros por esse mundão a fora, tem um caboclo e um falangeiro de Orixá trabalhando, zelando e cuidando.
Então antes de ter tanta pressa de saber quem é seu Orixá, avalie seus conceitos morais, coloque na balança se você está preparado para ser um bom filho, filho esse zeloso, comprometido, amoroso, caridoso, honrado e digno do Orixá.
E cuidado com essa pressa, a pressa é a inimiga maior da perfeição e quem tem pressa come cru, e tem um monte de espertalhão sedentos de fome da sua pressa, catando filhos a laço.
Enquanto não souberem quem são os donos de sua coroa, quer uma sugestão preciosa, limite-se a amá-los todos, em cada elemento que eles representam, o nosso santuário maior, a nossa bíblia sagrada é a natureza, a desfrute, a honre, e sinta a energia da casa de Orixá.
E podem ter certeza, coisa boas virão com sua presença, Orixá sabe receber seus filhos, as vezes somos nós que não sabemos agradá-los.
ORIXÁ IRÁ FALAR COM VOCÊ PELO SEU CORAÇÃO, QUANDO ELE BATER FORTE, OUÇA-O.4b74e42372c21d0b31b90899c73b51f5
Paz e bem.
Cristina Alves
Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira


                                         Lições de Preto-velho 


por José Queid Tufaile

Cenário: reunião mediúnica num Centro Espírita. 

A reunião na sua fase teórica desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. 

Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente. 

Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: “O Argueiro e a trave no olho”. 

Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite. 

O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu?”. 

Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais, para que se desse abertura à comunicação dos Espíritos. 

Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. 

Pequenas mensagens, de consolo e de apoio, foram dadas aos presentes. 

Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e para os Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: 

A médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos de idade, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. 

Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. 

Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi “dominada” por um Espírito. 

Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psique. 

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus: 

- Seja bem-vindo, irmão, nesta Casa de Caridade, disse-lhe Dr. Anestor. 

O Espírito respondeu:

 “Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?”.  

- Claro, meu companheiro, nosso Centro Espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor dos trabalhos. 

Os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, Espírito que habitualmente comunica-se em terreiros de Umbanda. 

A entidade comunicante continuou: 

“Vós mecê não tem aí uma cachacinha pra eu bebê, Zi-Fio?”. 

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. 

Você precisa se libertar destes costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, continuou o dirigente. 

”Vós mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio”. 

- Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de Umbanda, se queres progredir. Que benefícios traria isso a você? 

O preto-velho respondeu: 

“Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão não faz uso do cigarro lá fora, Zi-fio?  Suncê mesmo, não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que bebe whisky, no fim de sumana, do meu Espírito que quer beber aqui? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua, daquele que eu quero pitá aqui dentro?”. 
  
O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar: - Ora, meu irmão, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.  

O Espírito do preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira: 

”Caro dirigente, na Escola Espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais Centro Espírita. 

Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do Espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e fumo, como vem sendo feito pelos senhores. 

O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. 

O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. 

A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar”. 

Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. 

Pouco depois, o Espírito continuou:  “Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. 

Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Senhor, tem gente ‘coando mosquito e engolindo camelo’.  

Cuidado, irmãos, muito cuidado. Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável Seara”. 

Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. 

O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar “daquela forma”. 

Não houve resposta. 

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem. 

Tira Dúvidas nº 67

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Caboclo na cultura brasileira e na Umbanda

Caboclo na cultura brasileira e na Umbanda: O Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no seu médium Zélio Fernandino de Moraes, foi a primeira entidade a se manifestar na Umbanda, fundando a religião. Neste dia, foi observado que ele estava com vestes de sacerdote católico e, plasmado como tal, quando questionando por um médium clarividente sobre esta condição, o Caboclo afirmou ter sido,…


                                 Preto Velho Fala Com Kardec 


por Alexandre Cumino

Não podemos dizer que a atitude dos senhores presentes na famosa sessão espírita do dia 15 de Novembro de 1908 seria aprovada por Allan Kardec, ou que estariam embasados na filosofia codificada por ele, no momento em que expulsam os espíritos de ex-escravos negros da mesa de comunicações, na qual se manifestou pela primeira vez o Caboclo das Sete Encruzilhadas na mediunidade de Zélio de Moraes. 

Com certeza Kardec não teria a mesma atitude.  

Uma prova de que Kardec, no mínimo, ouviria o que o Preto-velho e o Caboclo têm a dizer é o diálogo travado entre Kardec e “Pai César”, um negro nascido na África e levado para Louisiana quando tinha 15 anos. 

Esta entidade lembra muito as características que identificam um “Pretovelho”, embora lhe falte a ideologia umbandista inseparável da entidade de Umbanda, no entanto, não foi tratado com diferença por Kardec, muito menos discriminação, como podemos ver abaixo:  

PRETO VELHO FALA COM KARDEC  

Pouca gente sabe, mas numa das reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec evocou um Espírito que, segundo as terminologias da cultura brasileira, poderia ser classificado como um “preto-velho”. 

Esse encontro, narrado pelo próprio Kardec nas páginas da sua histórica “Revista Espírita” (Revue Spirite), de junho de 1859, aconteceu na reunião do dia 25 de março daquele mesmo ano. 

Pai César – este o nome do Espírito comunicante – havia desencarnado em 8 de fevereiro também de 1859 com 138 anos de idade – segundo davam conta as notícias da época –, fato este que certamente chamou a atenção do Codificador, que logo se interessou em obter, da Espiritualidade, mais informações sobre o falecido, que havia encerrado a sua existência física perto de Covington, nos Estados Unidos. 

Pai César havia nascido na África e tinha sido levado para a Louisiana quando tinha apenas 15 anos. 

Antes de iniciar a sessão em que se faria presente Pai César, Allan Kardec indagou ao Espírito São Luís, que coordenava o trabalho, se haveria algum impedimento em evocar aquele companheiro recém-chegado ao Plano Espiritual. 

Ao que respondeu São Luís que não, prontificando-se, inclusive, a prestar auxílio no intercâmbio. 

E assim se fez. 

A comunicação, contudo, mal iniciada, já conclamou os participantes do grupo a muitas reflexões. 

Na sua mensagem, Pai César desabafou, expondo a todos as mágoas guardadas em seu coração, fruto dos sofrimentos por que passara na Terra em função do preconceito que naqueles dias grassava em ainda maior escala do que hoje. 

E tamanhas eram as feridas que trazia no peito que chegou a dizer a Kardec que não gostaria de voltar à Terra novamente como negro, estaria assim, no seu entendimento, fugindo da maldade, fruto da ignorância humana. 

Quando indagado também sobre sua idade, se tinha vivido mesmo 138 anos, Pai César disse não ter certeza, fato compreensível, como esclarece o Codificador, visto que os negros não possuíam naqueles tempos registro civil de nascimento, sobretudo os oriundos da África, pelo que só poderiam ter uma noção aproximada da sua idade real. 
  
A comunicação de Pai César certamente ajudou Kardec, em muito, a reforçar as suas teses contra o preconceito, o mesmo preconceito que o levou a fazer, dois anos depois, nas páginas da mesma “Revista Espírita”, em outubro de 1861, a declaração a seguir, na qual deixou patente o papel que o Espiritismo teria no processo evolutivo da Humanidade, ajudando a pôr fim na escuridão que ainda subjuga mentes e corações:

“O Espiritismo, restituindo ao espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor.”  

O texto que acabamos de ler acima foi disponibilizado por nosso irmão Roberto (Mestre Azul) no site: http://mestreazul.blogspot.com/2008/05/umbanda-preto-velho-kardec.html, consultado na data de 21 de Fevereiro de 2009, neste mesmo endereço eletrônico o irmão Mestre Azul cita sua fonte: Boletim n° 2090, 19/04/2008, SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES, Lar Fabiano de Cristo, Rio de Janeiro. 

Este diálogo pode ser confirmado no livro “Tesouros da Revista Espírita de Allan Kardec”, Ed. FEESP, 2008, pp.101- 102. 

Abaixo coloco apenas um fragmento do texto original:  

Kardec: 

Em que o senhor utiliza seu tempo, agora? 

Pai César: 

Procuro me esclarecer e pensar em que corpo seria melhor eu nascer de novo. 

Kardec: 

Quando estava vivo, o que achava dos brancos? 

Pai César: 

Achava que eram bons, mas tinham orgulho de uma brancura que não é mérito deles 
[...] 
Kardec: 

O senhor disse que estava procurando um corpo para reencarnar; vai escolher um corpo branco ou negro? 

Pai César: 

Branco, porque o desprezo das pessoas me faz sofrer [...]  

Podemos observar um espírito que na última encarnação foi um negro, desencarnado já com idade suficiente para considerar-se ancião, um “negro velho”, se comunicando com Kardec e embora para muitos “negro-velho” ou “negro-ancião” e “preto-velho” seja a mesma coisa, para Umbanda “preto-velho” se insere num contexto doutrinário. 

Reflete um arquétipo de sabedoria, iluminação e superação de todos os obstáculos que a vida lhe ofereceu. 

Preto-velho não é o que “sofreu” e se “amargurou” e sim aquele que esteve e está acima de todo o sofrimento. 

“Preto-velho” é aquele que representa a vitória acima de todos os grilhões que a vida nos impõe, “preto-velho” é aquele que nos ensina que maiores são os grilhões da ilusão que nos prendem ao ego e à vaidade de crer que uma raça possa ser superior à outra. 

“Preto-velho” ensina que quando o “branco” lhe colocou correntes estava acorrentando a si mesmo nas leis inexoráveis de causa e efeito, que mais dia menos dia haveria de pesar na alma dos “senhores”. 

“Preto-velho” é aquele que ensina que aguentar firme e na fé as “chibatadas” que a vida nos dá confere valores de uma força espiritual que em nada se compara com a força física. 

“Preto-velho” é “símbolo” de Umbanda, figura que por si só já exerce um impacto doutrinário. 

Pois é este humilde, ex-escravo, que foi acorrentado e muito apanhou nos troncos de engenho que está ali para ouvir nossas queixas sobre a vida. 

É da boca do velho de fala baixa e mansa que vamos colher a essência de sabedoria para a vida. 

Diante deste “arquétipo”, mesmo em completo silêncio, somos levados à reflexão sobre nós mesmos e nossa postura diante da vida, repensamos o que costumamos chamar de “problemas”, encontrando no “modelo” “preto-velho” um caminho que transcende a personalidade daquele espírito para firmar-se como elemento ritualístico, a forma pela qual estas entidades “escolheram” para manifestar-se na religião. 

Seguindo os velhos iluminados, os “originais” e “ancestrais” “pretos-velhos”, espíritos missionários que pediram, escolheram e foram escolhidos para nascer em meio à escravidão, aqui no Brasil, com a finalidade de trazer um pouco de luz a tantas almas presas no cativeiro material e espiritual. 

Estes milhares de espíritos: “Pai José”, “Pai João”, “Pai Benedito”, “Pai Antônio” ou “Vovó Maria” etc., com nomes cristãos de escravos batizados, seguem o modelo daqueles que junto aos “Caboclos” fundaram a Umbanda e nela definiram arquétipos (“Preto-velho” e “Caboclo”) que são em si mesmos a figura de seus iluminados fundadores. 

Mais tarde viriam outros arquétipos como ciganos, baianos, boiadeiros, marinheiros e etc. nesta Umbanda que tem um perfil altamente “inclusivo”, que não exclui nada nem ninguém.  

Fica assim uma reflexão sobre o que é o “preto-velho” enquanto elemento, valor e símbolo indissociável da cultura e religião umbandista. 

“Preto-velho” expressa muito mais que “raça negra” e “idade avançada”, é o identificador de um dos elementos formadores da Umbanda. 

Nem todo “preto velho” foi um velho negro, mas todos que assim se manifestam optaram por esta forma de manifestação, portanto que não se confunda opção com falta de opção. 

Por mais que especulemos nunca sabemos em profundidade com quem nos comunicamos no mundo espiritual; além de um nome, de seu perfil e forma plasmada; e é por isso que vale sempre avaliar o teor das mensagens e a vibração própria de cada entidade. 

Por este fundamento é que Gabriel de Malagrida em sua memorável manifestação primeira teria dito se é que preciso de um nome, seja então Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim. 

Já surge com nome simbólico e explicando o simbolismo do mesmo. 

Os guias espirituais e mentores na Umbanda se valem da forma de apresentação como recurso psicológico e emocional para alcançarem certo objetivo com relação a quem lhes procura, assim a figura “preto-velho”, como as outras, exerce impacto doutrinário, de valores imprescindíveis para a construção da identidade umbandista.

terça-feira, 19 de abril de 2016

REPASSANDO UM CONVITE A QUEM POSSA INTERESSAR

Tania Jandira R.Ferreira
Coordenadora do Curso Candomblé, História, Memória e Sustentabilidade/CEAP
Tels: (21)98123-8174/ (21)9949-64181
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CEAP. Centro de Articulação de Populações Marginalizadas
Rua da Lapa, 200 
Centro- RJ- Cep. 20021-180
Tels:(21) 2232-7077/ 2224-8530




Prezad@s,
 
a CEPPIR - Rio convida para o evento Diálogos da Diversidade Étnico-Racial, que tem por objetivo discutir as propostas de políticas públicas de combate ao racismo inseridas no Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial - PLAMUPIR.
 
As inscrições para os encontros serão realizadas através do preenchimento do formulário disponível no linkhttps://docs.google.com/forms/d/1WRTBhsLwy2t2ejcJ3m09dA5UsDbjFT9zOyqHFRBhK9g/viewform

VAGAS LIMITADAS

Participe com a gente!
Sua contribuição é fundamental  para o exercício pleno da democracia e cidadania.

Data e local:
 
 
30.04 - Santa Cruz - 17h30 às 21h - INSCRIÇÕES ATÉ DIA 27/04
Via A - 4- S/N - Conjunto Santa Veridiana Sta. Cruz
CEBH Santa Veridiana ao lado da escola municipal Professor Francisco José Antônio
 
Att,
 
Equipe CEPPIR

  Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira. Leia no blog  ou  leitor Quando enxergamos o mal do outro… . Por  cristinatormena  em  5 ...