sábado, 18 de fevereiro de 2012

NÓS TAMBÉM SALVAMOS VIDAS!


Posted  by Mãe Mônica Caraccio

Axé pessoal! Falar sobre mediunidade é tão envolvente, é tão bom, que vale a pena continuarmos falando, pensando, refletindo, afirmando nossa missão, nossa função e nossa obrigação, assim como, incentivando tantos médiuns que ainda não ultrapassaram as barreiras do visível.









Barreira essa que limita a visão sobre o “Além”, que condena a um materialismo cruel, cheio de ilusões, perdas, dores, consumismo e traições, que mais dia ou menos dia tira tudo, perde-se tudo,  principalmente a liberdade de pensar, decidir, querer e viver. Com certeza é uma barreira que aprisiona e que, infelizmente, está cada vez mais alta, dificultando cada vez mais o vôo de liberdade da Alma e do encontro do Espírito.
Engraçado pensar que tantas pessoas estão ‘matando’ e ‘morrendo’ pelas conquistas materiais e se esquecem ou não percebem,  que nada, absolutamente NADA de material vai ser levado para o “outro lado”.
Para o lado do invisível só levamos nosso espírito e nossa alma, que também são invisíveis e, portanto, dificilmente percebidos, sentidos e ouvidos.
É, acho que não é engraçado não, é ASSUSTADOR, é TRISTE, é DOLORIDO demais.
Acredito que Sabedoria está relacionada com a capacidade de lidar com as possibilidades, com a capacidade de enxergar com lógica e enxergar Além.
Observando o trabalho dos bombeiros no resgate de vítimas dos deslizamentos de terra no estado do Rio de Janeiro, percebe-se o que é agir com Sabedoria.
Vejam só, talvez nós, envolvidos pela emoção e na tentativa de resgatar coisas e pessoas entraríamos em qualquer buraco impetuosamente,  sem nos preocuparmos  com o entorno e com as possibilidades, já um bombeiro olhará Além e prestará atenção nas possibilidades, prestará atenção na possibilidade de cair mais terra sobre a vítima, na possibilidade de fazer novas vítimas, observará se há segurança na corda que está sendo puxada, no chão que pisa e o que compromete seu pisar. Inclusive, prestará atenção no que poderá acontecer ao tirar um pedaço de barranco do lugar, pensará na possibilidade de um novo soterramento e na força que precisará ter.
Afinal, não poderá desistir no meio do caminho!
Afinal, muitas pessoas dependem dele!
Afinal, precisa agir de uma forma tão plena que todo o risco valerá à pena!
Afinal, sentirá uma Paz de Espírito tão grande pela certeza da missão cumprida, que não haverá dinheiro no mundo que compre esse sentimento!
Quem é bombeiro sabe o que estou falando. Quem é médium atuante, firme, corajoso, convicto, decidido, verdadeiro, bem preparado e determinado, sabe o que estou falando pois ele também salva vidas, ele também sabe que se desistir comprometerá todos em seu entorno, tanto encarnados como desencarnados. Ele sabe que Ser plenamente médium é Ser Plenamente Feliz em Espírito, ou seja, no sentido invisível.
E é somente esse sentido e sentimento que vamos levar para “outro lado”.
É tudo tão SIMPLES, tudo tão CLARO, tudo tão ÓBVIO que, tanto a pessoa mais racional, quanto a mais emocional , será Sábia se pensar ou sentir com lógica.
Aliás, sempre digo aos mais racionais, durões e desconfiados: Seja racional, desconfie o quanto quiser, mas seja e desconfie com lógica. Aos mais emocionais, emotivos e sensíveis também sempre peço: Seja emocional, chore o quanto quiser, mas seja e chore com lógica! Nada levaremos para o outro lado, somente nosso espírito e nossa alma. E isso é fato, isso é lógica!
E como sabemos que a Lógica está intimamente ligada com a Verdade, que é a grande expressão e reflexo de Sabedoria, que é um dos fatores essenciais de Oxóssi e que nos é ensinado pelos Queridos Caboclos de nossa Umbanda, que tal aproveitarmos a festa de Oxóssi que está chegando, junto com o início dos trabalhos assistências de muitos Terreiros para afirmar e reafirmar nossa posição, nossa capacidade de percepção e nossa capacidade de pensar com lógica e verdade?
Tenho certeza que veremos, sentiremos e perceberemos muitos Caboclos chorando de emoção, zelando por seu médium e agradecendo pela postura de seu ‘filho querido’.
Tudo isso para afirmar que Ser um médium atuante, firme, corajoso, convicto, decidido, verdadeiro, bem preparado e determinado é muito mais inteligente, valoroso e sábio do que viver em função da vida material, como já foi dito por Dalai Lama “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem-se do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.
Tudo isso para dizer que na morte ninguém é chefe, empresário, rico ou dono. Na morte ninguém leva as conquistas materiais. Já nos alertou o querido Caboclo das Sete Encruzilhadas quando oficializou a religião Umbanda em 15 de novembro de 1908:“Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal. Rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornam iguais na morte (…)”
Tudo isso para alertar que não tem dinheiro no mundo que compre a alegria de participar de uma gira onde centenas de espíritos são salvos, tratados e orientados, assim como sentir a emoção, o choro ou ouvir o agradecer de um Espírito tão iluminado como são os Caboclos filhos de Oxóssi.

“Só existe uma Fé,

uma Verdade,

um Amor e

uma única Força que sustenta a todos”

Caboclo das Sete Encruzilhadas

PENSANDO EM UMA CURA QUE ACONTECE E VAI "ALÉM"


Posted  by Mãe Mônica Caraccio






































A Umbanda é uma religião tão Simples e ao mesmo tempo tão Realizadora que chega a ser um privilégio fazer parte dessa realidade espiritual. Aliás, dentro de sua inerente simplicidade encontramos a complexidade da reforma íntima, da evolução espiritual e da ação da espiritualidade em nossas vidas. Encontramos a importância do Saber, do raciocínio lógico e do amor devocional e incondicional.

A Umbanda instrui, cura, alimenta, responde, purifica, alivia, facilita, concede, ameniza, soluciona, proporciona, inspira, retira, tira, dá, encanta, realiza, encaminha, paralisa, auxilia… Enfim, a Umbanda é UMBANDA, complexa e simples, poderosa e divina, realizadora e transformadora, e que precisamos conhecê-la em sua essência e grandeza.
Uma das coisas que mais me chama atenção e me impressiona na Umbanda é sua capacidade de Curar.
Sabemos que, tanto na Umbanda como no kardecismo, existem Trabalhos Espirituais de Cura, que na maioria das vezes, acontecem com a imposição de mãos projetando uma energia cósmica concentrada extremamente potente ou pela ação de espíritos especialistas em cura que realizam cirurgias espirituais com ou sem cortes. Sabemos também, que normalmente esses trabalhos acontecem em Giras ou Reuniões pré-determinadas com toda uma estrutura energética – espiritual pré-estabelecida e com uma corrente mediúnica específica.
No entanto, quebrar essa concepção de cura já conhecida por nós e até já estabelecida a nós e pensar em CURA com várias possibilidades, como restabelecimento, tratamento, solução, regeneração, como um processo e como uma sequência de ações diárias e consequentemente uma Cura de ‘dentro para fora’, de ‘baixo para cima’, de forma ‘simples’ mas ao mesmo tempo ‘complexa’ e que necessita do conhecimento, da ação direta e do total domínio do médium, é coisa que só a Umbanda com médiuns altamente capacitados consegue Realizar.
É pensar numa Cura que acontece e vai “Além”.
É ser um médium, independente de qualquer cargo, posição, função ou dom, capaz de Curar pela sua “simples” capacidade de Dar atrelado à complexidade do Saber.
Aos médiuns interessados em adquirir essa bela capacidade de “Curar Além” saibam que não é tão difícil assim, vocês terão que estar, em primeiro lugar, predisposto a fazer o Bem sem olhar a quem.
Depois deverão extinguir qualquer preconceito moral e espiritual, eliminar qualquer tipo de julgamento e estarem em boas condições emocionais, energéticas, físicas e espirituais.
Deverão compreender e ter o mínimo de capacidade mediúnica, saber acoplar e desacoplar sem criar cordões, saber como acontece uma incorporação, como acontece a absorção do ectoplasma (Prana) e permitir a importante e fundamental “Passagem”.
Deverão entender a realidade espiritual umbandista e alguns de seus elementos energéticos naturais como símbolos, toalha branca, vela, fogo, água, pemba, entre outros. Deverão conhecer os Orixás como Força Realizadora e algumas de suas firmezas para sustentá-los neste trabalho tão grandioso e ainda reconhecer como age e atua o Baixo Astral em nossas vidas.
Percebam que trabalho magnífico, sério, complexo, mas que não deixa de ser extremamente simples.
É um trabalho de Cura que chega a emocionar pela extensão de sua ação e pelas dezenas de encaminhamentos que são realizados em questões de minutos.
Quem já participou desse tipo de trabalho ou os terreiros que realizam esse tipo de Cura sabem a benção e o privilégio que possuem. Sabem que faz o corpo arrepiar, que faz as lágrimas escorrerem e que faz o espírito e toda a espiritualidade superior agradecer.
Sei também que parece trabalhoso, mas não é!
“Apenas” necessita de muito estudo, de disciplina, de bom senso, de amor, de discernimento, de FÉ, CRENÇA e REZA! Ou seja, necessita “simplesmente” daquilo que a Umbanda já necessita, não é mesmo?
Portanto, não é surpresa! Não é novidade!
Portanto, é Divino e vale a pena!
Vamos estudar, pessoal, vamos buscar mais conhecimentos, vamos ir Além, vamos fazer uma Umbanda Realizadora e vamos fazer o Bem sem olhar a quem.
Tenho certeza que atitudes como essas proporcionam grandes mudanças em nossas vidas aqui, agora, DEPOIS e ALÉM.
Um dos temas do estudo: “Cura, Encaminhamento e Descarrego na Umbanda”
ministrado por Mãe Mônica Caraccio, no Centro de Umbanda Carismática
*abaixo trechos retirados da apostila desse estudo
Aproveite você também:

…….

Alguns elementos que facilitam um trabalho de Cura:

Esses elementos são muito usados dentro do ritual da Umbanda e são, em muitos casos, fundamentais para o trabalho religioso que a Umbanda pratica portanto, usá-los nesse trabalho de cura ajudará muito toda a ação. Esses elementos são:
  • Pemba: elemento de grande poder simbólico e sagrado em nossa Umbanda que registra e caracteriza que o trabalho de cura que será realizado acontecerá pela Força sustentadora da Umbanda.
  • Fogo – Vela branca: elemento que purifica; regenera; revigora; aquece e ilumina o espírito. Nesse trabalho de cura a vela branca é muito valiosa e auxilia muito na recuperação do corpo doente.
  • Água: purifica; limpa; decanta e alimenta aliviando toda angústia do espírito desencarnado e acalmando as dores emocionais.
  • Toalha branca: proporciona uma sensação de acolhimento e segurança. Atrai e facilita a passagem de muitos espíritos. Além disso, ajuda também o médium doador em sua recuperação energética e em sua concentração mental.
  • Reza: conduz o ato, determina a ação e controla o mental e o emocional. Sem a reza, ato determinador, a cura será impossível, mesmo porque os espíritos desencarnados estão esperando uma voz de comando para saberem o que fazer e para onde ir.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

TODO HOMEM SÁBIO É SERENO !





"Serenidade é conquista que se consegue a esforço pessoal e passo a passo.



Pequenos desafios que são superados; irritação que se faz controlada, desajustes emocionais corrigidos; vontade bem direcionada; ambição freada, são experiências para aquisição da serenidade.



Um Espírito sereno, já se encontrou consigo próprio, sabendo o que, exatamente deseja da vida.



A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável para os circundantes.



O homem sereno já venceu grande parte da luta. 



Autor: Joanna de Ângelis

QUE SIGNIFICA A VIDA?


Certa feita, um jovem aprendiz, sedento das coisas da vida e de seus mistérios, dirigiu-se ao velho sábio da aldeia, interpelando-o:

Mestre, o que significa a vida?

A pergunta, aparentemente simples, fez com que o ancião refletisse profundamente em torno das longas décadas que caminhara pela existência.

A vida, meu filho, é apenas uma escola. - Respondeu, calando-se em seguida.

Pela resposta inusitada e breve, o jovem esperou algo mais e, como o silêncio se fizesse longo, não resistiu e tornou a questionar:
Mestre, como pode a vida ser uma escola, se tantos morrem analfabetos, se outros não têm oportunidade de frequentar uma sala de aula e muitos nem sequer entendem a importância do estudo?

No entanto, redarguiu o velho mestre, não há quem passe pela vida sem ter a oportunidade de valiosas lições.

É verdade que muitos se veem analfabetos ao longo da existência ou pouca oportunidade de estudo se lhes apresenta.

Porém, as lições da vida não são somente para o cérebro. Muitas delas e, talvez, as mais importantes, são para o coração.

Quando conseguimos calar perante a ignorância alheia é a lição da humildade e paciência que a vida nos oferece.

Quando nos tornamos solidários, temos compaixão, auxiliando alguém em dificuldade, é a lição do amor fraterno que a vida nos oportuniza.

E quando as dores da alma nos chegam, como a rasgar nossas entranhas, parecendo nos dilacerar e aguardamos e esperamos, é a lição da fé e resignação que a vida nos apresenta.

Assim meu filho, ninguém pode passar pela existência alegando que não teve oportunidades excelentes de aprendizado.

O que pode ocorrer é que muitos de nós somos alunos ainda muito indisciplinados e rebeldes para essa escola abençoada.

Mergulhados nas ilusões de que o mundo é apenas um parque de diversões, no qual se deve usufruir de todos os prazeres fugidios que ele nos ofereça, poucos nos damos conta das importantes lições da vida.

Devemos encarar cada dia que se inicia como nova oportunidade de aprender coisas para a mente, mas também para o coração.

Afinal, dia virá em que seremos convidados a nos apartar do corpo que nos serve, nesta existência, e seguiremos apenas com aquilo que conseguirmos carregar, na mente e no coração.

Por isso podemos dizer que o hoje é a oportunidade para a construção de dias futuros felizes, ou um amanhã de tristezas, quando aportarmos do outro lado da vida.

Tudo dependerá do aproveitamento das lições. E do que guardarmos em nossa intimidade.

Assim, meu filho, podemos dizer que o céu ou o inferno, a felicidade ou a desdita depois desta vida estão somente em nossas mãos, em bem ou mal aproveitarmos as lições desta escola.

Finalizando sua explicação, o velho ancião afastou-se, dando oportunidade para o jovem ficar a sós, repassando na mente as profundas reflexões do mestre sábio. 

TROQUE AS DEDUÇÕES POR DIÁLOGO!


Posted  by Mãe Mônica Caraccio

                                                                                                                                                                                                                                                                                             De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa 
etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Quando li o texto acima fiquei impressionada com a maravilhosa capacidade de nosso cérebro e com a clareza que émostrada a nossa habilidade de manipular, criar, deduzir e de formar situações. É exposto de forma simples e óbvia o quanto somos limitados e manipulados, quanto uma primeira imagem nos leva a deduções e à incapacidade de ver cada coisa ou situação em sua essência íntima e verdadeira. Claro que essas habilidades estão ligadas ao nosso emocional e não ao nosso cérebro. Acredito que isso está acontecendo diariamente em nossas vidas e em todos os sentidos; quantos pré-conceitos e conceitos são criados em nosso íntimo e que, consequentemente, influenciam não apenas minha vida, mas a de todos que estão ao meu entorno. Percebemos isso claramente no referido texto e fica óbvio o nosso poder de dedução e de criação. A mente, nesse momento, somente obedece a estímulos emocionais, torna-se preguiçosa e limita a visão real e íntima do fato. Pontos importantes que não podemos deixar passar sem uma boa reflexão. Afinal, vemos tantas pessoas sofrendo compulsivamente por deduções e criações.
E quando se fala em dedução e sofrimento percebemos uma simbiose sutil, mas agressiva. O sofrimento, ou melhor, a dor do sofrimento surge quando não se consegue compreender, aceitar e distinguir o ‘Real’ do ‘Irreal’, o que propicia a ausência da realidade, e é nesse momento que entra a dedução dos fatos. Falar na capacidade de criar e relacioná-la ao sofrimento é falar em frustrações. Criamos, imaginamos e desejamos coisas que nem sempre são possíveis ou permitidas e assim vivenciamos a dor amarga da frustração. É Importante vivenciar o real e evitar expectativas. É importante saber que a dor, seja ela qual for, deve propiciar um diálogo concreto com a perspectiva de obter respostas.
Isso mesmo! Sofre-se porque não se tem REPOSTAS. E onde encontrar as ‘respostas’? Muitos escritores, filósofos e antropólogos falam que uma das funções da religião é dar respostas, e que assim o ser apazigua seu íntimo tranquilizando seu lado emocional e se sente esperançoso e até perdoado. Concordo plenamente com esse conceito mas, como umbandista, tento ir um pouco mais longe nessa concepção, trazendo-a para minha realidade religiosa, acredito que não é estar dentro das igrejas e das religiões que encontramos respostas. Essas instituições além de vivenciarem as verdades Divinas e as respostas dadas pelo seu Divino, tem a função de mostrar onde o fiel deve encontrá-las. Na instituição católica as respostas estão na Bíblia, no judaísmo estão no Torá, no budismo na Sutra e assim por diante, são livros sagrados que direcionam o comportamento humano que deve ser vivenciado e praticado pelos seus fiéis.
Pois bem, quando falamos em Umbanda as respostas estão mais próximas, o que não quer dizer mais fáceis, elas estão no sentido religioso do ser e não no fenômeno mediúnico, no dom da incorporação ou dentro do Terreiro simplesmente, como muitos pensam e agem. Sabe-se que a Umbanda não tem um livro sagrado que direciona o caminho, e que também não é dedução ou achismo. Ela tem os Orixás e a Fala Sagrada das Entidades de Luz que sempre tentam nos mostrar o caminho nos estimulando a reflexão interior e a compaixão. Portanto, médiuns umbandistas encontrarão respostas quando se tornarem religiosos e não apenas médiuns pertencentes a esse ou aquele terreiro de Umbanda. É importante saber que incorporar é somente uma forma de trabalho mediúnico e que isso não significa ser religioso, portanto não é só incorporando que encontraremos as respostas ou que evoluiremos espiritualmente. É necessário ser religioso e para ser religioso partimos do principio que é necessário se entender, se compreender, se enxergar verdadeiramente, assim como, entender, compreender e enxergar o próximo, mas não de forma manipuladora, dedutiva e pré-conceituosa.
Portanto, vamos aproveitar a reflexão inspirada no texto acima e levá-la para dentro de nossa realidade humana e, principalmente, para dentro de nossa realidade espiritual e religiosa e percebamos que a capacidade de nosso cérebro é imensa, mas que a emoção pode controlá-la, limitá-la ou paralisá-la. Não dá para simplesmente ler um texto, sem observar de fato como ele está composto, sem ler as entrelinhas e a intenção do texto. Não dá para olhar uma situação sem enxergar o que a envolve, assim como nossas ações, nossas palavras, nossas atitudes, nossos pensamentos não devem simplesmente estar ligados à compulsividade emocional gerando deduções, criações, julgamentos e manipulações. É necessário parar, pensar, refletir e dialogar antes de deduzir e criar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"SIT"! : NOVA DOENÇA SOCIAL........



José Lucas

Numa breve viagem efectuada em serviço profissional, não pude deixar de constatar o mundo que me rodeia, desde o embarque no avião, a viagem, o desembarque, enfim as múltiplas acções e reacções das pessoas na sua interacção social.
Confesso que fiquei preocupado ao aperceber-me de uma nova doença que afecta a sociedade ocidental: chama-se SIT.
Curiosamente, ao ler "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, verdadeira pérola da literatura mundial, onde está confinada a parte filosófica da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas sim ciência, filosofia e moral), no seu capítulo VII intitulado "Lei de Sociedade", podemos encontrar questões interessantes:
"766 A vida social está na Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”
767. É contrário à lei da Natureza o isolamento absoluto?
“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.”
768.Procurando a sociedade, não fará o homem mais do que obedecer a um sentimento pessoal, ou há nesse sentimento algum providencial objectivo de ordem mais geral?
“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.”
Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não isolados."
O ser humano estimulando a sua inteligência, vai criando e modificando a matéria e o mundo material, tornando-o mais agradável para a sua vida no quotidiano, que por sua vez se torna mais confortável e mais feliz.
“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.” (Allan Kardec)
Vemos ao longo destes últimos 100 anos, um incremento fantástico ao nível tecnológico, contribuindo sobremaneira para uma maior e melhor qualidade de vida do ser humano. Curiosamente, esta tecnologia ao invés de contribuir para uma partilha saudável de vivências entre os seres humanos, tem contribuído para um uso desajustado, levando-o ao isolamento.
Paradoxalmente, nestes tempos que deveriam ser de alegria, face ao incremento da tecnologia, a sociedade sofre de grave doença mortal, a solidão, mesmo quando rodeados de uma imensidão de pessoas.
Naquele avião potente, com 200 pessoas a bordo, meditava fascinado no avanço da tecnologia, naquele grande pássaro de ferro rasgando o ar, tranquilamente e, verificava com alguma tristeza, que naquela hora e meia de viagem as 200 pessoas iam, cada uma delas, imersas no seu mundo (com auriculares ouvindo música ou outra coisa qualquer, com computadores trabalhando ou jogando, agarrados interminavelmente aos seus telemóveis e/ou agendas electrónicas, dormindo ou descansando de olhos fechados), ao invés de aproveitarem o tempo para conversarem, fazerem novos conhecimentos, trocarem ideias, partilharem opiniões, enfim, sociabilizarem-se.
Foi aí que me apercebi da grave doença, que se vai instalando silenciosamente, que nos afecta nos dias de hoje: a "SIT" (Solidão, Isolamento e Tecnologia).
Se as novas tecnologias são uma bênção para a humanidade, o seu uso deve ser efectuado com parcimónia, de modo a que o rumo orientador de sociabilização apontado em "O Livro dos Espíritos", nos itens acima referidos, não venham a ser postos em causa por este flagelo que associa a tecnologia ao isolamento e à solidão do ser humano.

NA UMBANDA, ASSIM COMO AFIRMAM OS PRETOS VELHOS.......





Axé pessoal. Quero chamar a atenção para um texto que meses atrás publiquei no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, sob o titulo “FALA agente ativo da magia” de Joseph KI- Zerbo (Coordenador do livro “História geral da África”, volume 1 produzido pela UNESCO). Percebam a importância da obra, o nível cultural do texto, do escritor e ainda a oportunidade de um conhecimento nato das tradições africanas, ‘saindo’ da psicografia ou da orientação espiritual e ‘entrando’ em um nível acadêmico que percorre o mundo inteiro.
Vale salientar que quando nos referimos às tradições africanas, falamos de nossas origens inclusive religiosas, na qual a Umbanda, os Pretos Velhos, os Orixás e toda nossa ancestralidade transcorrem. Portanto, uma leitura como essa, mais que conhecer a África ou uma tradição, é conhecer alguns fundamentos da Umbanda e como nosso espírito deve se comportar para estar em harmonia com nossa ancestralidade.
Boa leitura a todos e observem com atenção o olhar para a magia, a importância da fala e a forma que a mentira é caracterizada. Percebam que a Umbanda tem esses fundamentos em sua doutrina, afinal, para a Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos, nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus, a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas  e a mentira uma verdadeira lepra moral.
“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não é o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitem, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente” (Tierno Bokar)

A fala, agente ativo da magia--

História Geral da África- Metodologia e Pré- História da África – Volume I
de J. KI- Zerbo (Coordenador do Volume) Ática – Unesco
Deve-se ter em mente que, de maneira geral, todas as tradições africanas postulam uma visão religiosa do mundo. O universo visível é concebido e sentido como o sinal, a concretização ou o envoltório de um universo invisível e vivo, constituído de forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica, tudo se liga, tudo é solidário, e o comportamento do homem em relação a si mesmo e em relação ao mundo que o cerca (mundo mineral, vegetal, animal e a sociedade humana) será objeto de uma regulamentação ritual muito precisa cuja forma pode variar segundo as etnias ou regiões.
A violação das leis sagradas causaria uma perturbação no equilíbrio das forças que se manifestaria em distúrbios de diversos tipos. Por isso a ação mágica, ou seja, a manipulação das forças, geralmente almejava restaurar o equilíbrio perturbado e restabelecer a harmonia, da qual o Homem, como vimos, havia sido designado guardião por seu Criador.
Na Europa, a palavra “magia” é sempre tomada no mau sentido, enquanto que na África designa unicamente o controle das forças, em si uma coisa neutra que pode se tomar benéfica ou maléfica conforme a direção que se lhe dê. Como se diz: “Nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus”.
A magia boa, a dos iniciados e dos “mestres do conhecimento”, visa purificar os homens, os animais e os objetos a fim de repor as forças em ordem. E aqui é decisiva a força da fala.
Assim como a fala divina de Maa Ngala* animou as forças cósmicas que dormiam, estáticas, em Maa, assim também a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas. Mas para que a fala produza um efeito total, as palavras devem ser entoadas ritmicamente, porque o movimento precisa de ritmo, estando ele próprio fundamentado no segredo dos números. A fala deve reproduzir o vaivém que é a essência do ritmo.
Nas canções rituais e nas fórmulas encantatórias, a fala é, portanto, a materialização da cadência. E se é considerada como tendo o poder de agir sobre os espíritos, é porque sua harmonia cria movimentos, movimentos que geram forças, forças que agem sobre os espíritos que são, por sua vez, as potências da ação.
Na tradição africana, a fala, que tira do sagrado o seu poder criador e operativo, encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem e no mundo que o cerca.
Por esse motivo a maior parte das sociedades orais tradicionais considera a mentira uma verdadeira lepra moral. Na África tradicional, aquele que falta à palavra mata sua pessoa civil, religiosa e oculta. Ele se separa de si mesmo e da sociedade. Seria preferível que morresse, tanto para si próprio como para os seus.
O chantre do Komo Dibi de Kulikoro, no Mali, cantou em um de seus poemas rituais:
“A fala é divinamente exata,
convém ser exato para com ela”. 
“A língua que falsifica a palavra
vicia o sangue daquele que mente.”

O sangue simboliza aqui a força vital interior, cuja harmonia é perturbada pela mentira. “Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio”, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo: Rompe a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica, criando desarmonia dentro e ao redor de si.
Agora podemos compreender melhor em que contexto mágico-religioso e social se situa o respeito pela palavra nas sociedades de tradição oral, especialmente quando se trata de transmitir as palavras herdadas de ancestrais ou de pessoas idosas. O que a África tradicional mais preza é a herança ancestral. O apego religioso ao patrimônio transmitido exprime-se em frases como: “Aprendi com meu Mestre”, “Aprendi com meu pai”, “Foi o que suguei no seio de minha mãe”.

  Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira. Leia no blog  ou  leitor Quando enxergamos o mal do outro… . Por  cristinatormena  em  5 ...