sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ser Umbandista !



Nos meus longos anos de atividades na Umbanda, sem que venha a ensinar a ninguém; ao contrário, sempre procurando aprender: Tenho notado em terreiros, que muitos médiuns acreditam ainda que são seus mentores, seus guias, seus Orixás que lhes indicam tudo sobre a nossa amada Umbanda.

Agem como frequentadores de outras Religiões, que vão aos seus templos, oram, rezam, e; seguem os rituais determinado por essa ou aquela religião, aguardando e seguindo unicamente o que seus Pastores, Padres, Rabinos, afirmam, e dessa forma, se consideram Religiosos.

Umbanda é coisa Séria. 
Necessita que em cada Centro, Terreiro, o Dirigente, Sacerdote  aja por sua vontade e não por obrigação promovendo palestras, cursos, pois seus Médiuns sempre possuirão questionamentos, dúvidas que serão sanadas ou por estes  ou mediantes cursos indicados pelos mesmos.  
Por não existir dogmas e rituais , permite que cada centro, terreiro tenha sua linha sua forma de agir.todavia cada Médium tem o dever de saber os fundamentos.

Por isso , um Médium que em seu terreiro, seu Centro, não possua palestras, cursos explicativos onde possa indagar algo e saber a resposta, irá com certeza praticar sim sua mediunidade, todavia, sem muito entender  em virtude de  hoje a maioria das incorporações  em sua quase totalidade, ser consciente.

Isso faz com que o mesmo não vá crescendo seus conhecimentos, praticando unicamente o que sente,
sem todavia entender as razões e bases que são necessárias para ir evoluindo sempre.

Umbanda, é uma Religião que evolui sempre, que se questiona sempre, e há de se ter respostas  sempre.

Se um Médium sem aprendizado, sem estudo, inicia dentro de um terreiro ou Centro baseado no que foi  ou é costumeiro no mesmo, acreditando que seus mentores espirituais irão lhes transmitir o que deveriam aprender; certamente, irá em pouco tempo desistir por razões que somente a ele cabe culpa.

Dizer que o Terreiro, Centro é isso, é aquilo, já é sinal de que ele se estudou, fez cursos, não sentira divergência, exercendo a forma que estudou .

Todavia se lhe for negado esse direito ; ele tem razão de informar ao Dirigente(a) a não continuidade , em vista de seus conhecimentos não condizerem com as regras do local, sem que haja constrangimentos, ou utilizar das tais " fofocas " que só dizimam uma egrégora, um Terreiro, um Centro.

Ao contrário, o, a, Dirigente, irá solicitar-lhe que procure repassar aos seus pares estes conhecimentos adquiridos quer seja por meio de palestras, cursos, etc.

O que descrevo é por sentimento concreto que mesmo Umbandista praticante por mais de 5 décadas, não paro de pesquisar, colher informações, participar de cursos  que em sua maioria são fora do Rio de Janeiro mas podem ser realizados viam ON-LINE, tornando-me um eterno aprendiz.

Não posso entender na atualidade, que algum Umbandista que seja do mais novato ao mais antigo, se julgue sabedor de todos " Y" e " X" que se apresentam dentro de nossa amada Umbanda.

Dessa  forma , iremos  colocando a Umbanda mais  convidativa para os que lá compareçam e não vejam como peças teatrais ou piores significados.

Saravá Fraterno a Todos.
Ace

D E S P E R T O #10 Evolução I Pai Rodrigo Queiroz

Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade: O ATO DE PEDIR A BENÇÃO.

Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade: O ATO DE PEDIR A BENÇÃO.

E quem é essa tal Linha dos Malandros na Umbanda?




                             Linha e Arquétipo dos Malandros

Por Rodrigo Queiroz Ditado por Sr. José Pelintra

“Din din din, din din din, risca o ponto! 
Malandro cruzado no meio do terreiro chegou, chegou Zé Pelintra que veio do lado de lá, fumando e bebendo gritando vamos saravá!” 

Saravá a todos do lado de cá! Saravá Umbanda, o Catimbó, as Macumbas e o Candomblé! Salve aqueles que são de salve e aqueles que não o são! 

De tanto que somos marginalizados por aqueles que deveriam era nos prestar reverência ou mesmo o respeito por estarmos tão próximos para o que der e vier. 

Nós os “malandros” do astral fomos confundidos com os marginais do além. 

Para quem ainda não entendeu, os Zés da Umbanda são espíritos comuns a cada um de vocês. 

Humanos por natureza, errantes, com defeitos e virtudes que na bondade do Criador podemos interagir com nossos companheiros encarnados afim de na troca de experiências agregar luz e evolução na história de cada um. 

Zé Pelintras, Zé Navalha, Zé da Faca e tantos “zés” formam esta corrente ou linha de trabalho que chamamos de Linha dos Malandros.  

Justamente pela falta de informação fomos chegando na Umbanda de “fininho” na boa malandragem pra não incomodar ninguém. 

Quando “batíamos na porta” de um terreiro que nos desconhecia, se era da percepção do dirigente que devíamos manifestar na linha dos exus, assim fazíamos se pensavam que éramos baianos, tudo bem, ali estávamos.  

Entre acertos e erros, contradições e tradições fomos sendo aceitos, percebidos e procurados. 

No entanto engana-se aquele que pensa que surgimos do nada ou para nada, não, não. 

Já bem antes da Umbanda estávamos lá comandando o Catimbó, muitos ainda estão, diria que esta é nossa origem, mas como afirmar a origem daquele que não é original, pois é, somos o retrato da miscigenação racial e cultural que impera em todos os cantos deste Brasil, terra de Deus! 

Somos aclamados como Doutor, curador, conselheiro, defensor das mulheres e dos pobres. 

Por outro lado também somos rechaçados e “exterminados” na consciência de alguns que insistem em nos colocar no patamar dos “demônios” e espíritos viciados e aloprados. 

Ora, este que nos maldiz é aquele mesmo que nada entendeu sobre Deus e seu amor na Sua Criação! 

Deixe que falem, desde que fale.   

O certo é que somos o retrato e a realidade da classe menos favorecida, somos a periferia, os menos favorecidos, os esquecidos, aqueles que se não é o jogo de cintura da criatividade humana, jamais persistiria vivendo, entende agora o que é nossa malandragem? 

Também digo que vivemos na periferia de Deus, claro, ainda temos muito que fazer para ir até o centro. 
E daí? 
Tá tudo certo camarada. 

Sabemos a que estamos é livres das ilusões que tanto aplaca a mente de vocês encarnados. 

Olha, sabe de uma coisa? 

É bom demais o lado de cá! 

Dos Catimbós do Nordeste aos terreiros de Umbanda de todo Brasil! 

Isso é ascensão... 

Por fim camarada, tenha em mente que estamos para ajudar a quem queira. 

Defendemos sim os mais pobres e sofredores, pois sabemos o que é a dor da fome e da perdição. 

Secaremos sempre as lágrimas daqueles que sofrem e isso basta. 

Dentro do meu chapéu levo meu mistério, na fumaça de meu charuto transporto minha magia, na gargalha encanto meu povo, no meu terno branco reflito o que sou e na minha gravata vermelha quebro o mal olhado na força de Ogum! 

Para aqueles que nos abrem alas, obrigado!

Também tem Linha dos Boiadeiros na Umbanda!



                           Linha e arquétipo dos Boiadeiros
Por Rodrigo Queiroz

Em nossa última passagem pela Terra fomos filhos da terra, aqueles que dela viveram, dela extraímos a raiz de cada dia, o alimento da família e a esperança. 

Montado no lombo de um cavalo ou boi pastávamos não os animais, mas ao som do berrante era possível berrar ao Pai Criador que olhasse por nós. 

Eu fui peão, cuidei de muitas fazendas e deixei muitos fazendeiros ricos, estranhamente não respingava no meu bolso a pataca que no deles enchia. 

Tampouco me queixava disso, afinal, não saberia viver com luxo, gostava mesmo da rede amarrada no batente da simples varanda, ali eu podia descansar meus ossos. 

Para que se tenha mais entendimento, nós somos os verdadeiros sertanejos, aqueles que vivem na ferida do Brasil, é uma chaga que não se fecha e com o andar da carruagem periga que esta chaga tome o corpo todo desta terra varonil. 

Não vou ficar a falar de minha pessoa e nem desta realidade brasileira, vou logo palestrar sobre nós como amigos trabalhadores do mundo invisível. 

Parece que a linha dos boiadeiros é nova, mas não é não. 

Já manifestávamos em terreiros, tendas e barracões de muitas variantes do culto afro. 

No Catimbó é mais notável nossa presença. 

Quando começou o movimento Umbanda no Astral é que nos organizamos e aguardamos a oportunidade de aparição dos terreiros deste culto. 

Assim foi ocorrendo de forma regional até que nos alastramos por todos terreiros de Umbanda. 

Mas engana-se aquele que hoje pensa que esta linha de trabalho é composta por homens e mulheres da terra. 

Nem todos, aqui tem uma mistura grande. 

Também tem o machista que prega não existir mulher na linha boiadeiros, então o que faríamos com as amazonas? 

Ou tantas “Marias Bonitas” que guerrilharam por uma vida melhor??? 

Outro tanto de companheiros nesta linha são Ex-Exus, ou seja, espíritos que atuaram no Grau Exu, lá nas esferas mais baixas e que após receber a graça de se graduar na luz tem que passar por uma linha transitória. 

Eis a chave do nosso “mistério”. 

Boiadeiro enquanto Grau é um Grau de transição para espíritos que aguardam seu alocamento mais definitivo. 

Neste período vamos trabalhando na Lei, colocando ordem na fronteira do meio fio entre luz e trevas, já esta tênue linha existe dentro de cada um de nós, logo a oportunidade de trabalhar a ordem na fronteira, nos nossos semelhantes encarnados e desencarnados é a forma que o Criador achou para que nós pudéssemos fortalecer a ordem dentro de nós mesmo. 

Com nosso laço, visto pelos clarividentes, este serve para buscar os zombeteiros e perturbadores.

Nossa corda é infinitamente “elástica” e de onde estivermos se localizarmos um ponto negativo e um perturbador, dali lançamos o laço e no laço quebramos o mal. 

Somos comumente chamados nos terreiros para limpeza pesada, pois somos mesmo aquele que retira a carga pesada, quando batemos nosso pé e gritamos nosso boi, não sobra mal algum em nosso redor. 

Por fim, nosso arquétipo é o sertanejo, o brasileiro do sertão, quer seja o guerrilheiro lampião ou o tocador de gado. 

No entanto nem todos foram assim. 

Vou tocando meu gado por aqui e desejo que o Criador lhe ilumine! 

Getuá Boiadeiros! 

Nota do Médium: 

Quem não sentiu o chão tremer e o corpo bambear ao presenciar a manifestação de um Boiadeiro no terreiro, girando o braço como que a laçar um boi e gritando: - Êi boi! ??? 

A oportunidade de convivência com a diversidade cultural brasileira que a Umbanda fornece é algo incrível que só vivenciando para poder compreender. 

Podemos viajar o Brasil todo em apenas uma gira. 

Desde que comecei a receber este texto, parecia que escutava ao fundo a música Rei do Gado, então pesquisei e achei a letra que abaixo transcrevo para finalizar este texto. 

Obrigado aos valentes Boiadeiros do Além que nos ampara e nos guia, como disse certa vez o Sr. José Anízio: 

“Estamos a serviço do Criador para tocar seu gado divino, cada filho seu, seu rebanho e cabe a nós laçar aqueles que se perderam ou afundaram em algum brejo da evolução e uma vez laçado vamos recolocar na trilha reta do caminhar. 

Mais um adeus e lá vamos nós a laçar o boi de meu Deus!”  

Ditado por Sr. José Anízio 

E a Linha dos Marinheiros na Umbanda, conhece?



          LINHA E ARQUÉTIPO DOS                                       MARINHEIROS

Por Rodrigo Queiroz Ditado por Capitão dos Sete Mares

- Odoyá Yabá! Salve Rainha do Mar! Salve Yemanjá. 

Assim que diariamente eu me colocava de frente pro mar, quer seja a beira-mar ou sobre um navio. 

De fato fui um homem do mar, pertenci ao agrupamento naval brasileiro e sendo um militar em tempos de defesa no mar desencarnei, atingido por um canhão inimigo, naufragamos em alto mar. 

Interessante foi que já no lado espiritual da vida continuei “submerso”, pois é, ainda no fundo do mar, estranhamente podia respirar e a movimentação nesta realidade era estranha, me encontrava na realidade aquática da vida. 

Muitos como eu lá estavam, era uma cidade!  

Após o processo de ser recebido, esclarecido e alocado naquela região, fui sendo preparado para não só mais louvar a Mãe D’Água, mas sim colaborar com sua atuação junto aos encarnados. 

E porque no fundo do mar? 

Fui orientado que eu trazia na minha ancestralidade a presença desta Mãe e como na última encarnação também fui um homem do mar que aprendeu a lidar com os reveses da vida e que no contexto geral me encontrava numa faixa evolutiva propicia a ser um trabalhado da luz, poderia eu colaborar no auxílio ao próximo. 

Fui aprendendo a lidar com os seres aquáticos, elementais da água também conhecido na Umbanda como Povo D’Água. 

Conheci as “magias” e “mistérios” do mar e como usar isso em favor da humanidade. 

Faço esta introdução sobre minha história, pois no geral com a maioria dos Marinheiros é assim que ocorre. 

A Linha de Trabalho Marinheiros foi aberta para acolher aqueles que viveram no litoral ou em contato com a água, entram nesta classe os marinheiros propriamente, os ribeirinhos, canoeiros etc. 

Todo aquele que viveu e cultuou a água. 

Na prática trazemos uma forte vibração da energia aquática que em contato com as forças nocivas dilui e purifica pessoas e ambientes. 

Gostamos de prosear e trocando experiências orientamos os aflitos. 

Vivemos “no fundo do mar”, uma dimensão aquática, por isso quando manifestados em solo seco ficamos a bambear, pois pra nós terra firme nos tonteia e a água nos deixa firme. 

Entenda isso como metáfora ou lenda, mas não jogue em nossas costas a sua bebedeira ao alegar que tonteamos porque somos bêbados. 

Acaso isso é lícito na evolução espiritual??? 

Quando usamos o Rum ou Cachaça é para utilizar sua energia para variadas funções e jamais para suprir vício algum. 

Reflita sobre isso. 

Muito poderia ser dito sobre nós, porém vou ficando por aqui, tem um navio lá fora apitando, já chegou a hora e já vou embora. 

Que o véu da Mãe D’Água lhe cubra de luz e proteção, recebendo-te no seu colo amoroso, assim você se reconforta e se purifica. 

Que Ela acolha sempre a Umbanda nos seus braços, porque assim estaremos seguros! Fiquem em paz! 

Quer saber quem é a linha dos Baianos na Umbanda?



                                          Baianos na Umbanda 


Por Alexandre Cumino

A Linha dos Baianos já existe há algum tempo na Umbanda, as duas primeiras linhas que se apresentaram na Umbanda foram as linhas de Caboclo e Preto Velho, seguidas de Criança e Exu, tão marcantes que muitos até hoje trabalham apenas com estas linhas de trabalho em suas casas.  

Na década de 50 e 60 foi muito atuante na Umbanda a linha do Oriente, e dentro desta linha encontramos espíritos de Hindus, Chineses, Japoneses, Persas, Marroquinos e até Maias, Astecas e outros. 

Com o tempo esta linha foi se tornando menos presente nos terreiros. 

Muitas entidades desta linha formaram Linhas de Caboclos, como a Linha dos Caboclos do Fogo formada em sua maioria por antigos Magos Persas. 

Com o tempo foram aparecendo outras Linhas que ficaram conhecidas como Linhas Auxiliares, assim foi com a Linha dos Baianos, Marinheiros e Boiadeiros, ainda muito atuantes nos terreiros. 

Não podemos deixar de citar a Linha dos Ciganos que surgiu a partir da década de 70, e em muitas casas se manifesta dentro da Linha do Oriente, já que é um povo que tem ali sua origem. 

Algumas Linhas de Trabalho ainda vêm surgindo e só o tempo nos mostrará se irão permanecer na Seara Umbandista, como a linha dos Malandros mais presente no Rio de Janeiro, que traduzem a boa malandragem do morro personificada por Zé Pelintra. 

O mesmo Zé Pelintra que é mestre do Catimbó e da Mesa de Jurema no Nordeste, e que na Umbanda também se manifesta na linha de Exus e Baianos, quando não vem como Linha dos Mestres da Jurema, aqui em São Paulo, já ouvimos falar em Linha dos Portugueses,  Linha dos Caiçaras, Linha dos Mineiros, Linha dos Mendigos e etc... 

Mesmo na Linha dos Baianos vemos presentes os Cangaceiros como Lampião, Maria Bonita, Corisco, Zé da Faca e outros. 

Em algumas casas a linha de Cangaceiros vem como uma linha independente.

Os Baianos são alegres, descontraídos e muito bons doutrinadores, também  são muito atuantes na quebra de demandas sendo inclusive muito conhecida a chamada “virada de Baianos” que acontece quando os Baianos “viram” na Esquerda. 

O que não quer dizer que neste momento dão uma atenção especial aos trabalhos de Esquerda fazendo nesta “virada” uma quebra das energias negativas que chegam pela “esquerda” do médium e da tenda onde trabalha. 

Atuam sob a irradiação de Iansã, embora existam Baianos de todos os Orixás. Usam velas amarelas, chegam saudando a Bahia, são muito devotos de Nosso Senhor do Bonfim, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora dos Navegantes e Padre Cícero. 

Aceitam oferendas na natureza ao lado de um coqueiro ou outro local especificado, bebem batida de côco, água de côco e comidas típicas da Bahia. 

São eles Zé Baiano, Severino, Zé do Côco, Zé Pelintra, João do Côco, Simão, Pedro da Bahia, Maria Quitéria, Maria do Rosário e outros...  

Pedimos aos Baianos que nos ajudem a lidar com as adversidades, que nos tragam alegria no nosso viver e que levem para longe o mal de nossas vidas

  Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira. Leia no blog  ou  leitor Quando enxergamos o mal do outro… . Por  cristinatormena  em  5 ...