quinta-feira, 25 de julho de 2019

O ato de se Espelhar é diferente de imitar por Cristina Tormenta.

O ato de se espelhar, é diferente de imitar – Umbanda

by cristinatormena
Toques Conscienciais.
29 de agosto de 2015 Acordar para quem você é P A T C H W O R K *d a s* I D E I A S
O assunto que vamos debater hoje é de suma importância, porque está se tornando um problema em alguns terreiros, um problema que aparentemente não esta se tendo e nem sendo dado a ele a devida atenção e muito menos se tomando as devidas providências para corrigi-lo.
Comecemos a princípio.
Em muitos grupos de estudos de Umbanda, vira e mexe aparece o segundo questionamento:
Onde foram parar as antigas entidades, os antigos guias que se manifestavam nos terreiros antigos?
Será que os mesmos deixaram de existir?
Cumpriram suas missões?
Essas e outras perguntas são feitas por médiuns que os conheceram e que não estão os vendo mais, suas presenças em algumas casas. O questionamento é muito valido.
Na realidade continuam a existir, com suas missões e tarefas espirituais a serem cumpridas junto a seus médiuns.
O grande problema é que muitos médiuns de hoje desconhecem sua existência.Principalmente a nova geração.
Fiz questão de frisar esse paragrafo porque ele é de suma importância e muitos que lerem o mesmo irão dizer:
Mas o guia tem que se apresentar em terra, firmar seu ponto riscado e dar seu nome. É o mínimo não é mesmo?
Exatamente só que muitos médiuns estão pegando certas entidades a laço como alguns antigos diriam, estão montando no guia e não o guia neles.
Antigamente as manifestações espirituais, as incorporações e acoplamentos tinham uma presença marcante, forte, até mesmo porque os médiuns tinham muito medo de errar, de mistificar. E exigia do guia um esforço maior para mostrar suas presenças, lhes dando segurança.
O estudo ajudou e tem ajudado muito e foi extremamente benéfico no que se trata de doutrina e entendimento, facilitando em muito o acoplamento e a comunicação com os espíritos, mas abriu-se muita informação na internet, como o guia é e deixa de ser, como é sua manifestação, suas roupagens, até mesmo fundamentos antes só aprendidos no chão do terreiro hoje estão escancarados e vendidos por ai com o melhor preço do mercado. E muitos médiuns estão usando de forma equivocada tais esclarecimentos. Explico.
É tanta informação que o médium por falta de vivência e experiência coloca tudo numa mesma categoria, adotando tudo como absoluta verdade.
Nunca se viu tantas Marias Padilhas, tantos Penas Brancas, tantos Capas Pretas, Zé Pilintras e Marias Navalha só por Oxalá na causa. Algumas entidades tem épocas de moda na internet, se começarem a falar muito por exemplo do Caboclo Pena Roxa, dá pouco tempo vira modismo a presença dessa entidade. Para alguns é tipo... nossa esse eu não conhecia (trágico, mais real).
O mais decepcionante não é nem ver o aumento desses guias e entidades nos terreiros, isso não é o problema se essas entidades realmente estivessem ali, com conteúdo.Já vi em terreiros grandes, as vezes mais de cinco caboclos com o nome de Pena Branca mais todos eles tinham sua própria personalidade por mais que fossem da mesma falange, a mesma sintonia mas espíritos diferentes e autênticos.
Será que a missão dessas entidades tão vistas hoje em dia em maior número são mais importantes que as outras de antigamente? Não.
O grande problema é que até mesmo por tanta divulgação de quem são, muitos médiuns por egos, vaidades, status, simplesmente vestiram suas roupagens como que se veste uma roupa. Esse exú vai ser o meu, porque eu quero que seja assim... . E por causa disso estamos vendo verdadeiros absurdos sendo cometidos por médiuns extremamente fantasiosos, com excessos anímicos, muitos mistificando e se passando por eles na maior cara deslavada. Me perdoem a franqueza.
E isso é muito triste. Porque aquele médium que poderia ter sido um dia um bom médium, promissor em prol da sagrada Umbanda, se fosse bem orientado e doutrinado, e deixasse seus egos e vaidades de lado como todo bom médium deveria fazer, nunca irá passar de um mero mistificador, de um IMITADOR, ele veste um personagem como um ator numa apresentação de teatro.
E a situação pode se tornar ainda mais constrangedora, quando esse médium cruza com um médium acoplado com uma entidade verdadeira, e isso eu já vi acontecer. Onde a boa conduta, a boa palavra de um guia verdadeiro se torna eficaz e indiscutível. Mas saibam, guias assim não se vê em antros e sim em Terreiros de Umbanda que se dão ao respeito e são dignos de suas missões.
Porque a presença de um guia verdadeiro em terra é inconfundível até mesmo para quem ousa imitá-los.
Hoje em dia um dirigente tem trabalho dobrado, devido essa gama de informações, exige dele uma atenção majestosa para orientar, doutrinar, observar seus médiuns sem os diminuir, mas tomando os devidos cuidados para que ele tenha dentro da sua corrente médiuns bons com entidades e guias verdadeiros e não meros atores, imitadores.
Lidar com o imaginário de uma pessoa é extremamente complicado. Tenham plena certeza disso. O que uma pessoa cria em sua mente pode se tornar tão real que ela mesma passa a acreditar no que ela mesmo criou e fantasiou.
Um guia verdadeiro ele tem uma presença única, um médium experiente consegue identificar sua energia de longe. Um guia verdadeiro tem uma personalidade própria, seu estereótipo, a personalidade, o caráter, a colocação da palavra, monta todo um contexto da mensagem que trás. E tudo isso por mais que queiram imitar, fantasiar, fica algo no mínimo grotesco.
O médium pode se vestir com roupas glamorosas, ter o melhor dos apetrechos, e mesmo assim algo lhe faltará.
Lhe faltará o encantamento, a energia única, a magia que envolve de fato um guia de Umbanda.
Muitos irão dizer é porque tem médiuns que são conscientes, semi-conscientes, inconscientes. Talvez por isso haja essa diferença.
Não. Já vi médiuns conscientes com manifestações idôneas, sérias e verdadeiras. E por outro lado médiuns inconscientes sendo verdadeiros marionetes nas mãos de espíritos altamente nefastos, mistificadores, justamente por serem inconscientes onde são colocados num patamar de médiuns especiais e acabam sendo mais atacados, porque quando caem nas mãos de espíritos trevosos, acabam ludibriando com maior facilidade tanto o médium que lhe serve de veículo, quanto aqueles que estão em volta colocando suas manifestações acima de qualquer crivo ou crítica. Quem iria duvidar ou mesmo questionar, da incorporação de um médium inconsciente? porque para alguns estão acima de qualquer suspeita.
E desde já, é de suma importância também esclarecer que em todo acoplamento espiritual, incorporação há a presença anímica do médium, independente se esse médium seja consciente, semi-inconsciente, ou inconsciente.
Antigamente era muito comum, se ver médiuns conscientes pedindo por trabalhos para se tornarem inconscientes. Muitos até afirmaram que ficaram num passe de mágica e hoje sabemos que não funciona assim. Uma boa dose de observação e estudo esclarece perfeitamente essa questão.
Quantas vezes você chega num terreiro e observa as manifestações dos guias ali presentes e parece até que são cópias dos guias chefes, tudo igualzinho?
É muito importante observar quanto a doutrina mediúnica, e até mesmo para se ter uma sustentação quanto a autenticidade, que um médium se ESPELHAR num bom médium, em seu dirigente, em seus EXEMPLOS , é muito diferente de querer IMITAR, COPIAR a manifestação de seus guias.
"Uma criança quando nasce terá seus pais como exemplo de conduta, caráter, ensinamento. Mas quando começa a crescer, a se amadurecer ela irá moldar seu próprio caráter, personalidade".
E não é diferente quando um médium iniciante começa a se aprimorar, a princípio vai seguindo os bons exemplos, os aconselhamentos, os aprendizados, como um pássaro que está formando e fortalecendo suas asas para sair do ninho e alçar voo. Se o pássaro sai do ninho antes do tempo, suas asas não estarão formadas e fatalmente irá cair ao chão e morrerá. O médium não é diferente neste comparativo, quantos médiuns estamos vendo em vários terreiros, que mal entram dentro da corrente já estão dando passes, prestando atendimento, guias e entidades já fumam e bebem, riscam pontos etc.
Será que muitos desses médiuns estão preparados mesmo? ou estão brincando de serem médiuns. E muitos desses médiuns estão falando bobagens para pessoas da assistência, estão receitando trabalhos equivocados e no lugar de ajudarem as pessoas acabam por prejudicá-las. Observem a gravidade que envolve tal conduta.
E infelizmente muitos dirigentes estão tão sugestionados quanto, médiuns despreparados, cegos guiando cegos, instruindo médiuns de forma equivocada, outros simplesmente fazem vistas grossas porque o importante é quantidade, muito médium na casa, colocando dinheiro no terreiro, e alimentando suas contas bancárias, infelizmente essa é a realidade de muitas casas, até a hora que algo começa ou dá muito errado, trazendo consequências tanto físicas quanto espirituais desastrosas, levando médiuns a situações constrangedoras e vexatórias. E o nome do terreiro vai para o ralo.
Muitos médiuns simplesmente não se importam, o importante para eles é estar ali participando de grandes festas, eventos, bebendo, comendo e fumando. Até a hora que precisarem realmente da assistência verdadeira dos seus guias e amparadores, e começarem a perceber, que nada está acontecendo, as respostas não estão chegando. E começamos a ver muitos fóruns com cobranças de toda monta abertos por médiuns que afirmam não estar tendo retorno com o trabalho tão primoroso dos mesmos.
Com toda certeza do mundo tem muito bom ator por ai, mas médium bom estão longe de ser.
O que adiantou ficar imitando o guia de fulano e ciclano, o que adiantou ter tantos guias e entidades com nomes famosos, o que adiantou aquela roupa chique, o que adiantou tanta pressa para incorporar, o que adiantou atropelar tanto o processo de despertar mediúnico?
Com ESPIRITUALIDADE NÃO SE BRINCA.
Muitos médiuns quando lerem esse texto irão se auto perguntar será que estou me enganando e enganando outras pessoas?
Façam uma auto análise para si mesmos. Algumas questões básicas.
  • Eu já pesquisei o ponto riscado dos meus guias na internet, os decorei para firmar no terreiro?
  • Já pesquisei sobre a história de uma determinada entidade para depois supostamente incorporado contar a outras pessoas como se aquelas histórias fosse do meu guia?
  • Já fui numa casa de artigos religiosos e vi uma imagem linda e logo em seguida cheguei no terreiro dizendo ser minha entidade?
Vamos analisar essas questões com cuidado é errado se aprofundar nos mistérios dos pontos riscados, seus fundamentos e símbolos? Não. Errado é você não deixar que seu guia venha em terra e firme seu próprio ponto.
Muitos pensarão isso é loucura, pois saibam é mais comum do que se imagina. Certa vez vi um médium ele decorou o ponto do Exú Maioral todo, comprou o livro e tudo e depois veio no terreiro e firmou com o suposto exú. Ai lhes pergunto uma entidade precisa que seu médium decore um ponto de um livro, de internet? Obviamente que não.
Quanto as histórias já escrevi aqui até uma matéria só sobre isso. É errado ler uma história de um guia? não, desde que entenda que aquela entidade não é a mesma que a sua, por mais que a mesma tenha um nome igual ou similar a sua.
Quanto a imagens é muito comum em médiuns novos, no começo ficam fascinados quando vão numa grande loja de artigos religiosos, acham uma determinada imagem e já falam, senti um arrepio... acho que é meu guia. Quando chega a gira, lá vem o tal suposto belíssimo guia.
Comportamentos até compreensíveis porque um médium no começo de sua trajetória tudo para ele é fascinante, mágico, maravilhoso, ficam deslumbrados, e é nessa hora que a posição de um bom dirigente é crucial para separar o que é verdadeiro do que é imaginário, porque se deixar, esse médium cada dia mais irá alimentar uma falsa realidade do que seja seus guias e processo mediúnico. E é uma judiação que isso aconteça.
Por isso é de suma importância a presença doutrinária tanto de um bom dirigente quanto de guias chefes verdadeiros em terra. Porque a responsabilidade de filtrar, doutrinar, observar, ensinar o correto é deles. Mas em muitos terreiros os médiuns ficam como folhas secas jogadas ao vento, jogados dentro de um terreiro, não tem ensinamentos, não se passa os devidos preceitos, banhos, doutrina. A impressão que passa quanto mais teatral mais o publico gosta.
Será que terreiros assim estão cumprindo os devidos propósitos da espiritualidade ou estão contribuindo para alimentar ainda mais a intolerância, o preconceito. Porque terreiros assim passam tudo, menos ser um terreiro idôneo e respeitável.
Médiuns predispostos a tais inclinações devem ser muito bem orientados, firmados, confirmados, instruídos o que é real do que é imaginário. Ensinando a eles desde cedo a ter um crivo racional nas questões mediúnicas e espirituais. Dando a eles um equilíbrio, porque do mesmo jeito que temos visto médiuns passando o carro na frente dos bois, sem nenhum pudor e vergonha, também temos vistos médiuns que ficam com tanto medo de errar, que ficam parecendo estátuas no terreiro, o receio é tão grande que atrapalha tanto quanto. Observem que tudo exige concentração, todo um trabalho de firmeza, que envolve banhos corretos, doutrina, estudo aplicados, e principalmente calma, sem pressa, segurança e confiança. Atenção e Acompanhamento.
Porque não adianta ficar competindo no terreiro quem tem o guia mais famoso quem incorpora mais rápido, e depois que supostamente incorporado fica com aquele olhar de paisagem onde é mais que evidente que ali está mais o médium que o guia.
Quando o guia chefe então está dando uma orientação mais enfática fica muito visível essa insegurança e falta de firmeza do médium. Volto a dizer no começo do despertar mediúnico ou desenvolvimento é normal esse lapidar, lamentável é ver essas constatações em médiuns que até então se afirmam estar firmes e preparados.
Não existe coisa mais preciosa quando um guia se apresenta a seu médium, quando o mesmo depois de um tempo, chega com firmeza no terreiro. Se permitam que isso aconteça com cada um. A pressa é a inimiga da perfeição.
Duvidas, inseguranças são menos danosas que o excesso ao contrário das mesmas, porque podem apenas retratar ego, vaidade e falta de avaliação própria. Tomem cuidado. Novamente equilíbrio.
Médiuns assim acham que enganam a todo mundo, mas na realidade só enganam a si mesmos.
Espero que as elucidações aqui citadas tragam esclarecimentos, reflexões para que todos cresçam tanto a nível espiritual quanto mediunico contribuindo dessa forma para o fortalecimento de nossos terreiros e em prol da nossa sagrada Umbanda.
Sejam bons médiuns trabalhem bem, trabalhem certo. Nossos amparadores agradecem.
Cristina Alves
Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira.

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