domingo, 14 de fevereiro de 2016

OS MÉDIUNS DESISTENTES E O MENOSPREZO PELOS GRUPOS...

 OS MÉDIUNS DESISTENTES E O MENOSPREZO PELOS GRUPOS...: O programa redentor de um médium é esquematizado no Espaço, antes de sua reencarnação, conforme as suas pesadas dívidas com as leis div...
                       
                As Flores na Fitoterapia Brasileira

Famosa flor originária da Ásia , pertence à família das papaveráceas . As flores , de grande formato , apresentam-se isoladas dos ramos, possuindo pétalas grandes, de cor vermelho-escarlate, freqüentemente com uma mancha negra na base. As pétalas das flores devem ser coletadas às primeiras horas da manhã, após sair o sol e quando as flores estão bem abertas. As pétalas acalmam a tosse. Propriedades levemente narcóticas fazem da papoula um elemento muito importante em grande número de receitas de plantas medicinais. Dela se extrai o ópio, produto de grande valor e que ocupa lugar de destaque na farmacologia. O ópio não é propriamente um alcaloide da papoula, mas composto por vários deles, como a morfina, a epinefrina, a tebaína, a meconina, a sodeína, a papaverina e a narcotina, aos quais o ópio deve seu alto poder narcótico. A papoula foi conhecida nos tempos mais remotos, teve muito prestígio entre os médicos da Grécia antiga, onde se afirmava que Hipnos, o deus do sono, a estimava muito e por isso apresentava-se sempre com frutos da planta na mão. A Fertilidade, a Noite e a Morte, entidades mitológicas da antiga Grécia, ostentavam sempre coroas confecciona-das com papoulas. Existem muitas variedades de papoulas destacando-se a papoula branca, a papoula do oriente ou dormideira, a papoula vermelha dos campos ou dormideira silvestre. Na medicina popular brasileira, o chá das folhas é usado como hipnótico, sendo empregado nas vertigens, insônias, exacerbação nervosa, acessos de tosse, dores, nevralgias, asma e outros.

Rosa
Da família das rosáceas, o chá das pétalas é indicado na falta de regras (mas não é abortivo), nos distúrbios menstruais em geral e na hemorragia uterina. É útil também no tratamento das inflamações dos olhos, vertigens, dores de cabeça, dor de garganta, amígdalas inflamadas. A famosa água de rosas alivia o calor, a congestão do sangue e acalma as superfícies inflamadas. As pétalas frescas da rosa podem ser amassadas no mel e usadas para dor de garganta ou dores na boca. A rosa pode ser preparada fervendo-se as pétalas frescas e condensando o seu vapor em outra vasilha.. O xarope feito com rosas vermelhas facilita a concepção. A água destilada das flores é boa para os fluxos venéreos anormais, sendo menstruais em caso de leucorreia.

Sabugueiro
Esta planta da família das caprifoliáceas foi trazida para o Brasil, procedente da Europa. Na extremidade dos ramos formam-se grandes ramalhetes ou cachos de flores brancas, que exalam um suave aroma, porém não totalmente agradável. As flores são coletadas na primavera e devem ser colocadas para secar à sombra e em local ventilado. Na medicina doméstica e popular, o chá das folhas e/ou das flores do sabugueiro é famoso pela sua ação sudorífica, sendo muito indicado nas viroses infantis, para promover a exteriorização mais rápida dos sinais ou para fazer surgir uma condição incubada. É também empregado contra as gripes, tosses, bronquites, defluxos e, principalmente, para debelar a escarlatina. A decocção das flores é também útil nas hemorroidas, em banhos mornos locais. O óleo tirado das suas sementes é bom contra a gota e as queimaduras (em aplicações locais para ambos os casos). O visco (parasita) que nasce perto da flor do sabugueiro era usado pela medicina alquímica antiga contra a epilepsia. No Brasil é uma tradição na medicina doméstica a indicação do popular chá de sabugueiro para combater o sarampo.

Saudade
Flor da família das Dipsáceas e originária da Ásia. É usada desde a antiguidade para a confecção de coroas e palmas para funerais, daí o seu nome.São flores miúdas representadas por pétalas. Uma flor é na verdade um agrupamento de pequeninas flores. No Brasil estas flores são usadas na medicina doméstica e popular para a preparação de um xarope contra as tosses, bronquites e outros males do aparelho respiratório. O chá das flores é considerado bom depurativo do sangue.

Tília
É uma árvore da família das tiliáceas. As flores, muito perfumadas, nascem ao lado do pecíolo da folha e são de cor esbranquiçada, devendo ser coletadas quando acabam de abrir-se, em dia seco e de sol. As flores constituem um dos melhores sudoríficos e antiespasmódicos do reino vegetal. Sua principal virtude é a de acalmar a excitação nervosa e proporcionar um sono tranqüilo aos que sofrem de insônia. As flores também são tônicas, digestivas, expectorastes e diuréticas.

Violeta

Existem mais de cem espécies de violetas; pertencem à família das violáceas, sendo a mais comum e famosa a violeta odorata. Esta possui dois tipos de cores diferentes: a violeta propriamente dita, que é a mais comum, e a branca. Há também um tipo de violeta de cor amarela, não tão graciosa, conhecida como goivo amarelo, cujo chá é utilizado contra a apoplexia.A violeta tradicional tem o caule frágil, e numerosas folhas cordiformes, serrilhadas; as flores nascem nas extremidades de pedúnculos, têm cor violeta intensa e são delicadamente aromáticas — exalam um aroma suavíssimo. As pétalas das flores são coletadas no princípio da primavera. Esta é uma planta que se presta a expressivas interpretações e interessantes lendas. Simboliza a simplicidade, a castidade, a austeridade e a virgindade.Na medicina natural, as flores em forma de chá têm ação emoliente e diaforética. Empregam-se contra o sarampo, tosses, bronquites, dores de garganta, artritismo, conjuntivite, olhos lacrimejantes, e outros casos.
                                        
                                         Karma
O silêncio não pode ser cultivado , não pode ser produzido deliberadamente; não pode ser procurado, pensado , nem meditado. O cultivo deliberado do silêncio é como a fruição de um prazer longamente desejado ; o desejo de silenciar a mente é apenas uma sensação. Um tal silencio é apenas uma forma de resistência , um isolamento que leva à decomposição. O silencio que é comprado é  produto do mercado, e está rodeado de barulho e atividade. O silêncio vem na ausência do desejo. O desejo é veloz , sutil , e profundo. A memória impede a vinda do silêncio , e a mente que está presa na experiencia , não pode ser silenciosa. O tempo, o movimento de ontem que flui para hoje e para amanhã , não ;e silencio. Coma cessação desse movimento , vem o silêncio , e só então pode despontar na existência aquilo a que se não pode dar nome.

"Vim para conversar sobre Karma. Tenho naturalmente certas opiniões a esse respeito, mas gostaria de conhecer a vossa."

Uma opinião nunca é a Verdade ; temos que lançar fora todas as opiniões , para acharmos a Verdade . Opiniões , as há inumeráveis, mas a verdade não é nem deste nem daquele grupo. Para a compreensão da Verdadetodas as idéias , conclusões e opiniões devem cair por terra, como as folhas secas de uma arvore. A Verdade não pode ser achada nos livros, no saber, na experiencia. Se estais colecionando opiniões, aqui não achareis nenhuma.

"Mas  podemos falar sobre Karma e buscar compreender seu significado, não?"

Isso, naturalmente , é outra coisa. Para a compreensão, as opiniões e as conclusões têm de cessar.

"Por que afirmais isso com tanta insistência? "

Podeis compreender uma coisa , se já tendes uma opinião formada a seu respeito , ou se  repetis as conclusões de outro? Para acharmos a verdade relativa a uma questão , não devemos abeirar-nos da questão como coisa nova, com a mente não enevoada por preconceito algum? Que é mais importante, estar-se livre de todas as conclusões e preconceitos, ou especular a respeito de uma dada abstração? Não é mais importante, achar a verdade do que discutir sobre o que seja a verdade ? Uma opinião sobre a verdade não é a verdade. Não importa descobrir a verdade , a respeito do Karma? Ver  o falso como falso , é começar a compreendê-lo, não ? Como podemos perceber o verdadeiro ou o falso, se nossa mente está encastelada na tradição, em palavras e explicações?  Se a mente está acorrentada a uma crença, como poderá ir longe? Para viajar para longe, a mente precisa estar livre. A liberdade não é uma coisa que se ganhará no fim de um longo esforço, ela deve existir justamente no começo da jornada.

"Desejo saber o que Karma significa para vós."

Senhor , façamos juntos a viagem de descobrimento. O mero repetir das palavras de outro não pode ter significação profunda . É o mesmo que tocar um disco de gramofone ( o equivalente do atual CD ). A repetição ou a imitação não faz nascer a liberdade. Que entendeis vós por Karma?

"É uma palavra sânscrito , que significa "fazer", "ser " , "agir", etc . Karma é ação , e toda ação é resultado do passado . Não pode haver ação que não seja condicionada pelo fundo já existente. Através de uma série de experiencias, de condicionamento e conhecimentos, forma-se o fundo tradicional, não só na vida presente do individuo e do grupo , mas através de muitas encarnações. A constante ação e a ação reciproca entre o fundo , que é o "eu", e a sociedade , a vida , é Karma : e Karma aprisiona a mente, o "eu ". O que pratiquei na minha vida passada, ou ainda ontem , me prende , me molda , causando dor ou prazer no presente. Há Karma coletivo , bem como Karma individual. Tanto o grupo como o individuo se acham presos à cadeia de causa e efeito. Haverá sofrimento ou alegria , punição ou recompensa , conforme o que pratiquei no passado."

Dizeis que a ação é resultado do passado. Mas tal ação não é ação, porém apenas reação , não é assim? O condicionamento, o fundo , reage aos estímulos; esta reação é a "resposta" da memória, e isso não é ação , porém Karma. Por ora, não estamos examinando o que é ação. Karma é a reação resultante de certas causas e produtivas de certos efeitos. Karma é esta cadeia de causa e efeito. Essencialmente, o processo do tempo é Karma, não ?. Enquanto existir passado, tem de existir presente  e futuro. Hoje e amanhã são os efeitos de ontem; ontem , em conjunção com hoje faz o amanhã.. Karma, como é geralmente entendido, é um processo de compensação.

"Como dizeis , Karma é um processo de tempo, e a mente é resultado do tempo. Só uns poucos felizes podem libertar-se dos tentáculos do tempo; nós outros estamos aprisionados no tempo. O que fizemos no passado , bom ou mau, determina o que somos no presente."

O fundo, o passado, é um estado estático? Ele não está a sofrer modificação constante? Não sois hoje o mesmo que fostes ontem; tanto fisiológica como psicologicamente há uma modificação constante, não há?

"Decerto"

Por conseguinte , a mente não é um estado fixo . Nossos pensamentos são transitórios, modificando-se incessantemente; são a reação proveniente do fundo. Se fui criado numa certa classe social, num certo meio cultural, reagirei a todos os desafios e estímulos de acordo  com meu condicionamento. 
Na maioria de nós esse condicionamento tem raízes tão profundas que a reação é quase sempre de acordo com o padrão. Nossos pensamentos são a reação do fundo. Nós somos o fundo; esse condicionamento não é separado ou dissimilar de nós. Com as variações do fundo, os nossos pensamentos também variam.

"Mas sem dúvida o pensador é todo diferente do fundo, não ? "

É mesmo? O pensador não é produto dos seus pensamentos? Existe uma entidade separada , um pensador distinto dos seus pensamentos? O pensamento não criou o pensador, dando-lhe permanecia, em meio à impermanência dos pensamentos? 
O pensador é o refugio do pensamento, e o pensador se coloca em diferentes níveis de permanência.

"Vejo que isso é exato; mas choca-me um tanto perceber os ardis com que o pensamento engana a si mesmo."

O pensamento é a reação do fundo , da memória ; a memória é conhecimento, resultado da experiencia. Essa memória, graças a novas experiencias e novas reações , torna-se mais vigorosa, mais ampla, mais aguçada e eficiente. Pode-se substituir uma forma de condicionamento por outra, mas esta é ainda condicionamento. 
A reação desse condicionamento é Karma, não ? A reação da memória é chamada ação, mas é apenas reação; esta "ação" gera nova reação , formando-se,  assim,  uma cadeia a que chamamos causa e efeito.  Mas a causa não é também efeito? Nem causa nem efeito é estático. Hoje é o resultado de ontem e hoje é a causa de amanhã; o que foi causa se torna efeito, e o efeito , causa. As duas coisas se interpenetram .. Não há momento em que a causa não seja também efeito. Só o que está "especializado" se acha fixado na sua causa e portanto no seu efeito. Uma bolota não pode tornar-se outra coisa senão um carvalho . Na especialização existe morte; mas o homem não é uma entidade especializada, ele é livre para ser o que deseja ser. Pode romper as cadeias de seu condicionamento   ---   e deve fazê-lo , se deseja descobrir o Real. Deveis deixar de ser brâmane, como vos denominais para "realizar" Deus. . Karma é o processo do tempo , o passado se movimentando através do presente em direção ao futuro; esta corrente é a via do pensamento.. Este é o produto do tempo, e aquilo que é imensurável , atemporal , só pode surgir depois de desaparecer o processo do pensamento. A tranquilidade da mente não pode ser provocada ou produzida por nenhuma prática ou disciplina. Se fazemos a mente tranquila , então tudo o que nela se manifestar será simples "autoprojeção" , reação da memória. Com a compreensão de seu condicionamento, com o percebimento imparcial de suas próprias reações, como pensamento  e como sentimento , a mente encontra a tranquilidade . Essa quebra da cadeia de Karma não depende do tempo, pois não se pode chegar ao atemporal através do tempo.

Karma tem de ser compreendido como processo total ( holístico ) e não apenas como coisa relativa ao passado. O passado é tempo, como o é também o presente e o futuro. O tempo é memória, palavra, ideia. Quando não existe mais a palavra, o nome , a associação , a experiencia , só então a mente está tranquila , não apenas nas suas camadas superficiais , mas completamente, integralmente.






Extraido do livro Reflexões sobre a Vida de J. Krishnamurti  -  Editôra Cultrix   -    1971
                   
              O individuo e a coletividade

O caminho , áspero e poeirento , levava a uma cidade situada embaixo. Restavam umas poucas arvores esparsas, na encosta, pois a maioria delas havia sido cortada para lenha e era necessário subir uma certa altura para se achar uma boa sombra. No alto do monte já não se encontravam árvores atrofiadas e mutiladas pelo homem ; lá elas cresciam livremente , até alcançarem sua  altura completa, e tinham  galhos grossos e folhagem normal. 
Ás vezes cortavam-lhes um galho , para as cabras comerem as folhas ,e esse galho, depois de desfolhado , era reduzido a lenha. O mato já era muito escasso nas partes mais baixas, de modo que a devastação ia alcançando cada vez mais para o alto; as chuvas já não eram tão abundantes como outrora ; a população crescia e o povo precisava viver. Padecia-se fome , e a cada um era tão indiferente viver como morrer. Não se viam nas cercanias animais selvagens, que deviam ter-se retirado para os pontos mais altos. Havia algumas aves a mariscar entre as moitas, mas até estas pareciam depauperadas e tinham penas quebradas. Um gaio preto e branco gritava muito excitado e rouco, saltando de galho em galho , numa arvore solitária.

Começava a fazer calor e a tarde ia ser muito quente. Não chovia suficientemente havia anos. A terra estava torrada e fendida, as poucas árvores cobertas de uma poeira marrom, e de manhã não havia sequer orvalho . O sol dardejava impedioso, dia após dia, messes a fio , e a duvidosa estação das chuvas ainda estava muito longe. Algumas cabras subiam o monte , guardadas por um menino, que se mostrou muito espantado por achar gente ali; mas não sorriu , e com ar muito grave lá se foi , atrás das cabras. Era um sítio solitário, aquele , e sobre ele se abatia o silencio do calor que vinha chegando. Duas mulheres vieram descendo pelo atalho  com feixes à cabeça. Uma era velha e a outra muito nova ainda. As cargas que transportavam pareciam muito pesadas. Cada uma delas equilibrava na cabeça , protegida por uma rodilha de pano, um longo molho de ramos secos atado com cipós verdes , o qual segurava com uma das mãos . Seus corpos gingavam , desembaraçados, ao descerem a ladeira, a passos ligeiros . Nenhum calçado tinham , embora fosse áspero o caminho. Os pés pareciam achar o próprio caminho, pois as mulheres nunca olhavam para o chão . Seguiam erectas , a cabeça erguida , os olhos congestionados perdidos na distancia . Eram muito magras , com as costelas à mostra, e a mulher mais velha tinha os cabelos emaranhados e sujos . Os cabelos da moça deviam ter sido untados e penteados recentemente, pois ainda se notavam  algumas adeixas reluzentes; também ela se mostrava esgotada , cansada. Não devia fazer muito tempo , ela ainda cantava e brincava com as outras crianças, mas agora tudo isso estava acabado. Sua vida agora era apanhar lenha nos montes e assim havia de ser até morrer, com uma pausa, de tempos a tempos , para parir um filho.

Fomo-nos todos, ladeira abaixo. A várias milhas de distancia achava-se a pequena cidade provinciana onde as mulheres iam vender a sua lenha por uma insignificância, só para começarem tudo de novo no dia seguinte. Conversavam , com longos intervalos de silencio . Em dado momento, a moça disse para a mãe que estava com fome , ao que a velha respondeu que ali todos nasciam com fome, viviam com fome e morriam com fome; era a sina  de todos eles . Isso era a expressão da verdade , mas não se lhe notava na voz nem censura , nem ressentimento , nem esperança. Continuamos descendo por aquele caminho pedregoso . Não caminhava atrás delas um "observador" , a ouvi-las e a compadecer-se delas. Ele não se tornara parte delas por amor e piedade ; ele era elas ; deixara de existir e elas existiam . Não eram os estranhos que ele encontrara lá em cima; eram ele próprio .. Dele eram as mãos que seguravam os feixes. E o suor, a exaustão , o cheiro , a fome , não eram delas, para serem compartilhados e lamentados. O tempo  e o espaço tinham deixado de existir . Não havia pensamentos em nossas cabeças, cansadas demais para pensar; e se algum pensamento surgia, era o de vender a lenha , comer, descansar , e começar de novo. Os pés que pisavam as pedras do caminho , não doíam , nem doía a cabeça ao sol. Só dois de nós descíamos aquele morro familiar, parando na fonte , onde bebemos como de costume, e atravessando o leito seco de um córrego de que nos lembrávamos.





Interrogante:        Não sei exatamente como formular esta pergunta mas tenho o forte sentimento de que as relações entre o individuo e a coletividade   ---   duas entidades opostas    ----   têm sido, até hoje , um longo desfile de males . A história do mundo , do pensamento , da civilização é , afinal de contas , a história das relações entre essas duas entidades opostas. Em toda as sociedades , o individuo é mais ou menos suprimido; ele tem de obedecer e adaptar-se ao padrão que os teóricos determinaram. O individuo está sempre tentando libertar-se desses padrões , e o resultado é uma batalha continua entre ambas as entidades . As religiões falam da alma individual como coisa separada da alma coletiva . Põem em relevo o individuo. Na moderna sociedade   ---   que se tornou tão mecânica e padronizada , e coletivamente atuante    ---   o individuo   anda à procura de sua própria identidade, a indagar o que é ele , a afirmar-se . A luta nunca leva a parte alguma. O que pergunto é : Que é que está errado em tudo isso?

Krishnamurti:        A unica coisa que realmente importa é que, no viver, haja uma ação proveniente da bondade , do amor e da inteligencia. A bondade é individual ou coletiva, o amor pessoal ou impessoal, a inteligencia  vossa , minha ou de outro ? Se é vossa ou minha , nesse caso não é inteligencia , nem amor , nem bondade.. Se a bondade é uma coisa relacionada com o individuo ou com a coletividade, conforme a preferencia ou o julgamento pessoal de cada um , então já não é bondade. A bondade não se encontra no quintal do do individuo, nem no vasto campo da coletividade; a bondade só floresce livre de ambos. Quando há essa bondade, esse amor e essa inteligencia , a ação não tem então referencia ao individuo ou à coletividade. Como nos falta a bondade, dividimos o mundo em indivíduos e coletividade, dividindo ainda a coletividade em inúmeros grupos, conforme a religião, a nacionalidade e a classe. Depois de criarmos essas divisões tentamos promover a união mediante a formação de novos grupos que, por sua vez , são separados de outros grupos. Supõem-se  que as grandes religiões existem para promover a fraternidade humana; entretanto , na realidade , a impedem .. Estamos sempre tentando reformar o que já se acha corrompido. Não erradicamos a corrupção fundamentalmente, mas tratamos , simplesmente , de reajusta-la.

Interrogante:         Quereis dizer que não devemos desperdiçar tempo em intermináveis especulações sobre o individuo e a coletividade, ou em  provar. que são entidades diferentes ou idênticas? Quereis dizer que só a bondade , o amor e inteligencia são importantes e se encontram fora da esfera do individuo ou da coletividade?

Krishnamurti:        Exatamente.

Interrogante:         A verdadeira questão parece ser, então: Como podem o amor , a bondade e a inteligencia atuar no viver de cada dia?

Krishnamurti:       Se atuam , então a questão do individuo e da coletividade é acadêmica.

Interrogante:         Como podem atuar ?

Krishnamurti         Só podem atuar no estado de relação. Toda existência é relação. O principal , portanto, é nos tornarmos cônscios de nossas relações com todas as coisas e pessoas e vermos como , nessas relações , o "eu" nasce e atua .. Esse "eu" tanto é coletivo como individual. É o "eu" que atua, coletivamente ou individualmente ; o eu que cria o céu e o inferno. Estar cônscio dele é compreende-lo. E a compreensão dele é o seu fim . Seu findar é bondade, amor e inteligencia..




Extraído dos livro  - A Luz que não se Apaga  ICK  e  Reflexões Sobre a Vida  - Cultrix   - ambos de J. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016


GRATIDÃO E ABUNDÂNCIA


Na área da psiconeuroimunologia, cresce a convicção de que as emoções, crenças, formas-pensamento, valores (nosso "mapa" do mundo) tem efeito determinante no funcionamento do corpo.
 Ao optarmos pela gratidão como filosofia de vida, como prática constante, presenteamos a nós mesmos com uma vida mais feliz, saudável e bem sucedida.
A gratidão gera ondas de vibração positiva deixando-nos afinados com o universo, com nossa essência divina, proporcionando harmonia interna e externa, gerando cura e rejuvenescimento.
A gratidão, como modo de ser, lembrando a Drª. Sharron Stroud, começa a se manifestar como arte e ciência da bênção. 

No solo fertilizado pela gratidão, é impossível encontrar preocupação, raiva, depressão ou emoções negativas.
Há uma nítida diferença entre os que vivem alimentando-se de amargura e os que vivem movidos por gratidão.
Há um revigorante poder na gratidão, também na medida em que libera endorfinas, fortalecendo o sistema imunológico. Quando a gratidão se transforma em estilo de vida, abrem-se as portas para a felicidade e a saúde. 

Não foi por masoquismo que São Paulo recomendou "em tudo dai graças"; há razões óbvias nesta orientação. E não tem a ver, necessariamente, em nos tornar aptos para irmos para o céu e sim tornarmo-nos mais felizes e eficientes aqui na Terra.
O apóstolo Paulo, constantemente submetido a duras privações e grandes obstáculos, sabia que o antídoto contra o veneno da amargura é a gratidão; por experiência percebia que não há como ser grato e infeliz ao mesmo tempo.
Sabia que a prática da gratidão o libertava do pensamento negativo, da dúvida, do cinismo, do comodismo resignado e covarde, ao mesmo tempo em que o transportava para a dimensão criativa onde o amor, a fé e a esperança habitam.  

Precisamos conscientemente injetar no cérebro doses maciças de gratidão todos os dias e várias vezes por dia.
Ao agirmos assim, perceberemos que mesmo um período doloroso pode receber uma leitura nova e positiva, abrindo-se a múltiplas possibilidades.
A vida se expande e floresce na gratidão podendo também se retrair e murchar na ausência dela.
 Um coração fechado bloqueia o acesso a fonte de toda a felicidade, a manifestação de Deus em nós, interrompe a linha de transmissão da energia criativa oriunda do Criador. 

O universo enamora-se da gratidão. Quanto mais gratos formos mais motivos para sermos gratos teremos.
A gratidão é a senha que nos permite o acesso aos tesouros da abundância; em contrapartida, a falta de gratidão e as queixas lamuriosas tornam as fontes de regozijo cada vez mais secas. 

Durante muitos anos tive dificuldade de aceitar presentes, o que acabei percebendo tratar-se de baixa autoestima e orgulho velado. Hoje, ao ser presenteado, gosto de dizer que aceito com gratidão e alegria. Percebo que ao agir assim me coloco como alvo da generosa e dadivosa Providência. 

O universo sempre nos dá mais daquilo em que nos concentramos. Há um princípio aceito de que aquilo que focamos se expande.
O Mestre Jesus declarou: "Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas o que não tem, até o que tem lhe será tirado". À primeira vista, tal declaração soa muito dura, parece injusta; entretanto, ela faz justiça aos princípios que regem o universo.
 O que o Mestre está dizendo é que a abundância, antes de ser plasmada no tempo e no espaço, precisa existir como forma-pensamento, como sentimento de gratidão pela abundância, implicitamente.
 Para o Mestre, pessoas que se alimentam de crenças negativas em relação a abundância, a prosperidade, colhem os frutos destas crenças. 

A parábola dos talentos, onde se encontram as palavras de Jesus supracitadas, referem-se a três personagens, três formas de lidar com o que a vida disponibiliza.
O terceiro personagem, que recebeu um talento, representa os que creem em um Deus amedrontador, severo, vingativo, que julga, condena e inibe a iniciativa humana.
 É do tipo que diz "fazer o que, a gente tem que se conformar, é a vontade de Deus..." e, de posse desta crença vive a enterrar o potencial nele existente.
 Os outros dois, no entanto, são movidos pelo dinamismo, criatividade e flexibilidade que a gratidão proporciona, vivendo para multiplicar o que lhes foi dado possuir. 

A gratidão nada tem a ver com comodismo ou resignação frustrada, ao contrário, é poderoso combustível para a ação.
A partir da plataforma da gratidão é que se lançam os destemidos projetos de fé. Jesus estava, portanto, ensinando a importância de nos concentrarmos no que temos e no que verdadeiramente desejamos, em vez de focarmos e relembrarmos o que nos falta. Se focarmos no que nos falta, o que nos falta é o que na verdade temos.
Portanto, se não abrigarmos pensamentos e sentimentos de abundância, corremos o risco de ter cada vez menos. 

Tal afirmação do Mestre me remete a uma história que li no livro "GRATIDÃO, UM ESTILO DE VIDA".
 O autor do artigo que contem a história, Alan Cohen, assim a descreve: "Ouvi falar de uma mulher chamada Sarah, que se encontrava deitada na cama de um hospital, depois de ter sofrido um acidente, profundamente deprimida, incapaz de mexer qualquer parte de seu corpo exceto o dedinho de uma mão. Sarah decidiu, então, que faria uso do que tinha, em vez de se lamentar pelo que não tinha. Começou, então, a abençoar o único dedo que podia mexer e acabou desenvolvendo um sistema de comunicação, baseado em sim e não com o dedinho. Sarah tornou-se agradecida pelo fato de poder se comunicar e, assim, sentiu-se mais feliz. Na medida em que ela abençoou o movimento, sua flexibilidade aumentou. Dentro de pouco tempo, Sarah conseguia mexer a mão, depois o braço e, finalmente, todo o corpo." 

A radical alteração no corpo de Sarah teve início quando no lugar de uma atitude crítica e queixosa ela passou a alimentar-se de abençoada gratidão.
 Entre as dietas alimentares que objetivam saúde e longevidade, gostaria de propor mais uma: 
à base de generosas e enriquecidas porções de gratidão diárias. 

Lembrando Milady Bertie "A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Ela torna o que temos em suficiente, e mais.
Ela torna a negação em aceitação, caos em ordem, confusão em claridade. Ela pode transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã." 

Será também oportuno, juntamente com os novos projetos, promessas e propósitos pessoais, concentrarmo-nos no que temos, no que funciona, no que não precisamos pedir.
Deixar-nos embriagar de gratidão, além de não provocar ressaca, abrirá as portas para o caminho da abundância. 

Ah, não posso esquecer! Deixo aqui minha gratidão a você que leu este texto e talvez muitos outros de minha autoria, também. Sinto-me privilegiado e feliz com a disponibilização do seu tempo.
 MUITO OBRIGADO!
 
por Oliveira Fidelis Filho -  
Teólogo Espiritualista, Psicanalista Integrativo, Administrador, Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor


  ”SÓ EXISTEM DOIS DIAS NO ANO EM QUE NADA PODE SER FEITO: UM SE CHAMA “ONTEM” E O OUTRO SE CHAMA “AMANHÔ. PORTANTO “HOJE” É O DIA CERTO PARA AMAR, PERDOAR, ACREDITAR, SORRIR, FAZER O QUE TEM QUE SER FEITO... HOJE É O DIA DE VIVER.                        
DALAI LAMA 

UMBANDA: Oxalá criou o homem - mitos da criação.

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